Mundo de ficçãoIniciar sessãoRebecca Callaway tinha se casado apaixonada por um homem que não a amava. Ela sabia disso, mas às vezes o coração é caprichoso demais. Henry Sheppard tinha sido obrigado a aceitar aquele casamento para salvar sua empresa: seus negócios com o pai de Rebecca o tinham colocado à beira da falência quando Curtis Callaway foi preso por fraude. O acordo tinha sido simples: Curtis o isentava de toda responsabilidade, mas ele tinha que se casar com sua única filha e protegê-la. E Henry tinha feito isso, culpando-a, odiando-a, responsabilizando-a por arruinar sua união com a mulher que ele realmente amava. Seu único consolo era que aquele casamento tinha data de validade: terminaria depois de cem beijos. Isso era a única coisa que Rebecca tinha pedido para deixá-lo livre: cem beijos. Ele a odiou durante os primeiros noventa e nove... O que acontecerá quando, em vez de pedir o beijo número cem, ela lhe entregar o divórcio assinado? Ele desprezou os primeiros noventa e nove... e ela fará com que ele se arraste pelo último.
Ler maisO escritório ficou em absoluto silêncio depois da acusação de Curtis. O relógio de parede marcava os segundos com um tique-taque insistente que parecia reverberar no ar carregado, mas Chase Sheppard não demorou a franzir o cenho, como se se recusasse a admitir que aquela frase havia atravessado uma armadura cuidadosamente construída durante anos.— Do que diabos você está falando? — soltou, com um tom que era mais um rugido do que uma pergunta.Curtis Callaway permaneceu sentado, imperturbável, com as mãos entrelaçadas sobre a mesa. Não precisava elevar a voz; a segurança era suficiente para desestabilizar o outro.— Estou falando de você, Sheppard. Seu filho ainda é muito jovem no mundo dos negócios apesar de tudo, mas eu… eu sou um cão velho e depois do que passei, bem… sou um lobo — riu sem graça. — Sabe? Mandei investigar você com uma amiga minha… alguém que é muito boa em descobrir segredos — garantiu com uma careta calculada. — E encontrei muitas coisas interessantes no seu pa
E se aquelas palavras saíam da boca do pai, definitivamente eram algo sério, então Rebecca arqueou as sobrancelhas e deixou a bolsa na poltrona. O tom de voz refletia um cansaço que lhe atravessava até os ossos.— Por favor me diz que não é sobre o Henry — sussurrou enquanto se deixava cair numa ponta do sofá.— É sobre o Henry.— Meu Deus! É que estou mais por dentro da vida dele agora do que quando estava casada! O que foi que aconteceu? — resmungou com impaciência.O pai deu um gole longo no café, o deixou sobre a mesa e então a olhou de frente, como se quisesse medir a força da filha. Os olhos eram serenos, mas por trás deles havia algo inquietante, uma tensão contida.— Nos dias em que você ficou no hospital, me dediquei a analisar a fundo a empresa do Henry, e acho que tenho tudo nas mãos para mandá-lo para a cadeia.As palavras a atingiram como uma bofetada. Rebecca ficou petrificada, com a boca entreaberta e os olhos cravados no pai. O coração deu um salto, como se tivess
Henry bufou enquanto esfregava o lado do corpo, ainda dolorido com a queda estrondosa da cama. E lá de cima Rebecca o observava com cara fechada, o cenho franzido e os braços cruzados. A cena era ridícula, mas nenhum dos dois parecia ter intenção de rir.— Você adormeceu no hospital — disse Henry por fim, quebrando o silêncio pesado. — Só te trouxe para descansar. Nada mais.Rebecca o olhou incrédula, apertando os lábios como se quisesse guardar um comentário mais ácido.— Descansar não era me apalpar — respondeu com secura, enquanto alisava o vestido e ajeitava o cabelo como se precisasse recuperar a compostura.Henry arqueou as sobrancelhas, fingindo surpresa, e ergueu as mãos num gesto inocente.— Ei, eu não te toquei. Quem me apalpou inteirinho foi você. Estava dormindo? Sim, estava, e quem sabe o que andava sonhando. Eu só fiquei ali, quietinho, igual ao Tutancâmon… — disse arrastando a última letra e cruzando os braços sobre o peito como um faraó. — E não vou me desculpar po
Julie Ann continuava de pé, cambaleante, com as bochechas ardendo pelos golpes de Chelsea e os olhos cheios de lágrimas. Parecia mal conseguir se sustentar, e a voz era quase um murmúrio desesperado enquanto olhava para Henry nos olhos e soltava a última frase magistral.— Não cabe na minha cabeça como você pode ser tão cruel — sibilou com angústia.Mas ele apenas a olhou com uma mistura de cansaço e desprezo. Havia algo no olhar que não era simplesmente raiva — era como se estivesse a vendo de verdade pela primeira vez, com aqueles detalhes amargos e repugnantes que antes não havia visto ou por alguma razão havia insistido em ignorar.— Você sempre soube — respondeu com uma calma amarga. — E nunca te importou, desde que essa crueldade fosse com outra pessoa. Não é assim?E Julie Ann não conseguiu responder, só absorver aquela frieza letal nos olhos de Henry enquanto ele sacava o celular sem desviar o olhar dela. Os dedos se moveram com precisão cirúrgica, quase automática, como qu
Último capítulo