Mundo de ficçãoIniciar sessãoMara deixou para trás a pequena fazenda dos pais e o aconchego do interior para correr atrás de um sonho: formar-se e, um dia, voltar como professora para a escola de sua cidade natal. Tinha um namorado que falava em casamento, mas Mara nunca quis viver sob a sombra de um homem. Forte e decidida, ela sempre fez questão de ser dona do próprio destino — não aceitava ordens nem se deixava intimidar. Mas o rumo da sua vida muda de forma brutal quando é sequestrada por homens misteriosos e entregue a dois alfas — criaturas selvagens, cruéis e dominadoras. Só que, ao invés de vê-la quebrar diante do medo, eles se surpreendem com sua coragem e sua determinação. Agora, Mara terá que enfrentar uma escolha impossível: lutar com todas as forças para escapar... ou se render a uma paixão perigosa que pode mudar sua vida para sempre. --
Ler maisPonto de Vista de MaraAcordei antes que o sol ousasse tocar o horizonte.O quarto estava mergulhado em uma penumbra azulada, um silêncio denso que parecia pulsar no mesmo ritmo dos corações ao meu redor. A respiração de Apolo e Arthur era um som telúrico, pesado, uma sinfonia de poder contido. Eu estava no centro deles — o ponto de equilíbrio entre dois predadores que, mesmo no sono, me guardavam como o tesouro mais precioso e perigoso de suas vidas.Fiquei imóvel, mas minha mente era um campo de batalha.Dentro de mim, Selene era um oceano de gelo e prata. Ela era vasta, eterna e assustadoramente indiferente aos desejos da carne. Eu sentia a presença dela como uma névoa que tentava dissipar a "Mara" que eu conhecia — a mulher que sentia dor, que sangrava, que amava com uma intensidade desesperada. O medo não era de morrer, mas de deixar de sentir. O medo de que a deusa consumisse a humana até que não restasse nada além de um ídolo de mármore.Eu precisava de uma prova. Uma ânc
Ponto de Vista de MaraHavia algo errado dentro de mim.Não era dor física. Não era cansaço comum. Era um vazio frio, arrogante, que se espalhava pela minha mente como névoa espessa. Um sentimento que não combinava comigo. Não combinava com a garota que aprendeu a sobreviver sozinha, que chorou em silêncio, que amou com medo de perder. Aquilo… aquilo era Selene.Minha outra eu.Ela não gritava. Não ameaçava. Não precisava. Selene simplesmente existia dentro de mim, ocupando espaço, observando tudo como se o mundo fosse um tabuleiro antigo demais para merecer emoção. E isso me enojava.Abri os olhos devagar, sentindo o peso daquele olhar invisível por trás do meu. Era como se eu não estivesse mais sozinha na minha própria cabeça. Como se cada pensamento meu fosse avaliado, julgado… tolerado.— Eles existem para te adorar — a voz ecoou, suave e distante.Fechei os olhos com força.— Cala a boca — sussurrei.Selene riu.Uma risada baixa, elegante, carregada de desprezo disfarça
Ponto de Vista de CallumA lua estava alta quando eu a chamei.Não precisei elevar a voz, nem fazer rituais. Selene nunca precisou ser convocada de verdade. Bastava pensar nela com intensidade suficiente, deixar que a memória do que fomos abrisse espaço dentro de mim, e ela encontrava o caminho.— Selene… — murmurei, encarando o céu prateado através da janela.O ar mudou.Sempre mudava quando ela se aproximava. Ficava mais denso, carregado de algo antigo, como se o mundo segurasse a respiração. Então ouvi a risada suave, quase infantil, que eu conhecia melhor do que qualquer outra coisa no universo.— Meu querido Callum… sentiu saudade?Meu corpo ficou tenso no mesmo instante.Virei-me, preparado para enfrentá-la… e foi então que a vi.Ela estava ali.Não em sua forma verdadeira — aquela que fazia deuses se ajoelharem e monstros chorarem. Não. Selene estava no corpo da humana que dormia na minha cama. Ou melhor, que deveria estar dormindo.Os olhos da mulher agora brilhavam
Ponto de Vista de CallumSelene tinha despertado.Eu podia sentir.Não era uma sensação nova — era antiga, familiar, quase confortável, como uma ferida que nunca cicatriza completamente. A energia dela atravessava os planos, deslizava pela terra, pela lua, pelo sangue das criaturas que ainda a veneravam sem entender por quê. Selene nunca precisou anunciar sua presença. O mundo sempre soube quando ela acordava.Agora sabia de novo.Qualquer exército que eu enviasse… não chegaria perto.Não porque eu não tivesse força. Não porque eu não tivesse seguidores suficientes. Mas porque Selene não enfrenta exércitos como os mortais enfrentam guerras. Ela distorce caminhos. Confunde destinos. Apaga vontades. Faz com que a vitória nunca chegue ao ponto de ser tocada.Ela sempre foi assim.A humana dormia nua na minha cama, respirando tranquila, alheia à magnitude do que se movia ao redor dela. Um presente. Um gesto calculado. Um distração. Selene sempre gostou de jogos elaborados. Usar aq
Ponto de Vista de ArthurEu observava Mara enquanto ela comia.Era um hábito antigo meu, algo que eu nunca percebia conscientemente até agora. Sempre gostei de vê-la nos pequenos gestos: a forma como segurava os talheres, como franzia levemente a testa quando estava distraída, como parecia alheia ao mundo quando seus pensamentos iam longe demais. Antes, aquilo me trazia paz.Agora… só me trazia medo.Desde o nosso surto — desde a noite em que deixamos o lobo falar mais alto do que o homem — algo nela havia mudado. Não era uma mudança brusca, não algo que se pudesse apontar com clareza. Era pior do que isso. Era sutil. Fria. Distante. Como se ela estivesse ali apenas pela metade.Seu corpo estava presente.Mas a alma… eu já não tinha certeza.Ela comia em silêncio, os olhos baixos, a expressão serena demais. Não havia raiva, não havia tristeza aparente. E isso me assustava mais do que qualquer grito. Mara sempre foi intensa. Sentia tudo demais. Agora, parecia… controlada. Como u
Ponto de Vista de JoãoEncontrar Amara novamente foi como levar um golpe direto no peito.Por um instante, quando a vi descendo aquelas escadas, o mundo ao meu redor simplesmente deixou de existir. Todo o barulho da casa, as vozes, os olhares curiosos, tudo se dissolveu. Restou apenas ela. A mesma mulher que um dia foi meu lar. A mesma que desapareceu sem deixar rastros, levando com ela uma parte de mim que nunca mais consegui recuperar por inteiro.Eu a procurei.Por anos.Em cidades, em estradas, em listas de desaparecidos, em hospitais, em lugares que eu sequer sabia explicar por que estava procurando. Às vezes, eu acordava no meio da noite com a certeza de que ela estava viva. Outras vezes, a dor era tão grande que eu quase aceitava a ideia de tê-la perdido para sempre.E então… ela estava ali.Viva.Linda.Mais poderosa do que nunca.Mas não era só isso que me atingiu.Descobrir que Amara era companheira de dois alfas foi como engolir fogo.Dois.Não um.Dois homen
Último capítulo