O sol da manhã atravessava as vidraças imensas da mansão, banhando o mármore polido com um brilho dourado suave que contrastava com a tensão que pairava no ar. O silêncio ali dentro era diferente, mais pesado, como se as paredes observassem cada movimento meu, como se a própria casa sussurrasse avisos para eu tomar cuidado. Mas eu tentava ignorar. Respirava fundo, me forçando a seguir a rotina que Esther, a governanta, havia me passado com rigidez. Desci para a cozinha, ajeitando a camisa branca simples do uniforme, como se ajustar o tecido pudesse também ajustar a minha própria postura. Tudo em mim gritava para ser discreta, pequena, invisível. Mas dentro do peito, o coração batia descompensado, como se antecipasse algo que eu ainda não ousava nomear. Eu sentia a presença dele na casa. Não precisava vê-lo para saber que estava por perto: era como eletricidade carregada no ambiente, grossa, tensa, quase viva. Peguei a cesta de frutas e comecei a montar o café da manhã de Leonor, a ma
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