Mundo ficciónIniciar sesiónNo dia de seu vigésimo aniversário, a vida de Octávia Knight vira um inferno. Axel Teller, seu companheiro destinado, não apenas a rejeita por ser uma "Ômega fraca estrangeira e sem valor", como a vende como escrava para sumir com sua existência. Callun Veinar é um Alfa frio e implacável, movido pelo luto e por uma sede de vingança que consome sua alma. Para conseguir sua vingança ele precisa de poder e sua única chance é se poder competir pelo trono de Rei Alfa. O problema para participar era que agora ele precisava de uma família com mulher e filhos. O contrato era parecia algo simples. O destino, ou a Deusa da Lua, colocar a ex-companheira de seu sobrinho traidor em seu caminho, ou o melhor, ela estar gravida dele.
Leer másO ar da manhã de outono parecia carregar uma promessa diferente, um frescor que não vinha apenas da estação, mas de dentro da alma. Para Octávia Knight, os primeiros raios de sol que atravessavam a fresta da pequena janela de seu quarto no sótão, um espaço que servia tanto de refúgio quanto de prisão, não eram apenas luz; eram o anúncio de sua liberdade.
Pelo menos, era nisso que sua alma desesperada agarrava-se para não quebrar. Ao completar vinte anos, a esperança florescia em seu peito como uma rosa teimosa em solo infértil.
— Vinte anos...— sussurrou para si mesma, sentindo o coração galopar contra as costelas, uma batida rítmica que ecoava a ansiedade e o desejo. — Hoje, a Deusa finalmente vai me mostrar que eu pertenço a algum lugar. Hoje a minha loba despertará de verdade, e eu saberei quem é o meu parceiro destinado.
Ela se levantou com pressa, o corpo ávido pelo dia que se iniciava. Aproximou-se do pequeno espelho quebrado sobre a cômoda e encarou seu reflexo. Octávia nunca fora notada, graças a beleza exuberante das outras lobas da matilha Lua de Prata.
Enquanto as outras tinham cabelos que pareciam fios de ouro ou fogo e corpos curvilíneos feitos para a caça e o prazer, Octávia tinha a pele de um tom mais pálido, exótico, e olhos roxos, profundos como o anoitecer, que revelavam sua origem distante. Seus cabelos pretos eram a única coisa que ela gostava, longos e sedosos, caindo como um tecido de seda até a cintura.
Na Lua de Prata, ela era como uma sombra, uma ômega estrangeira bastarda, acolhida pela caridade do antigo Alfa Elion, um homem de coração nobre que a resgatara de um bando de caçadores quando ela era apenas uma filhote órfã perdida pela floresta.
Mas Elion morrera, e com ele, qualquer proteção que Octávia tivesse. Agora, ela era tratada como um estorvo, uma criada, uma "sem-matilha" que comia as sobras e vivia no sótão cheio de mofo, caixas e insetos repugnantes.
Mas hoje, Axel Teller, o herdeiro de Elion, estava preparando uma festa. Axel, o homem que ela sempre observara de longe, com uma admiração que beirava a adoração. Ele era bem parecido com o pai, imponente, com cabelos prateados que brilhavam sob o sol e um maxilar esculpido que emanava autoridade.
O antigo Alfa Elion sempre fora bondoso com ela, e em sua inocência, acreditava que o Alfa Axel herdara não apenas o título, mas o coração do falecido pai.
Octávia vestiu com pressa o vestido simples de tecido leve, verde-esmeralda, que realçava a cor de seus olhos. Não era luxuoso, por que ela não tinha muitas coisas, mas era o melhor que ela tinha.
Antes de sair, abriu uma pequena gaveta e tirou uma caixinha de madeira que ela havia escupido o símbolo da matilha. Dentro, repousava uma pulseira de couro que ela mesma passara noites bordando com todo o coração.
Era um trabalho delicado, com fios de prata, formando o brasão da Lua de Prata. Um símbolo de gratidão para o novo Alfa por ter dado a ela ao menos sua festa de vinte anos.
"- Vou entregar isso a ele e agradecer pela festa"- pensou, o sorriso iluminando seu rosto. - "Vai ser o momento perfeito".
Seu otimismo era inabalável naquela manhã. Ela desceu as escadas de madeira, que rangiam sob seus pés, e correu em direção ao pátio central da mansão da matilha, segurando o presente com força contra o peito.
Ao chegar, seus olhos brilharam com uma intensidade febril. O pátio estava transformado. Mesas postas com frutas silvestres, pães artesanais, queijos e arranjos de flores que Axel amava. Uma pequena, mas sofisticada celebração estava sendo preparada.
Octávia sentiu um nó de emoção na garganta, uma queimação doce atrás dos olhos.
"- Ele lembrou e realmente me deu uma festa como prometido." - pensou, as lágrimas ameaçando transbordar. - "Eu passei tantos anos sendo invisível, mas hoje... hoje eles estão celebrando a minha vida. O Alfa Axel está celebrando a minha vida como sua irmã de criação".
Ela caminhou entre os membros da matilha, sorrindo para rostos que sempre lhe devolviam olhares gélidos, de desdém ou, pior, de total indiferença. Naquele dia, ela decidiu ignorar a frieza. Ela queria ser parte de algo. Queria acreditar que a Lua de Prata era sua casa e que a Deusa da Lua tinha algo lindo para seu futuro.
— Bom dia! — cumprimentou um grupo de fêmeas gamas e ômegas que decoravam uma das colunas com fitas de seda.
Elas apenas a encararam de cima a baixo, os olhos cheios de julgamento para o seu vestido simples e seus cabelos de estrangeira. Uma delas, uma loba loira e alta chamada Tânia, soltou um bufo sonoro antes de voltarem ao que faziam, sussurrando risadinhas maldosas que queimaram as orelhas de Octávia.
"- Não importa. Elas não sabem" - Octávia pensou, apertando a caixa da pulseira de couro nas mãos entrelaçadas, o coração batendo com uma esperança tola. - "Hoje tudo muda. Ele vai me reconhecer como sua irmã de criação e a minha loba acorda, e se a Deusa for ainda mais bondosa... hoje eu posso até encontrar com o meu companheiro".
Ela se afastou do grupo, a sensação de deslocamento retornando com força, mas teimando em manter o sorriso. Logo ela avistou o Alfa Axel no topo da escadaria de pedra que levava à entrada principal da mansão.
Ele estava parado ali, a postura imponente, os cabelos prateados brilhando sob o sol, a pele bronzeada contrastando com a camisa de linho branco que vestia. Ele era o ápice da masculinidade licana, um predador no controle de seu território. E o licano mais lindo e delicioso da matilha Lua de Prata.
Ela respirou fundo, tentando acalmar o tremor nas mãos, e começou a subir as escadas. A cada degrau, a pulseira em suas mãos parecia mais pesada, mais cheia de significados.
Axel percebeu sua aproximação. Ele franziu o cenho, os olhos dourados, os mesmos que ela tanto admirava, estreitando-se em uma expressão de aborrecimento imediato. Ele não se moveu, apenas esperou, como um rei esperando uma súplica de um súdito indesejado.
— Alfa Axel... — Octávia começou, a voz falhando um pouco ao chegar ao topo. Ela forçou um sorriso, tentando transmitir toda a gratidão que sentia. — Eu queria... queria muito agradecer.
Axel inclinou a cabeça levemente, a expressão gélida.
— Agradecer pelo quê?
O olhar dele doeu, como sempre, mas ela ignorou.
— Pela festa. Por ter se lembrado da promessa de me dar uma festa de aniversário e de finalmente contar a todos que fui adotada por seu pai o Alfa Elion. — ela disse, a esperança vibrando em suas palavras. — Eu sei que... que o Alfa Elion era um homem muito bom, e ver que você...
— Espere — Axel a interrompeu, a voz cortante como uma lâmina de gelo. Ele soltou uma risada curta e sem humor. — Você acha mesmo que eu organizei essa festa para você? Para falar que meu pai adotou uma bastarda ômega, feia e estrangeira?
O sorriso de Octávia congelou. A negação tentou agir como um escudo, mas o tom dele era veneno puro.
— Eu... eu pensei que...
— Deixe-me deixar uma coisa bem clara para a sua mente lenta. — ele disse, dando um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela, mas não com o calor de um irmão, e sim com a dominação de um Alfa que despreza sua presença. — Eu não fiz isso para você. Eu fiz isso para mim. Para a matilha Lua de Prata. Hoje, eu, o Alfa Axel Teller, irei escolher minha Luna. Uma loba de verdade. Uma fêmea digna de carregar meu sangue e o meu legado. Não uma estrangeira inútil que meu pai acolheu por pena quando deveria tê-la deixado para a morte.
A humilhação fora total. Octávia estava petrificada, as lágrimas correndo livremente por seu rosto, lavando a esperança tola que trouxera consigo. Os risos dos outros lobos preenchiam o ar como estilhaços de vidro. Ela era uma atração de circo, uma ômega sendo destruída publicamente pelo seu próprio Alfa.
O mundo ao redor deles pareceu entrar em um vácuo absoluto no instante em que o vento mudou. O cheiro de Axel, atingiu Octávia com a força de um furacão, despertando cada fibra de sua alma loba. No mesmo segundo, Axel travou. As pupilas douradas dele se dilataram, e um rosnado involuntário e possessivo vibrou em seu peito largo.
O reconhecimento foi como um choque elétrico que percorreu a espinha de ambos. A Deusa da Lua não cometera um erro, eles eram companheiros destinados. Almas ligadas pelo fio invisível do destino. E que acabava de ligar a ela a seu irmão de criação que acabara de humilhá-la publicamente.
Octávia sentiu um sopro de esperança pura aquecer seu peito.
"- Ele é o meu parceiro? O Alfa Axel, é o meu parceiro. Ele sentiu isso, não sentiu?" – Ela pensou chocada antes de olhar para ele.
Mas o choque de Axel não se transformou em alegria. Em vez disso, seu rosto se contorceu em uma expressão de nojo e fúria tão absoluta que Octávia recuou um passo. Sem dizer uma única palavra, ele a ignorou, girando nos calcanhares e desaparecendo nas sombras do corredor da mansão, fugindo do laço como se fugisse de uma maldição.
Conforme a boca dele descia com uma possessividade que ele não conseguia mais conter, deixando beijos úmidos e mordidas que marcavam aquela pele branca e sensível. Ele sentiu a máscara dele se estilhaçar por completo.Seu lobo rugia em um triunfo selvagem dentro dele, rindo da tentativa falha de sua mente em negar o óbvio. Ele estava mentindo para si mesmo.Sentir o calor dela sob seu corpo e o rastro do seu desejo no ar era uma tortura deliciosa para os sentidos de Callun. Cada fibra do seu ser a queria com uma fome primitiva, uma necessidade visceral que atropelava qualquer plano ou sede de poder.Octávia não era apenas a chave para os seus objetivos; ela estava se tornando a sua doce obsessão.Octávia por sua vez, estava em transe. O calor dele, o peso de suas promessas e a pressão de sua masculinidade contra ela a faziam esquecer de tudo e ser transportada para aquela noite e
O quarto na cabana rústica de Mary parecia ter encolhido para Octávia. O ar estava pesado, carregado com o cheiro de lenha queimando na lareira e o aroma inebriante que emanava de Callun. Uma mistura viciante de sabão de ervas, floresta úmida e a masculinidade pura de quem acabara de sair do banho.Octávia sentia seus pulmões arderem a cada respiração, como se o ar tivesse sido substituído por uma névoa de puro desejo que a deixava tonta. Ela estava sentada na beira da poltrona, as mãos apertando o próprio colo, quando a porta do pequeno banheiro se abriu.Callun surgiu envolto em uma nuvem de vapor quente, secando os cabelos prateados com uma toalha de forma rústica. Cada movimento fazia os músculos dos braços e dos ombros largos saltarem, revelando um corpo pecaminosamente delicioso que a fazia estremecer.Antes mesmo de ele dar o primeiro passo, Octá
O céu ainda chorava lá fora, quando Yukio já estava cruzando os portões da imponente sede da Matilha dos Lobos Negros. Ele sacudiu os cabelos rosas como um cão molhado, espalhando gotículas pelo tapete caro da entrada enquanto resmungava palavras que fariam um monge corar.— Biblioteca... justo a biblioteca! — ele bufou, chutando o ar. — Asher, seu desgraçado de lindos olhos dourados... Você sabe muito bem que eu prefiro arrancar dentes com um alicate do que folhear um papel velho!Ele caminhava a passos pesados pelo corredor, mas sua mente trapaceava, fugindo para a imagem do Beta. Yukio visualizou os cabelos de Asher, aquela mistura hipnotizante de amarelo e preto que pareciam brilhar mesmo na penumbra.Um suspiro pesado escapou de seus lábios ao lembrar do cheiro de menta e couro que o Beta exalava."- É melhor eu ficar bem longe daquele traseiro perfeito por uns dia
A conversa, embora cercada de segredos, foi o mais sincero que ele pode lhe entregar. Enquanto os dois trocavam confissões sussurradas, a tempestade lá fora parecia cada vez mais distante, e o mundo se resumia apenas àquele pequeno quarto, ao calor compartilhado e à promessa implícita de que, a partir daquela noite, ela nunca mais seria deixada no escuro.A conversa entre eles continuou por um longo tempo, um sussurro suave que competia com o barulho da chuva. Falavam de coisas triviais para afastar os fantasmas do passado deles, comidas favoritas, hobbies, histórias bobas de infância.E aos poucos, a respiração de Octávia foi ficando pesada e rítmica. O cansaço extremo, físico e mental, e o conforto recebida pelo calor de Callun venceram suas defesas. E ela adormeceu primeiro, com o rosto aninhado no peito dele, uma das mãos segurando fracamente no braço dele, como





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