Mundo ficciónIniciar sesiónRebecca Callaway tinha se casado apaixonada por um homem que não a amava. Ela sabia disso, mas às vezes o coração é caprichoso demais. Henry Sheppard tinha sido obrigado a aceitar aquele casamento para salvar sua empresa: seus negócios com o pai de Rebecca o tinham colocado à beira da falência quando Curtis Callaway foi preso por fraude. O acordo tinha sido simples: Curtis o isentava de toda responsabilidade, mas ele tinha que se casar com sua única filha e protegê-la. E Henry tinha feito isso, culpando-a, odiando-a, responsabilizando-a por arruinar sua união com a mulher que ele realmente amava. Seu único consolo era que aquele casamento tinha data de validade: terminaria depois de cem beijos. Isso era a única coisa que Rebecca tinha pedido para deixá-lo livre: cem beijos. Ele a odiou durante os primeiros noventa e nove... O que acontecerá quando, em vez de pedir o beijo número cem, ela lhe entregar o divórcio assinado? Ele desprezou os primeiros noventa e nove... e ela fará com que ele se arraste pelo último.
Leer másSeija não engoliu em seco, não ficou paralisada, não perdeu o fôlego por tê-lo na frente — simplesmente porque ela era a única que tinha certeza desde o começo de que aqueles encontros iam acontecer. Afinal, ela continuava sendo a melhor amiga de Rebecca, e ele continuava sendo o melhor amigo de Henry: duas pessoas que estavam se divorciando e que tinham um leque de ódio ao redor capaz de incluir e confrontar todos os que estivessem por perto.Mas definitivamente não havia esperado que Camilo tivesse o mau jeito de abrir o reencontro com aquela pergunta:— Por que você sempre tem que ser tão venenosa?Era uma sentença interessante, e ao mesmo tempo perigosa demais.— Porque desde tempos imemoriais, querido, as pessoas preferiram acreditar na serpente — respondeu Seija sem papas na língua. — E o seu melhor amigo é uma prova fiel disso.Henry baixou o olhar, engolindo a impotência e a impossibilidade de responder, e Camilo passou ao lado dele, dando um tapinha no ombro.— Venenosa
Camilo havia aprendido a tomar café da manhã devagar. Não por gosto, mas porque o silêncio da mesa familiar havia se tornado uma espécie de refúgio. Antes falava mais, ria mais, discutia por qualquer coisa. Agora era diferente: mais taciturno, mais comedido, com um sarcasmo fino que usava como armadura. Havia amadurecido, diziam alguns. Ele sabia que também havia endurecido um pouco.Estava sentado na frente do prato quando o telefone vibrou sobre a mesa. Olhou para a tela e franziu levemente o cenho.— É o Henry — disse, mais para si do que para os outros.A mãe ergueu o olhar do café, curiosa, e Camilo atendeu a ligação antes que ela pudesse comentar algo.— O que aconteceu? — perguntou sem rodeios, se afastando um pouco da mesa.A voz de Henry soou acelerada, carregada de tensão."Tenho um problema… você lembra que a gente falou das mais de vinte mil unidades de computadores que vendi pra Rebecca?"— Sim, as que ela comprou pra te ajudar — respondeu Camilo."Pois agora estão
Camilo olhou para o relógio do restaurante pela quinta vez em menos de dois minutos. O ponteiro avançava com uma crueldade desnecessária. Seija estava com mais de uma hora de atraso, e isso não tinha nada a ver com ela. Não era de se atrasar, não desaparecia sem avisar e, acima de tudo, não deixava mensagens sem responder.— Com certeza se atrasou — murmurou para si mesmo, embora a frase soasse cada vez menos convincente.O garçom já havia passado duas vezes para perguntar se desejava mais alguma coisa, e Camilo havia pedido outra bebida só para não se sentir fora do lugar — mas o nó no estômago não afrouxava. Tirou o telefone de novo e discou. Nada. Caixa postal. Tentou mandar uma mensagem e deixou pela metade. Não queria parecer ansioso, embora, a essa altura, fosse difícil disfarçar.Pagou a conta sem terminar a bebida e saiu do restaurante com passos rápidos. A preocupação começava a escalar pelo peito como um alarme. Algo não estava certo — soube com aquela certeza incômoda que
Seija sentiu o mundo desabar sobre ela de repente. Era como se alguém tivesse arrancado o chão sob os pés sem aviso. Ali estava ela, para perguntar a Camilo como podiam organizar as vidas, como podiam fazer aquilo — esse "algo" que para ela já era maior do que admitia — funcionar com tudo o que estava por vir. Queria saber se ele estaria disposto a acompanhá-la na jornada, se podiam planejar um futuro juntos.Mas em questão de segundos descobria que para ele não havia futuro, nem planos, nem nada parecido. Para Camilo ela era só um entretenimento, ou pior ainda, parte daquilo que ele chamava de "aproveitar as erradas".O pensamento a perfurou como uma adaga. Sentia como se formava um buraco no peito, um que se expandia sem controle. Por isso, em vez de entrar no escritório e enfrentá-lo, simplesmente girou sobre os próprios pés e foi embora.Caminhou sem ver ninguém, sem reparar em nada ao redor, como se o corpo se movesse sozinho. Quando chegou ao carro, as mãos tremiam tanto que d





Último capítulo