Mundo de ficçãoIniciar sessãoEla fugia da dor. Ele era o perigo disfarçado de redenção. Mariah Torres, 25 anos, morena dos olhos cor de mel, é uma jovem estudante de pedagogia que carrega no corpo e na alma as marcas de um casamento abusivo. Depois de anos cuidando da mãe doente na Colômbia, sua única companhia era o marido — um homem que, no começo, a tratava como uma rainha, mas que se revelou um monstro após a morte de sua mãe. Quando ele quase a mata, Mariah foge com a ajuda das irmãs, Milena e Mariana, para Nova York. Nova York é perigosa, mas Leon Helk é o próprio perigo. Misterioso, milionário, e com apenas 32 anos, ele é o herdeiro de um império mafioso, pai viúvo de uma garotinha encantadora e dono de olhos que escondem segredos tão profundos quanto suas cicatrizes. Leon jurou nunca se envolver com mulheres mais novas, mas Mariah desperta nele uma obsessão que ultrapassa qualquer regra. Ela, com sua pureza e sensualidade inocente, não tem ideia de que está prestes a mergulhar num mundo onde paixão, violência e desejo se misturam até queimar. Nos sussurros de noites perigosas e promessas feitas à meia-luz, um amor proibido nascerá entre ameaças, toques intensos e juras que podem custar a vida. Prepare-se para se perder em uma história onde o erotismo é tão perigoso quanto a máfia e o amor, mais letal que qualquer arma.
Ler mais— Vai sair assim?
A pergunta cortou o ar como faca, mesmo dita em tom calmo. Olhei para Daniel, encostado na porta do quarto com os braços cruzados e o olhar fixo na minha saia azul. Não era curta. Não era justa. Era só uma saia. Mas pra ele, qualquer coisa que me fizesse sentir bonita era ameaça. — É a mesma de sempre — respondi, pegando meus livros. — Só quero chegar cedo. A professora vai revisar o conteúdo do estágio. Ele se aproximou devagar, medindo o espaço entre o controle e o descontrole. — Achei que a gente já tinha conversado sobre isso. Sobre como você se veste. Sobre o tipo de atenção que isso atrai. — Daniel, ninguém olha pra mim. Sou só mais uma aluna entre dezenas. — Justamente — ele sussurrou, a boca perto do meu ouvido. — Justamente por isso. Doce demais. Falso demais. Me afastei. Era sempre assim. Primeiro ele falava baixo. Depois vinha a explosão. Nos conhecemos na universidade, logo depois que voltei da Colômbia. Eu tinha enterrado minha mãe e voltei com as mãos vazias e o peito oco. Ele cursava Direito, eu Pedagogia. Nos primeiros meses, foi encantador. Flores, “vou te proteger”, “comigo você tá segura”. Depois da morte da minha mãe, eu precisava desesperadamente de um porto seguro. Mas Daniel não era abrigo. Era tempestade. Me convenceu a reduzir as horas no projeto com crianças desabrigadas que eu amava. “Criança suja, cheia de piolho. Você é minha mulher, não babá”, ele disse. Depois, afastou minhas amigas. Criticou minhas roupas. Meus sonhos. “Pedagogia não dá dinheiro. Pensa no futuro. No nosso.” E eu cedi. Porque quando você está com as feridas abertas, aceita migalha achando que é amor. — Quer saber? Eu troco — falei, mansa. Não por ele. Por medo. Ele sorriu, satisfeito. — Isso, Mari. Você sabe que eu te amo, né? Amor. Aquela palavra já não significava nada na boca dele. Era um grilhão enfeitado. #### No caminho até a faculdade, o mesmo discurso: eu não precisava de mais ninguém. Ele sabia quem andava pelos corredores. Se alguém se aproximasse, ele saberia. No portão, me deu um beijo longo e molhado demais. Um beijo que mais parecia tatuagem territorial. Minhas mãos estavam fechadas em punhos. Quando o carro sumiu na esquina, soltei o ar e quase desabei. Clara me alcançou na entrada. — Demorou pra sair daquele carro, hein? — brincou, mas o olho dela dizia outra coisa. — Ele só estava conversando — menti, olhando pro chão. Ela não insistiu. Já sabia. — Um dia você ainda sai disso, Mari. De verdade — sussurrou, antes de entrarmos. #### No intervalo, sentei sozinha perto da fonte. O barulho da água não calava nada. O celular vibrou. Daniel. “Já almoçou?” Ignorei. Trinta segundos depois: “Vi que você não tá comendo direito. Vai me agradecer quando eu te ajudar a manter esse corpo lindo.” Engoli seco. Levantei devagar, vasculhando o estacionamento com os olhos. Nada. Mas eu sentia. Eu sempre sentia quando ele estava por perto. #### Na saída, a ligação da coordenadora. — Mariah, tudo bem? É sobre o estágio. O projeto na escola de apoio comunitário precisa de gente. Sei que você reduziu as horas, mas se quiser voltar, a vaga é sua. Por um segundo, meu coração aqueceu. Eu amava aquelas crianças. Era o único lugar onde eu existia. A voz do Daniel ecoou na minha cabeça: “Você é minha mulher, não babá.” — Posso te responder amanhã? — minha voz falhou. — Claro, querida. Mas pensa com carinho. Desliguei. A voz das crianças gritava dentro de mim. E a voz do Daniel gritava mais alto. Guardei o celular. Clara passou por mim e apertou meu braço de leve. “Tá viva?” murmurou. Só consegui assentir. Caminhei pra casa com a certeza mastigando meu peito: cedo ou tarde, eu ia ter que escolher. Me salvar... Ou continuar sendo a mulher que Daniel moldou com medo. Mas, naquele dia, ainda não era o momento de fugir. Ainda não. Porque fugir de Daniel não seria o fim. Seria o começo de um novo tipo de prisão. Mais silenciosa. Mais perigosa. Com nome. Com olhos escuros. E com um poder que faria meu corpo tremer por razões completamente diferentes.Por Mariah TorresDançávamos.Se é que aquilo podia ser chamado de dança.Era muito mais do que isso: era uma guerra silenciosa de olhares, uma provocação que queimava na pele, um jogo perigoso onde cada movimento, cada respiração, cada toque prometia algo que eu não sabia se conseguia aguentar mas que, ao mesmo tempo, morria de vontade de viver.O corpo dele pressionava o meu, duro e quente, invadindo cada espaço entre nós como se pertencesse ali de verdade. Seus olhos, escuros como a noite sem estrelas, queimavam mais do que qualquer contato físico, cravados em mim com uma intensidade que me fazia sentir exposta, nua de todas as defesas que eu tentava manter de pé.E eu?Eu resistia.Um pouco.Por teimosia. Por medo. Por aquele orgulho bobo que me impedia de admitir que eu já estava perdida há muito tempo.Inclinei a cabeça para trás, encontrando aquele olhar que me consumia por dentro, e com um sorriso atrevido, cheio de ousadia que eu não sentia que tinha, sussurrei, com a voz tr
Por Mariah TorresA música vibrava profundamente, como se tocasse diretamente nas veias, fazendo cada célula do meu corpo tremer com a batida. As luzes giravam em flashes cortavam a escuridão, pintando o ar de tons de azul, roxo e dourado, criando uma atmosfera que parecia feita para a liberdade e para a paixão.Ícaro dançava comigo, sua risada alta se perdia no barulho da festa, nossos movimentos eram livres, sem amarras, como se o tempo tivesse parado só para nós dois. Até que algo mudou, de forma tão súbita e intensa que senti como se o ar tivesse se tornado mais denso, mais quente, carregado de uma presença que cortava tudo ao redor.Antes mesmo de ver, eu soube.O calor subiu pelo meu pescoço e espalhou-se por todo o corpo, como se uma chama tivesse sido acesa dentro de mim. O perigo, mas também uma atração avassaladora, atravessou a pista de dança com a força de uma tempestade. Instintivamente, virei o rosto, e o coração deu um salto, batendo com força demais para ser norma
Por Leon HelkA reunião era uma merda. Negócios, contratos, aquisições, valores em milhões de dólares, estratégias, tudo importante, tudo técnico, tudo o que eu deveria estar ouvindo e decidindo. Mas naquela noite, com a música pesada da boate ecoando como um trovão abafado atrás das paredes de vidro da área VIP, eu não conseguia me concentrar em uma única linha, em um só número, em uma palavra sequer.Meu copo de uísque permanecia intacto sobre a mesa, o gelo derretendo devagar, gotas de água escorrendo pelo vidro, exatamente como a minha paciência, que ia se esvaziando a cada segundo que passava. Alex estava ao meu lado, relaxado, ouvindo os sócios falarem com atenção fingida, mas de vez em quando me lançava um olhar de canto, um sorriso quase invisível nos lábios. Ele sabia. Sabia exatamente o que se passava dentro de mim, o turbilhão que eu tentava e falhava em controlar.Eu não queria estar ali. Não queria conversar, não queria tratar de dinheiro, de alianças, de poder. Queri
Por Mariah TorresO sol já começava a se esconder, pintando o céu de tons alaranjados e roxos, quando o celular vibrou forte sobre a escrivaninha. Olhei para a tela e sorri de imediato: o nome das minhas irmãs piscava em destaque, acompanhado do aviso, Chamada em Grupo.— Atende logo, mulher! — Milena gritou antes mesmo que eu pudesse dizer “alô”.— Nem comecei a te xingar de preguiçosa e ela já tá enrolando! — completou Mariana, arrancando uma risada minha.— Cadê o glamour? Cadê a empolgação? — entrou Ícaro, com aquela voz dramática de quem finge estar ofendido. — Hoje é a noite da libertação, minha filha!— Calma, seus doidos! Tô aqui, tô ouvindo tudo! — respondi, rindo alto.— Sabe que dia é hoje? — perguntou Milena, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.— É sábado da salvação da calcinha! — Mariana e Ícaro gritaram juntos, em uníssono, fazendo-me gargalhar tanto que precisei me apoiar na beira da cadeira para não cair.— Hoje é noite de dançar, beber e mostrar para o unive





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