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Primeiras Impressões

Por Mariah Torres

Na manhã seguinte, acordei cedo no apartamento das minhas irmãs. O céu ainda estava escuro quando saí de casa. Tomei um banho rápido, vesti uma calça jeans, uma blusa azul de manga longa e prendi o cabelo em um rabo de cavalo simples. Milena preparou um chá rápido para mim, e logo o carro foi enviado pela mansão Helk chegou.

Quando desci do carro em frente à entrada lateral, percebi como tudo parecia ainda mais imponente àquela hora. O jardim ainda estava coberto de neblina e as luzes externas lançavam sombras suaves pelos corredores de pedra. Entrei pela porta que já havia conhecido no dia anterior, e uma funcionária da casa me recebeu com um aceno breve, indicando o caminho até o andar superior.

A mansão estava silenciosa, envolta em uma calma respeitosa. Caminhei até o quarto de Leonor, passando pelo lustre de cristal que dominava o hall e pela escadaria dividida em duas alas. Era impossível não se sentir pequena ali dentro.

Bati levemente na porta do quarto de Leonor. Sem resposta. Girei a maçaneta devagar e entrei.

O quarto era encantador: brinquedos organizados com cuidado, livros nas prateleiras, uma penteadeira com espelhos em forma de coroa e uma escrivaninha decorada com desenhos de arco-íris e dinossauros. Leonor dormia profundamente, os cabelos castanhos espalhados pelo travesseiro e o pijama cor-de-rosa coberto de estrelinhas. Um coelhinho de pelúcia descansava ao seu lado.

Me aproximei devagar, sentindo o peito apertar. Era tão pequena e tão parecida comigo em alguns aspectos. Mesmo dormindo, havia uma leve tensão em seu semblante.

— O que te machuca, pequena? — sussurrei em pensamento.

A porta rangeu levemente atrás de mim. Virei-me e vi Alex Helk encostado no batente da porta. Estava ali, calado, me observando.

— Você chegou cedo — disse ele, com a voz baixa e tranquila. — Ela teve um pesadelo essa noite. Não dormiu bem.

Assenti, tentando manter a calma diante dele.

— Queria acordá-la com cuidado.

Ele se aproximou da cama e olhou para a sobrinha com um olhar brando que contrastava com sua postura firme.

— Ela sonha com a mãe às vezes. E acorda assustada. Mas não fala disso com ninguém. Nem comigo e nem com o pai.

— Ela parece muito doce.

— É. E muito esperta. Vai te testar. Só está acostumada com o pai. E com silêncio.

— Posso acordá-la?

— Pode. Mas com calma. Leonor odeia ser acordada de forma brusca.

Ele se afastou em silêncio, deixando-me sozinha com a pequena.

Sentei na beirada da cama e acariciei seu ombro devagar.

— Leonor, bom dia, princesa. Está na hora de acordar.

Ela se mexeu, abriu os olhos lentamente e me encarou.

— Você voltou...

— Sim princesa. Tudo bem se eu ficar com você hoje?

Ela olhou para mim, depois para o coelho.

— O coelho gosta de você.

— E você?

— Ainda não sei.

Sorri com ternura.

— Que tal escovar os dentes e colocar uma roupa bem linda para tomarmos café?

— Só se você fizer um penteado de princesa.

— Combinado.

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Depois de ajudá-la a escovar os dentes e escolher um vestido azul com laço nas costas, levei Leonor até a cozinha dos funcionários. Esther já nos esperava com o café servido.

Durante o café, Leonor permaneceu em silêncio, mas seus olhos me seguiam discretamente. Percebi cada movimento, cada gesto. Queria saber quem eu era, se era digna da confiança que ainda não me oferecia.

— Ela gosta de observar antes de confiar — comentou Esther, colocando suco na xícara. — Mas quando confia  é pra sempre.

Assenti, compreendendo mais do que podia dizer. Aquele era meu reflexo.

Após o café, Esther me entregou um envelope com a rotina diária de Leonor.

— O senhor Helk ainda não retornou. Mas se aprovar seu desempenho, deve chamá-la nos próximos dias.

— Ele costuma aparecer com frequência?

— Não. Mas quando aparece, todos sabem.

Depois disso, Leonor me levou pela mão até o jardim interno. O sol ainda era tímido, filtrado pelas folhas. Ela correu até a pequena estufa de vidro onde havia flores e um balanço pendurado em uma árvore.

Fiquei observando-a brincar, sentindo algo aquecer o peito. Ela era leve mas carregava uma tristeza que eu reconhecia de longe.

Mais tarde, desenhamos na varanda. Ela me entregou um papel com uma menina com asas.

— É você. Uma fada — disse ela, sem sorrir, mas com uma sinceridade que me desarmou.

No fim da tarde, depois de brincar, pintar e conhecer boa parte da mansão, Leonor pediu para descansar. Levei-a até o quarto, ajeitei o cobertor e fiquei ao lado dela até seus olhos se fecharem.

Antes de sair, ela sussurrou:

— Boa noite, fada Mariah.

Saí do quarto com o coração apertado de emoção. Talvez, naquele lugar onde tantos se escondiam em silêncio, eu tivesse mesmo encontrado um novo começo.

E talvez  eu não estivesse mais tão sozinha.

Ao sair do quarto, caminhei devagar pelos corredores ainda silenciosos da mansão. As paredes imponentes já não me pareciam tão ameaçadoras. Havia algo diferente em mim naquela noite  como se cada pequeno gesto da Leonor tivesse reconstruído uma parte que eu acreditava ter perdido para sempre.

Esther me esperava no corredor, com as mãos cruzadas diante do corpo e um olhar mais brando que o de costume.

— Bom trabalho hoje! — ela disse.

— Obrigada!

— Ela dormiu tranquila. Isso não acontece sempre.

Assenti em silêncio. Era mais do que um elogio. Era um convite para permanecer. Um sussurro de que eu estava, pouco a pouco, encontrando meu lugar ali.

Ao sair pela mesma porta por onde entrei naquela manhã, respirei fundo e olhei para o céu. As estrelas estavam ali, tímidas, mas presentes. Como eu. Como Leonor.

E eu soube, com uma certeza serena:

O amanhã já não me assustava tanto.

Esther me conduziu até o quarto onde eu passaria a morar. A ala leste era mais silenciosa, com janelas que davam para o jardim. O cômodo era simples, mas acolhedor: cama de casal com lençóis claros, cortinas suaves, um armário embutido e uma escrivaninha com luminária acesa.

Sobre a cômoda, um pequeno vaso com flores frescas parecia me dar boas-vindas.

Enquanto desfazia minha mala, percebi que algo em mim também se organizava por dentro.

Eu não voltaria mais para o apartamento das minhas irmãs. A mansão agora era minha casa.

E pela primeira vez desde que tudo desabou, dormir em um lugar novo não me deixava em alerta.

Eu estava exatamente onde deveria estar.

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