Mundo de ficçãoIniciar sessãoAna Clara vive uma vida de extremos. De dia, veste o jaleco branco, lutando contra o sono nas aulas de medicina e os prazos de uma mensalidade que ela não tem como pagar. À noite, sob as luzes pulsantes de uma boate exclusiva, ela se torna uma sombra sedutora, dançando para garantir o tratamento de sua avó e a sobrevivência de seus sonhos. Ela tem um plano, uma meta e nenhum espaço para distrações. Matheo Cavalcanti é a personificação do poder. Aos 26 anos, o CEO da Cavalcanti Tech é conhecido por sua frieza cirúrgica nos negócios e uma reputação impecável — até que um flagrante mal interpretado ameaça destruir a fusão bilionária que ele preparou por anos. Para o mercado, ele precisa de uma esposa; para sua família, ele precisa de estabilidade. Um encontro explosivo em um beco escuro atrás da boate sela o destino de ambos. Matheo, em um movimento desesperado para desviar um escândalo, usa Ana Clara como seu escudo público. Agora, a estudante de medicina e o magnata estão presos a um contrato de casamento por conveniência. "Eu não preciso que você me ame, Ana Clara. Preciso apenas que você use essa aliança e finja que não me odeia na frente das câmeras." Entre as paredes de uma cobertura luxuosa, o ódio é a única coisa que parece real. Matheo despreza o que julga ser a vida fútil de Ana; ela detesta a arrogância de um homem que acha que pode comprar o mundo. Mas, enquanto os segredos dela começam a vazar e as vulnerabilidades dele ficam expostas, a linha entre a repulsa e o desejo começa a desaparecer. Em um jogo onde as regras foram escritas com tinta de contrato, eles descobrirão que o maior risco não é o escândalo, mas a entrega.
Ler maisPrólogo
O som do monitor cardíaco na Unidade de Terapia Intensiva era um bipe constante, irritante e, ao mesmo tempo, a única música que importava para Ana Clara. Aos 24 anos, ela já conhecia o cheiro de antisséptico melhor do que o perfume de qualquer marca famosa. Ali, sentada em uma cadeira desconfortável de hospital, ela segurava a mão frágil de sua avó, a única família que lhe restava. O relógio de parede marcava seis da tarde. Em duas horas, o jaleco branco e os livros de anatomia seriam substituídos por seda negra, saltos agulha e o anonimato das luzes de neon da Vibe, uma das boates mais exclusivas da capital. — Eu vou conseguir o dinheiro, vó. Eu prometo — sussurrou Ana, a voz embargada pela exaustão. A faculdade de medicina não perdoava atrasos, e o hospital, muito menos. Do outro lado da cidade, no 45º andar de uma torre de vidro que parecia tocar o céu, Matheo Cavalcanti ajustava o nó de sua gravata de seda italiana em frente ao espelho. Aos 26 anos, ele tinha o mundo aos seus pés, mas carregava o peso de um império que não aceitava falhas. Sua expressão era uma máscara de gelo, moldada por anos de cobranças de um pai que via sentimentos como uma fraqueza incurável. — O conselho está instável, Matheo — disse seu assistente, parado à porta. — Se houver qualquer deslize na sua conduta pessoal antes da fusão com o grupo internacional, eles vão votar pelo afastamento. Você precisa ser impecável. O herdeiro perfeito. O homem de família que eles esperam. Matheo soltou um riso seco, sem qualquer traço de humor. — Família é um negócio, Lorenzo. E eu sou o melhor negociante que esta empresa já viu. Ele não sabia, mas naquela noite, o destino estava preparando uma emboscada. Ele buscava controle; ela buscava sobrevivência. Dois mundos que nunca deveriam se cruzar estavam prestes a colidir em um escândalo que estamparia as capas de todos os jornais na manhã seguinte. Um beijo roubado para enganar as lentes de um paparazzo, um contrato redigido com sangue e rancor, e uma mentira que teria que ser sustentada diante de milhões. O ódio foi instantâneo. O desprezo, mútuo. Mas no jogo de aparências da alta sociedade, o amor é um luxo que nenhum dos dois pretendia pagar. O problema de brincar com fogo, no entanto, é que as cinzas não escolhem quem queimar. O despertador do celular de Ana Clara não tocava música; era um som estridente de sirene, o único capaz de arrancá-la do torpor de apenas quatro horas de sono. Eram seis da manhã. O apartamento pequeno no centro de São Paulo cheirava a café requentado e livros velhos. Ana encarou o reflexo no espelho do banheiro. As olheiras profundas eram o mapa de sua rotina hercúlea. Aos 24 anos, sua vida era uma contagem regressiva: horas para estudar anatomia, horas para o estágio no hospital público e horas para se transformar em "Lumi", a dançarina que hipnotizava a elite da cidade na boate Vibe. — Só mais dois anos, Ana. Só mais dois — sussurrou para si mesma, prendendo o cabelo em um coque apertado e vestindo o jaleco branco com o brasão da faculdade de medicina. O dia no hospital foi um borrão de prontuários e bipes de monitores. Ana era a melhor da turma, a mais dedicada, mas ninguém ali sabia que a mão que segurava o bisturi com precisão cirúrgica era a mesma que, horas depois, seguraria o pole de uma plataforma de vidro sob luzes estroboscópicas. No final do turno, a secretária da universidade a barrou na saída. — Ana Clara? O financeiro enviou um aviso. Se a parcela do semestre passado não for quitada até sexta-feira, você não poderá realizar os exames finais. O estômago de Ana revirou. — Eu vou pagar, Dona Célia. Eu juro. Só preciso de mais algumas noites. Enquanto Ana Clara contava moedas para o metrô, a trinta quilômetros dali, Matheo Cavalcanti saía de uma reunião de diretoria que durara dez horas. O terno cinza chumbo, feito sob medida, não tinha um único vinco, assim como sua expressão. Aos 26 anos, ele era o CEO mais jovem da história da Cavalcanti Tech, mas o conselho administrativo — liderado por seu próprio tio, um homem sedento por poder — buscava qualquer fresta em sua armadura para derrubá-lo. — O senhor tem um jantar com os investidores coreanos às nove, senhor Cavalcanti — informou seu motorista, abrindo a porta do carro blindado. — Cancele o jantar formal. Eles querem ver o "estilo de vida" de São Paulo — ordenou Matheo, a voz rouca de cansaço. — Leve-os para a Vibe. Reserve o camarote VIP. Quero que eles se sintam em um filme antes de assinarem o contrato de fusão. Matheo odiava boates. Odiava o som alto que impedia o raciocínio e o cheiro de suor misturado a perfumes caros. Mas, acima de tudo, odiava a vulnerabilidade. Para ele, tudo era estratégia. Às onze da noite, a Vibe estava em chamas. O ar estava denso com fumaça de narguilé e a batida do Techno vibrava no peito de quem entrava. No camarim, Ana Clara terminava de passar o batom vermelho escuro. Ela usava um conjunto de renda preta e uma máscara de fios de prata que cobria metade do seu rosto, deixando apenas seus olhos castanhos, afiados e distantes, à mostra. — No palco em cinco minutos, Lumi! — gritou o gerente. Ela subiu. Quando a luz roxa a atingiu, Ana desligou a mente. Ela não era mais a estudante pobre; era uma entidade. Seus movimentos eram fluidos, uma mistura de força atlética e elegância felina. Do alto do camarote envidraçado, Matheo Cavalcanti não prestava atenção à apresentação... até que seus olhos encontraram os dela. Havia algo diferente naquela mulher. Ela não sorria para os clientes. Ela parecia estar em outro lugar, um lugar de fúria silenciosa. Por um segundo, os olhares se cruzaram. Matheo sentiu um incômodo estranho, uma curiosidade que não permitia a si mesmo sentir. — Impressionante, não? — comentou um dos coreanos, apontando para Ana. — É apenas uma distração — cortou Matheo, voltando-se para os papéis da fusão sobre a mesa de mármore. Mas a noite estava longe de ser apenas negócios. Lá fora, um fotógrafo freelancer, ávido por um furo que destruísse a imagem "puritana" e rígida de Matheo, estava posicionado na saída dos fundos. Ele sabia que Matheo estava lá dentro. Só precisava de uma imagem que sugerisse excessos. O caos aconteceu em minutos. Uma briga estourou na pista de dança após um cliente embriagado tentar tocar em uma das dançarinas. A segurança interveio com truculência. No meio da confusão, as luzes de emergência acenderam. Ana Clara, querendo evitar problemas que pudessem chegar aos ouvidos da faculdade, correu para a saída de serviço. Ela precisava ir embora antes que a polícia chegasse para colher depoimentos. Ao mesmo tempo, Matheo, escoltado por seus seguranças, era conduzido para a mesma saída lateral para evitar o tumulto da frente. Eles colidiram no beco escuro, entre caçambas de lixo e o brilho úmido do asfalto. Ana tropeçou, e as mãos fortes de Matheo a seguraram pelos braços. O perfume amadeirado dele invadiu os sentidos dela; o cheiro de baunilha e cansaço dela o atingiu em cheio. — Me solta! — ela sibilou, tentando se desvencilhar. — Cuidado, garota — Matheo respondeu, a voz gélida. Nesse exato momento, o clarão de um flash disparou repetidamente do outro lado da rua. — Droga! — Matheo rosnou. Ele viu o fotógrafo correndo. O ângulo era terrível. Naquelas fotos, o CEO da Cavalcanti Tech não parecia estar apenas segurando uma dançarina de boate em um beco; parecia estar em um momento de intimidade clandestina com uma mulher mascarada. Era o escândalo perfeito. A "noiva secreta" ou a "amante de luxo". Qualquer uma das manchetes acabaria com a votação do conselho na manhã seguinte. Matheo olhou para a mulher em seus braços. Ela ainda usava a máscara de prata, mas ele viu o pânico em seus olhos. Ele não sabia quem ela era, mas sabia que ela era a sua única saída. — Quanto você quer? — ele perguntou, a voz cortante como uma lâmina. Ana Clara franziu a testa, a respiração ofegante. — O quê? Do que você está falando? — O flash. Amanhã estaremos em todos os sites. Se eu disser que você é apenas uma dançarina, eu perco minha empresa. Se você disser que é minha noiva, eu te dou o que você quiser. Ana soltou uma risada incrédula, tentando se soltar novamente. — Você é louco. Eu tenho uma vida, tenho aulas, eu... — Eu pago suas dívidas. Todas elas — ele interrompeu, lendo o desespero oculto no rosto dela. — E em troca, você assina um papel e finge que me suporta por doze meses. Ana estacou. As palavras "todas as dívidas" ecoaram como um sino de igreja. A faculdade. A cirurgia da avó. O fim do medo. Ela olhou para o homem à sua frente. Ele era lindo, poderoso e exalava uma arrogância que a fazia querer esbofeteá-lo. — Você não me conhece — ela disse. — Eu não preciso te conhecer — Matheo retrucou, soltando-a, mas mantendo o olhar fixo. — Eu só preciso que você seja minha esposa. Ali, sob a luz fraca de um poste de rua, o contrato invisível foi selado pelo ódio que brilhava nos olhos de ambos. O escândalo estava apenas começando.Sinopse — O Tempo Que Você Me PediuIsabel tinha tudo que o mundo chamava de suficiente: um marido dedicado, um apartamento bonito no Itaim, uma vida organizada. O que o mundo não via era o que ela havia deixado para trás o palco, a música, o movimento que um dia havia sido a linguagem mais honesta que ela conhecia. Aos trinta e dois anos, Isabel olhou para o espelho e não reconheceu a mulher que estava lá. E então fez a única coisa que ainda conseguia fazer com coragem: pediu um tempo.Renato não esperava. Médico, presente nas emergências de todos menos na da própria casa, ele havia confundido amar com prover durante anos sem perceber o custo disso. Quando Isabel fechou a porta do apartamento em Pinheiros atrás de si, algo dentro dele finalmente acordou — tarde, dolorosamente tarde, mas de verdade.Ele vai atrás dela. Não com promessas fáceis nem com gestos grandiosos, mas com a única coisa que nunca havia dado dire
O último dia de residência de Ana Clara Souza Cavalcanti no Toronto General Hospital foi uma terça-feira comum. Não havia cerimônia marcada, não havia discurso, não havia o tipo de encerramento solene que os filmes sugeriam existir nesses momentos. Havia um plantão de doze horas, dois pacientes em observação, um relatório que precisava ser finalizado antes das seis, e Priya aparecendo na porta da sala de descanso às cinco e quarenta e cinco da tarde com dois cafés e uma expressão que tentava ser casual e não era. — Último dia — Priya disse, entregando um dos cafés. — Último dia — Ana confirmou, sem olhar para cima do relatório. — Você devia estar com cara de alguma coisa. Alívio. Nostalgia. Qualquer coisa. — Estou com cara de alguém que precisa terminar esse relatório antes das seis. — Ana. — Priya. Priya se sentou
Eles voltaram a Toronto numa quinta-feira.O voo foi longo e quieto Matheo dormiu as primeiras quatro horas com a cabeça levemente inclinada para o lado, o que Ana havia aprendido que era o único sinal físico de que ele estava genuinamente exausto, porque acordado ele nunca permitia aquela perda de controle postural. Ela ficou acordada com o caderno no colo, escrevendo e apagando e reescrevendo listas que eram menos planos do que tentativas de organizar o que estava sentindo em categorias que pudesse examinar.Praga havia feito algo com ela que ela ainda não conseguia nomear completamente.Não era só os documentos. Não era só Viktor ou Rafael ou a caixa de metal com quinze anos de segredo guardado. Era algo menor e maior ao mesmo tempo a janela do hotel com o Rio Vltava lá embaixo, o café de 1884 onde Matheo havia pedido dois strudels sem perguntar e colocado o dela à sua frente com a naturalidade de quem conhece os
Eles ficaram no café por duas horas.Não duas horas de conversa intensa duas horas de algo mais honesto do que isso. Café bebido devagar. Silêncios que não precisavam ser preenchidos. Matheo com o olhar fixo na janela por longos minutos, Ana com o caderno aberto mas a caneta parada, os dois processando de formas completamente diferentes a mesma informação.Era assim que eles funcionavam quando funcionavam bem. Não o casal que finalizava as frases um do outro, não a parceria onde um sempre sabia o que o outro pensava. Mas dois intelectos distintos chegando ao mesmo lugar por caminhos diferentes, e encontrando-se lá com menos surpresa do que o mundo esperaria.O garçom trocou os cafés duas vezes sem ser chamado.Quando Ana finalmente falou, foi com a voz de quem chegou a uma conclusão não pela lógica mas por algo mais fundamental.— Eu preciso te contar algo — ela disse.<















Último capítulo