Mundo ficciónIniciar sesiónNunes é um policial instável, preso num futuro desolado e viciado em tarjas pretas. Sua única companhia? A terrorista que transforma sua dor em prazer. Após uma missão espacial catastrófica, ele é capturado por uma insurgente que o vê como moeda de troca, isolados em um sistema à beira do colapso temporal. Proibido de amá-la, Nunes se vê irresistivelmente atraído pela mulher que transformou seu sofrimento em êxtase, vivendo uma paixão tão insana quanto perigosa.
Leer másEle ficou boquiaberto… Mais 1 ano…?— Não… não pode ser… Que porra é essa?Ele olhou pros lados, todos, respiração começando a falhar. Ele não estava na nave. Estava em um loop.Um loop distorcido.Ele parou, mente trabalhando a todo vapor.— Que porra de peixe e bolha é essa? É uma sequência parecida com a anterior.“Muito estranha pra ser coincidência.”— …Morse-Frutiger-Aero.“Mas eu não sei Morse”— Puta que pariu, fodeu a porra toda pra mim nesse caralho mesmo.Se ele acabou de passar pela sala… e acrescentou 1 ano… chegando ao 531, isso significa que ele não está ali naquela sala a poucos segundos, já está percorrendo por ela a 531 vezes, seja lá quanto tempo já perdeu.A propósito… O que é tempo? Onde ele estava senão suspenso em um labirinto temporal distorcido por uma anomalia espacial?— Espera… — ele respirou fundo, a calma brotando do além: — Eu preciso confirmar. Simplesmente pode ter outra sala e…O rádio ligou de novo.— “É? O problema sou eu, então?”— Merda… — ele riu
CAPÍTULO 5: NUNDINAEA primeira escotilha abriu com um chiado breve, quase orgânico. Um sopro de ar pressionado escapou como um suspiro metálico. A pressão estabilizou. Nunes avançou com passos lentos, hesitantes, entrando naquela sala minúscula de transição — branca demais, como um quarto de hospital abandonado no espaço.Tudo ali era branco, mas não um branco único. Havia tons distintos, quase imperceptíveis: o branco-chumbo das bordas da escotilha, o branco-amarelado das luminárias embutidas e piscando com preguiça no teto, o branco-esverdeado do piso manchado de ferrugem antiga. Parecia um manicômio cirúrgico, limpo demais, morto demais.Mal havia espaço para se mover. As paredes pareciam se fechar. A porta atrás dele se fechou com um estalo seco, definitivo. Silêncio absoluto.E então, uma luz azul-clara e fria piscou no canto superior esquerdo. Um monitor embutido na parede despertou devagar, como se tivesse sido acordado à força de um pesadelo longínquo.Ele não se lembrava daqu
— TÁ... entendi... — ela o interrompeu, revirando os olhos com impaciência: — Tanto faz. Nem sei o porquê te contei essa merda!... Nunes riu baixinho, mordendo o lábio inferior, um sorriso que ela não viu.— Eu... eu vou entrar na sala ali do lado que tem os trajes de saída. Tem que usar eles pra não morrer lá fora.— Tá, vai logo — ela ainda olhava para o lado, emburrada, tentando ignorá-lo.Ele soltou um riso suave — será que Ketlen se esquecera que ele era o adversário dela? Ele poderia facilmente estender a mão e arrancar a arma dela... e então acabar com sua vida. Mas não. Era mais conveniente manter as coisas assim. Ela tinha seu encanto. E sua história.E seu propósito.Ela o acompanhou e o viu se vestindo.— Pensei que não iria ter um traje do seu tamanho — ela comentou, mais descontraída, mas ainda séria, avaliando-o.Nunes, enquanto se vestia: — É... hehe...— Hm... — "A risada dele..." — o pensamento flutuou na mente de Ketlen, um eco estranho.Mas então ela sorriu com os
Foi então que o espaço ao redor mudou.As paredes deixaram de existir.A cidade também.Agora era apenas escuridão. Uma escuridão que respirava.Uma presença se formava no meio do nada.Alta, silenciosa. Forte como uma estátua viva. Os contornos do cabelo se moviam como se flutuassem em água parada.— Pa... pai? — sussurrou, com a voz entrecortada de choro e saliva.Ela podia ouvir ele ali, como no dia em que fez a maior merda da sua vida, numa ligação forçada com o pai. Enquanto ela gaguejou “pai”, ele entendeu papai.Mas não.Nada respondeu. Ele estava morto, assim continuaria.A sombra apenas observava.— Papai... por favor, fala comigo... — ela apertou os olhos, sentindo uma dor aguda no peito: — Por favor… papai… agora eu te chamo de papai… pra sempre… por favor, papai…Ela via seu contorno. A largura dos ombros. O jeito de ficar parado.Mas não havia cheiro de colônia, nem calor de abraço.Só a presença. E isso doía mais que a ausência.Um chiado cortou o silêncio. Um som eletrôn
Vida que agora jazia sem rosto no meio da rua, queimada e crivada de balas.Haviam se despedido a poucas horas atrás. Um intervalo tão breve e cruel que parecia uma ironia cósmica.Ketlen apertou a cabeça contra os joelhos, como se quisesse esmagar as lembranças com o próprio crânio — seria o karma por ter matado os 2?Ela só queria que aquilo parasse.Só isso.Só silêncio.Mas o silêncio a fazia se lembrar dos 3. Eles nunca mais fariam barulho. Ambos estavam jogados em um lugar qualquer na rua. Sem vida.Era um contraste desenhado pelo Diabo? — alguma regra moral que reverteu a ela mesma? Se ela matou aqueles dois, por que não tiraram apenas 2? Precisava ter destruído toda sua família? Ou o universo sabia de algo que ela ainda não sabia?Ambos estavam em casa apenas algumas horas atrás. Estavam sentindo calor, conversando, respirando, piscando, compartilhando histórias e memórias. O que eles eram agora, a não ser corpos que não se mexem mais?Mas pensar com clareza nunca foi seu pont
Ela não conseguiu continuar. Embargou a voz, finalmente mostrando a rachadura de seu trauma a Nunes, uma dor crua e exposta.— Eu fiquei desesperada porque o celular tava descarregado — ela continuou, a voz quase um sussurro, misturado a um soluço: — Botei pra carregar em uma caixinha que carrega celular portátil e esperei os segundos pra ligar ele com 1%. Parecia uma eternidade.Quando ele viu uma lágrima escorrendo pelo rosto de Ketlen, ele sorriu com os lábios, desfazendo sua postura de "ouvinte sério" — Não poderia ser diferente. Ele queria e devia ser o mais humano possível com ela naquele momento.— Ei... — ele enxugou a lágrima dela com o polegar, num toque quase angelical, delicado e inesperado.Ela arregalou os olhos de leve, tirando sua mão do rosto como um gato assustado, um movimento brusco.— P-para! — o silêncio entre os dois foi mortal. Pesado. Ketlen fungou o nariz, puxando a água que escorria de volta, limpando-o com a gola da camisa com o braço, em um gesto de disfarc
Último capítulo