Mundo ficciónIniciar sesiónRaia cresceu sem nome de família, sem passado, sem nada além da rotina sufocante do orfanato de Brathmor. Aos 18 anos, finalmente livre para trilhar seu próprio caminho, ela tinha planos: viajar, conhecer o mundo, pertencer apenas a si mesma. Mas três dias antes de sua maioridade, um nobre aparece nas portas do orfanato alegando ser seu pai e exigindo que ela pague uma dívida de sangue que nunca soube que tinha. Sem cerimônia ou explicações, Raia é arrastada para as Montanhas Flamejantes e abandonada como tributo para o dragão. Ela espera a morte. O que encontra é Kael um homem solitário que vive nas ruínas de uma fortaleza antiga e afirma que o dragão "permite" que ele viva ali. Ele é frio, distante, e deixa claro que Raia não é bem-vinda, mas também não a expulsa. Durante o dia, Raia planeja sua fuga. Kael mal fala com ela, desaparece por horas, age como se sua presença fosse um incômodo. ela não quer conexões mesmo. Mas à noite, quando o rugido ecoa pelas montanhas e chamas iluminam o céu, o dragão aparece. E para seu horror e confusão, a criatura não a ataca. Ele a observa. A protege. Há algo na forma como ele a olha que Raia não consegue explicar quase... possessivo. Quase reconhecedor. Presa entre dois capilares um homem que age como se ela não existisse e um dragão que age como se ela pertencesse a ele Raia tenta desesperadamente escapar. Mas cada tentativa de fuga resulta em algo estranho: Kael sempre sabe onde ela esteve. O dragão sempre a encontra. E ela começa a ter sonhos febris, sensações de um vínculo que puxa sua alma em duas direções... ou seria apenas uma?
Leer másTrês dias.
Faltavam apenas três dias para Raia completar dezoito anos e finalmente ser livre. Três dias para deixar as paredes cinzentas do Orfanato de Santa Cecília, as camas rangentes, os corredores que cheiravam a mofo e orações vazias. Três dias para começar a viver de verdade. Ela já tinha tudo planejado. Trabalharia na taverna do porto a Senhora Hilda havia prometido uma vaga. Juntaria dinheiro suficiente para comprar passagem em um navio mercante. Não importava para onde. Qualquer lugar seria melhor que Brathmor, com suas regras sufocantes e seu céu eternamente acinzentado. Ela finalmente poderia conhecer o mundo, além do orfanato, ela teria a tão sonhada liberdade. Mas os planos de Raia morreram na tarde em que as portas do orfanato se abriram e um homem vestido em veludo negro entrou como se fosse dono do lugar. Ela estava no refeitório limpando as mesas após o almoço, quando a Madre Superiora a chamou. Havia algo diferente no tom de voz da velha freira não a irritação costumeira, mas algo próximo ao... medo? -Raia, Venha aqui. Agora. O estômago de Raia se apertou. Em dezoito anos, ela havia aprendido que nada de bom vinha de ordens dadas naquele tom. O homem estava de pé na entrada do refeitório, imóvel como uma estátua. Alto, ombros largos, cabelos negros penteados para trás com precisão militar. Seus olhos do mesmo tom acinzentado do céu de Brathmor a analisaram da cabeça aos pés com a frieza de quem avalia gado no mercado. - É ela? Está gorda, além do padrão— sua voz era grave, cortante. -Sim, Lorde Brathmor, Esta é Raia a Madre Superiora praticamente se curvou. Lorde? Raia sentiu o chão desaparecer sob seus pés. - Cabelo loiro, olhos violeta, marca de nascença no pulso direito, Deixada aqui há dezessete anos com apenas um nome e um pagamento adiantado. O sangue de Raia gelou. Ninguém nunca havia mencionado um pagamento. Ela sempre acreditara que fora simplesmente... abandonada. Deixada na soleira da porta como um pacote indesejado. -Eu não entendo sua voz saiu mais fraca do que pretendia. Quem é o senhor? Os olhos cinzentos se fixaram nela, e pela primeira vez, algo como emoção cruzou o rosto do homem. Não era afeto. Era posse. -Seu pai. O mundo girou. -Mentira Meus pais me abandonaram. Eles.. -Sua mãe morreu no parto. Eu a coloquei aqui porque tinha... outros compromissos. Mas agora você atingiu a idade necessária. Está na hora de cumprir seu propósito, afinal você tem meu sangue. Propósito. A palavra soou como uma sentença de morte. - Eu tenho meus próprios planos Em três dias faço dezoito anos. Serei livre. O senhor não pode fazer nada. - Livre? Você acha que por ter sido criada aqui está livre de suas obrigações de sangue? Que ingênua. Não sei quem colocou essas coisas na sua cabeça, mas é melhor cortar logo. Ele acenou com a mão, e dois guardas entraram no refeitório. Homens grandes, armados, com a expressão de quem seguiria ordens sem questionar. - Não, eu não quero ir Raia recuou novamente, mas suas costas encontraram a parede - Não! Madre Superiora, faça alguma coisa! Mas a freira apenas desviou o olhar, as mãos entrelaçadas em falsa oração. - Que Deus tenha misericórdia de sua alma, criança. Mas o seu destino é seu sangue. Os guardas a agarraram. Raia lutou, chutou, arranhou, gritou até a garganta arder mas foi inútil. Eles a arrastaram para fora do orfanato como um animal rebelde. A última coisa que viu antes de ser jogada dentro de uma carruagem fechada foi a Madre Superiora fechando as portas, cortando qualquer visão do único lar que Raia jamais conhecera. A viagem durou dois dias. Raia não tinha certeza porque perdeu a noção do tempo dentro da carruagem escura. Davam-lhe água e pão duro em intervalos irregulares. Lorde Brathmor "seu pai", que pensamento amargo viajava em outra carruagem. Ela estava sozinha com seus pensamentos, seu pânico, e uma raiva que crescia como brasas atiçadas. Ele não tinha o direito Ninguém tinha. Ela sonhou a tanto tempo com a liberdade que foi tirada tão rapidamente. Ela havia sonhado tanto com liberdade, e agora estava sendo levada como gado para... para quê? Ele havia dito "propósito". Havia dito "idade necessária". As palavras ecoavam em sua mente como sinos fúnebres. Quando a carruagem finalmente parou, Raia estava entorpecida demais para reagir. As portas se abriram, e a luz do sol poente a cegou momentaneamente. Mas não era o sol que tornava o ar sufocante. Era o calor. Raia piscou, ajustando a visão, e seu coração afundou. Eles estavam ao pé de uma montanha não, uma cadeia de montanhas que se erguia como dentes irregulares contra o céu alaranjado. Fumaça subia de fissuras nas rochas. O chão sob seus pés irradiava calor mesmo através das botas finas. As Montanhas Flamejantes. - Não Raia tinha lido livros e ouvido história sobre a montanha. Todo mundo em Brathmor conhecia as histórias. As Montanhas Flamejantes eram território proibido. Lar do dragão. E a cada vinte anos... - O tributo Você me trouxe para o tributo. Lorde Brathmor desceu de sua carruagem, alisando as dobras do casaco como se estivessem em um passeio casual. - Você deveria se sentir honrada. Poucas têm o privilégio de garantir a paz de um reino inteiro. Você é minha filha, é meu dever como pai de toda Brathmor proteger o povo. -Privilégio? Você está me enviando para morrer! - Todos morremos eventualmente. Pelo menos sua morte terá significado. Você protegerá o seu povo, histórias serão contadas sobre você, como você foi valente para proteger o reino. A frieza naquelas palavras quebrou algo dentro de Raia. Não era dor era clareza. Ele nunca a quis. Ele nunca voltaria por ela. Ela sempre foi descartável. Um pagamento. Moeda de troca. E se ele já a considerava morta... - Você só me fez e me jogou naquele orfanato com esse propósito? -Levem-na Os guardas a agarraram novamente, mas dessa vez Raia não lutou. Sua mente trabalhava em velocidade febril. Eles a arrastaram por um caminho de pedras quentes, subindo em direção a uma enorme fenda na montanha uma caverna cuja entrada parecia uma boca aberta pronta para engolir. Correntes de prata foram presas em seus pulsos. - Tradição O dragão... ele prefere assim. - Você sabe que está fazendo uma garota ser morta por puro capricho? - Não é Capricho, é um dever. - E porque eu estou no meio disso? Não tenho nada haver com isso, escolha algum que queira morrer. - É seu devir como uma lady Brathmor - Que os Brathmor se lasquem. Como se monstros tivessem preferências. Como se isso importasse. Eles a deixaram ali, acorrentada a uma pedra negra e polida pelo calor, e recuaram rapidamente. Nem mesmo olharam para trás. Raia ficou sozinha na entrada da caverna, o sol mergulhando no horizonte, pintando tudo em tons de sangue e fogo. Silêncio. E então, de dentro das profundezas da montanha, um rugido. Grave. Ancestral. Um som que fazia os ossos vibrarem e o instinto gritar para correr. Mas Raia não podia correr. Não ainda. Ela puxou as correntes, testando. Prata mas velha, desgastada pelo tempo e pelo calor. Se ela fosse esperta, se esperasse o momento certo... Outro rugido, mais próximo agora. O coração de Raia martelava contra as costelas. Passos pesados ecoaram dentro da caverna. Não eram passos humanos. E então ela o viu. Sombra e chamas. Escamas que refletiam a luz do crepúsculo como metal fundido. Olhos enormes, dourados, fendidos como os de um réptil que brilhavam na escuridão da caverna. O dragão emergiu lentamente, sua forma tão imensa que bloqueava completamente a entrada da caverna. Asas dobradas contra o corpo maciço. Garras que arranhavam a pedra e deixavam marcas como sulcos profundos. Ele a observou. E Raia, apesar do terror que ameaçava paralisá-la, o encarou de volta. "Se você vai me matar", pensou ela, apertando os punhos até as unhas cravarem nas palmas, "faça rápido." Raia esperou o momento, mas nada aconteceu. Mas o dragão não avançou. Ele inclinou a cabeça enorme, as narinas dilatando como se... a cheirasse? Os olhos dourados se estreitaram, estudando-a com uma intensidade que parecia quase... humana. E então, para seu absoluto choque, ele recuou. Virou-se, as garras raspando a pedra, e desapareceu de volta nas profundezas da caverna. Raia ficou congelada, o coração ainda disparado, esperando algum truque, alguma armadilha. Mas o dragão não voltou. Lentamente, sem acreditar em sua sorte, Raia voltou a puxar as correntes. A prata cedeu com um estalo satisfatório. Ela estava livre. Livre. E se seu pai a mandara aqui para morrer, então aos olhos dele, ela já estava morta. Perfeito. Raia olhou para trás uma última vez para as Montanhas Flamejantes, para a caverna escura, para as correntes quebradas e então virou-se para a trilha que descia. Ela não pertencia a ninguém. Não ao pai que a abandonara. Não ao dragão que supostamente deveria matá-la. Não a Brathmor. Ela seria livre. De verdade. Mesmo que precisasse fugir do inferno para conseguir. O que Raia não viu, enquanto descia apressada pela trilha irregular, foi a figura que emergiu da caverna minutos depois. Não era o dragão. Era um homem alto, de ombros largos, cabelos negros como a noite e olhos de um dourado impossível. Kael observou a garota fugir montanha abaixo, uma mão pressionada contra o peito onde uma dor surda e insistente havia começado a pulsar. -Idiota, Idiota teimosa. Mas ele não a seguiu. Não ainda. Ela voltaria. Eventualmente. O vínculo garantiria isso. Mesmo que ela ainda não soubesse que existia.Sol não estava espionando.Estava observando Era diferente.Espionar era intencional Calculado Coisa de Cinder, que ficava quieto nos cantos e absorvia tudo sem ninguém perceber.Sol simplesmente havia saído para buscar água, e o caminho para a cozinha passava pela varanda, e a varanda estava aberta, e os pais estavam lá, e ela apenas... parou.Por acidente.Completamente por acidente.Kael e Raia não haviam se dado conta dela.Estavam do lado de fora, a noite fria das montanhas ao redor, e o Papa havia acendido uma chama pequena na palma da mão aberta, só para aquecer o espaço entre eles dois. Coisa que Sol já tinha visto outras vezes mas que sempre a pegava de surpresa, esse lado gentil do pai que contradizia tudo que ela imaginaria de um dragão de quinhentos anos.- Você está com frio ele disse. Não era pergunta.- Estou bem.- Raia.- Kael.Ele esperou.
Naquela noite, Cinder ficou acordado mais tempo que os outros. Pensando.Era ele o mais velho. O que mais entendia sobre vínculos de dragão, sobre biologia, sobre as coisas que os mais novos ainda não compreendiam completamente.E exatamente por isso...Exatamente por isso sabia de algo que os outros não sabiam. Que a Mama nunca poderia ter um bebê do Papa.E que isso... que isso era uma coisa boa. Necessária. Mas que também era uma coisa que doía, de um jeito que ele não sabia bem explicar.Três dias depois, encontrou a Mama sozinha na cozinha, amassando pão. Coisa que ela fazia quando precisava pensar. As mãos ocupadas, a cabeça livre.-Cinder ela disse sem olhar, porque a Mama sempre sabia quando era ele. - Você está de pé há vinte minutos na porta.- Estava... organizando meus pensamentos.- São muitos pensamentos para uma manhã.Ele entrou. Sentou na banqueta alta perto da bancada. Ficou olhando as mãos dela trabalhando a massa.- Mama.- Hm.- Você... você já quis ter um bebê?
Naquela noite, durante o jantar, a curiosidade finalmente explodiu.-Papa Cinder disse, cortando um pedaço de carne assada. - Quantos anos você tem exatamente?Kael quase engasgou com a água.Raia escondeu sorriso atrás da mão.-Por que a pergunta súbita? Kael tentou desviar.- Porque Aureus e Sol estavam discutindo Cinder explicou. - Se você é "vovozinha nível master" ou apenas "velho regular"- VOVOZINHA?! Kael explodiu. - Quem... quem disse isso?!- Sol Aureus entregou prontamente. - Ela disse que você provavelmente tem mais de quinhentos anos.Silêncio.Cinco pares de olhos fixos em Kael.Um par Raia tentando não rir.- Bem Kael disse lentamente. - Dragões contam tempo diferente...-QUANTOS ANOS ? todos os cinco filhos demandaram juntos.Kael suspirou. Olhou para Raia, que apenas deu de ombros, sorrindo.- Quinhentos e quarenta e três ele finalmente admitiu.Caos-QUINHENTOS?- Mama! Você se casou com VOVÔ!-Ele não parece vovô! Raia defendeu, corando.-Porque d
Depois do incidente com Sol, Kael estava... diferente. Não traumatizado, Não exatamente. Mas... mais atento. Mais consciente.E talvez... talvez um pouco mais entusiasmado em mostrar a Raia o quanto a valorizava.Começou pequeno. Flores Todos os dias.Não as mesmas. Sempre diferentes. Sempre com história.-Estas crescem apenas em penhascos norte Levei três horas voando para encontrar. Você merece.- Kael Você não precisa...-Preciso Porque quero. Porque você merece. Porque posso.Depois vieram as frutas.Não apenas Amarula. Mas tudo que ela mencionava casualmente gostar.- Lembro de você dizendo que gostava de pêssegos ele dizia, apresentando cesta enorme.-Isso foi há semanas...- E lembro Cada palavra. Cada preferência. Cada... cada detalhe sobre você.Raia não sabia se ficava tocada ou preocupada com o nível de atenção.Decidiu por ambos.Terceiro d
Os dias seguintes foram... diferentes. Não drasticamente. Não obviamente. Mas sutilmente. De formas que todos sentiam mas poucos comentavam. Kael não dormia mais na porta do quarto de Raia. Dormia com ela Na cama Entrelaçados. Raia não trancava mais portas. Não precisava. Não queria. E os filhos... Os filhos floresciam. Uns dias depois , Cinder os encontrou na biblioteca. Kael estava ensinando Raia sobre história dracônica algo que ela pedira, surpreendentemente. -Quero entender Sua cultura. Suas tradições. O que significa ser... ser companheira de dragão de verdade. E Kael... Kael se derretera. Porque ela estava tentando Ativamente. Conscientemente. - Mama? Cinder disse da porta. - Posso perguntar algo? - Claro, sempre - A marca No seu pescoço. Dói? - Não Na verdade... mal sinto. É como...
- Engolir não é exatamente a palavra Mas... devorar? Talvez. -Kael Estou dolorida. Você foi... foi muito entusiasmado. Preciso de recuperação. - Quanto tempo? ele perguntou, dedos traçando marca no pescoço dela. Reverente. Possessivo. - Horas Talvez dias. Você é dragão. Eu sou humana muito menor. As proporções são... desproporcionais. Kael riu som rico, feliz, que ela raramente ouvia. - Vou lembrar disso Próxima vez... mais gentil. Mais devagar. Afinal minha companheira estava irritada porque eu supostamente estaria negando fogo a ela. -Próxima vez? Presumindo muito, não acha? - Você está literalmente na minha cama Marcada. Nua. E me provocando. Então sim... presumo que haverá próxima vez. -Arrogante, pra um dra





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