Mundo de ficçãoIniciar sessãoAna Clara vive uma vida de extremos. De dia, veste o jaleco branco, lutando contra o sono nas aulas de medicina e os prazos de uma mensalidade que ela não tem como pagar. À noite, sob as luzes pulsantes de uma boate exclusiva, ela se torna uma sombra sedutora, dançando para garantir o tratamento de sua avó e a sobrevivência de seus sonhos. Ela tem um plano, uma meta e nenhum espaço para distrações. Matheo Cavalcanti é a personificação do poder. Aos 26 anos, o CEO da Cavalcanti Tech é conhecido por sua frieza cirúrgica nos negócios e uma reputação impecável — até que um flagrante mal interpretado ameaça destruir a fusão bilionária que ele preparou por anos. Para o mercado, ele precisa de uma esposa; para sua família, ele precisa de estabilidade. Um encontro explosivo em um beco escuro atrás da boate sela o destino de ambos. Matheo, em um movimento desesperado para desviar um escândalo, usa Ana Clara como seu escudo público. Agora, a estudante de medicina e o magnata estão presos a um contrato de casamento por conveniência. "Eu não preciso que você me ame, Ana Clara. Preciso apenas que você use essa aliança e finja que não me odeia na frente das câmeras." Entre as paredes de uma cobertura luxuosa, o ódio é a única coisa que parece real. Matheo despreza o que julga ser a vida fútil de Ana; ela detesta a arrogância de um homem que acha que pode comprar o mundo. Mas, enquanto os segredos dela começam a vazar e as vulnerabilidades dele ficam expostas, a linha entre a repulsa e o desejo começa a desaparecer. Em um jogo onde as regras foram escritas com tinta de contrato, eles descobrirão que o maior risco não é o escândalo, mas a entrega.
Ler maisTrês semanas depois.A sala de reuniões no último andar da nova sede da Cavalcanti Tech em Toronto era impressionante. Paredes de vidro do chão ao teto ofereciam uma vista panorâmica do Lago Ontário, que agora, sob o sol fraco de fim de inverno, parecia uma lâmina de prata líquida. A mesa longa de mármore preto brilhava sob a luz dos lustres modernos. Sentada à cabeceira, Ana Clara Souza Cavalcanti vestia um terninho preto elegante, bem cortado, com uma blusa de seda branca por baixo. O cabelo estava preso em um coque baixo e sofisticado, e o único adorno que usava era a aliança simples de ouro que Matheo lhe dera.Ao seu lado direito, Matheo Cavalcanti ocupava a cadeira de CEO operacional. Ele ainda estava um pouco mais magro do que o normal, mas o olhar cinzento era tão afiado quanto antes. Vestia um terno cinza escuro feito sob medida, sem gravata, com os primeiros botões da camisa abertos — um pequeno ato de rebeldia contra o formalismo da reunião.O conselho administrativo estava
A suíte particular do Toronto General Hospital estava silenciosa, iluminada apenas pela luz fria da lua que entrava pela janela ampla. Matheo Cavalcanti estava deitado na cama, o corpo ainda lutando contra os efeitos do choque térmico que quase o levara embora nas águas negras do Lago Ontário. Seus lábios já não estavam mais arroxeados, mas a pele ainda conservava um leve tom pálido, e os monitores emitiam bipes constantes, medindo cada batimento do seu coração.Ana Clara Souza estava ao lado da cama, ainda vestindo o jaleco branco por cima da roupa simples que usara no píer. Seus cabelos estavam bagunçados, e havia olheiras profundas sob seus olhos castanhos — resultado das últimas horas de pura adrenalina e medo. Ela observava o monitor cardíaco como se fosse uma âncora, como se o ritmo estável dele fosse a única coisa que a mantinha de pé.Matheo abriu os olhos lentamente e virou o rosto para ela. Mesmo enfraquecido, seu olhar cinzento ainda carregava aquela intensidade que sempre
O cheiro de antisséptico do Toronto General Hospital nunca foi tão acolhedor. Para Ana Clara, estar ali, cuidando de Matheo, era a única forma de manter sua própria sanidade. Matheo estava em uma suíte particular, estável, mas o corpo ainda lutava contra o choque térmico das águas geladas do Ontário.Ela observava o monitor cardíaco — o ritmo dele era a música que a mantinha em pé. De repente, a porta se abriu. Não era um enfermeiro, mas um homem de terno cinza metálico, segurando uma pasta de couro legítimo. Dr. Arnaldo, o advogado pessoal de Alberto Cavalcanti, viera do Brasil.— Com licença, Dra. Souza. Sr. Cavalcanti — o advogado fez uma reverência rígida.— Se veio tentar algum acordo para o meu pai, pode sair — Matheo disse, a voz ainda rouca, sentando-se com dificuldade na cama.— Na verdade, não. Alberto Cavalcanti faleceu ontem à noite, na ala hospitalar da penitenciária. Um ataque cardíaco fulminante — o advogado soltou a bomba sem emoção.Ana sentiu um calafrio. O homem que
O estalo seco do pulso eletromagnético foi seguido pelo cheiro de ozônio e o som de vidro estilhaçando. O galpão mergulhou em uma escuridão quase absoluta, quebrada apenas pelos reflexos das luzes distantes do porto nas poças de água gelada no chão.— Matheo! — Ana gritou, mas sua voz foi abafada pelo som de um corpo colidindo contra as mesas de metal.Matheo não perdeu tempo. No escuro, ele se moveu como um predador, guiado pelo brilho do tablet que Enzo ainda segurava. Ele atingiu o hacker com um tacle de ombro, jogando-o contra o rack de servidores. Enzo era rápido, mas não tinha a força bruta de Matheo. O CEO desferiu um soco certeiro no estômago do rapaz, tentando arrancar o dispositivo de suas mãos — o único rastro das provas que poderiam destruir Ana.— Ana, corra para a saída! — Matheo rugiu, enquanto desviava de um chute desesperado de Enzo.Ana girou sobre os calcanhares, mas o brilho de uma lâmina curta cortou o ar a centímetros do seu rosto. Isabella estava ali, movida por





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