Mundo de ficçãoIniciar sessãoSuzie Martini e Diego Alencar, herdeiros da Colt Enterprises, não se suportam. Mas diante da ameaça iminente de perder o controle da empresa para um sócio traiçoeiro, seus pais usam a inocência do passado para selar o futuro. Eles criaram o acordo definitivo: uma fusão de ações validada por um contrato de casamento de dois anos. Mas o acordo tem dentes. Se um deles quebrar o pacto, o custo é a perda total de sua parte na empresa. Eles se tornam, literalmente, os carcereiros um do outro. Obrigados a dividir a mesma cama e a mesma mesa de reuniões, a vida deles se torna uma Disputa de Poder. Suzie e Diego travam batalhas diárias de ego e provocação, testando os limites um do outro para ver quem quebra primeiro. Mas a paixão que eles tentam sufocar com o ódio é mais forte do que qualquer cláusula contratual. Eles se conhecem bem demais para não saberem exatamente onde dói... e onde dá prazer.
Ler maisAo final de uma reunião exaustiva do conselho, enquanto os papéis eram recolhidos e as cadeiras começavam a raspar no piso, Diego Alencar ouviu finalmente as palavras que havia esperado quatro anos para escutar da boca de seu pai.
— Acho que está na hora de passarmos o bastão para eles, Julio.
Um pequeno sorriso de vitória começou a se desenhar no canto da sua boca, mas congelou antes de se completar.
"Peraí. Eles?"
— Também acho — respondeu Julio Martini, sócio de seu pai, soltando um suspiro pesado, que misturava alívio e preocupação. — A Suzie chega de Londres esta semana.
O sorriso de Diego morreu em definitivo.
"Suzie? Não... eu devo ter ouvido errado."
O pensamento foi uma tentativa inútil de acalmar o próprio coração, que de repente resolveu apostar uma corrida dentro do seu peito.
Fazia quatro anos que ele não ouvia aquele nome dentro da Colt Enterprises.
E ainda assim bastaram algumas palavras para destruir a porcaria da paz que ele tinha levado tanto tempo construindo.
— A Suzie está voltando? — perguntou com uma naturalidade que considerou bastante convincente.
Pelo olhar que Julio lançou na direção dele, não foi convincente porra nenhuma.
— Está. — ele apoiou as mãos sobre a mesa com a calma específica de quem já havia decidido tudo e agora só comunicava os fatos. — Pensei em fazer um jantar no sábado. Uma boa oportunidade para conversarmos nós quatro.
Diego soltou uma risada curta, completamente sem humor.
— Eu não tenho nada pra conversar com aquela... aquela...
A frase morreu no meio.
Porque todas as palavras cruéis que Diego pensou em usar pareciam erradas no segundo em que chegavam à boca.
Não por falta de raiva. Talvez, por excesso de outra coisa.
Horácio apenas suspirou discretamente.
Julio permaneceu impassível.
— Sábado, às dezoito horas — ele finalizou, como se Diego não tivesse aberto a boca. — Lá em casa.
Diego sustentou o olhar dele por mais um segundo antes de simplesmente virar as costas.
Saiu da sala rápido demais para alguém que claramente queria parecer indiferente, e a porta bateu atrás dele com força suficiente para fazer duas secretárias erguerem a cabeça assustadas do outro lado do corredor.
Ele precisava sair dali, precisava de ar para organizar a bagunça que aquele nome tinha feito em sua mente.
Fazia quatro anos que ele e Suzie não se viam.
E, se dependesse do seu orgulho, esse reencontro nunca aconteceria.
Diego não fazia ideia de como tinha conseguido dirigir até em casa.
Quando entrou no apartamento, encontrou Diana à vontade no sofá da sala, assistindo algum reality show barulhento enquanto pintava as unhas com o mesmo vermelho dos ultimos oito anos.
— Chegou cedo em casa — ela comentou, a voz mansa, mas sem mover um músculo para se levantar. — Aconteceu alguma coisa?Diego soltou a chave sobre a bancada com força um pouco maior do que pretendia.
— Aconteceu que vou ter que dividir a empresa com a Suzie daqui a uns dias.
Diana franziu a testa por um segundo antes de voltar a atenção para as próprias unhas.
— Ué. — O tom saiu com aquele desdém específico de quem considera o assunto irrelevante. — Ela não tinha fugido pra Londres? No lugar dela, eu teria vergonha de voltar.
Diego ficou em silêncio.
Porque ouvir outra pessoa falando da Suzie sempre causava nele uma vontade irracional de defender ela.
Mesmo depois de tudo.
E isso só aumentava a raiva.
— Pois é, mas ela está voltando. — Diego afrouxou lentamente a gravata, os olhos perdidos em algum ponto da sala. — Só que dessa vez ela vai encontrar uma realidade bem diferente da que ela deixou pra trás.
Dias depois, quando Suzie desembarcou no Brasil, junto com a forte onda de calor com a qual ela já tinha se desacostumado, veio também uma enxurrada de lembranças.Infância, adolescência, faculdade, a Colt…
E, de alguma forma irritante, todas elas tinham Diego Alencar no meio.
Ela respirou fundo, tentando afastar aqueles pensamentos da mente, e atravessou o saguão com a postura impecável, salto firme e expressão fria o suficiente para convencer qualquer pessoa de que os anos no exterior haviam transformado ela numa executiva inalcançável.
O problema era que aquela encenação inteira existia para o caso absurdamente improvável de Diego estar esperando por ela.
“Como se ele fosse vir”, pensou, irritada consigo mesma por ainda cogitar aquela possibilidade ridícula.
No entanto, no momento em que avistou Julio Martini em pé no meio da multidão esperando por ela, toda a fachada de "executiva implacável" desmoronou.
Suzie correu para o abraço do pai como uma criança, largando para trás o carrinho com as malas e afundando o rosto no peito dele.
— Senti tanta falta disso — murmurou, escondendo o rosto no ombro dele e apertando os braços ao redor do pai.
— Nós também, meu amor. A casa ficou grande demais sem você.
Ela respirou fundo por um segundo a mais antes de se afastar com um sorriso leve.
O trajeto até o carro e os primeiros minutos de estrada foram acompanhados por comentários rápidos, perguntas sobre o voo e pequenas atualizações da rotina, o tipo de conversa boba que serve apenas para preencher o tempo sem tocar no que realmente importa.
Foi só quando o carro entrou na avenida principal que Julio decidiu mudar o tom da voz.
— Sábado teremos um jantar com os Alencar. Eles fazem questão de te ver… e nós vamos aproveitar para conversar sobre o futuro da Colt.
Suzie manteve os olhos fixos na janela, mas uma pontada incômoda atravessou seu peito.
— Os Alencar? Isso significa que o Diego vai estar lá? — A pergunta saiu com uma neutralidade milimetricamente estudada, no tom exato de quem apenas pergunta se a previsão do tempo indica chuva para o final de semana.
Julio deu um sorriso de canto, sem tirar os olhos do trânsito.
— Sim. E eu realmente espero que vocês dois já tenham superado o que aconteceu. Quatro anos é muito tempo.
O estômago de Suzie embrulhou quase que automaticamente, uma reação física violenta que ela odiou não conseguir controlar.
"Jetlag", ela mentiu pra si mesma. "É só o cansaço do voo longo e a mudança de fuso."
— Acho que consigo lidar com algumas horas ao lado dele — respondeu, seca.
Mentira.
O pensamento que veio em seguida foi um golpe baixo contra o seu próprio orgulho: "Eu não estou pronta para mais do que isso."E assim encerramos a história de Diego e Suzie.Quero agradecer imensamente a cada leitor que reservou um momento do seu dia para acompanhar esta obra, deixar seu apoio e torcer por esse casal que começou na base da desconfiança e terminou descobrindo o verdadeiro significado de família.Escrever é uma troca constante, e a presença de vocês até o último ponto final é o meu maior prêmio.Suzie e Diego finalmente encontraram o lugar onde pertencem, e agora é hora de eu voar para novos horizontes.Um novo projeto já está ganhando vida na minha mente, e mal posso esperar para compartilhar essa nova história com vocês muito em breve.Que vocês levem consigo a mesma mensagem que eles me ensinaram ao longo dessa jornada: às vezes a vida dá voltas enormes, mas aquilo que é verdadeiro sempre encontra o caminho de volta.Obrigada por fazerem parte desta aventura.Com todo o meu carinho,Aya Lins
O cheiro de carne na brasa e o som de conversas descontraídas preenchiam o quintal gramado da casa de Júlio.Sentada na cadeira de balanço da varanda, Suzie tomava um suco de frutas cítricas enquanto observava a cena com um sorriso leve nos lábios.Sentados próximos à churrasqueira, Julio e Horácio discutiam com a mesma intensidade de sempre.A única diferença era o assunto.— Eu continuo dizendo que o peixe era maior que isso. — Horácio gesticulou.— Você continua mentindo do mesmo jeito que mentia há trinta anos. — Julio respondeu.Suzie apoiou a cabeça na mão e soltou uma risada.— Eu só queria entender uma coisa.Os dois olharam para ela.— Como vocês vão pular do assunto pescaria para o assunto Colt Enterprises?Julio fez uma careta.— Não vamos.— Nem sob tortura. — Horácio completou.— A Colt agora é problema de vocês.— Mérito. — Horácio corrigiu imediatamente. — Afinal, nós sabemos que a empresa está sendo muito bem administrada.Julio ergueu a cerveja.— E eu pretendo contin
No dia seguinte, Suzie acordou com o sol batendo no rosto e um cheiro inconfundível de café fresco no quarto.Ela virou para o lado à procura de Diego, mas encontrou o lugar vazio.No entanto, em cima do colchão, tinha uma bandeja caprichada com um café da manhã completo e um bilhete escrito com a caligrafia firme dele: “Para a mamãe e o bebê mais famosos do mundo corporativo”.Suzie pegou o papelzinho e sorriu.— Famosos? — Suzie murmurou baixinho, ainda sonolenta, com um sorriso de canto começando a surgir.O celular vibrou em cima da mesa de cabeceira, trazendo a realidade de volta em um segundo.— A essa hora da manhã?Suzie esticou o braço, desbloqueou a tela e foi totalmente surpreendida pela quantidade de notificações.Eram mensagens de parabéns de acionistas, e-mails de felicitações de parceiros comerciais e links de colunas de fofoca corporativa falando sobre o "anúncio do ano".Parecia que o mundo inteiro tinha decidido falar com ela ao mesmo tempo.A porta do quarto se abri
O salão do hotel parecia ter congelado por um milésimo de segundo.A frase de Suzie ainda ecoava pelas caixas de som, flutuando no ar antes que o cérebro de Diego finalmente processasse a informação.Ele piscou, os olhos verdes arregalados, olhando da boca de Suzie para a mão dela espalmada na barriga.— Suzie... — ele murmurou, a voz sumindo. — Você está grávida?Mas ela só sorriu de volta, com os olhos brilhando.A ficha caiu. E caiu com tudo.Diego soltou uma risada alta, uma mistura de alívio e pura felicidade, e não pensou duas vezes: largou toda a pose de CEO sério, avançou e pegou Suzie no colo, tirando os pés dela do chão e girando-a bem no centro do palco.Suzie soltou uma gargalhada gostosa, jogando a cabeça para trás, enquanto se segurava nos ombros dele.— Você está grávida! — ele repetia como se ainda não acreditasse. — Meu Deus, você está grávida!No mesmo instante, o salão explodiu.O barulho dos aplausos foi ensurdecedor, acompanhado por gritos de comemoração vindos da





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