Capitulo 2 - Pedido de Socorro

A confusão nublou a mente de Octávia. Ela ficou ali, parada, com o coração martelando nos ouvidos.

— Talvez ele esteja chocado... Bem... Eu também fiquei. — sussurrou para si mesma, a negação agindo como um escudo contra a dor que começava a queimar seu coração. — E apesar de negar que fez a festa para mim, posso considerar em meu coração que fora. E sobre sermos companheiros... Será que ele precisa de um tempo?

Ela olhou para as próprias mãos e percebeu, com um sobressalto, que ainda segurava a caixinha. No choque, ela esquecera de entregar a pulseira. Ela respirou fundo, limpou as lágrimas que teimavam em cair e forçou um sorriso. Ela precisava ir até ele. Precisava confirmar o que sua alma já sabia, mas que seu coração se recusava a acreditar.

Octávia entrou na mansão, seguindo o rastro do perfume dele pelos corredores silenciosos. O cheiro ficava mais denso, despertando um calor estranho entre suas pernas que ela nunca havia sentido. Mas, ao chegar perto da porta entreaberta do escritório, o som de gemidos rítmicos e respirações ofegantes a fez estancar.

Ela empurrou a porta levemente, apenas o suficiente para ver. E o cenário destruiu o que restava de seu coração.

O Alfa Axel estava ali, fundido a uma loba loira de beleza estonteante, uma mulher voluptuosa que se agarrava aos ombros dele com unhas pintadas de carmim. A sensualidade daquela mulher era tudo o que Octávia sentia que não era. Exuberante, provocante, selvagem.

O Alfa Axel não parou, mesmo ao sentir sua presença. Ele continuou o movimento bruto, a pele suada, antes de erguer os olhos fixos para a porta.

Ele sabia que ela estava lá. Ele sentia a presença e o cheiro de sua companheira destinada a poucos metros, mas o desprezo em seu olhar era maior que o laço.

- Entre. – Ele quase rosnou, sem deixar de foder a loira em sua mesa de carvalho.

— Alfa Axel… — ela soluçou, com a voz quebrada, estendendo a pulseira com as mãos tremendo.

Axel inclinou a cabeça para trás, soltando um rosnado baixo de luxúria, e então focou seus olhos dourados nos dela.

— O que você quer, ômega? — a voz dele saiu rouca, mas carregada de veneno. — Não vê que estou ocupado com uma fêmea de verdade?

— Nós somos... o laço... — ela tentou, mas Axel soltou uma risada debochada.

-Não me importo. O que te traz aqui?- Ele desdenhou e timidamente ela ergueu a caixinha.

— Eu... eu fiz isso para você...

Ele se afastou da loba loira por um segundo apenas para pegar a caixinha de Octávia. Ele abriu e olhou para o couro e a prata com um escárnio cruel.

— Isso? É lixo. O bordado é torto e tem o seu cheiro de ômega estrangeira, fraco e enjoativo. — Ele jogou a pulseira no chão e a esmagou com a bota pesada. — E você acha mesmo que eu aceitaria alguém como você como minha Luna? Uma estrangeira que meu pai trouxe da floresta por pena? Você não é nada para mim. Agora, suma da minha frente antes que eu a expulse a chicotadas!

Octávia recuou como se tivesse sido atingida por um soco. A agonia da rejeição começou a se espalhar por seu corpo como veneno líquido. Ela virou-se e correu, tropeçando, voltando ao salão principal com a alma em frangalhos.

No meio do pátio, onde a festa continuava, ela viu Corine, a única serva da mansão que ela considerava uma amiga, correr para ela com o coração apertado.

— Oh, Octávia, você está tremendo! — Corine disse, com um olhar de compaixão. — O que aconteceu?

- Descobri meu parceiro... Mas... Ele não me quer...

Corine engoliu em seco, uma rejeição era muito dolorosa para um companheiro e ela não desejava isso para ninguém, mas Corine tinha uma missão que ela não podia abandonar e se forçando a um sorriso amigável ela ofereceu.

- Tome, beba isso. – Corine serviu a última taça de sua bandeja - Vai ajudar a superar essas coisas. E vai fazer você esquecer tudo isso, nem que seja por um momento.

Desesperada por qualquer anestesia para o seu pobre e massacrado coração, Octávia pegou o copo e virou o líquido doce e metálico goela abaixo.

Segundos depois do último gole, o mundo começou a girar. O calor da dor se transformou em um incêndio incontrolável em seu baixo ventre. Sua pele começou a formigar, fazendo o tecido do vestido parecer uma lixa contra seus seios agora sensíveis e latejantes.

Foi quando o silêncio caiu sobre o pátio e o Alfa Axel surgiu no topo da escada, com a loba loira ao seu lado, rindo.

— Atenção! — Axel rugiu, sua voz de Alfa dominando a todos. — Eu só quero deixar claro que eu não reconheço o laço com essa estrangeira sem valor. Ela não é, e nunca será minha Luna! E como presente de aniversário... — Ele desceu os degraus, parando diante de Octávia, que já se contorcia com o início de um cio forçado e violento. — Espero que aprecie o presente que mandei lhe dar.

Octávia olhou para Corine, cujos olhos agora estavam cheios de lágrimas de culpa.

— Corine... O que você? Por que?

— Me desculpe, Octávia... — Corine sussurrou, desviando o rosto. — Ele prometeu pagar o tratamento da minha mãe... eu não tive escolha.

Axel deu um sorriso sádico enquanto os machos da matilha começavam a lamber as presas, atraídos pelo cheiro inebriante da fêmea drogada com o potente afrodisíaco.

— O jantar está servido, cavalheiros — Axel anunciou com malícia. — Divirtam-se com a nossa pequena estrangeira, e façam do aniversário dela, inesquecível.

— Não… — ela gemeu negando com a cabeça, enquanto recuava assustada, sua voz saindo como um sussurro necessitado.

“-Fuja”- seu instinto gritou. - “Fuja para longe deles, para longe do Alfa Axel, para longe de todos!”

O terror deu a Octávia uma descarga final de adrenalina. Ela empurrou quem estava à frente e correu em direção à floresta escura. Seus pés batiam na grama úmida, os galhos arranhando seus braços, enquanto o fogo no sangue e a sede frenética a impulsionavam a fugir dos mais de trinta licanos que correram atrás dela.

O fogo em seu sangue a impulsionava, a necessidade de se esconder, de encontrar um lugar frio e seguro para apagar o incêndio que o afrodisíaco e a traição haviam provocado.

Ela se embrenhou na escuridão das árvores, as lágrimas secando em seu rosto enquanto o desejo e a dor travavam uma batalha dentro dela, a fazendo correr a esmo.

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Não tão distante dali, o motor do SUV preto soltou um último suspiro metálico antes de silenciar completamente no acostamento da estrada de terra, cercada pela densidade da floresta.

Callun Veinar apertou o volante com força, os nós dos dedos brancos. A irritação emanava dele em ondas de calor.

— Que inferno — rosnou Callun, a voz profunda vibrando no espaço fechado. — O carro nunca dá problema, Asher. Por que hoje?

Ao seu lado, Asher, seu beta de confiança, já estava com o celular na mão, verificando o sinal inexistente.

— Vou a pé até a matilha Lua de prata, Alfa.— Asher disse, ajustando a jaqueta. — Deve ter alguém com um guincho ou ferramentas. Não é longe. Não deve demorar.

O Alfa Callun apenas assentiu, os olhos gélidos fixos na estrada deserta. Ele observou o beta sumir na curva e recostou a cabeça no banco de couro, fechando os olhos.

O silêncio da floresta deveria ser calmante, mas para ele, florestas traziam apenas lembranças dolorosas. O rosto de sua irmã caçula, Pan, surgia em sua mente.

“- Ela teria vinte anos de idade agora. Ela era cheia de vida, e ainda seria, se o destino não tivesse sido tão cruel com ela.”

Um ruído de galhos quebrados o despertou. Callun franziu o cenho e olhou para a margem da floresta, foi quando uma figura emergiu das sombras, tropeçando nos próprios pés, caindo no chão.

O Alfa Callun observou com mais atenção, logo percebendo que se tratava de uma fêmea. Ela usava um vestido verde, agora rasgado e sujo de terra.

Octávia saiu do matagal como se fugisse de um monstro, caindo de joelhos no asfalto antes de tentar se levantar novamente, trêmula. Ela havia com muita dificuldade, despistar seus perseguidores, ou eles simplesmente desistiram da caça, já que haviam outras presas para se divertir na festa.

A visão de sua fragilidade atingiu Callun como um soco. Ela era jovem, delicada, com traços suaves que lembravam da beleza inocente que sua irmã um dia possuiu. E o instinto de proteção, enterrado sob camadas de gelo e luto de anos, disparou.

Ele abriu a porta do carro e desceu, com passos largos e autoritários.

— Ei! — chamou ele, a voz firme, mas sem agressividade. — Você está bem?

Octávia levantou a cabeça. O rosto estava manchado de lágrimas, os cabelos escuros colados na testa pelo suor. Quando Callun se aproximou a menos de dois metros, o ar ao redor deles mudou instantaneamente.

O cheiro o atingiu como uma explosão física. Era o aroma de uma loba em pleno ápice de seu cio, mas saturado por algo químico, sintético e violento. Mel, baunilha e um desejo bruto que clamava por um macho com urgência.

— Por favor… — ela sussurrou, a voz saindo em um ganido quebrado. Ela se arrastou em direção a ele, agarrando a calça dele com as mãos trêmulas. — Me ajuda… dói. Eu… me deram algo…

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