Mundo de ficçãoIniciar sessãoEster viu seu mundo desmoronar enquanto ainda estava vestida de noiva. Humilhada e destruída, fez a si mesma uma promessa inquebrável: nunca mais entregaria seu coração a ninguém. Ela tenta esconder a dor por trás de uma postura forte, independente, e de uma rotina exaustiva que a impede de sentir. Mas o destino, inquieto e irônico, a coloca no caminho de Adam, um homem sedutor, intenso, protetor que aparece na vida dela no momento em que Ester menos queria — e mais precisava. Despertando nela um desejo que ela tenta negar, uma conexão que ela finge não ver, e uma paixão que ameaça quebrar todas as barreiras que ela jurou manter. Ester tenta se manter fiel à promessa que fez a si mesma… mas resistir a Adam se torna cada vez mais impossível. Quando ela finalmente começa a ceder, acreditando que pode se permitir viver novamente, surge Daniel — carismático, seguro, sensível, e com um interesse por ela que não passa despercebido. Daniel a enxerga de um jeito que a confunde, que a provoca, que a desafia. Nasce um triângulo emocionalmente explosivo, onde cada homem representa um caminho totalmente diferente: Adam, o sedutor, o amor inevitável, intenso, que a faz sentir viva, puro fogo! Daniel, o charmoso, o desejo novo, doce, sensível, que a acalma, a instiga e a coloca em dúvida. Ester terá de enfrentar não apenas seus pretendentes, mas seus próprios fantasmas — a ferida do passado, a promessa, o medo de sofrer novamente, e a vontade avassaladora de viver algo verdadeiro. Entre a segurança que tenta manter e a paixão que ameaça consumi-la, Ester descobre que fugir do amor é fácil. Difícil é escapar de si mesma. Traição, desejo, cura e escolhas impossíveis. Se o coração fala mais alto, será que amar — ainda vale a pena?
Ler maisEstou sentada, vestida de noiva, enquanto a cerimonialista desmonta as mesas.
As flores ainda estão ali. O bolo também. Tudo montado para uma festa que nunca vai acontecer. O casamento — essa grande encenação social — acabou antes mesmo de começar. Meu nome é Ester. E eu fui abandonada no altar. Não houve discussão. Não houve pedido de desculpas digno. Jefferson apenas olhou para Vanessa — minha melhor amiga, madrinha do casamento — e disse, diante de todos, que a amava. Que não podia se casar comigo. Vanessa ainda tentou recuar, encenar surpresa, mas ele a segurou pelo braço. Eu fiquei imóvel. O juiz de paz fechou o livro com impaciência. Disse que tinha outros compromissos. Minha mãe passou mal. Cristina, minha irmã, a abanava. Os convidados começaram a ir embora, reclamando da comida que não seria servida. E eu permaneci sentada. Arranquei o véu. Depois o arranjo do cabelo. Os fios caíram soltos sobre os ombros. Caminhei até a cadeira de frente para a piscina e sentei ali, como quem observa um naufrágio em silêncio. A verdade? Eu nem sei se queria mesmo me casar com Jefferson. Nos conhecemos no ensino médio. Sempre fomos três: ele, Vanessa e eu. Depois a vida nos separou. Eu fui para a universidade, ele para a escola técnica. Vanessa abandonou os estudos e virou modelo — sempre linda, sempre no centro. Anos depois, foi num coquetel na casa dela que tudo recomeçou. Jefferson me deu carona. Estava bêbado. Tentou me beijar. Não deixei que fosse embora naquele estado. Arrumei o sofá. Ele dormiu. No dia seguinte pediu desculpas, constrangido. Depois veio o café. Depois os encontros. Depois a cama. Fui eu quem tomou a iniciativa de tudo. Cheguei a achar que ele não me desejava. Hoje sei: ele só não queria trair Vanessa. Planejei o casamento sozinha. Cerimonial, juiz, sítio, buffet, convites. Tudo. Para ser deixada no altar como se eu fosse descartável. E não sou. Vanessa tem porte de modelo. Eu tenho presença. Sou mulherão, independente, formada, bem-sucedida. Tenho meu próprio apartamento, minhas economias, minha liberdade. Nunca precisei de ninguém para existir. Mesmo assim, doeu. Não entendo como alguém sustenta um relacionamento sem amor e permite que o outro acredite nele. Talvez tudo isso já existisse antes. Talvez eu só tenha sido conveniente. Só sei de uma coisa: não quero mais amar. Se for para ficar com alguém, que seja só sexo. Uma vez. Sem laços. Não vou mais me apaixonar. Não vou mais sofrer. Levanto. Tiro os sapatos. Ando descalça pelo salão vazio. — Ester! Reconheço a voz. Claudete. A mãe de Jefferson. Ela me abraça. Diz que sente muito. Diz que o filho estava feliz. Diz que ele vai “colocar a cabeça no lugar”. Sorrio. Finjo educação. Subo as escadas antes que diga o que realmente penso. No quarto, tiro o vestido. Observo meu reflexo no espelho. Um tubinho pérola, cauda de sereia. Nunca mais. Visto jeans, camiseta, tênis. Deixo o vestido pendurado como um corpo vazio. Chamo um carro por aplicativo. — Comentaram que a noiva foi deixada no altar — diz o motorista. — Sou eu. Ele me olha pelo retrovisor, surpreso e diz: — Quem perdeu foi ele. No prédio, encontro Jefferson no elevador, com duas malas. — Vim buscar minhas coisas… eu sinto muito, mas... Estendo a mão. Ele entrega a chave. Entro no elevador sem olhar para trás. Seguro o choro até fechar a porta do meu apartamento. Depois, desabo. Vinho. Taça. Silêncio. Antes de adormecer no sofá, a pergunta ecoa como um desafio: Amar vale a pena? Hoje, não. Nunca mais vou amar. Eu prometo.*POV ADAM* Eu estava inquieto a semana inteira. Não era ansiedade de viagem, nem pressão de trabalho. Era Ester. Londres, depois França, depois Portugal. Três, talvez quatro meses longe. Tempo demais. Eu já sabia disso antes mesmo de admitir para mim mesmo: eu não queria atravessar meio mundo sem ela. Queria Ester comigo. No meu dia a dia. Na minha cama. No meu caos. Mas precisava de um motivo que não soasse como o que realmente era: medo de perdê-la. “Preciso de uma assessora que fale inglês.” A desculpa saiu fácil demais. Até eu acreditei por alguns minutos. Naquela sexta-feira, eu a convenci a dormir na minha cobertura. Estava exausto, tenso, com o corpo pedindo algo que só ela sabia me dar: silêncio por dentro. Assim que entramos, nem cheguei ao quarto. Minhas mãos encontraram a cintura dela quase por reflexo. Tirei a roupa dela como quem está com fome — fome bonita, desesperada, daquelas que não se disfarça. — Vamos pra piscina? — sussurrei. — Está tão calor… Mas não e
Adam estava inquieto a semana inteira. Precisaria viajar para a Inglaterra, na filial de Londres, e depois seguir para França e Portugal. Seriam três, talvez quatro meses longe. E, no fundo, ele já havia decidido: *queria Ester com ele*. Mas precisava de um motivo razoável para levá-la. E o que encontrou foi simples: “Preciso de uma assessora que fale inglês.” Depois de uma sexta-feira exaustiva, Adam me convence a passar a noite na cobertura dele. Assim que chegamos, antes mesmo de alcançarmos o quarto, ele desliza pela minha cintura, tira minha roupa com uma fome linda nos olhos. — Vamos pra piscina? Está tão calor… — ele sussurra, com aquele sorriso que desmonta qualquer resistência. — Você quer? — pergunto, já sabendo a resposta. — Quero tudo com você. O jeito como ele me olha, nua diante dele, faz meu corpo inteiro despertar. Entro na piscina aquecida; as luzes acendem com o sensor de presença, envolvendo tudo numa luz suave. Adam se despe devagar, mantendo os olhos
O novo diretor de marketing estava para chegar, e Adam estava inquieto. Ele precisava viajar para a Inglaterra — a filial de Londres enfrentava problemas de logística — e, com nosso relacionamento ainda em segredo, temia que qualquer mudança interna pudesse nos prejudicar. Mais gente estava desconfiando. Até que, naquele dia, fui chamada na sala do Sr. André para redigir um documento sobre uma nova norma que ele queria implantar. — Srta. Ester, pode sentar-se, por favor. Sentei-me na poltrona ao lado da mesa. Cruzei as pernas — eu usava uma saia azul rodada, uma blusa social estampada, cabelo preso em um coque, sapatos pretos. Formal e impecável. — Pois não, Dr. André? — Você sabe que sou responsável pelo bom funcionamento da empresa, não sabe? — Sim, o senhor é o Diretor de Operações. Ele inspirou fundo, como quem prepara um golpe. — Estou preocupado com alguns relacionamentos amorosos que estão acontecendo entre funcionários. Isso atrapalha o trabalho. Na hora, sen
No dia do restaurante, Adam insistiu para que eu fosse com ele para o apartamento dele. Mas eu não fui. Disse que precisava voltar para casa e que ele fizesse o mesmo. — Estamos nos conhecendo… a gente está indo rápido demais — falei, tentando soar firme. — Então deixa pelo menos eu te levar até em casa. — Nada disso. A gente acaba se pegando e, no fim das contas, eu cedo e você sobe. Melhor não. Vou de aplicativo. — Ah, mas a ideia era essa mesmo — ele sorriu, safado. — Posso pedir pro Lucca te levar. — Não precisa — respondi, passando a mão pelo rosto dele. — Então me deixa me despedir direito. Ele me puxou pela cintura e me deu um beijo daqueles que deixam a gente mole, sem norte. Por um instante desejei ficar ali, eternamente presa nos braços dele. E foi justamente isso que me assustou. Eu estava começando a me preocupar com o que sentia por Adam. Ele ficou no escritório mais um pouco para terminar um memorando da filial de Londres. — Pode ir, meu amor. Vai descansar — el
O aviso de Ester de que seu pai tinha saído para almoçar com Isadora foi o suficiente para Adam surgir na porta da sala, decidido.— Vamos, Ester. Agora.— Espera, vou pegar minha bolsa…— Pra quê? — Ele sorriu de canto. — Vem assim mesmo.Antes que eu pudesse argumentar, ele pegou minha mão e me puxou em direção ao elevador. Estava cheio, mas Adam se colou atrás de mim, como se quisesse me proteger — ou aproveitar a proximidade. Talvez os dois.— Vamos com o Lucca — ele disse quando chegamos à garagem.O motorista já nos esperava num sedã preto impecável. Mal entrei no carro e Adam já estava na minha nuca, os lábios roçando devagar, as mãos ousando demais.— Adam… — tentei protestar, mas minha voz saiu baixa demais para ser convincente.— Eu juro que se você pedir agora, eu mando o Lucca pro motel mais próximo — murmurou contra minha pele.A ideia me atravessou como um choque delicioso…, mas não.— Estamos em horário de trabalho. — respirei fundo. — Se controla.Ele riu, aquele riso
Quando ouvi aquela palavra — “noiva” — achei que fosse desmaiar. Senti minhas pernas falharem.— “Noiva???”Levantei tão rápido que a cadeira quase tombou. Fui até a recepção:— Bom dia… sou assessora dos diretores. Deixa comigo, Eulália. — Sorri para Isadora. — Pode vir, eu a levo até o Dr. Adam.— Tem certeza de que não devo avisar antes? — sussurrou Eulália.— Ela é a noiva dele… imagina.Isadora confirmou com a cabeça, elegante, impecável, fria. Caminhou atrás de mim pelos corredores. Meu coração batia descontrolado.Bati na porta da sala de Adam e já fui abrindo:— “Surpresa pra você: sua noiva, Isadora.”Fritei Adam. Queria ver sua reação. E vi. E como vi.Ele a olhou com puro desprezo.— “O que você está fazendo aqui?”— Vim te ver, Adam. Precisamos conversar.— “Eu disse que não queria te ver nunca mais.”Meu peito afrouxou. Então era isso. Ela “não” fazia mais parte da vida dele.— E pare de dizer que é minha noiva. Você é “ex”. “Ex-noiva”. Já acabou. Saia daqui, Isadora.Ela
Último capítulo