Mundo de ficçãoIniciar sessãoSuzie Martini e Diego Alencar, herdeiros da Colt Enterprises, não se suportam. Mas diante da ameaça iminente de perder o controle da empresa para um sócio traiçoeiro, seus pais usam a inocência do passado para selar o futuro. Eles criaram o acordo definitivo: uma fusão de ações validada por um contrato de casamento de dois anos. Mas o acordo tem dentes. Se um deles quebrar o pacto, o custo é a perda total de sua parte na empresa. Eles se tornam, literalmente, os carcereiros um do outro. Obrigados a dividir a mesma cama e a mesma mesa de reuniões, a vida deles se torna uma Disputa de Poder. Suzie e Diego travam batalhas diárias de ego e provocação, testando os limites um do outro para ver quem quebra primeiro. Mas a paixão que eles tentam sufocar com o ódio é mais forte do que qualquer cláusula contratual. Eles se conhecem bem demais para não saberem exatamente onde dói... e onde dá prazer.
Ler maisDiego Alencar permaneceu sentado à mesa da sala de reuniões, os olhos verdes perdidos nos papéis à sua frente.
O conselho da Colt Enterprises já havia se dispersado, mas o peso da reunião parecia ter ficado sobre os ombros dele, escondidos debaixo do terno feito sob medida.Horácio Alencar, seu pai, se levantou lentamente da outra ponta da mesa, ajeitando o paletó antes de estender a mão para seu sócio, Julio Martini.
— Precisamos conversar com calma depois — disse Horácio, em um tom baixo.
Julio assentiu, apertando sua mão com firmeza, mas sem esconder o cansaço no olhar.
— Precisamos, sim.
Não tinha sido uma boa reunião.
E ninguém ali precisava dizer isso em voz alta.
Diego passou as mãos pelos cabelos, afastando-os do rosto em um gesto cansado. Não adiantou muito; alguns fios voltaram a cair sobre sua testa, desalinhados, ignorando qualquer tentativa de controle.
Foi quando ouviu.
— Acho que está na hora de passarmos o bastão para eles, Horácio.
Diego permaneceu imóvel por um segundo, mas logo endireitou a postura, atento, como se cada palavra seguinte fosse decisiva.
"Será que finalmente vão deixar a empresa nas minhas mãos?"
O canto da boca quase se moveu.
— Também acho — respondeu Horácio, soltando um suspiro que misturava alívio e preocupação. — Suzie chega de Londres esta semana, não é?
O sorriso de Diego morreu antes de nascer.
"Suzie?!"Seu coração deu um solavanco traidor, rápido e fora de ritmo. A mandíbula se contraiu, desenhando com mais nitidez a linha do maxilar enquanto ele tentava manter a expressão sob controle.
Quatro anos.
Tempo mais do que suficiente para superar qualquer coisa.
Mas, claramente, não foi o caso.
Ele limpou a garganta antes de levantar o olhar, já vestindo sua melhor expressão de indiferença.
— A Suzie está voltando? — perguntou, com uma naturalidade que considerou bastante convincente.
Pelo olhar que Julio lançou na sua direção, não foi.
— Está — disse ele, apoiando as mãos na mesa com a calma específica de quem já decidiu tudo e só está comunicando. — Pensei em fazer um jantar no sábado. Uma boa oportunidade pra conversarmos, nós quatro.
Diego soltou um riso curto, sem humor, cruzando os braços.
— Eu não tenho nada para tratar com aquela traíra.
A palavra saiu fácil demais, automática, como se já estivesse ali há anos, pronta para ser usada.
Julio, no entanto, não pareceu nem um pouco abalado.
— Sábado, às 18h — disse apenas, como se Diego não tivesse falado nada. — Lá em casa.
Diego se levantou tentando manter uma postura firme, lançou um último olhar na direção dele e passou sem dizer mais nada. Mas pensou.
"Pro inferno, Suzie Martini!"Bateu a porta com mais força do que o necessário e atravessou o corredor com pressa, como se precisasse sair dali o mais rápido possível para organizar os pensamentos.
Já dentro do carro, os dedos começaram a tamborilar no volante num ritmo impaciente que acompanhava o incômodo crescendo no peito.— Agora ela acha que é só aparecer e pronto… — murmurou, encarando o trânsito à frente. — Tudo volta ao normal?
Soltou o ar pelo nariz.
— Tá muito enganada.
Quando entrou em casa, já foi arrancando a gravata, esperando encontrar o silêncio que sempre o ajudava a organizar as ideias.
Mas silêncio definitivamente não era o que o aguardava.
Diana, sua namorada, estava no sofá, pernas cruzadas, concentrada em retocar o esmalte vermelho enquanto um reality show barulhento preenchia a sala com gente gritando por motivos que ninguém mais lembrava.
Diego parou por um segundo, observando a cena.
Aquilo era confortável, previsível. E completamente vazio.
O relacionamento deles era como um gráfico estagnado: não havia perdas significativas, mas também não existia qualquer tipo de crescimento.
Nenhum risco.
Nenhum ganho.
Nenhuma emoção real.
— Suzie Martini volta esta semana — ele soltou, jogando o paletó sobre a poltrona.
Diana continuou concentrada na própria mão por alguns segundos antes de responder.
— A abelhinha chorona? — disse, com um leve sorriso de canto. — Achei que ela tinha sido adotada pela rainha.
Diego passou a mão pelo rosto, virando os olhos, sem paciência para a piadinha de Diana.
— Pois não foi. E os nossos pais querem um jantar de “boas-vindas”. Mas ela vai ver só o que a espera.
Do outro lado do oceano, como se tivesse sido cutucada por algum pressentimento invisível, Suzie sentiu a orelha queimar enquanto organizava a mala aberta sobre a cama.
— Eita… — murmurou. — Será que estão falando de mim?
Estavam. Mas ela não se importava em saber o motivo.— Acho que para a minha entrada triunfal... — Suzie deixou a frase no ar, os dedos deslizando pelos cabides com a precisão de quem conhece cada textura.
Ela puxou um macacão pantalona azul-marinho. O tecido tinha um brilho discreto que parecia feito para contrastar com os reflexos dourados do seu cabelo loiro, agora mais longo e naturalmente ondulado.Suzie posicionou a peça à frente do corpo, encarando o espelho. Os olhos brilharam.
— …esse.
A decisão veio simples, sem hesitação.
Dobrou o macacão com precisão e o colocou dentro da mala já quase cheia, fechando o zíper com firmeza.
Então se deixou cair na cama, os braços abertos, os olhos castanhos fixos no teto branco acima dela.
— Nova fase, nova imagem — sussurrou para si mesma.
Alguns dias depois, no momento em que viu Julio Martini esperando por ela no desembarque do aeroporto, a fachada de "executiva implacável" desmoronou.
Ela correu para o abraço do pai, sentindo o perfume familiar de loção pós-barba que cheirava a infância. Seus olhos marejaram instantaneamente.
— Senti tanta falta disso — murmurou, escondendo o rosto no ombro dele.
— Nós também, meu amor. A casa ficou grande demais sem você.
Ela respirou fundo por um segundo a mais, absorvendo o momento, antes de se afastar.
O trajeto até o carro foi acompanhado por comentários rápidos, perguntas sobre a viagem, pequenas atualizações, o tipo de conversa que preenche o tempo sem tocar no que realmente importa.
Foi só quando o carro entrou na avenida principal que Julio decidiu mudar o tom.
— Sábado teremos um jantar com os Alencar. Eles querem te ver… e vamos aproveitar para conversar sobre o futuro da Colt.
Suzie sentiu uma pontada no peito, mas manteve o olhar fixo no horizonte.
— Os Alencar? Isso significa que o Diego vai estar lá? — A pergunta saiu com uma neutralidade estudada, o tom exato de quem pergunta se a previsão do tempo indica chuva para o final de semana.
Julio deu um sorriso de canto, sem tirar os olhos do trânsito.
— Estará. E eu realmente espero que ambos tenham superado o que aconteceu.
O estômago de Suzie embrulhou quase que automaticamente, uma reação física que ela não conseguia controlar.
"Jetlag", ela tentou se convencer. "É só o cansaço do voo e a mudança de fuso."
— Acho que consigo lidar com algumas horas ao lado dele.
Julio soltou um riso baixo, apoiando o braço na janela.
— Eu acho melhor você se preparar para mais do que algumas horas.
Suzie franziu levemente o cenho, sem entender completamente o que ele quis dizer.
Mas não perguntou.
Voltou a olhar para fora, deixando a cidade desfilar diante dos seus olhos enquanto um pensamento silencioso se formava, mais honesto do que qualquer resposta que ela tivesse dado até ali.
"Eu não estou pronta pra mais do que isso."
À medida que o sol começava a se pôr no horizonte, pintando o céu de tons de laranja e roxo pelas janelas da sala, o clima na casa foi mudando de intensidade outra vez.A leveza do dia — a piscina, as risadas, a tarde que havia passado num piscar de olhos — deu espaço a uma expectativa silenciosa e densa que nenhum dos dois havia anunciado mas os dois estavam sentindo.Os toques foram ficando mais demorados.As conversas mais baixas.O espaço entre eles, que havia diminuído ao longo do dia de forma quase imperceptível, agora simplesmente não existia mais.Eles jantaram com calma, sem pressa porque sabiam que a segunda-feira traria o caos de volta.A Colt. Zaret. Diana. As reuniões. Os problemas..Depois do jantar, Diego lavava os pratos enquanto Suzie secava, e de tempos em tempos ela sentia as mãos dele pousarem na sua cintura só pelo prazer de tocar nela outra vez.Quando terminaram, apagaram as luzes da cozinha e seguiram juntos em direção à escada.E cada degrau que subiam parecia
O início foi quase um reconhecimento, um toque lento, macio e quente que fez Suzie soltar um suspiro trêmulo contra a boca dele.Com um som baixo que vibrou no fundo da garganta, a promessa de espaço e paciência que Diego tinha feito segundos atrás evaporou.A mão que estava em sua cintura subiu firme pelas costas dela, apertando Suzie contra o seu peito com uma urgência ele não conseguia mais disfarçar.A outra mão de Diego se espalhou pela nuca de Suzie, os dedos se enroscando com força nos cabelos loiros dela, trazendo-a ainda mais para si, ditando o ritmo faminto daquela entrega.Suzie perdeu completamente o chão.Suas mãos, que antes apenas apertavam a regata branca dele, subiram para os ombros largos de Diego puxando-o para perto enquanto os lábios se abriam e se encaixavam com uma perfeição assustadora.A boca dele tinha gosto de café e de uma saudade desesperada.Era um beijo quente, denso, que misturava a agressividade do desejo contido com a familiaridade de quem se conhecia
O domingo amanheceu preguiçoso, com o sol forte da manhã cortando as frestas da cortina.Ela abriu os olhos devagar, ainda sonolenta, demorando alguns segundos para entender por que estava estranhamente leve naquela manhã.Então lembrou.O abraço. O sofá. O quase convite. O “eu não tenho mais dignidade nenhuma perto de você”.O coração dela imediatamente decidiu começar o dia passando vergonha.Ela se espreguiçou, calçou os chinelos e saiu do quarto em direção ao banheiro do corredor, ainda tentando convencer a própria mente de que era uma mulher adulta perfeitamente funcional e não uma adolescente emocionalmente destruída porque o melhor amigo gostava dela de volta.Suzie estava usando apenas um baby doll de seda leve, com o cabelo um pouco mais volumoso do que o normal e completamente bagunçado pelo travesseiro.No exato momento em que ela pisou no corredor, a porta da suíte master se abriu.Diego saiu de lá.Ele usava apenas uma bermuda de moletom cinza baixa no quadril.Estava sem
O filme havia terminado em algum momento que nenhum dos dois havia registrado.A sala permanecia mergulhada naquela iluminação baixa e confortável, o ar-condicionado soprando frio enquanto a perna direita de Suzie começava lentamente a perder a circulação sob o peso da cabeça de Diego.As costas também já reclamavam da posição torta no sofá, mas honestamente?Ela teria ficado ali por mais algumas horas sem reclamar.Suzie olhou pro relógio.Tarde.O clima entre os dois estava ótimo, confortável como há muito tempo não era, mas estava na hora de quebrar o transe.— Diego… — ela chamou baixinho, mantendo o carinho leve nos fios escuros do cabelo dele.Ele resmungou alguma coisa incompreensível e virou ainda mais o rosto na direção da barriga dela, passando automaticamente um braço pela cintura de Suzie como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.O coração dela imediatamente foi parar na ponta da língua."Meu Deus."Ela ficou completamente imóvel por dois segundos inteiros olhand
Último capítulo