Mundo de ficçãoIniciar sessão— O destino é poético, Asher. – Rebateu Yukio provocante. - O Alfa salva a mocinha dos vilões. E olha a cara do Callun, ele tá segurando ela como se fosse um tesouro precioso.
Callun a apertou um pouco mais contra si, protegendo-a dos solavancos do carro, percebendo que os pulsos dela estavam em carne viva.
A mandíbula de Callun se enrijeceu.
“- Quem fez isso a você?”
Sentindo uma tempestade em seu coração e mente.
— Chega.
Callun cortou a discussão, sua voz saindo como um trovão baixo.
— Fiquem quietos. Yukio, pare de fantasiar e mande uma mensagem para o Dr. Silas, quero ele nos esperando. E Asher, se você olhar pelo retrovisor mais uma vez procurando algo onde não tem, eu mesmo assumo o volante, fazendo você voltar a pé.
O silêncio caiu sobre o carro, enquanto Yukio pegou o celular, digitando rápido enquanto lançava um olhar vitorioso para Asher que estava com a mandíbula marcada de tanta força.
— Ordem cumprida, Alfa. Silas já está a postos. - Informou o Gama, voltando-se para a frente, sussurrando para Asher. — Dez pratas como ela fica no quarto do Alfa e não nas masmorras.
Asher apenas bufou, enquanto Callun vigiava cada respiração da mulher em seus braços durante o resto do trajeto.
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Para Octávia, o despertar foi lento, como se estivesse emergindo de águas profundas e escuras.
Logo ela percebe que estava em um lugar que nunca esteve.
Ela tentou se mexer, mas seu corpo parecia feito de chumbo.
— Calma criança, não tente se levantar ainda.
A voz era calma e pertencia a um senhor de óculos redondos. Ele era gordinho, e seu sorriso tentava transmitir paz enquanto anotava algo em uma prancheta.
— Quem... quem é o senhor? Onde eu estou? — A voz dela saiu rouca, quase como um sussurro.
— Sou o Dr. Silas, querida. E você está segura na casa da Matilha dos Lobos Negros — ele respondeu, aproximando-se para verificar a temperatura dela.
“-Lobos... Negros.”
O nome atingiu Octávia como um soco, a fazendo ter um impulso de pânico.
Ela tentou se sentar, mas o quarto girou violentamente ao seu redor.
— Ei, ei!
Silas a segurou suavemente pelos ombros, forçando-a a deitar.
— Eu disse para ir com calma pequena. Você passou dois dias apagada, pois estava severamente desidratada, desnutrida e cheia de feridas superficiais. E agora precisa de repouso absoluto, ou colocará a vida do seu filhote em perigo.
Octávia congelou enquanto o ar pareceu sumir de seus pulmões.
Ela encarou o médico como se ele tivesse acabado de falar em uma língua alienígena.
— O quê? — ela gaguejou erguendo as sobrancelhas com o coração martelando contra o peito. — O senhor... o que disse? Pode repetir?
Silas suspirou com compaixão, ajustando os óculos no nariz.
— Você está grávida, querida. De pouco tempo pelo que posso ver, mas o feto já exige muito de um corpo que sofreu tanto quanto o seu.
“-Grávida.”
A mente de Octávia viajou instantaneamente para aquela noite em que dormira com o estranho no carro... se lembrando do toque dele, a urgência, e a forma como ela se entregou sem pensar em mais nada.
Seu coração deu um salto, enquanto suas bochechas começaram a queimar.
“- Como isso é possível? Uma única noite... com um estranho cuja face eu mal me lembro...”
O nervosismo a paralisou.
Ela sentia um frio glacial percorrer por sua espinha.
– “Se o Alfa Axel souber... que carrego um filhote de um desconhecido enquanto eu estava vinculada a ele...”
Ela calou seus pensamentos, os olhos fixos em um ponto qualquer da colcha luxuosa, enquanto o medo dava um nó apertado em sua garganta.
— Não precisa se preocupar com a sua higiene. — Silas continuou, tentando distraí-la do choque. — A governanta da mansão cuidou de você, enquanto você dormia. Então você está em boas mãos, não se preocupe.
Ele se afastou e pegou uma bandeja que exalava um aroma delicioso.
— Trouxe vitaminas e uma sopa de legumes para você. Cheguei com ela há pouco, ainda está quente. Então coma tudo, sem discussões.
Apesar de se sentir enjoada e com a alma pesada, Octávia não teve forças para protestar.
Silas era persistente, e a fez tomar cada colherada, quase a fazendo colocar os bofes para fora de tanto que a incentivava a comer, mas o medicamento que ele misturara à bebida ajudou a acalmar seu estômago e a náusea persistente.
“- Grávida de um lobo que eu nem conheço... no território da matilha mais poderosa e perigosa desse país...” - Os pensamentos rodopiavam em sua mente. – “Mas... E o homem que me resgatou? Por que ele me trouxe para cá? Por que justo essa matilha?”
— Agora, descanse. — Silas disse, recolhendo a bandeja com um sorriso satisfeito. — Seu corpo precisa de mais tempo para processar os nutrientes. Por isso, durma mais um pouco.
Octávia queria fazer mil perguntas, queria saber quem a trouxera e o que aconteceria agora, mas a fraqueza que sentia era maior que a sua curiosidade.
E assim que o médico apagou a luz, deixando apenas um abajur suave aceso, ela sentiu o peso do cansaço vencê-la novamente.
Ela fechou os olhos com a mão descendo instintivamente para o ventre ainda plano, e apagou por mais um dia inteiro.
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No dia seguinte, a luz suave da manhã filtrava-se pelas cortinas, mas para Octávia, a claridade trazia apenas mais ansiedade.
O Dr. Silas entrou no quarto com o mesmo sorriso gentil de antes, trazendo uma nova bandeja e alguns frascos de remédio.
— Bom dia, querida. Vejo que a cor está voltando ao seu belo rosto. — disse ele, ajudando-a a se sentar para tomar o medicamento. — Hora das vitaminas e de mais um pouco de sopa. O seu pequeno precisa de sustento.
Octávia aceitou a colherada, mas sua mente estava em outro lugar.
Ela precisava saber quem era o seu salvador.
— Doutor... o senhor disse que eu estava na Matilha dos Lobos Negros. Mas, quem me encontrou e me trouxe até aqui?
Silas limpou o canto da boca dela com um guardanapo, agindo como um avô zeloso.
— Foi o próprio Alfa Callun quem a resgatou.
Ele falou com orgulho.
- Ele a encontrou na estrada e a carregou nos próprios braços até aqui.
Ele sussurrou animado.
- E ele não permitiu que ninguém mais a tocasse até que eu chegasse. O que sinceramente é algo raro vindo dele, principalmente nos últimos anos.
Octávia sentiu o sangue fugir do rosto., com o nome ecoando em sua mente como um sino fúnebre.
— Callun? — ela sussurrou com a voz trêmula.
- Sim, querida. O Alfa Callun Veinar. O primeiro e único. — Silas confirmou com orgulho.
O mundo de Octávia desabou.
“- O Alfa Callun Veinar é o tio do Alfa Axel. Ele causa medo e infeja até em Axel. Um Alfa supremo da linhagem deles, que se descobrir quem eu sou e o que fiz, me devoraria na hora.
— E onde... onde ele está agora? — ela perguntou com as mãos escondidas sob o cobertor para que o médico não visse o quanto tremiam.
— Infelizmente, o nosso Alfa tem estado muito ocupado com uma série de roubos nas fronteiras da matilha. Mas não se preocupe. — Silas sorriu, tentando acalmá-la — ele me informou que virá vê-la pessoalmente esta tarde, agora que as coisas se acalmaram por lá.
A sopa pareceu virar cinzas na boca de Octávia.
“-Ele vem aqui me ver... Hoje à tarde.”— Agora, tente descansar mais um pouco. — Silas disse, recolhendo as coisas e saindo do quarto.
Assim que a porta se fechou, Octávia sentiu o pânico sufocá-la.
Ela olhou ao redor do quarto com o coração e a mente a mil.
Ela não podia estar ali quando o temido Alfa Callun Veinar atravessasse aquela porta, ou ela estaria condenada.
“- Eu preciso sair daqui”
Ela pensou, a respiração ficando cada vez mais pesada.
“- Não importa se estou fraca, não importa se não tenho para onde ir. Eu prefiro a floresta do que ser entregue de volta ao Alfa Axel ou enfrentar a fúria do Alfa Callun Veinar.”
Com um esforço hercúleo, ela jogou as cobertas para o lado.
Suas pernas fraquejaram assim que seus pés tocaram o tapete macio, mas ela se segurou na borda da cama.
Ela precisava de um plano, de uma rota de fuga e, acima de tudo, precisava ser invisível novamente. Mas como fazer isso, se nem sabia como tinha feito isso da última vez.
“- Pense, Octávia. Pense! Seus sentimentos controlam o seu dom... e agora, o único sentimento que tenho é o de sair daqui.”
Silas voltou e terminou de organizar os frascos na bandeja e soltou um suspiro, ajeitando os óculos, a fazendo se jogar de volta na cama e sorrir com cara de paisagem.— A comida estava uma delícia, mas o chá que tomei com a governanta logo depois, está cobrando o seu preço.
Ele comentou com uma risadinha bem-humorada, batendo de leve na barriga.
— Acho que não tem problema te deixar sozinha um pouquinho, vou apenas ao banheiro no final do corredor e já volto.
Ele apontou para ela.
- E não invente de sair da cama! Sei que está se sentindo mais forte, mais nada que diga. Puxa, que forte, não é mesmo. – Ele riu enquanto brincava.
E assim que a porta voltou a se fechar e o som dos passos pesados do médico se afastou, o coração de Octávia disparou.
Era agora ou nunca.







