Mundo de ficçãoIniciar sessãoNo dia de seu vigésimo aniversário, a vida de Octávia Knight vira um inferno. Axel Teller, seu companheiro destinado, não apenas a rejeita por ser uma "Ômega fraca estrangeira e sem valor", como a vende como escrava para sumir com sua existência. Callun Veinar é um Alfa frio e implacável, movido pelo luto e por uma sede de vingança que consome sua alma. Para conseguir sua vingança ele precisa de poder e sua única chance é se poder competir pelo trono de Rei Alfa. O problema para participar era que agora ele precisava de uma família com mulher e filhos. O contrato era parecia algo simples. O destino, ou a Deusa da Lua, colocar a ex-companheira de seu sobrinho traidor em seu caminho, ou o melhor, ela estar gravida dele.
Ler maisOctávia acorda dentro de um carro, abrindo os olhos devagar, enquanto sente o peso de um braço forte sobre a sua cintura. O cheiro dele parecia impregnado em cada poro de sua pele, revelando o calor residual do que fizeram.
A realidade a atingiu como uma avalanche.
Nervosa, ela olhou para o homem ao seu lado. Percebendo um estranho que nunca viu na vida.
O homem era visivelmente um licano de beleza letal para qualquer coração feminino. Seus cabelos platinados, eram como os de Axel, mas ele parecia mais velho e infinitamente mais bonito.
Depois ela desviou seu olhar para o estado de suas próprias roupas, percebendo-as rasgadas e espalhadas pelo tapete do carro.
Um rubor violento subiu por seu pescoço, tingindo suas bochechas de um vermelho vivo.
A dor que seu coração sofrera ainda latejava no fundo em sua alma, ao mesmo tempo que a vergonha a consumia.
Ela era virgem e havia guardado sua pureza para o seu companheiro destinado, mas em uma única noite, fora traída, rejeitada, drogada, e havia se entregado a um desconhecido no banco de trás de seu carro.
— Meu Deus… o que eu fiz? — sussurrou com a voz trêmula. - Ele... Ele não é o Alfa Axel. O Alfa Axel vai realmente me rejeitar depois disso. Oh minha Deusa... O que eu diabos eu fui fazer?
Sua loba uivava em sua mente tão angustiada quanto ela.
Com movimentos frenéticos, ela catou sua roupa e começou a se vestir. Seus dedos tropeçavam no tecido rasgado do vestido, mas ela não podia ficar ali.
Não podia encarar aquele lindo homem desconhecido quando ele acordasse.
Octávia abriu a porta do carro com cuidado, o estalo da fechadura soando como um tiro no silêncio da madrugada. E sem olhar para trás, ela saltou para o asfalto frio e se embrenhou na floresta, correndo como se a própria morte a perseguisse.
“- Como raios eu vim parar aqui?” – Ela correu com o coração martelando no peito enquanto se forçava a lembrar os eventos do dia.
O ar da manhã de outono parecia carregar uma promessa diferente para Octávia Knight, naquela manhã.
Pelo menos, era nisso que sua alma desesperada agarrava-se a acreditar para não quebrar. Ao completar vinte anos, sua esperança florescia em seu peito como uma rosa teimosa em solo infértil.
— Vinte anos...— sussurrou para si mesma, sentindo o coração galopar contra as costelas, numa batida rítmica que ecoava sua ansiedade. — Hoje, a Deusa finalmente vai me mostrar que eu pertenço a algum lugar. Hoje a minha loba despertará de verdade, e eu saberei quem é o meu parceiro destinado.
Octávia nunca fora notada, graças a beleza exuberante das outras lobas da matilha Lua de Prata.
Enquanto as outras lobas tinham cabelos que pareciam fios de ouro e corpos curvilíneos, Octávia tinha a pele de um tom mais pálido, olhos roxos e seus cabelos pretos, que eram longos e sedosos, que caiam como um tecido de seda até a cintura.
Na Lua de Prata, ela era como uma sombra, uma ômega estrangeira bastarda, acolhida pela caridade do antigo Alfa Elion, um homem de coração nobre que a resgatara de um bando de caçadores quando ela era apenas uma filhote perdida pela floresta.
Mas Elion morrera, e com ele, qualquer proteção que Octávia tivesse. Agora, ela era tratada como um estorvo, uma criada, uma "sem-matilha" que comia as sobras e vivia no sótão cheio de mofo.
Mas hoje, Axel Teller, o herdeiro de Elion, estava preparando uma festa. Axel, o homem que ela sempre observara de longe, com uma admiração que beirava a adoração lembrara de seu aniversário.
Ele era bem parecido com o pai, imponente, com cabelos prateados que brilhavam sob o sol e um maxilar esculpido que emanava autoridade.
O antigo Alfa Elion sempre fora bondoso com ela, e em sua inocência, acreditava que o Alfa Axel herdara não apenas o título, mas o coração do falecido pai.
Octávia abriu uma pequena caixinha de madeira que ela havia escupido o símbolo da matilha. Dentro, repousava uma pulseira de couro que ela mesma passara noites bordando com todo o coração.
Era um trabalho delicado, com fios de prata, formando o brasão da Lua de Prata. Um símbolo de gratidão para o novo Alfa por ter dado a ela ao menos a sua festa de vinte anos.
"- Vou entregar isso a ele e agradecer pela festa"- pensou, o sorriso iluminando seu rosto. - "Vai ser o momento perfeito".
Seu otimismo era inabalável naquela manhã. Ela desceu as escadas de madeira, que rangiam sob seus pés, e correu em direção ao pátio central da mansão da matilha, segurando o presente com força contra o peito.
Ao chegar, seus olhos brilharam. O pátio estava transformado. Mesas postas com frutas silvestres, pães artesanais, queijos e arranjos de flores que Axel amava.
Uma pequena, mas sofisticada celebração estava sendo preparada.
Octávia sentiu um nó de emoção na garganta, uma queimação doce atrás dos olhos.
"- Ele lembrou mesmo.” - pensou, as lágrimas ameaçando transbordar. - "Eu passei tantos anos sendo invisível, mas hoje... hoje eles estão celebrando a minha vida. O Alfa Axel está celebrando a minha vida como sua irmã de criação".
Ela caminhou entre os membros da matilha, sorrindo para rostos que sempre lhe devolviam olhares gélidos, de desdém ou pior, de total indiferença.
Naquele dia, ela decidiu ignorar tudo. Ela queria ser parte de algo. Queria acreditar que a Lua de Prata era sua casa e que a Deusa da Lua tinha algo lindo para seu futuro.
— Bom dia! — cumprimentou um grupo de fêmeas que decoravam uma das colunas com fitas de seda.
Elas apenas a encararam de cima a baixo, os olhos cheios de julgamento para o seu vestido simples e seus cabelos e olhos escuros.
Uma delas, uma loba loira e alta chamada Tânia, soltou um bufo sonoro antes de voltarem ao que faziam, sussurrando risadinhas maldosas que queimaram as orelhas de Octávia.
"- Não importa. Hoje é o meu dia."
Octávia pensou, apertando a caixa da pulseira de couro nas mãos entrelaçadas, o coração batendo com uma esperança tola.
- "Hoje tudo muda. Ele vai me reconhecer como sua irmã de criação e a minha loba vai escolher o meu companheiro".
Ela se afastou do grupo, teimando em manter o sorriso. Logo ela avistou o Alfa Axel no topo da escadaria de pedra que levava à entrada principal da mansão.
Ele estava parado ali, a postura imponente, os cabelos prateados brilhando, a pele bronzeada contrastando com a camisa de linho branco que vestia.
Ele era o ápice da masculinidade licana, um predador no controle de seu território. E o licano mais lindo e delicioso da matilha Lua de Prata.
Ela respirou fundo, tentando acalmar o tremor nas mãos, e começou a subir as escadas. A cada degrau, a pulseira em suas mãos parecia mais pesada.
Axel percebeu sua aproximação, franzindo o cenho, os olhos dourados, os mesmos que ela tanto admirava, estreitando-se em uma expressão de aborrecimento imediato.
Ele não se moveu, apenas esperou, como um rei esperando uma súplica de um súdito indesejado.
— Alfa Axel... — Octávia começou, a voz falhando um pouco ao chegar ao topo. Ela forçou um sorriso, tentando transmitir toda a gratidão que sentia. — Eu queria... queria muito agradecer.
Axel inclinou a cabeça levemente, com sua expressão gélida.
— Agradecer pelo quê?
O olhar dele doeu, como sempre, mas ela ignorou.
— Pela festa. Por ter se lembrado do meu aniversário e de finalmente contar a todos que fui adotada por seu pai o Alfa Elion. — ela disse, a esperança vibrando em suas palavras. — Eu sei que... que o Alfa Elion era um homem muito bom, e ver que você...
— Espere.
Axel a interrompeu, a voz cortante como uma lâmina de gelo. Ele soltou uma risada curta e sem humor.
— Você acha mesmo que eu organizei essa festa para você? Para falar que meu pai adotou uma bastarda ômega, feia e estrangeira?
O sorriso de Octávia congelou. Ela tentou usar a negação como um escudo, mas o tom dele era de veneno puro.
— Eu... eu pensei que...
— Deixe-me deixar uma coisa bem clara para a sua mente lenta.
Ele disse, dando um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela, mas não com o calor de um irmão, e sim com a dominação de um Alfa que despreza a sua presença.
— Eu não fiz isso para você. Eu fiz isso para mim. Para a matilha Lua de Prata. Hoje, eu, o Alfa Axel Teller, irei escolher a minha Luna. Uma loba de verdade. Uma fêmea digna de carregar meu herdeiro. Não uma estrangeira inútil que meu pai acolheu por pena quando deveria tê-la deixado para a morte.
A humilhação fora total. Octávia estava petrificada, as lágrimas correndo livremente por seu rosto.
Os risos dos outros lobos preenchiam o ar como estilhaços de vidro. Ela era praticamente uma atração de circo, sendo destruída publicamente pelo seu próprio Alfa.
Nesse momento o vento mudou e o cheiro de Axel, atingiu Octávia com a força de um furacão, despertando cada fibra de sua loba.
No mesmo segundo, Axel travou. As pupilas douradas se dilataram, e um rosnado involuntário vibrou em seu peito largo.
O reconhecimento foi como um choque elétrico que percorreu a espinha de ambos. A Deusa da Lua que nunca cometera um erro, fez deles companheiros destinados.
E a Deusa acabava de ligar ela a seu irmão de criação, que acabara de humilhá-la publicamente, a rejeitando completamente.
Octávia sentiu um sopro de esperança aquecer seu peito.
"- Ele... é o meu parceiro? O Alfa Axel, é o meu parceiro. Ele sentiu isso, não sentiu?" – Ela pensou chocada.
Mas o choque de Axel não se transformou em alegria. Em vez disso, seu rosto se contorceu em uma expressão de nojo e fúria tão grande que Octávia recuou um passo.
Sem dizer uma única palavra, ele a ignorou, girando nos calcanhares e desaparecendo nas sombras do corredor da mansão, fugindo do laço como se fugisse de uma maldição.
Quatro anos depois...O relógio de parede da enorme sala de estar marcava quase dez da noite quando a porta principal se abriu, revelando um homem visivelmente exausto.Callun afrouxou o colarinho da camisa social escura, jogando o paletó sobre o braço com um suspiro pesado.A vida de um Rei Alfa não era fácil e a unificação das matilhas e a política entre os licanos exigiam reuniões intermináveis, tratados burocráticos e viagens que o mantinham ocupado demais, mal conseguindo ir para casa ver sua amada família.Ao entrar, o silêncio da casa indicava que a correria dos filhotes já havia cessado.Yu, agora era um esperto garotinho de 4 anos e a cara cuspida e escarrada da mãe, já deveria estar capotado.Liana, a segunda filha tinha 3 anos, e puxara os cabelos brancos e os intensos olhos azuis do pai, e ela com certeza também j
O colchão afundou sob o peso dos dois, e o som dos lençóis se agitando foi abafado pelo estalo úmido dos lábios que se separaram apenas por um milésimo de segundo antes de se buscarem de novo, ainda mais famintos.Isao arfou contra a boca de Bane, as mãos subindo desesperadas para os cabelos do Beta, puxando-o para mais perto enquanto suas pernas se envolviam ao redor do quadril dele por puro instinto.Bane desceu os beijos pela mandíbula de Isao, distribuindo mordidas de leve que faziam o jovem Alfa da Névoa estremecer por inteiro, soltando gemidos baixos que inflavam o ego do companheiro.Sem pressa, mas com uma urgência que queimava o sangue de ambos, as roupas foram sendo arrancadas e jogadas em algum canto do quarto até que não restasse nenhuma barreira entre suas peles.Quando o corpo massivo de ébano de Bane se colou ao alvo de Isao, o contraste de cor e tempe
Enquanto isso, no quarto de hóspedes do outro lado do corredor, a atmosfera era bem diferente, mas igualmente caótica, com Isao que estava sentado na beirada da cama, passando a mão na cara com força, com o rosto ardendo em um tom vermelho-pimentão de pura vergonha pelo papelão que seu cunhado acabara de fazer nacionalmente.Callun havia esquecido que como Rei Alfa, seu laço mental se estendeu e iria se estender cada vez mais, até chegar a todos os licanos do mundo.Ao mesmo tempo, um sorriso genuíno tentava escapar de seus lábios, com o peito aquecido pela imensa felicidade de saber que sua irmã estava grávida e bem.Bane, que estava parado na entrada da porta, não aguentou e soltou uma risada rouca, deu dois passos à frente, puxou e envolveu Isao pelo quadril com os braços firmes, puxando o corpo do jovem Alfa contra o seu.Ele inclinou a cabeç
— Por que estão rindo? — resmungou Callun sem graça.O Dr. Silas trocou um olhar significativo com Octávia, como se dissesse "eu não falei?".Ela riu mais um pouco e desconversou.— Não é nada.Ao notar o clima e o rubor nas bochechas do novo Rei Alfa, o Dr. Silas soltou uma última risadinha discreta e começou a organizar seus frascos na maleta, pigarreando para atrair a atenção do casal.— Bom, minha Luna, meu Rei Alfa... Acredito que minha presença aqui já não é mais necessária.Disse o velho doutor com um tom benevolente.— Vou deixá-los a sós para conversarem um pouco. Você precisa de repouso, Luna Octávia, mas aposto que a companhia do seu companheiro é o melhor remédio agora.Silas pisca um olho para Octavia discretamente, que entende a deixa rindo.
Último capítulo