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Entre Ordens e Pecados

Por Leon Helk

A mansão parecia respirar diferente.

Silêncio carregado.

Presença nova.

Eu sentia.

Da varanda do meu escritório, os olhos grudados no jardim, observei.

Mariah Torres.

Havia algo nela que incomodava.

Não era só a aparência embora o maldito corpo torneado naquela calça apertada fosse uma provocação sem palavras.

Era algo mais profundo.

Um tipo de delicadeza que parecia deslocada nesse lugar.

Frágil demais para o mundo que eu construí.

Forte demais para ser ignorada.

Deixei o copo de uísque sobre a mesa e apertei o interfone.

— Esther. No meu escritório. Agora.

Minutos depois, a governanta entrou, reta, profissional.

— Sente-se. — ordenei.

Ela obedeceu.

— Quero seu parecer sobre a nova funcionária. — falei, direto.

— Mariah Torres. — ela confirmou, ajustando a postura. — Chegou há uma semana. Tem sido discreta. Leonor está mais calma, mais participativa. Não houve incidentes.

— E entre os funcionários?

— Respeito absoluto.

— Você confia nela?

Esther hesitou um segundo.

O suficiente para me fazer estreitar os olhos.

— Sim, senhor. Até onde pude observar, é confiável.

— Até onde você pôde observar. — repeti em voz baixa.

Ela sustentou meu olhar.

Esther era boa.

Mas ninguém é perfeito.

E eu confiava apenas naquilo que eu mesmo via.

— Mande-a ao meu escritório. Quero conversar. — finalizei.

— Sim, senhor.

Assim que ela saiu, permaneci de pé, braços cruzados, o peso do dia inteiro latejando nas têmporas.

Cheguei de viagem na noite anterior.

A cabeça ainda estava cheia de números, armas e ameaças.

Eu não tinha tempo — nem paciência — para distrações.

Principalmente distrações com pernas longas, olhos assustados e um sorriso que parecia cura e veneno ao mesmo tempo.

---

A batida na porta.

— Entre. — ordenei.

Mariah entrou devagar.

Olhar abaixado.

Postura respeitosa.

Mas eu via a tensão no modo como ela segurava as mãos.

Sentia o medo.

O receio.

E algo mais, escondido lá no fundo como uma chama tímida esperando ser soprada.

— Feche a porta. — disse.

Ela obedeceu.

Caminhou até parar diante da mesa.

Esperei.

Deixei que o silêncio fizesse o trabalho que palavras não fariam.

Ela se remexeu, incômoda.

Bom.

— Sabe por que está aqui? — perguntei, sem alterar o tom.

— Não, senhor.

Inclinei a cabeça, estudando cada micro expressão dela.

Cada respiração.

Cada fuga involuntária dos olhos.

— Está há uma semana nesta casa. — comecei. — Quero saber o que viu. O que pensa do ambiente. Da rotina. Das regras.

Ela pareceu surpresa.

Demorou a responder.

— É diferente de tudo que eu já vivi. — disse, cuidadosamente. — Muito organizado. Muito silencioso. As pessoas são reservadas.

— Você se sente confortável?

— Sim, senhor.

Uma mentira educada.

Ninguém se sente confortável de verdade aqui.

E eu preferia assim.

— Alguma queixa? Algum desconforto?

— Nenhum, senhor.

Respirei fundo, forçando o controle.

Parte de mim queria que ela reclamasse.

Que mostrasse fraqueza.

Que me desse um motivo para afastá-la.

Mas ela não deu.

Ficou ali.

Firme.

Pequena.

Mas determinada.

— Você entende o tipo de responsabilidade que carrega? — perguntei, me aproximando da mesa.

Ela ergueu os olhos.

E pela primeira vez, sustentou meu olhar por mais de três segundos.

— Entendo. Leonor é uma criança sensível. E é minha obrigação ser uma presença segura para ela.

Minha mandíbula travou.

A voz dela era macia.

Mas carregava uma força inesperada.

Uma força que podia me destruir.

Desviei o olhar.

Passei a mão pelos cabelos, irritado com a própria reação.

— Não gosto de surpresas, Mariah. — avisei, cortante. — Aqui, qualquer deslize custa caro.

— Não vai se arrepender de ter me contratado aqui, senhor. — respondeu.

O som da palavra "senhor" saindo da boca dela me fez endurecer ainda mais e não apenas de raiva.

Merda.

Aquilo não podia acontecer.

Ainda não.

— Está dispensada. Volte às suas funções. — cortei, seco.

Ela fez uma leve reverência de cabeça, virou-se e saiu, fechando a porta atrás de si com cuidado.

Só então permiti que a tensão saísse dos meus ombros.

Fui até a janela de novo.

Observei a silhueta dela desaparecer pelo corredor.

Pequena.

Frágil.

Determinada.

Perigosa.

Levei o copo à boca.

O gelo já derretido deixou o uísque morno.

Engoli assim mesmo.

Eu conhecia o perigo.

Sabia reconhecê-lo a quilômetros.

E Mariah Torres era o tipo mais mortal de ameaça.

Aquela que não precisava de uma arma.

Só de um sorriso.

Só de uma presença.

E eu, maldito, já estava perdido antes mesmo de lutar.

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