Mundo de ficçãoIniciar sessãoELE A CONTRATOU PARA CUIDAR DE SEU FILHO. ELA ACEITOU O EMPREGO PARA DESVENDAR O ASSASSINATO DO PRÓPRIO PAI. EM UMA MANSÃO ONDE CADA SORRISO ESCONDE UMA FACA, ELES VÃO BRINCAR DE AMOR E MORTE. Sofia Ramos parece a babá perfeita para o pequeno Léo, especialista em traumas infantis, paciente, dedicada. Mas seu diploma é falso, seu nome é inventado, e seu objetivo nada tem a ver com cuidados infantis. Ela é Sofia Martins, filha do detetive que desapareceu ao investigar a misteriosa morte de Clara Valente. E entrou na mansão para fazer justiça com as próprias mãos. Dante Valente é o CEO mais poderoso e enigmático do país. Viúvo, obcecado, ele observa cada movimento de Sofia com olhos que misturam luto… e um desejo que beira a perversão. Presentes caros aparecem em seu quarto. Toques “acidentais” se tornam cada vez mais ousados. E uma pulseira idêntica à que pertencia à sua esposa morta é oferecida com uma inscrição perturbadora: “Agora você é minha.”
Ler mais— Eu investigo tudo que entra na minha casa. — Ele se virou, seu rosto agora sério. — Especialmente quem cuidará do meu filho. Você acha que isso é invasivo? Talvez. Mas necessário.Sofia levantou-se, as pernas trêmulas.— Eu devia ir.— Por quê? Porque eu sei sua dor? — Ele deu um passo à frente. — Porque eu sei como é perder alguém de forma violenta e abrupta? Como é acordar todos os dias com a pergunta ‘e se’?Ela recuou, mas sua costas encontrou a estante de livros. Não havia para onde ir.— Eu não preciso da sua empatia, — ela disse, sua voz controlada mas tensa.— Não estou oferecendo empatia. Estou oferecendo… reconhecimento. — Ele parou a meio metro dela, perto o suficiente para que ela visse as pequenas fissuras em sua compostura, os círculos quase imperceptíveis sob os olhos, a linha tensa da mandíbula. — Você e eu, Sofia… somos sobreviventes. Mas sobreviver não é o mesmo que viver. Léo nem mesmo sobreviveu. Ele apenas… existe.Sua raiva dissipou-se, substituída por algo mais
— Não sou uma pedagoga comum. — Ela manteve seu olhar. “Perdi meus pais quando criança. Sei como é quando o mundo para.”A revelação pairou no ar entre eles. Dante não ofereceu condolências, nem a olha de pena que Sofia detestava. Apenas assimilou a informação, arquivando-a.— Por que você quer este emprego, Sofia? — A pergunta veio mais suave agora. — Você poderia trabalhar em uma escola, um hospital. Lugares com horários normais, crianças… normais.— Crianças que perderam pais não são anormais. São feridas. — Ela fez uma pausa. — E talvez eu queira este emprego porque entendo Léo melhor do que alguém com uma família intacta jamais poderia.Dante se levantou, caminhando até a escrivaninha. Ele pegou uma fotografia em um porta-retratos de prata, não olhou para ela, mas seus dedos traçaram a moldura.— Minha esposa, Clara, era psicóloga infantil. Ela trabalhava com crianças traumatizadas. — Ele se virou, a foto ainda em suas mãos. — É irônico, não? A especialista em trauma não consegui
O menino não respondeu. Seus olhos estavam fixos em Sofia, estudando sua reação com intensidade perturbadora.Sofia não mostrou surpresa. Não mostrou alarme. Inclinou-se para frente, examinando o desenho como se fosse uma obra de arte em uma galeria.— Esta estrada, — disse ela, apontando para uma das linhas. — É movimentada? Passam muitos carros?Léo olhou para ela. Seus lábios se moveram – um tremor quase imperceptível. Nenhum som saiu, mas a forma que seus lábios fizeram foi clara:— Não.— É uma estrada quieta, — ela interpretou. — Onde coisas importantes acontecem.Ele abaixou a cabeça em um movimento minúsculo, quase um aceno.Na porta, Isadora estava completamente imóvel. Seu rosto havia perdido um pouco de sua compostura, revelando algo por baixo, não preocupação, mas… vigilância intensificada.— Obrigada por me mostrar, — disse Sofia ao menino. — É um lugar importante para você.Léo estendeu a mão novamente. Mas não pelo desenho. Pelo lápis vermelho que ela havia trazido. Ele
O portão principal era uma obra de arte em ferro forjado com iniciais entrelaçadas: D.V. Acima, câmeras de segurança giravam suavemente, suas lentes pretas capturando cada movimento. Sofia não sorriu para elas. Apenas observou, estudando os ângulos, os pontos cegos potenciais, a distância entre o portão e a casa principal, quinze, talvez vinte metros de calçada de pedra portuguesa.Seus dedos encontraram a pulseira de prata no pulso esquerdo g, um gesto automático e tranquilizador. A inscrição interna, desgastada pelo toque constante, ainda era legível: Sempre teu - M. Ela respirou fundo, o ar cheirava a terra molhada e flores de jasmim.Antes que pudesse encontrar o interfone, um clique eletrônico soou e o portão deslizou aberto sem nenhum ruído. A mensagem era clara: ela já estava sendo observada há mais tempo do que imaginava.A mansão, uma construção moderna de linhas limpas que paradoxalmente lembrava uma fortaleza. Jardins impecáveis, mas sem a desordem alegre que crianças norma
Os olhos de Dante estavam fixos no monitor em sua escrivaninha. A tela dividia-se em quatro quadrantes, cada um mostrando um ângulo diferente do quarto do seu filho. No canto inferior direito, Léo. Sentado no mesmo ponto do tapete persa há três horas e dezessete minutos. Diante dele, um quebra-cabeça de mil peças espalhado, o mesmo quebra-cabeça que Clara começara a montar com ele na semana anterior à sua morte.A porta do escritório se abriu sem bater. Isadora entrou com a familiaridade de quem não precisava de permissão.— A candidata esta semana, — anunciou, deixando cair uma pasta sobre a mesa com um baque suave. — A senhora Moraes chorou quando Léo jogou o prato de macarrão nela. Disse que nunca viu uma criança com tanta raiva nos olhos.Dante não se moveu. Seus dedos, longos e pálidos, permaneceram entrelaçados sobre a mesa.— O macarrão era do jeito que ele gosta? Ao dente, molho de tomate sem pedaços, queijo ralado fino?Isadora pausou, surpresa pela pergunta irrelevante.— Nã
Último capítulo