Mundo de ficçãoIniciar sessãoCinco anos atrás, Valentina desapareceu sem deixar rastros. Hoje, ela vive como Tina: uma mulher que se reconstruiu sozinha, sem passado, sem origem, e com uma filha que ama mais do que o próprio ar. Mas tudo muda quando Máximo, o homem que jurou nunca desistir dela, aparece em sua porta… e a reconhece. Para ele, é o reencontro da vida. Para ela, é o confronto com uma história que não lembra, com escolhas que não fez, e com uma versão de si mesma que talvez nem queira recuperar. Entre lembranças fragmentadas, verdades malditas e um amor que insiste em atravessar qualquer escuridão, Tina precisa decidir se confia no homem que diz ser seu marido — ou se protege a mulher que aprendeu a ser. Porque reencontrar o passado é fácil. Difícil é aceitar que duas versões de uma mesma alma podem amar… e desejar caminhos diferentes. Em Outra Metade de Mim, descobrimos que o coração nem sempre volta ao ponto onde parou — às vezes, ele renasce em outro lugar. E cabe a cada um escolher qual metade vai se sobressair.
Ler maisDe volta ao Brasil, Máximo finalmente convenceu Tina a se mudar para o apartamento dele em Pindamonhangaba.Tina olhou ao redor, suspirando.O apartamento era grande, ensolarado e cheio de promessas de rotina… algo que ela nunca teve.Máximo segurou a mão dela, com aquele sorriso protetor que ela conhecia tão bem.— Vai ficar aqui em segurança. Prometo que você pode ter um jardim em cada prédio da firma.Deu uma pausa.— Ah, e contratei uma governanta para cuidar da Mel quando a gente viajar.Tina arregalou os olhos.— Uhu! Então quer dizer que vou viajar pelo país fazendo jardins?— Hm… não sei se isso é bom. Ele provocou.— Claro que é! Tina riu. — Vou ser conhecida no Brasil inteiro pelos meus jardins encantados.Máximo fingiu pensar.— Então, vou precisar ajustar minha agenda. Viajar com você para todos os hotéis.— Um casal itinerante! Tina vibrou.Ele deu aquele meio sorriso perigoso.— E inaugurar todos os jardins do nosso jeito. Transando com você.— Max! Ela fingiu indignação
A chegada ao palacete tinha gosto de ferro.Máximo estacionou o carro com uma calma tão forçada que até o volante parecia rezar pela paciência dele.Desci com a Melinda grudada em mim. Ela ainda fungava baixinho, tentando se acalmar depois do que aconteceu.Francisco apareceu primeiro… pálido, visivelmente aliviado. Abriu os braços num impulso automático, mas eu me limitei a um aceno educado.Não dava para abraçar ninguém enquanto o coração ainda batia com cheiro de susto.Felipa veio logo atrás.Veio como sempre vinha: postura impecável, queixo erguido, voz doce como veneno com mel.— Valentina… minha filha… eu… me desculpe. Foi… um mal-entendido.Mal-entendido.Claro.O tipo de “mal-entendido” que quase faz uma criança fugir sozinha, à noite, em outro país.Respirei fundo e falei antes que Máximo abrisse a boca.— Eu não aceito suas falsas desculpas.Felipa piscou, como se tivesse levado um tapa de luva de pelica.— Você precisa compreender… tudo aconteceu muito rápido… sua mudança,
Mel subiu para dormir.E foi aí que começou a terceira guerra mundial.Felipa caminhava pela sala como uma rainha ultrajada, cada passo um protesto silencioso contra o que ela chamava de decadência.— Valentina, você mudou demais. A voz saiu carregada de desprezo. — Como pode achar que eu aceitaria isso sem questionar? Você aparece aqui com uma… criatura… e quer que eu a aceite como neta. Ela não é minha neta. Não tem o meu sangue. E nunca vai se portar como uma dama. Entrelacei os braços.— Graças a Deus, eu mudei.Felipa virou-se bruscamente.— Essa rebeldia é capricho. Olha só para você, nem parece minha filha. Achei que, conforme sua memória fosse voltando, minha menina voltaria.Você não é minha Valentina e não pode simplesmente trazer uma criança e achar que…— Chega. Ergui a mão. — Eu não vou permitir que vocês falem dela desse jeito. E não vou deixar que tentem controlar a minha vida de novo.Francisco, visivelmente exausto, passou a mão pelo rosto antes de intervir.— Felipa
Arrumar malas sempre foi uma coisa mecânica para Valentina, mas para Tina não.Roupas dobradas, sapatos separados, tudo no lugar certo. Controle. Ordem. Silêncio.Hoje a mala está aberta no chão do quarto e eu fico encarando o que colocar dentro como se cada peça de roupa fosse uma decisão emocional importante demais para uma simples viagem.Dobro uma blusa. Desdobro. Troco por outra.Suspiro.Levanto o olhar sem perceber… e encontro Máximo encostado no batente da porta, braços cruzados, observando em silêncio.Não diz nada.Nunca diz.Mas o olhar dele diz: estou aqui.E isso me desmonta um pouco toda vez.Mel passa correndo pelo corredor, arrastando a própria mala, maior do que ela.— MÃE! Você acha melhor levar dois tênis ou três? Porque assim… Madri é Europa, né? Vai que meus pés europeus exigem opções!— Mel, você vai ficar três dias. Respondo, tentando manter a voz firme. — Três tênis é praticamente um atentado à logística internacional.Ela ignora completamente.— Vou andar em a





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