A casa estava enfim quieta. O eco das vozes, dos confrontos, das conversas forçadas, tinha se dissipado, deixando apenas o ronco suave do mar ao longe e a respiração profunda de Gabriel e Maria, cada um em seu canto na cama.
Eu estava em frente ao espelho do banheiro, escovando os cabelos, quando Alessandro apareceu na porta.
Ele não falou. Apenas estendeu a mão e seus olhos, no reflexo, tinham um brilho intenso, um plano escondido.
— Onde vamos a essa hora? — perguntei baixinho.
Ele sorriu, um daqueles sorrisos raros que eram só meus.
Um canto da boca se erguendo, os olhos suavizando.
— É segredo. Vem.
Hesitei por um segundo. Mas a verdade é que eu confiava naquele sorriso mais do que em qualquer coisa no mundo. Deixei a escova na pia e coloquei minha mão na dele.
Ele me levou pelos corredores silenciosos da casa, descemos as escadas sem fazer barulho, e ele abriu a porta de vidro que dava para o jardim. O ar da noite australiana caiu sobre mim, fresco, quase frio, carregando o ch