Capitulo 3 – Corações Estilhaçados

Callun sentiu o próprio lobo rosnar dentro de si. A fúria por alguém ter usado um afrodisíaco em uma fêmea tão jovem competia com a reação imediata de seu corpo ao cheiro dela. Ele não sabia quem ela era, e ela não parecia em condições de conversar nada com ele.

Sem hesitar, Callun a pegou no colo. Ela era leve como uma pluma, e se aninhou no peito dele, soltando um suspiro de alívio ao sentir a temperatura corporal dele. Ele abriu a porta traseira do SUV e a colocou sentada no banco de couro escuro.

— Respire — ele comandou, tentando manter a voz profissional enquanto o próprio sangue começava a ferver nas veias. — Vou pegar água. Você precisa limpar o organismo.

Ele se inclinou para buscar uma garrafa no compartimento, mas Octávia não queria água. No momento em que ele se aproximou, o instinto dela, potencializado pela droga e pela traição traumática de momentos atrás, assumiu o controle total.

“- Alfa...Axel...” – Ela o confundiu por serem semelhantes.

Ela se lançou para frente, circulando o pescoço de Callun com os braços quentes. E antes que ele pudesse reagir, ela enterrou o rosto na curva do pescoço dele, dando um beijo úmido e desesperado na pele pulsante onde o cheiro dele era mais forte.

Callun soltou um rosnado gutural, uma mistura de aviso e necessidade. Ele segurou os braços dela com firmeza, afastando-a o suficiente para encarar aqueles olhos roxos nublados pelo desejo e pela dor.

— Pare — ele ordenou, a voz falhando pela primeira vez. — Você não sabe o que está fazendo. Você está sob o efeito de um afrodisíaco.

— Eu só quero você… — ela soluçou, os lábios entreabertos, buscando o ar. — Por favor… faz parar de queimar. Não... Não me rejeite. Eu só quero você.

Octávia não recuou. Com uma força que Callun não esperava, ela o puxou pela gola da camisa, forçando-o a entrar no espaço confinado do banco de trás com ela. Callun caiu sobre ela, os corpos se pressionando, o calor dela atravessando o tecido de suas roupas.

“-Merda!”- Ele pensou engolindo em seco, a encarando por um segundo eterno.

Ela era linda de uma forma dolorosa, uma beleza que brilhava mesmo em meio ao caos de sua situação. A pele dela parecia brilhar sob a luz fraca que entrava pelas janelas fumês. E seus olhos roxos eram tão lindos raros e puros que ele jamais imaginou encontrar algo assim, principalmente por estas bandas.

— Olhe para mim — Callun exigiu, as mãos grandes agora emoldurando o rosto dela, os polegares acariciando suas bochechas quentes. — Se eu fizer isso, não haverá volta. Tem certeza? Você sabe o que está fazendo e me pedindo?

Octávia confirmou com a cabeça, um movimento frenético de desespero, tentando capturar os lábios dele com os seus, gemendo contra sua boca, como resposta.

Callun sentiu a última barreira de seu autocontrole se estilhaçar e o lobo dele reivindicou aquela fêmea ferida como sua responsabilidade.

— Não se arrependa depois, pequena. — ele sussurrou contra a pele dela, a voz carregada de uma promessa sombria.

Ele puxou a porta do carro, com o rabo, fechando-os dentro do veículo. Suas mãos, antes cuidadosas, tornaram-se possessivas, arrancando e levemente rasgando o que restava do vestido dela enquanto abria caminho para seus toques.

Ele arrancou a própria blusa, revelando seu torço nu e extremamente definido, fazendo Octávia soltar um uivo baixinho de satisfação quando sentiu a pele nua dele contra a sua.

Em poucos minutos eles estavam nus e Callun a possuía com a força de um Alfa que estava faminto há anos, e Octávia recebia cada estocada como se fosse a única coisa capaz de mantê-la viva.

Ali, entre o suor, o cheiro de sexo e o calor sufocante do carro, Octávia não era mais aquela ômega rejeitada da matilha Lua de prata, e Callun Veinar não era mais apenas o Alfa enlutado da matilha Lobo Negro. Eles eram apenas dois seres selvagens unidos pelo destino e por um fogo que nenhum deles esperava sentir.

Umas horas depois, o silêncio dentro do carro era pesado, quebrado apenas pela respiração compassada dos dois, unidos sob o calor residual do que acabaram de sentir ao se entregar.

Octávia foi a primeira a acordar, ela abriu os olhos devagar, sentindo o peso do braço de Callun sobre sua cintura e o cheiro dele impregnado em cada poro de sua pele.

A realidade a atingiu como uma avalanche.

Ela olhou para o homem ao seu lado, um estranho de beleza letal e cabelos platinados, como os de Axel, e depois para o estado de suas próprias roupas, rasgadas e espalhadas pelo tapete do carro.

Um rubor violento subiu por seu pescoço, tingindo suas bochechas de um vermelho vivo. A dor da rejeição e da traição que sofrera ainda latejava no fundo de sua mente, mas a vergonha agora a consumia. Ela era virgem. Havia guardado sua pureza para seu companheiro destinado, e em uma única noite, graças a droga que sua ex amiga lhe dera, havia se entregado a um desconhecido no banco de trás de um carro no meio da estrada.

— Meu Deus… o que eu fiz? — sussurrou, a voz trêmula. - Ele não é o Alfa Axel. O Alfa Axel vai realmente me rejeitar depois disso. Oh minha Deusa... O que eu diabos eu fui fazer?

Com movimentos frenéticos e silenciosos, ela começou a se vestir. Seus dedos tropeçavam no tecido rasgado do vestido. Ela não podia ficar ali. Não podia encarar aquele homem quando ele acordasse.

Octávia abriu a porta do carro com cuidado, o estalo da fechadura soando como um tiro no silêncio da madrugada. E sem olhar para trás, ela saltou para o asfalto frio e se embrenhou na floresta, correndo como se a própria morte a perseguisse.

Poucos minutos depois, o frio que entrou pela porta entreaberta despertou Callun.

Ele tateou o banco de couro, procurando o calor do corpo que o incendiara momentos antes, mas encontrou apenas o vazio. Callun sentou-se bruscamente, a mente nublada tentando processar o que havia acontecido. Seus olhos caíram sobre o banco e ele estancou. O cheiro de sexo ainda era forte, e sob ele, havia o aroma metálico e doce de sangue fresco.

Ele rugiu baixo, passando a mão pelo rosto.

“- Ela era virgem?!”

A constatação de que a jovem loba, que ele tomou para si, e que estava apenas em um cio induzido, era pura, e ele a tomara com a força de um animal o deixou irritado. E pela primeira vez em anos, ele sentiu o peso esmagador da culpa, misturado a uma sensação irritante de ter sido descartado.

— Ela me usou… — rosnou para o vazio, sentindo-se um peão no desespero daquela fêmea. — Me usou para apagar seu fogo e depois fugiu como se eu fosse não nada.

O som de um motor se aproximando interrompeu seus pensamentos e Callun vestiu a calça e a camisa com pressa, mal fechando os botões antes que Asher aparecesse na curva, acompanhado por um caminhão de guincho e um mecânico local.

Assim que o mecânico estacionou, Asher caminhou até o SUV, mas parou a dois metros de distância. O Beta franziu o nariz, o cheiro de hormônios, suor e o ápice do prazer licano era inegável. Ele olhou para Callun, que estava encostado na porta do carro com uma expressão sombria e os cabelos desalinhados.

— Alfa? — Asher perguntou, a sobrancelha erguida em um questionamento mudo.

Callun não desviou o olhar, sua mandíbula estava travada de ódio e confusão.

— Quero que descubra quem ela é, Asher. — a voz do Alfa saiu como um trovão baixo. — Uma fêmea saiu daquela floresta, me usou para aliviar um cio induzido por drogas e fugiu como uma covarde. Eu quero o nome dela. De que matilha ela é. Tudo. Quero tudo sobre ela. Agora.

Asher piscou, surpreso pela intensidade da ordem, mas assentiu imediatamente.

— Vou cuidar disso assim que chegarmos. O mecânico vai dar uma olhada no motor agora.

Enquanto o homem trabalhava sob o capô, Callun permanecia em silêncio, uma estátua de fúria contida.

— Por que demorou tanto? — perguntou Callun, sem olhar para o beta.

— A matilha Lua de Prata estava em alvoroço, Alfa. Seu sobrinho, Axel, está dando uma festa de arromba para toda a matilha. Música alta, bebidas, sexo… foi quase impossível tirar alguém de lá para prestar serviço. Tive que ameaçar o dono da oficina para ele vir.

Callun deu de ombros, um gesto de puro descaso. A menção ao sobrinho não lhe causava nada além de tédio; Axel sempre fora fútil aos seus olhos.

— Mande-o terminar logo com isso, Asher. Estou cansado. Você dirige.— ordenou Callun, contornando o carro e sentando-se no banco do carona.

Asher foi até o mecânico e logo o mecânico terminou o reparo em silêncio, recebeu o pagamento generoso e partiu. Asher assumiu a direção e o SUV voltou a rodar pela estrada de terra.

Callun encostou a cabeça no vidro, observando a vegetação passar como um borrão verde. Seus pensamentos, no entanto, estavam presos na fêmea que o deixara marcado. O toque dela, a forma como ela o puxara para dentro do carro, o som dos gemidos dela… nada fazia sentido. Quem era ela? E por que, mesmo sentindo-se usado, ele ainda desejava senti-la outra vez.

Callun apoiou o rosto em uma das mãos, sentindo o rastro do perfume dela em sua mão, enquanto via seu reflexo no vidro do carro.

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