Mundo ficciónIniciar sesiónPor Mariah Torres
A água morna deslizava pelos cabelos de Leonor enquanto ela ria, empurrando os patinhos de borracha pela banheira. O cheiro de sabonete de lavanda preenchia o banheiro. Eu sorria, vendo-a tão pequena e ainda assim tão cheia de vida. Era fácil esquecer da minha própria dor enquanto cuidava dela. — Se você espirrar mais água, vou virar um peixe aqui! — brinquei, fingindo indignação. Leonor riu alto, sua risada ecoando pelas paredes douradas da mansão. Depois do banho, vesti-a com o pijama azul de estrelas, penteei seus cabelos e a deitei na cama em formato de castelo. — Me conta uma história? — ela pediu, já bocejando. Sentei-me ao lado dela e comecei a inventar uma história sobre uma menina corajosa que encontrava um jardim encantado. Leonor adormeceu com a mãozinha agarrada ao meu dedo. Fiquei ali mais alguns minutos, observando-a respirar. Meu peito doía de amor. De promessa. Saí do quarto silenciosamente e segui para o meu. O quarto ainda era estranho, mas, naquele momento, parecia um pouco mais meu. Vesti um short de algodão confortável, uma camiseta larga e me joguei na cama. A ansiedade martelava dentro de mim. Peguei o celular emprestado e disquei. Chamou duas vezes. — ALELUIA, VAGABUNDA! — gritou Milena do outro lado, arrancando uma gargalhada minha. — Manaaaa! Finalmente! — Mariana gritou. — Presente! Já até peguei minha taça de vinho! — Ícaro entrou, teatral como sempre. — Vocês são insuportáveis! — reclamei, rindo. — Queremos saber: já foi arremessada na parede? Já arrancaram sua calcinha? — Milena debochou. — Se o patrão for gostoso como dizem, espero que você já tenha deixado a dignidade no jardim. — Mariana riu. — Contaaa, mulher! — Ícaro pediu, dramatizando. Suspirei fundo, um sorriso bobo escapando. — Tive meu primeiro contato com o chefe hoje. Oficialmente. — E...? — puxaram em coro. — E... ele é de tirar o fôlego. — Define fôlego! — Milena ordenou, rindo. — Alto. Ombros que parecem ter sido moldados pra segurar pecados. Mãos grandes. Voz rouca. Olhar que faz seu corpo querer ajoelhar antes da cabeça entender. — MEU DEUS! — Mariana gritou. — Eu já tava de quatro, implorando! — Eu tava batendo na porta do escritório dizendo "oi, chefe, vim te servir"! — Ícaro dramatizou. — Mana, honestamente... — Milena murmurou, provocante. — Se esse homem mandar você calar a boca com um dedo na sua boca, você engole o dedo inteiro! Ri tanto que precisei me virar na cama. Mas a verdade era... Só de lembrar do olhar dele, sentia a pele arrepiar. — Vocês não têm noção. Ele não precisa falar. O corpo dele já dá as ordens. A presença dele te arrasta pra um buraco que você nem vê chegando. — Mana... — Mariana sussurrou. — Ele é aquele tipo de homem que te fode com o olhar e te enterra no lençol depois, sem dó. — Tô ouvindo, tô molhando! — Milena gargalhou. — Eu tô com inveja, amiga! Inveja sexual! — Ícaro declarou. Suspirei, mordendo o lábio. — E o pior... é que só de ouvir ele dizendo "não gosto de surpresas", eu quase gemi. Um grito coletivo ecoou pela ligação. — VOCÊ JÁ TÁ FERRADA, MARIAH! — Milena berrou. — Você já tá mentalmente pelada pra esse homem, aceita! — Mariana gritou. — E eu te apoio! Seja pelada, seja ajoelhada, seja toda dele! — Ícaro incentivou, arrancando mais risadas. Tentei conter o riso, mas a excitação já me invadia de novo. Depois de mais provocações, desligamos e a ausência deles caiu como um peso gostoso na minha cama. Fiquei ali. Sozinha. O quarto mergulhado na penumbra. Meu corpo quente demais. Minha pele sensível demais. Meus pensamentos presos nele. Leon. O jeito que seus olhos me atravessaram sem pena. A firmeza da voz. A tensão no ar como eletricidade invisível. Fechei os olhos, apertando o travesseiro. A respiração falha. As coxas se roçando sem querer. Merda. Ele mal me tocou. Mal me falou. E eu já estava perdendo a luta que nem deveria ter começado. Deitada ali, no meio da madrugada silenciosa, percebi a verdade que evitava encarar: Leon Helk não era apenas um chefe. Ele era uma tempestade. E eu já estava no meio dela. Pronta ou não...






