Mundo ficciónIniciar sesiónIsabela Marino é uma designer talentosa que nunca consegue uma oportunidade justa no mercado. Não por falta de competência, mas porque é considerada feia pela sociedade. À beira de ser despejada, aceita o único trabalho disponível: ser babá de Thales, o filho de dez anos do CEO da Lotus, uma grande empresa de cosméticos que promove a coleção “Beleza Verdadeira”, mas ignora pessoas como ela. Vinícius é um homem frio, distante e emocionalmente ausente. Nunca teve um relacionamento com a mãe de Thales e sempre manteve o filho à distância. Após a morte dela, o menino vive o luto praticamente sozinho. Isabela, aos poucos, se torna a única pessoa capaz de se conectar com Thales e trazer equilíbrio para a rotina da casa. Quando a avó materna entra na Justiça pedindo a guarda do garoto, o histórico de Vinícius com mulheres e sua imagem de solteiro irresponsável se tornam uma ameaça real. Para não perder o filho, ele propõe um acordo: fingir um relacionamento com Isabela. Um contrato, sem envolvimento emocional. O que começa como encenação passa a se confundir com a realidade. Isabela transforma a vida de Thales e, sem perceber, também a de Vinícius. Ele passa a enxergar as pessoas de outra forma. Ela começa a acreditar que talvez mereça ser amada. Tudo desmorona quando Isabela descobre e-mails em que Vinícius e o melhor amigo zombam dela pelas costas. Ferida, ela vai embora. Só então Vinícius percebe que perdeu a única mulher que foi capaz de despertar algo verdadeiro nele. Mas será que Vinícius vai conseguir reconquistar Isabela? E Isabela será capaz de perdoá-lo? Uma história sobre preconceito, segundas chances e a coragem de acreditar que o amor verdadeiro vai além da aparência.
Leer másEu só podia ter feito alguma merda. Fiquei quebrando a cabeça tentando lembrar o que eu disse e que poderia ter chateado ele.Algo eu devo ter feito pra uma criança de dez anos sumir assim, do nada.No começo achei que fosse pegadinha, coisa de moleque. Talvez estivesse escondido em algum cômodo dessa casa enorme.Inês já tinha ido embora, então precisei procurar por ele sozinha. Alguns cômodos da casa ainda eram desconhecidos para mim, mesmo depois do empenho do Thales em me mostrar tudo. E foi justamente por causa desse esforço que eu estava pagando minha dívida: preparando o tão esperado bolo de brigadeiro Coloquei no forno, chamei por ele, nada.No meu primeiro dia como babá, consegui a façanha de perder a criança, queimar o bolo (porque deixei esquecido no forno enquanto berrava pelo nome do Thales) e ainda ligar pro meu chefe meia hora depois, mesmo ele tendo deixado bem claro que só queria ser incomodado se fosse sério – bom, e era sério – , justo num evento importante da empre
Aquela noite era importante pro futuro da Lotus; vários possíveis investidores estavam no evento e eu precisava passar uma boa impressão.Os stands estavam espalhados com perfumes, cremes e linhas de maquiagem da coleção "Beleza Verdadeira". Garçons circulavam com bandejas de champagne e canapés para os convidados, enquanto Marina, nossa perfumista, já se adiantava em conversar com um dos figurões que poderia garantir a nossa próxima campanha.Era tudo uma farsa.Todos fingiam que a Lotus nunca estivera melhor, que nossos números só cresciam.Frases como “Nossas vendas aumentaram 40% nos últimos seis meses” e “Nossos clientes nunca estiveram mais satisfeitos.” ao lado do nosso slogan “Lotus apoia a Beleza Verdadeira” piscavam nos telões entre as fotos da campanha.A verdade era que a campanha tinha sido um fracasso. As vendas despencaram. As mulheres comuns que deveríamos alcançar continuavam comprando marcas importadas ou produtos mais baratos. E a nossa elite? Bom, a elite nunca c
Nunca tinha visto uma mansão de perto e meu Deus, essa daqui parecia não ter fim. Minha oferta de paz (um bolo de brigadeiro) foi o suficiente para que Thales fosse meu guia, ainda que a contragosto. Percebi que o menino começou a baixar um pouquinho a guarda comigo. Já não fingia que eu não existia, nem bufava a cada frase que eu dizia.Iria considerar como uma vitória.Passamos pela sala de jogos, pela biblioteca e por mais banheiros do que uma família comum possivelmente poderia precisar. Eu tentava puxar assunto, fazer perguntas sobre a casa, sobre a escola, sobre qualquer coisa. Thales respondia com “sim” ou “não” ou simplesmente dava de ombros. Até chegarmos no jardim. Thales correu, empolgado, até chegar mais próximo das flores.Fiquei impressionada de verdade. Aquele lugar parecia o paraíso.Sempre gostei de flores. Ler sobre elas virou meu hiperfoco na infância, depois que papai comentou, bem casualmente, que mamãe amava flores. Lembro de ter perguntado quais ela mais gost
Tá tudo bem, respira, Bela. Tudo, nesta situação, faz parecer que eu tô entrando no covil de um psicopata. Um cara podre de rico, poderoso, frio, meticuloso, lindo, que do nada decide que eu devo ser a babá do filho dele. Sendo que nunca me viu na vida! Super normal, nada de estranho mesmo. Não preciso me preocupar.O fato de, quando mencionei isso, ele ter respondido que quem deveria se preocupar era eu, também não era motivo nenhum de alarme.Não queria dizer que ele ou o filho eram psicopatas, muito menos que eu era a isca para um deles se divertir com instintos assassinos e depois me descartar numa vala qualquer.Eu poderia citar uns dez filmes de terror em que a protagonista se meteu em situações bem menos perigosas e, ainda assim, acabou morta.Meus pensamentos foram interrompidos quando o carro dele parou e… uau. Uau. Que casa enorme. Uma mansão daquelas que a gente só vê na televisão.De repente, toda a concentração que eu vinha fazendo pra acreditar que não era tão esquisit
Me joguei na cadeira, desejando que ela me sugasse pra qualquer realidade que não fosse a minha. Fechei os olhos e massageei as têmporas. Como diabos eu tinha chegado até ali? Achava que estava com tudo sob controle. Foi quando ouvi a porta do escritório se abrir.— Cara, que susto do caralho! — era Márcio, meu amigo de infância e um dos acionistas da Lótus. — Você precisa colocar um alerta de gatilho na porta da sua casa.Virei a cadeira para encará-lo, sem entender:— Do que você tá falando?Márcio estava com a mão no peito, ofegante, os olhos arregalados de uma forma exagerada.— O que é aquilo na sua sala? — Aquilo? Olha, Márcio, meu dia não tá bom. É melhor parar de falar merda e ir direto ao ponto.Meu amigo notou o sangue na minha mão, e eu rapidamente tentei escondê-la debaixo da mesa.— Porra, eu sei que ela é feia, mas não precisava se autoflagelar.Ah. Ele estava falando da Isabela.— O nome dela é Isabela, e ela é a babá nova do Thales.— Ela é babá nova?! — Márcio riu,
Eu ainda não tinha me adaptado ao estresse dessas reuniões, muito menos quando sabia que os resultados seriam os piores possíveis. Ajustei a gravata, que parecia estar me enforcando, e respirar ficou difícil. Calma, pensei. O que poderia ser pior do que a última reunião, quando ficou claro que o ano passado tinha sido o pior da história da Lotus? Que o meu primeiro ano como presidente foi um absoluto fracasso. Apertei o botão do aplicativo de videoconferência para ativar a webcam e acabar logo com esse castigo. — Boa tarde, pessoal — cumprimentei, forçando um sorriso enquanto arrumava o ângulo da câmera. No mosaico da tela, vi a miniatura dos rostos hostis que pareciam querer me fuzilar desde que assumi a presidência da empresa dois anos atrás. Meu pai, com aquela expressão de decepção permanente que ele reservava especialmente para mim. Minha mãe, mexendo distraidamente no celular, claramente mais interessada em tudo menos no que acontecia na reunião. E Valéria, minha e





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