Mundo de ficçãoIniciar sessãoEle tem tudo: dinheiro, nome e um futuro impecável. Ela não tem quase nada, apenas a própria coragem para sobreviver como garota de programa. Quando seus mundos se cruzam, o amor nasce onde ninguém apostaria. Mas amar também pode custar tudo.
Ler maisVincent acordou no dia seguinte com os olhos ardendo e o peito pesado demais para caber no corpo. Não chorou de novo — já não havia lágrimas suficientes. Vestiu-se no automático e seguiu para a empresa como quem cumpre uma obrigação sem sentido.Quando Nara o viu atravessar o corredor, seu coração apertou. Ele estava diferente: barba por fazer, cabelo desalinhado, olhos inchados e um vazio assustador no olhar. Não parecia cansado — parecia quebrado.Ela o seguiu até a sala e fechou a porta atrás de si.— O que aconteceu? — perguntou, direta, incapaz de fingir normalidade.— Nada… — respondeu ele, a voz rouca, sem convicção.Nara cruzou os braços, encarando-o.— A última coisa em que eu vou acreditar é que nada aconteceu.Ele desviou o olhar.— Tá tudo bem, Nara. Não se preocupa.Ela se ajoelhou diante dele, segurando seu rosto com cuidado, obrigando-o a encará-la.— Antes de você ser meu chefe, você é meu melhor amigo. Desde quando a gente matava aula no ginásio. Antes de eu ser sua s
Vincent entrou em casa como quem entra num lugar que já não reconhece. A porta se fechou atrás dele com um som seco, definitivo demais. O silêncio do apartamento o atingiu como um soco no peito.Ela tinha ido embora.A ficha não caía. Ele não soubera da despedida, não soubera do fim, não soubera de nada. Apenas sentira o vazio se abrir sob seus pés no instante em que Emily o deixara ali, parado, com palavras que ainda ecoavam como estilhaços.Andou alguns passos sem rumo até as pernas falharem. Sentou-se no chão da sala, encostado no sofá, e então desabou. Chorou como nunca havia chorado antes. Um choro feio, silencioso, profundo — daqueles que não pedem consolo porque não acreditam mais que ele exista.A mulher que mais amou na vida tinha ido embora por medo. Por vergonha. Por padrões que ele jamais aceitaria, mas que o mundo insistia em impor. E não havia nada que doesse mais do que amar alguém que acredita não ser digna de ser amada.⸻POV EmilyAssim que fechou a porta do apartame
O resto da semana passou rápido demais — rápido a ponto de assustar Emily. Cada dia parecia escorrer pelos dedos como areia fina. Eles foram a tantos lugares que tudo começou a se misturar na memória: as compras no Soho, as caminhadas no Central Park, o karaokê onde Vincent cantou e a fez se apaixonar ainda mais — e onde Stacy, completamente desafinada, arrancou gargalhadas de todos. Houve cinema, restaurantes novos, risadas inesperadas.E houve as noites.Todas intensas, todas diferentes. Às vezes urgentes, quase selvagens; outras, lentas e cheias de cuidado, como se o tempo tivesse sido gentil o suficiente para parar só para eles. Emily percebeu, assustada e fascinada, o quanto Vincent parecia querer sempre mais — e o quanto ela também queria. Não reclamava. Pelo contrário. Amava vê-lo perder o controle, amava sentir-se desejada, escolhida.E foi exatamente isso que a apavorou.No banho, sob a água quente, encarou a verdade que vinha evitando: aquilo não era passageiro. Ela estava s
— Preparada? — Vincent perguntou.— Sim! — respondeu Emily, com um sorriso que ele não podia ver, os olhos vendados por suas mãos.⸻Naquela manhã, Emily acordou aninhada nos braços dele. Havia ali uma segurança quase perigosa — daquelas que fazem a gente esquecer quem é, de onde veio, e por que aprendeu a se proteger tanto. Aproximou-se ainda mais do peito forte, inspirando o cheiro que já começava a reconhecer como lar.Sentiu Vincent se mexer. Ele abriu os olhos.E lá estava ela outra vez, perdida naquele azul profundo. Ele também parecia preso nos olhos cor de mel que o encaravam — ainda que, na lógica injusta do mundo, ela achasse que não tinha nada de extraordinário para oferecer.— Bom dia — ele disse, sorrindo.— Bom dia — ela respondeu, com a voz suave.— Dormiu bem?— Muito — sussurrou.Vincent levou a mão ao rosto dela, acariciando-lhe a face com cuidado, como se tivesse medo de quebrá-la. Emily fechou os olhos, entregando-se ao gesto.— Eu te amo — ele disse, baixo, mas fi





Último capítulo