Mundo ficciónIniciar sesiónClara e Vinícius jamais deveriam ter se encontrado — e muito menos se casado. Unidos por um acordo sombrio, mentiras e intenções ocultas, os dois entram em um casamento onde cada passo é uma armadilha e cada olhar esconde um objetivo. Vinícius está convencido de que Clara foi colocada em sua vida para matá-lo e tomar sua herança. Ele aceita manter o casamento apenas para descobrir quem está por trás dessa conspiração — e o quanto Clara realmente sabe. Clara, porém, vive encurralada. Ela sabe que faz parte de um plano maior, perigoso e incontrolável. E teme o momento em que Vinícius descobrirá a verdade que pode destruir os dois. Mas enquanto se enfrentam, manipulam e testam limites, algo inimaginável acontece: eles começam a se apaixonar. Um amor proibido, inesperado e totalmente fora do controle. Agora, Clara e Vinícius precisam escolher entre proteger seus sentimentos ou sobreviver às mentiras que os uniram. Porque, no fim, só uma coisa é certa: O amor pode salvá-los — ou pode ser exatamente o que vai destruí-los.
Leer másClara acordou com a sensação de que a noite não tinha passado de verdade.O corpo estava pesado, a cabeça lenta, como se o descanso tivesse sido interrompido antes mesmo de começar, e por alguns segundos ela permaneceu imóvel, encarando o teto enquanto tentava reunir alguma clareza que não vinha.Virou o rosto devagar.Vinícius dormia ao lado, a respiração estável, o corpo relaxado de um jeito que contrastava com o estado dela, e a luz fraca que atravessava a cortina desenhava contornos suaves no quarto, silencioso demais para aquela inquietação que ainda não tinha se dissipado.Clara desviou o olhar.Com cuidado, afastou o lençol e se levantou, sentindo o chão frio sob os pés, o arrepio subindo pela pele como um reflexo tardio do que ainda não tinha passado.Entrou no banheiro sem fazer barulho e fechou a porta atrás de si.Por um instante, apenas ficou ali, as mãos apoiadas na pia e o olhar perdido no próprio reflexo.A imagem devolvida pelo espelho não trazia descanso, só vestígios
O restante do trajeto até a casa foi feito em silêncio, mas não um silêncio vazio — havia algo ali, denso, quase palpável, como se as palavras tivessem ficado presas entre os dois, ocupando espaço demais para serem ignoradas. Quando entraram, o cheiro de comida tomou o ambiente antes de qualquer outra coisa, quente e familiar, contrastando de forma quase incômoda com o peso que eles carregavam. A mesa já estava posta, tudo no lugar, organizado demais, como se o dia tivesse sido comum, como se nada tivesse saído do eixo. Clara seguiu direto para a sala de jantar, os passos contidos, enquanto Vinícius vinha logo atrás, retirando o relógio do pulso com movimentos calmos, controlados demais para quem claramente não estava em paz. Sentaram, e o silêncio veio primeiro, mas não era desconfortável no sentido óbvio — era apenas estranho, deslocado, como se nenhum dos dois soubesse exatamente qual papel deveria assumir naquele momento. Clara se serviu sem olhar para ele, concentrando-se mai
— A cláusula de prazo está aberta demais.O silêncio que se formou na sequência foi diferente do anterior, mais atento, como se todos ali tivessem entendido que aquilo não era apenas um detalhe técnico.Um dos advogados se inclinou levemente sobre a mesa.— Em que sentido?Clara manteve o olhar no documento à frente antes de responder.— A forma como foi redigida permite uma interpretação flexível de prazo. Na prática, a outra parte pode estender a entrega sem assumir uma penalidade direta, desde que justifique dentro de termos que não estão bem delimitados.Henrique assentiu devagar, acompanhando o raciocínio.— Isso abre margem pra questionamento depois.— Exato — Clara confirmou, virando a página com calma. — Não é um erro de tradução. Está fiel ao original. Mas o original já foi construído com essa abertura.Um dos advogados ajustou os óculos, mais atento agora.— Então o problema não está na língua.— Está na escolha das palavras — Clara respondeu, sem alterar o tom. — E no que e
Clara despertou com a luz da manhã atravessando a sala. Levou um segundo para entender onde estava, o corpo ainda acomodado no sofá e o silêncio diferente do da noite anterior.Foi então que percebeu a manta cobrindo suas pernas. Ela não lembrava de ter puxado, e ficou alguns segundos ali, os dedos tocando o tecido sem pressa, antes de afastá-la e se levantar.Subiu para o quarto, tomou um banho rápido e começou a se arrumar. Quando entrou no closet, o olhar passou pela poltrona, onde a camisa estava amassada, fora do lugar. Clara parou por um instante antes de se aproximar. O cheiro veio leve, nada exagerado, mas o suficiente. Ela não ficou, apenas se virou e terminou de se arrumar.Quando desceu, Marisa já estava na cozinha.— Bom dia.Clara assentiu.— Bom dia.Houve uma pausa breve antes que ela perguntasse:— Você viu que horas o Vinícius saiu?Marisa hesitou, mínimo.— Não vi, não.O silêncio se instalou por um instante.— Vou preparar o café.Clara negou de leve.— Não precisa.
Último capítulo