Mundo de ficçãoIniciar sessãoRebecca Callaway tinha se casado apaixonada por um homem que não a amava. Ela sabia disso, mas às vezes o coração é caprichoso demais. Henry Sheppard tinha sido obrigado a aceitar aquele casamento para salvar sua empresa: seus negócios com o pai de Rebecca o tinham colocado à beira da falência quando Curtis Callaway foi preso por fraude. O acordo tinha sido simples: Curtis o isentava de toda responsabilidade, mas ele tinha que se casar com sua única filha e protegê-la. E Henry tinha feito isso, culpando-a, odiando-a, responsabilizando-a por arruinar sua união com a mulher que ele realmente amava. Seu único consolo era que aquele casamento tinha data de validade: terminaria depois de cem beijos. Isso era a única coisa que Rebecca tinha pedido para deixá-lo livre: cem beijos. Ele a odiou durante os primeiros noventa e nove... O que acontecerá quando, em vez de pedir o beijo número cem, ela lhe entregar o divórcio assinado? Ele desprezou os primeiros noventa e nove... e ela fará com que ele se arraste pelo último.
Ler maisOITO ANOS DEPOIS.O outono tinha chegado a Nova York com aquela elegância tranquila que só têm as cidades acostumadas a se reinventar todo ano. As folhas das árvores do Central Park tinham ficado douradas e avermelhadas, e o ar tinha aquele cheiro limpo que anuncia a mudança de estação.Da varanda do apartamento, Seija observava o parque enquanto segurava uma xícara de café entre as mãos.Tinham se passado oito anos.Oito anos desde aquele dia em que tinha arrastado Camilo ao cartório com a determinação de quem não estava mais disposta a esperar que a vida decidisse por ela. Por muito tempo tinha achado que aquele seria o momento mais impulsivo da vida — mas com o passar dos anos entendeu que na verdade tinha sido o mais sensato.Porque tudo o que veio depois tinha valido a pena.Dentro do apartamento se ouviam risadas.— Pai, isso não vale! — protestou uma vozinha com indignação.— Claro que vale — respondeu Camilo com absoluta tranquilidade. — Nessa casa as regras sou eu quem
As semanas seguintes foram tomadas por aquele caos alegre que aparece quando várias pessoas decidem organizar algo importante sem ter experiência suficiente pra isso — o que significou que quase todos os encontros casuais terminavam se transformando em improvisadas reuniões de planejamento onde alguém puxava um caderno, outro buscava datas no celular e Rebecca começava a falar com a energia de uma general preparando uma campanha militar.Claro que foi ela quem assumiu o planejamento do casamento com a mesma intensidade com que organizava tudo na vida. Em menos de três dias já tinha pesquisado lugares, preços, datas disponíveis e até fornecedores de flores.Aquilo fez com que a mesa da sala de jantar da casa dela terminasse coberta de catálogos, calendários, amostras de tecidos e listas intermináveis de detalhes que mais ninguém parecia considerar importantes.Seija estava sentada à frente dela folheando uma pasta cheia de fotos de diferentes lugares possíveis pra cerimônia, enquanto
Podia continuar a vida longe dele. Afinal, estava fazendo isso fazia quase dois anos.Ou podia reconhecer que apesar da decepção, ela também tinha experimentado todas aquelas certezas — e sabia que não queria viver o mesmo de novo.— Camilo — respondeu com suavidade enquanto deslizava os dedos pela bochecha dele. — Faz anos que tenho certeza de que quero estar com você… só falta ver se dessa vez a gente consegue tornar isso realidade.O sorriso que apareceu no rosto de Camilo foi tão sincero que parecia quase o de alguém que ainda não terminava de acreditar na própria sorte.— Foi fácil demais — murmurou.— Não foi fácil — replicou Seija. — Só chegou na hora certa.— Isso também é verdade — murmurou ele inclinando a cabeça e aceitando o comentário.Por alguns segundos ficaram se olhando em silêncio — então Camilo a abraçou num gesto espontâneo que quase a fez rir.— Te amo — murmurou contra o cabelo dela enquanto a fazia cair sobre ele.— Eu sei — respondeu Seija enquanto apoi
A manhã chegou devagar, com aquela luz clara e silenciosa que entra pelas janelas quando a cidade ainda não terminou de acordar. Camilo abriu os olhos devagar e a princípio não se mexeu. Ficou deitado sobre o travesseiro enquanto a mente voltava aos poucos ao presente, reconhecendo o lugar onde estava e lembrando, quase com medo, de tudo o que tinha acontecido na noite anterior.Durante um ano inteiro tinha se acostumado a acordar em quartos que não lhe pertenciam, em cidades que não eram o seu lar e em manhãs que sempre começavam com a mesma sensação de vazio. Por isso demorou um momento pra entender que dessa vez era diferente.Havia alguém apoiado contra o peito dele.Seija dormia profundamente, com a cabeça recostada no ombro dele e uma expressão tranquila que ele não lembrava ter visto fazia muito tempo. O cabelo escuro se espalhava sobre o travesseiro e parte do braço, e o ritmo suave da respiração subia e descia contra a pele dele.Camilo não se mexeu. A observou por vários





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