Mundo ficciónIniciar sesiónEster viu seu mundo desmoronar enquanto ainda estava vestida de noiva. Humilhada e destruída, fez a si mesma uma promessa inquebrável: nunca mais entregaria seu coração a ninguém. Ela tenta esconder a dor por trás de uma postura forte, independente, e de uma rotina exaustiva que a impede de sentir. Mas o destino, inquieto e irônico, a coloca no caminho de Adam, um homem sedutor, intenso, protetor que aparece na vida dela no momento em que Ester menos queria — e mais precisava. Despertando nela um desejo que ela tenta negar, uma conexão que ela finge não ver, e uma paixão que ameaça quebrar todas as barreiras que ela jurou manter. Ester tenta se manter fiel à promessa que fez a si mesma… mas resistir a Adam se torna cada vez mais impossível. Quando ela finalmente começa a ceder, acreditando que pode se permitir viver novamente, surge Daniel — carismático, seguro, sensível, e com um interesse por ela que não passa despercebido. Daniel a enxerga de um jeito que a confunde, que a provoca, que a desafia. Nasce um triângulo emocionalmente explosivo, onde cada homem representa um caminho totalmente diferente: Adam, o sedutor, o amor inevitável, intenso, que a faz sentir viva, puro fogo! Daniel, o charmoso, o desejo novo, doce, sensível, que a acalma, a instiga e a coloca em dúvida. Ester terá de enfrentar não apenas seus pretendentes, mas seus próprios fantasmas — a ferida do passado, a promessa, o medo de sofrer novamente, e a vontade avassaladora de viver algo verdadeiro. Entre a segurança que tenta manter e a paixão que ameaça consumi-la, Ester descobre que fugir do amor é fácil. Difícil é escapar de si mesma. Traição, desejo, cura e escolhas impossíveis. Se o coração fala mais alto, será que amar — ainda vale a pena?
Leer másO barulho metálico das cadeiras de ferro sendo empilhadas ecoava pelo jardim do sítio como marteladas em um caixão.
O som era seco, pragmático, desprovido de qualquer poesia. Eu continuava ali, sentada, uma estátua de seda e renda em meio aos destroços de um naufrágio social. Olhava para a cerimonialista, que agora comandava a desmontagem das mesas com uma eficiência quase cruel. Ela retirava os arranjos de flores brancas — lírios e rosas que eu escolhera com tanta dedicação — como quem recolhe o lixo após uma feira de domingo. Toda aquela parafernália, o buffet caríssimo, a luz cênica, o tapete que levava ao altar... tudo não passava de uma embalagem luxuosa para a maior mentira da minha vida. Meu nome é Ester. E eu acabo de ser a protagonista de uma cena de novela mexicana, mas sem o brilho do filtro de câmera. Fui abandonada pelo meu noivo no exato momento em que as alianças brilhavam sob o sol do final de tarde, prontas para selar um destino que já nasceu morto. O roteiro do desastre foi rápido. Jefferson, o homem com quem eu dividi planos e lençóis nos últimos anos, congelou. Ele não olhou para o juiz, nem para mim. Seus olhos buscaram Vanessa. Minha "melhor amiga". Minha madrinha. A mulher que segurava o meu buquê segundos antes. Com a voz embargada, ele soltou a bomba: amava a ela. Não podia se casar comigo. O escândalo silencioso que se seguiu foi pior que um grito. Vanessa, em um átimo de consciência ou covardia, tentou fugir, mas ele a segurou pelo braço, diante de todos, como se estivesse reivindicando um prêmio. Eu? Eu fiquei paralisada. Senti o sangue fugir do rosto, as mãos esfriarem. O juiz de paz, um homem que parecia ter uma planilha de metas a cumprir, fechou o livro com um estrondo seco. "Não posso perder tempo, tenho outros casamentos agendados", disse ele, sem um pingo de empatia. Minha mãe desabou em uma cadeira, o rosto pálido, sendo abanada freneticamente por Cristina, minha irmã, que lançava olhares de puro ódio para as costas de Jefferson. Os convidados começaram a debandar, o burburinho de indignação se misturando a reclamações mesquinhas sobre o buffet que não seria servido. Agora, sobrou apenas o silêncio e o cheiro de grama cortada. Arranquei o véu com um movimento brusco, sentindo os grampos repuxarem meu couro cabeludo. O arranjo de flores secas foi para o chão. Soltei meu cabelo, sentindo o peso dos fios caírem sobre meus ombros, e me sentei de frente para a piscina, observando o reflexo azulado da água. Engraçado. Olhando agora, no vácuo do abandono, eu me pergunto: eu queria mesmo me casar com o Jefferson? Nossa história era antiga, um emaranhado de memórias do ensino médio. Éramos um trio inseparável: Vanessa, Jefferson e eu. O tempo passou e os caminhos bifurcaram. Eu ralei na Federal, me formei em Administração e hoje ocupo um cargo de confiança em uma multinacional de locação de veículos. Sou assessora da diretoria, organizada, prática. Jefferson seguiu o caminho técnico e tornou-se professor. Vanessa... bem, Vanessa era a beleza do grupo. Parou de estudar, foi modelar, viveu de sua imagem. O reencontro que selou meu destino aconteceu na casa dela, após sua volta do Japão. Um coquetel sofisticado, regado a bebidas caras e reencontros nostálgicos. Jefferson me deu carona. Ele estava alterado, o álcool soltando suas inibições. Tentou me beijar no carro. Na época, movida por uma mistura de cuidado e atração, não deixei que ele dirigisse naquele estado. Fomos para o meu apartamento, onde arrumei o sofá para ele. No dia seguinte, o constrangimento dele foi quase charmoso. Pediu desculpas, saiu apressado. Mas logo veio o convite para um café. Vanessa tinha ido para Paris. E assim, no vazio deixado por ela, nós começamos a namorar. Lembro-me de ter sido a força motriz de tudo: o primeiro beijo real, a primeira noite... eu tomei a iniciativa. Cheguei a questionar sua sexualidade em pensamentos sombrios, mas hoje a verdade me atinge como um soco: ele não queria trair a Vanessa. Ele estava comigo, mas habitava o fantasma dela. O planejamento do casamento foi um projeto solo. O cerimonial, o Espaço, o buffet, os convites, cada detalhe saiu do meu bolso e da minha organização. E para quê? Para ser trocada por uma mulher que, convenhamos, tem mais pose do que substância. Vanessa é alta, magra, tem aquele "porte de modelo", mas eu não fico atrás. Sou uma mulher de curvas, pele morena, olhos castanhos intensos, que brilham e uma independência que assusta os fracos. Tenho meu apartamento de dois quartos, minha varanda cheia de plantas, minha estabilidade financeira. Sou o que chamam de "bom partido". E, ainda assim, fui deixada de lado. Talvez Vanessa o tenha incentivado a ficar comigo. Talvez fosse um jogo deles desde o início. A raiva começa a substituir o choque. Uma promessa silenciosa nasce no meu peito, mais forte que qualquer voto matrimonial: nunca mais vou amar ninguém. O amor é uma armadilha para os vulneráveis. De agora em diante, se houver alguém, será apenas sexo. Sem laços, sem segundas vezes, sem a chance de criar raízes em solo infértil. Vou me fechar. Uma única vez com cada um, e adeus. É a única forma de garantir que ninguém nunca mais me humilhe assim. Levantei-me. O vestido sereia cor pérola pesava. Minha mãe e minha irmã já tinham ido embora; não aguentei ver a vergonha em seus olhos, como se o erro fosse meu. Chamei um Uber pelo aplicativo. Tirei os saltos altíssimos e senti a grama fria sob os pés descalços. — Ester! Aquela voz. Claudete, a mãe de Jefferson. A última pessoa que eu queria ver. — Claudete! Você ainda está aqui? — minha voz saiu mais firme do que eu esperava. — Me dá um abraço, minha filha. Eu sinto tanto... Ela me apertou, mas o consolo parecia vazio. — Está tudo bem, Claudete. Não era para ser — eu disse, a máscara da polidez voltando ao lugar. — O Jefferson estava tão feliz... eu não entendo o que deu nele — ela murmurou, genuinamente confusa. "Eu te explico o que deu nele, Claudete", pensei com amargura. "O desgraçado do seu filho tem um caso com a minha melhor amiga e decidiu anunciar isso para o mundo na hora do 'sim'". Mas apenas sorri. Fingir demência era menos exaustivo do que explicar a traição. — Preciso ir. Vou me trocar — cortei o assunto. — Ele vai colocar a cabeça no lugar, Ester. Você vai ver. Revirei os olhos enquanto me afastava. Ela realmente achava que eu o aceitaria de volta? A audácia de algumas pessoas é fascinante. Subi para o quarto de apoio, onde minhas coisas estavam. No espelho, vi uma noiva abandonada, mas ainda impecável. O vestido realçava cada curva que Jefferson decidiu que não queria mais. Despi-me com pressa, quase rasgando o tecido. Vesti jeans, uma camiseta básica e calcei meus tênis. O vestido ficou ali, pendurado, um cadáver de cetim. Peguei meu celular e as notificações explodiram. Centenas de mensagens. Ligações perdidas de Jefferson e Vanessa. A audácia de ligarem agora chegava a ser cômica. Bloqueei a tela. Meu Uber chegou. O motorista, um rapaz com traços indianos, olhou para mim pelo retrovisor assim que entrei. — É, moça... peguei um pessoal aqui mais cedo. Comentaram que a noiva foi deixada no altar. Que loucura, né? — ele puxou assunto, sem saber quem eu era. — Pois é. É verdade — respondi, seca. — Como um cara faz uma coisa dessas? É muita maldade. — Por acaso, a noiva sou eu. O silêncio que se seguiu no carro foi absoluto. Ele me olhou pelo espelho, surpreso, e depois deu aquela conferida rápida quando paramos no sinal. Ao chegarmos no meu prédio, ele tentou consertar a situação: — Moça, liga não. Quem perdeu foi ele. Você é linda demais. Dei um tchauzinho irônico e saí. Agora vinha a parte difícil: encarar o porteiro. Seu Gumercindo estava lá, ouvindo o radinho de pilha. — Oi, Dona Ester! — ele saudou, sem notar meu estado de espírito. — Oi, Gumercindo. Entrei no hall e apertei o botão do elevador. Quando as portas se abriram, o destino pregou sua última peça do dia. Jefferson saiu de dentro da cabine carregando duas malas. O choque foi mútuo. — Vim buscar minhas coisas. Ester, eu sinto muito, mas... Não deixei que a voz dele poluísse o ar por mais um segundo. Estiquei o braço e espalmei a mão. Ele entendeu. Colocou as chaves na minha palma sem dizer mais nada. Entrei no elevador e as portas se fecharam, separando nossas vidas definitivamente. Segurei o fôlego até entrar no meu apartamento. Assim que a porta se trancou atrás de mim, o dique rompeu. Corri para o quarto, me joguei na cama e chorei um choro visceral, que vinha do fundo da alma. Era uma mistura de ódio, vazio e uma decepção tão profunda que parecia física. — Amar vale a pena? — gritei para as paredes vazias. Investi tempo, dinheiro, sonhos e afeto em um homem que era apenas um inquilino temporário do meu coração. NUNCA MAIS VOU AMAR! EU PROMETO! Levantei-me, o punho em riste como se fizesse um juramento de guerra. Fui até a cozinha, peguei uma garrafa de vinho e uma taça. Não precisava de saca-rolhas, a raiva me dava força para qualquer coisa. Sentei-me no sofá, olhando para as minhas plantas na varanda, e bebi até que o sono da exaustão finalmente me levasse para longe daquele domingo que deveria ter sido o primeiro, mas foi o último.É verão em Nova York.Estou sentada sobre uma toalha xadrez, no Central Park, observando Adam jogar Diego para o alto. Aquelas brincadeiras que deixam qualquer mãe apreensiva — e que as crianças simplesmente adoram. Diego gargalha alto, solto, confiante. Para ele, o pai é um herói invencível.Adam brinca com nosso filho como se o mundo ao redor não existisse. Quando está com Diego, nada mais importa. E eu fico ali, observando, com o coração cheio demais para caber no peito.O parque está lotado. Todos querem aproveitar o sol, o calor, a vida pulsando. Diego está prestes a completar dois anos. Fala pelos cotovelos, corre para todos os lados. Não posso desgrudar os olhos dele nem por um segundo. Aqui não tenho babá. Somos apenas nós dois. Nós três.Adam realizou o sonho de abrir a filial da AVANCE nos Estados Unidos. Mas foi além: a sede da empresa agora é aqui. Nova York se tornou o centro de comando. O Brasil virou filial. A AVANCE cresceu, se impôs, ganhou o mundo.Nicole assumiu a f
*Ponto de Vista de Adam* O Arquiteto de um Novo Amanhã O batizado do Diego não era apenas um rito religioso para mim; era o encerramento de um ciclo de sombras. Eu queria que tudo fosse impecável, uma celebração da vida que quase nos foi tirada. Escolhi a casa dos meus pais por ser um terreno sagrado, um lugar onde as paredes guardavam a história da minha própria infância e onde, agora, meu filho receberia sua primeira benção. Ester organizou cada detalhe do buffet, do estrogonofe ao penne, com uma precisão que beirava a obsessão. Eu queria que Ester se sentisse em um santuário, cercada apenas por aqueles que realmente importavam. Estávamos todos de branco, uma unidade visual de paz que eu esperava que se refletisse em nossas almas. Na igreja, ver a luz filtrada pelos vitrais atingir o rosto do pequeno Diego, enquanto meu pai e Cristina o seguravam, foi o momento de maior clareza que já tive. Eu não era apenas o CEO da AVANCE; eu era o guardião de um legado. Diego não chor
Organizei o batizado de Diego com cuidado quase obsessivo. A celebração seria na casa dos avós paternos. Contratei um buffet completo, responsável por toda a estrutura do evento. Como o batizado aconteceria às onze da manhã, optamos por um almoço tradicional, leve e elegante. Entradas com tábuas de frios e frutas, finger foods variados. Nos pratos principais, saladas frescas, penne ao forno e estrogonofe de filé-mignon. Tudo em sistema self-service, para que os convidados ficassem à vontade. O buffet também cuidou da decoração e da equipe de garçons. Restringi a lista de convidados. Primeiro porque a casa não era minha. Segundo porque se tratava de um momento íntimo, familiar. Na igreja, tudo transcorreu em paz. Os padrinhos — minha irmã Cristina e o Dr. André, pai de Adam — conduziram Diego até a pia batismal. O padre disse palavras bonitas, profundas. Diego não chorou. Adam e eu nos emocionamos. A igreja estava cheia; outras crianças também seriam batizadas naquela manhã
O dia estava bonito demais para ficar em casa. O parque cheio, famílias espalhadas pelo gramado, corredores dividindo o espaço com carrinhos de bebê e bicicletas. Enquanto eu corria, Dona Aidê cuidava de Diego ali perto. Era o nosso pequeno ritual de normalidade. Minha garrafa ficou vazia. Fui até a fonte. Quase trombei com alguém. — Ops, desculpa. — Tudo bem. Pode encher primeiro. — Não, eu faço questão. Levantei o olhar. Ele era bonito. Bonito demais para ser ignorado com naturalidade. Corpo atlético, olhos verdes, sorriso largo, boca bem desenhada. Enquanto falava, eu me dei conta de que não estava ouvindo nada. Só observando. — Você vem sempre aqui? — Eu… sim. Corro quase todos os dias. — Legal. Até mais. — Até. Fiquei parada por um segundo, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Eu havia flertado. Eu, que tinha um marido atencioso, um homem que me amava, que me desejava, que me deu um filho saudável depois de tudo que pass





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