Mundo de ficçãoIniciar sessãoMara deixou para trás a pequena fazenda dos pais e o aconchego do interior para correr atrás de um sonho: formar-se e, um dia, voltar como professora para a escola de sua cidade natal. Tinha um namorado que falava em casamento, mas Mara nunca quis viver sob a sombra de um homem. Forte e decidida, ela sempre fez questão de ser dona do próprio destino — não aceitava ordens nem se deixava intimidar. Mas o rumo da sua vida muda de forma brutal quando é sequestrada por homens misteriosos e entregue a dois alfas — criaturas selvagens, cruéis e dominadoras. Só que, ao invés de vê-la quebrar diante do medo, eles se surpreendem com sua coragem e sua determinação. Agora, Mara terá que enfrentar uma escolha impossível: lutar com todas as forças para escapar... ou se render a uma paixão perigosa que pode mudar sua vida para sempre. --
Ler maisPonto de Vista de MaraA lua já estava alta quando acordei.Havia algo diferente no ar.Não era apenas o silêncio da madrugada ou o perfume das flores que entrava pela janela.Era uma sensação antiga.Inevitável.Meu tempo havia chegado.Passei as mãos sobre minha barriga, agora enorme.Meu bebê se mexeu como se também soubesse que aquele seria um dia importante.Sorri com os olhos marejados.— Está chegando, meu pequeno...Levantei da cama devagar para não acordar Apolo e Arthur.Os dois dormiam profundamente depois de passarem mais uma noite discutindo sobre quem seguraria o bebê primeiro quando ele nascesse.A lembrança arrancou um sorriso triste dos meus lábios.Eles faziam planos.Tantos planos...E eu ainda não tivera coragem de contar a verdade.Saí do quarto em silêncio e caminhei lentamente até a grande sala da casa.As primeiras luzes da manhã começavam a surgir pelas janelas.A alcateia ainda dormia.Apoiei uma das mãos no encosto de uma poltrona e respi
Ponto de Vista de MaraO tempo passou de um jeito curioso.Quando eu era criança, os dias pareciam eternos.Agora...Os meses escorriam entre meus dedos como água.A primavera deu lugar ao verão. O verão se despediu lentamente, pintando as árvores com novos tons, enquanto minha barriga crescia a cada amanhecer.Meu bebê também crescia.Às vezes eu me sentava perto da janela e passava longos minutos sentindo seus pequenos movimentos.Cada chute arrancava um sorriso de Apolo.Cada vez que o bebê se mexia, Arthur largava qualquer coisa que estivesse fazendo para colocar a mão sobre minha barriga.Os dois discutiam, rindo, sobre quem o pequeno havia puxado.— Foi um chute forte. É meu filho — dizia Apolo, orgulhoso.Arthur balançava a cabeça.— Ou filha. E puxou você só na força. O resto vai puxar a mãe.Os dois começavam a brincar um com o outro, e eu apenas observava.Guardava cada momento dentro de mim.Cada risada.Cada abraço.Cada refeição em família.Porque exis
Ponto de Vista de MaraA viagem de volta para a nossa alcateia foi silenciosa.Silenciosa até demais.Apolo dirigia com um sorriso que insistia em aparecer toda vez que olhava para mim pelo retrovisor.Arthur estava ao meu lado, segurando minha mão durante quase todo o caminho.De vez em quando, um dos dois acariciava distraidamente minha barriga, como se o simples toque pudesse confirmar que aquilo era real.E talvez fosse exatamente isso.Ainda parecia um sonho.Ou um milagre.Ou os dois.Eles estavam radiantes.Eu tentava sorrir.Tentava acompanhar a felicidade deles.Mas, por dentro...Eu me sentia cada vez mais dividida.Uma parte de mim sonhava com aquele futuro.Criar nosso filho.Ver Apolo e Arthur se tornarem pais.Construir uma família.Envelhecer ao lado deles.A outra parte...A parte que despertava sempre que a lua aparecia no céu...Continuava ouvindo o chamado do Jardim Prateado.Continuei olhando pela janela durante boa parte do caminho.As árvo
Ponto de Vista de MaraUma semana.Já havia se passado uma semana desde o ataque ao castelo dos meus pais.Sete dias.Sete noites.E, por mais que tudo parecesse ter voltado ao normal, eu sabia que era apenas uma ilusão.Os muros haviam sido reconstruídos.Os feridos estavam se recuperando.As patrulhas foram reforçadas.Meu pai mantinha toda a alcateia em alerta permanente.Minha mãe passava horas estudando antigos grimórios, procurando qualquer informação sobre Selene, Calum e o Jardim Prateado.Ninguém falava muito sobre aquela noite.Mas ninguém havia conseguido esquecê-la.Muito menos eu.Eu fingia.Sorria durante as refeições.Conversava com meus irmãos.Passava horas ao lado de Apolo e Arthur.Acompanhava minha mãe nos jardins.Até treinava um pouco, apenas para que ninguém desconfiasse de nada.Mas, por dentro...Eu estava me despedindo.A cada abraço.A cada conversa.A cada sorriso.Porque a voz de Calum continuava aparecendo nos meus pensamentos.
Último capítulo