Mundo de ficçãoIniciar sessãoO que começou como uma aventura adolescente se transformou em um vício impossível de controlar. Durante anos, Margo foi apenas “a outra” na vida de Misa Patinsk o herdeiro sedutor, arrogante e cheio de segredos. Entre portas trancadas e promessas vazias, ela acreditou que um dia seria escolhida. Mas esse dia nunca chegou. Agora, às vésperas da formatura, Margo tenta seguir em frente. Ao seu lado está Matthew, o melhor amigo de sempre — doce, leal e disposto a dar a ela tudo o que Misa nunca ofereceu. Com ele, existe segurança, carinho… e a chance de um futuro em paz. Mas basta um olhar de Misa para que todo o mundo dela desabe outra vez. Só que, desta vez, não é só desejo. Com a candidatura política do pai de Misa e a influência da família da namorada perfeita, cada segredo pode virar arma. E cada escolha, uma sentença. Quando até o amor vem carregado de mentiras, como decidir entre a redenção do homem que a destruiu e o amor genuíno de quem sempre esteve ao lado dela?
Ler maisE o Misa estava ali.Sentado na poltrona ao meu lado, postura mais ereta do que meses atrás, as mãos apoiadas nos braços da cadeira, os movimentos ainda cuidadosos, mas firmes. Ele ria, participava, se inclinava para frente quando queria dizer algo. Vez ou outra, sua mão encontrava a minha — um toque breve, automático, como se o corpo dele já soubesse onde era casa.Em algum momento, percebi que o burburinho foi diminuindo.Não porque alguém pediu silêncio.Mas porque o Misa se levantou.Demorou alguns segundos. Ele apoiou o peso com calma, respirou fundo, ajustou o equilíbrio. Meu coração disparou na mesma velocidade do primeiro dia em que o vi sair da cama sozinho. Instintivamente, fiz menção de levantar junto, mas ele apertou minha mão de leve.Deixa.Ele deu dois passos à frente, ficando no centro da sala. Pigorreou, claramente nervoso — o que arrancou um sorriso imediato da Emma.— Ih… — ela murmurou. — Lá vem coisa.Misa respirou fundo outra vez e apoiou a mão no encosto do sofá
Kate observava a cena. E, quando nossos olhares se cruzaram, ela fez algo que, meses atrás, eu jamais imaginei: sorriu para mim. Um sorriso pequeno, mas carregado de significado.— Eu tentei resistir — ela disse, quase como uma confissão. — Juro que tentei. Mas esses dois… — balançou a cabeça, rendida. — Eles não deixam.Eu ri, aliviada. Porque aquele perdão não tinha vindo por palavras ou explicações. Veio pelo caminho mais simples e mais poderoso: o amor pelos gêmeos.Aiden caminhou até o Misa.Houve um segundo de silêncio — não constrangedor, apenas carregado de tudo o que ainda não tinha sido dito. Então Aiden estendeu a mão, e Misa apertou. Não como empresários. Não como herdeiros. Mas como homens que dividiam algo muito maior do que uma empresa.— Feliz Natal, irmão — Aiden disse, e a palavra ainda parecia nova na boca dele.— Feliz Natal — Misa respondeu, com um sorriso que misturava surpresa e aceitação. — Que bom que você veio.— Eu não perderia — Aiden respondeu. — Já é trad
Becah correu primeiro. Não correu: marchou. E esticou os braços.— Vovó.Minha mãe derreteu. Meu pai ficou parado por um segundo, como se alguém tivesse apagado o chão.— Você tá enorme… — ele disse, a voz saindo mais baixa do que ele planejou.Liam veio logo depois e agarrou a barra do casaco do meu pai com a confiança de quem não sabe o que é rancor.Eu vi o rosto do meu pai mudar. Não foi um sorriso completo, ele e ainda era meio reseoso quando vinha aqui em casa.A última chegada me deu um choque silencioso.Elisa — mãe do Misa — entrou com um casaco claro, cabelo arrumado com uma simplicidade bonita, e ao lado dela um homem que eu não conhecia: o novo namorado. Ele tinha um sorriso contido, jeito de quem fala baixo e olha nos olhos. Elisa parecia… diferente. Mais viva. Mais dona de si. O divórcio do Antony não tinha sido só papel; tinha sido um resgate.— Feliz Natal, queridos — ela disse, me abraçando com carinho, depois indo direto nas crianças como se aquele fosse o centro do
Já é Natal.Essa constatação me atravessa enquanto observo a cidade pela janela do apartamento do Misa. Nova York lá embaixo parece outra coisa nessa época do ano: luzes quentes recortando o frio, vitrines exageradas, pessoas embrulhadas em casacos longos e cachecóis grossos, como se todo mundo estivesse tentando se proteger não só do inverno, mas do próprio cansaço do ano.Aqui em cima, o cheiro de pinheiro natural da árvore invade a sala de pé-direito alto. O apartamento de dois andares do Misa nunca pareceu tão vivo. Não é mais aquele espaço silencioso, quase solene, de antes. Agora há brinquedos espalhados, risadas ecoando pela escada em espiral, marcas de mão no vidro e uma sensação constante de casa — algo que, por muito tempo, eu achei que não saberia mais reconhecer.As crianças estão com dois anos.Dois anos.Às vezes ainda me assusto com isso.Becah corre pela sala usando um vestido de veludo verde-escuro, meia-calça grossa branca e um casaquinho de lã creme que escolhi com
Voltar para casa foi mais difícil do que sair do hospital.O apartamento continuava o mesmo: dois andares, linhas retas, concreto aparente, vidro demais. Tudo feito para alguém que sempre gostou de espaço, altura, liberdade. Agora, cada detalhe parecia me provocar. O degrau entre a sala e a varanda. O corredor estreito perto da escada. O banheiro que precisou ser reformado às pressas.A cadeira de rodas rangia baixo quando eu me movimentava. Ainda não me acostumei com o som. Nem com a sensação de depender dela.Nem de depender de alguém.Margo tentava não deixar isso evidente, mas eu via. Via quando ela desacelerava o passo para caminhar ao meu lado. Quando organizava tudo de forma que eu não precisasse pedir ajuda — o copo já na altura certa, a porta já aberta, o caminho livre.Eu sempre fui o homem que resolvia.Agora, precisava aceitar ser cuidado.— Devagar — disse o fisioterapeuta, Daniel, um cara grande, voz firme, mãos seguras. — Controla o tronco primeiro.Eu estava preso a ba
O corredor da ala cirúrgica parecia interminável.Branco demais. Frio demais.O som ritmado dos passos dos médicos misturava-se ao bip distante das máquinas e ao eco abafado das conversas sussurradas. O relógio na parede marcava o tempo com crueldade, como se cada segundo tivesse consciência do que estava em jogo.Misa estava lá dentro.Abri e fechei as mãos várias vezes, sem perceber. Meus dedos estavam gelados, apesar do ar abafado do hospital. Eu não conseguia sentar por muito tempo, nem ficar em pé. Caminhava dois passos, voltava, encostava na parede, respirava fundo… e falhava.Emma estava à minha direita. Llote à esquerda. Nenhuma das duas dizia nada — e eu agradecia por isso. Às vezes, Emma segurava meu braço quando percebia que minhas pernas iam ceder. Llote mexia distraidamente no celular, não por interesse, mas para fingir normalidade.— Vai dar certo — Emma murmurou em algum momento, mais para mim do que para si mesma.Eu não respondi.Não conseguia.Minha cabeça estava pre





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