Mundo ficciónIniciar sesiónAmélia Clark conhece Ethan Harrington na pior noite de sua vida. Horas antes, Amélia recebe um diagnóstico devastador: uma doença grave que transforma o futuro em algo incerto e urgente. Ethan, por sua vez, acaba de sair de uma briga com o filho, que o acusa de ter sido o motivo da mãe ir embora. Perdidos, exaustos e tentando fugir do que sentem, eles se encontram por acaso e acabam em um motel. Na manhã seguinte, Ethan recebe um telefonema desesperado: Noah, seu filho de seis anos, fugiu de casa. E os dois se separam sem despedidas. Horas depois, Amélia encontra um menino perdido pelas ruas e o leva até o endereço indicado. Na casa, reconhece o homem da noite anterior. E antes que qualquer explicação seja possível, Noah se apega a ela e se recusa a deixá-la partir. Desesperado, Ethan faz uma proposta impulsiva: — Seja a babá do meu filho. Salário alto, plano de saúde e moradia. Tudo o que Amélia precisa para continuar vivendo. O que começa como um acordo de sobrevivência vira convivência, cuidado e sentimento. E contra todas as regras, Ethan e Amélia se apaixonam. Mas quando ela descobre que está grávida, a realidade cobra um preço cruel: gerar aquela vida, pode significar a sua morte. Entre o amor que finalmente encontrou, o filho que ganhou, a vida que cresce dentro de si e a chance de sobreviver, Amélia precisará fazer a escolha mais difícil de todas. Porque amar, às vezes, é decidir quem fica… e quem parte.
Leer más“O amor não pede segurança. Pede coragem.”
Amélia começou a passar mal ainda no caminho de volta da escola.
Primeiro foi uma tontura súbita, dessas que fazem o chão parecer instável demais para sustentar o próprio corpo. Depois, o enjoo veio forte, inesperado, arrancando-lhe o ar por alguns segundos. Ela parou na calçada, apoiando-se no poste mais próximo, sentindo o corpo trêmulo e o coração acelerado.
— Mamãe? — Noah segurou a mão dela com força. — Você está bem?
Ela tentou sorrir na tentativa de tranquilizar o seu garotinho.
— Acho que sim, meu amor… só preciso sentar um pouquinho.
Mas não precisou. O medo, antigo e conhecido, voltou a pulsar. E minutos depois, estavam no hospital.
Noah permaneceu ao lado dela o tempo todo, sentado na cadeira grande demais para seu corpo pequeno, enquanto balançava os pés no ar e segurava a mão da babá como se aquilo fosse capaz de mantê-la ali.
Uma médica examinou Amélia e solicitou uns exames, apenas para descartar suas suspeitas. Quando a médica voltou, trazia no rosto um sorriso genuíno e cuidadoso, quase delicado demais para a notícia que trazia.
— Amélia… você está grávida!
O ar faltou em seus pulmões.
— Grávida? — repetiu a si mesma como se aquela informação fosse impossível, um sonho distante de acontecer.
Noah arregalou os olhos primeiro. Depois, o lábio inferior começou a tremer.
— De verdade? — perguntou, com a voz falhando. — Um bebê de verdade?
Amélia mal conseguiu responder. A alegria veio como um choque quente no peito, misturada a um medo tão intenso que quase doía fisicamente.
— Sim, meu amor… — sussurrou ainda tentando processar a informação que acabava de receber.
Noah chorou.
Chorou como as crianças choram quando o sentimento é maior do que elas conseguem suportar.
— Eu te amo tanto, mamãe… — disse, abraçando-a com força. — Eu vou ganhar um irmãozinho para jogar bola.
Ela fechou os olhos, segurando o filho contra o peito.
No carro, Noah não parava de falar. Fazia planos, escolhia nomes, dizia que ia ensinar o bebê a desenhar, a gostar de dinossauros, a dormir abraçado e explorar o quintal.
Amélia sorria e ouvia tudo o que o filho dizia. Mas por dentro, travava uma guerra silenciosa.
Estava grávida de um filho de Ethan. Do único homem que amou em toda sua vida. Ela amava Noah como se fosse seu filho, mas gerar um filho de Ethan, era tudo o que sempre sonhou. Tudo seria perfeito se não fosse por um pequeno detalhe: Uma vida surgia num corpo que lutava para sobreviver.
Quando chegaram em casa, Noah mal esperou o carro parar direito. Abriu a porta e saiu correndo ao ver o pai já no jardim.
Ethan tinha acabado de chegar da empresa. Os botões da camisa estavam abertos no colarinho, as mangas dobradas, mesmo com a expressão cansada, seus olhos brilharam quando viram sua esposa e seu filho. Sorriu ao ver Noah correndo em sua direção.
— Ei, campeão!
Noah se jogou nos braços dele com força.
— PAPAI! — gritou, eufórico. — TEM UM BEBÊ NA BARRIGA DA MAMÃE!
O mundo parou por um segundo e Ethan congelou diante daquela informação. O sorriso ainda estava no rosto, mas os olhos azuis buscaram os de Amélia, como se precisasse confirmar o que tinha acabado de ouvir.
Amélia sorriu e aquele sorriso disse tudo. Mas Ethan percebeu que havia algo diferente no olhar dela e no mesmo instante, compartilhou do mesmo sentimento.
Medo.
Ethan colocou Noah no chão com cuidado.
— Vai lá ficar com a Maria, filho — disse, com a voz estranhamente firme. — O papai e a mamãe precisam conversar um pouquinho.
Noah assentiu, ainda sorrindo, e saiu saltitando.
Assim que ficaram a sós, Ethan se aproximou e a puxou para um abraço forte.
— Vai dar tudo certo, meu amor. — disse, contra o cabelo dela.
Dois dias depois, Ethan e Amélia foram até o oncologista para saber sobre como seria o tratamento agora com a gestação.
E foi quando o mundo dos dois começou a desmoronar.
Ethan entrou em casa com passos largos, a mandíbula rígida, enquanto passava a mão pelos cabelos, como se precisasse arrancar de si o pânico que crescia.
— Não. — disse, andando de um lado para o outro. — Não. Isso não pode estar acontecendo agora.
— Ethan… — Amélia tentou.
— Você não pode parar o tratamento, Amélia! — ele explodiu. — você ouviu o que o médico disse, sabe os riscos de interromper o tratamento para levar essa gravidez adiante.
— Eu sei exatamente quais são os riscos. — ela respondeu, com a voz baixa, firme.
— Então como pode aceitar isso?! — ele gritou. — Como pode pensar em manter essa gravidez?!
Ela engoliu o choro.
— Eu não vou tirar o meu filho!
— Não? — Ethan bateu a mão na mesa. — Sabe o que vai acontecer se continuar insistindo nisso? vai morrer Amélia, morrer!
— E tirá-lo de mim também vai me matar. — ela retrucou, finalmente deixando a emoção transbordar.
Ethan se aproximou dela, com os olhos brilhando e a voz quebrada.
— Eu não aceito te perder, Amélia. Não aceito. — Não é isso. Qualquer coisa, menos isso.
— Não me peça para escolher entre viver e amar — ela disse, com lágrimas escorrendo. — Eu não consigo.
— Isso não é amor. Isso é suicidio.
— Ethan…
— Eu não sei amar o que pode te tirar de mim. — ele gritou, desesperado, deixando a verdade escapar antes que pudesse conter.
As palavras caíram como golpes, e Ethan só percebeu o que tinha dito quando já era tarde demais para voltar atrás. Sem olhar para ela, virou-se e saiu da sala furioso, batendo a porta.
Amélia deslizou até o chão sentindo o corpo ceder e chorou. Mas, mesmo chorando, levou a mão ao ventre com cuidado.
— Perdoa o papai, meu amor… — sussurrou, entre soluços. — Ele só está com medo.
Respirou fundo, tentando se recompor e o silêncio se instalou pesado, prenunciando que o amor, dali em diante, precisaria aprender a sobreviver em meio à dor.
Naquela mesma noite, Amélia caminhou até o quarto de Noah. Se deitou ao seu lado da cama, o envolvendo num abraço apertado. O garotinho sorriu mesmo adormecido, se aninhou nos braços dela como se aquele fosse o seu lugar preferido e Amélia fechou os olhos sussurrando:
— Eu vou lutar até o fim e não vou desistir de vocês. De nenhum dos três.
O destino, no entanto, nunca perguntou se ela estava pronta para a guerra que vinha.
“Nem todo amor nasce para durar. Alguns nascem apenas para nos fazer escolher viver.”Amélia ClarkHavia decisões que não faziam barulho quando eram tomadas. Mas deixavam marcas, principalmente quando envolviam querer o que não se podiaEu tinha decidido não pensar nele. Principalmente depois do beijo, do tapa e do silêncio que surgiu. Deitei com o corpo exausto, tentando descansar, enquanto a mente permanecia inquieta. O quarto estava escuro, o lençol não aquecia meu corpo e o relógio distante marcava um tempo que nunca jogava a meu favor.Fechei os olhos e pensei nele.Não no homem que me beijou sem pedir. Mas no homem que saiu cedo naquela manhã, no meu patrão.A palavra veio pesada, concreta, impossível de ignorar.Ele era o homem que pagava meu salário. Que decidia se eu ficava ou ia embora. Que tinha poder suficiente para encerrar aquela história antes mesmo que ela ganhasse um nome. E eu era a funcionária. A babá. A mulher que precisava daquele emprego mais do que precisava
“Alguns homens não desmoronam. Eles apenas se deitam e apagam.”Ethan passou o dia inteiro funcionando como se pensar fosse opcional e sentir, proibido.O dia passou como costumam passar os dias para homens que trabalham para não pensar: reuniões em sequência, decisões rápidas, números que não admitem erro, contratos assinados sem leitura emocional, ligações encerradas com frases curtas. Ethan funcionou entregando o que esperavam de um homem poderoso e um líder. Foi firme quando precisava ser firme. Sorriu quando o cargo exigia um sorriso.E, por baixo de tudo, a imagem dela voltava como uma ferida aberta que não sangra, mas cicatriza. A forma como cuidou dele no escritório. Como o ajudou a chegar até o seu quarto. O beijo que não conseguiu evitar. Como ela retribuiu com a mesma intensidade. O corpo pequeno contra o dele. O tapa, o olhar assustado e ela saindo do quarto correndo. Quando a noite chegou, ele já não aguentava mais a própria cabeça.Não voltou direto para casa. Parou e
“O erro começa quando alguém confunde silêncio com consentimento.”Ethan sempre acreditou que controle era sinônimo de segurança. Naquela manhã, descobriu que era exatamente o contrário.Olivia ficou imóvel por um segundo.Depois, riu, não por achar engraçado, mas porque a insanidade às vezes era tão grande que só restava rir para não gritar.— Você está louco? — ela se inclinou para frente, os olhos cravados nele. — Você quer demiti-la agora?Ethan apertou a mandíbula.— Eu não posso olhar para ela.— Isso é um problema seu, não dela. — Olivia apontou o dedo, precisa como um bisturi. — Ethan, ela pode processar você por assédio.A Palavra assédio bateu como um soco. Ele ficou rígido.— Ela não faria isso.— Você não sabe o que uma mulher é capaz de fazer quando está com medo, Ethan. — Olivia baixou o tom. — E medo é exatamente o que você colocou nela. Você é um homem poderoso, e rico Ethan. Não pode correr esse risco.Ele passou a mão pela nuca, pressionando os dedos contra a pele co
“Nem todo silêncio é neutralidade.”Ethan Harrington saiu de casa como quem foge de um incêndio que ainda não começou a aparecer.Não havia fumaça no corredor, não havia gritos, não havia nada quebrado e, ainda assim, ele tinha a sensação de que bastava um olhar errado para a mansão inteira desabar por dentro. A casa estava quieta, o silêncio tinha peso e ele sabia exatamente por quê.Ele não foi até a cozinha, não ouviu a voz de Noah, muito menos cruzou com Amélia.Pegou as chaves no escuro, com os dedos firmes para alguém que estava tremendo por dentro, e fechou a porta com cuidado, como se o estalo da fechadura pudesse denunciar o que tinha acontecido no quarto dele poucas horas antes.Do lado de fora, o reflexo da porta de vidro, devolveu um homem de olhos fundos e expressão de quem não havia dormido. A barba por fazer não era desleixo, era punição. Ele parecia alguém que tinha perdido uma guerra silenciosa contra si mesmo.E, pela primeira vez em muito tempo, Ethan Harrington nã
“Depois do limite, o silêncio não é vazio. É expectativa.”Amélia Clark Eu ainda sentia o peso da madrugada nos ombros quando pisei no último degrau.Não era cansaço. Era aquela sensação desconfortável de quem atravessou um limite e agora anda pela casa esperando o som de algo quebrar.Meu coração acelerou antes mesmo de chegar ao último degrau da escada. Não foi um disparo súbito, foi um aumento gradual, traiçoeiro, como se meu corpo tivesse entendido antes da minha mente que aquele momento carregava perigo. Caminhei mais devagar do que o necessário, respirando fundo, tentando controlar o ritmo interno que já não obedecia.Procurei por Ethan com os olhos sem querer procurar.Foi automático. Um movimento quase imperceptível da cabeça. Um gesto que eu negaria se alguém me perguntasse, mas que meu corpo executou sem pedir autorização.Ele não estava ali.A ausência dele me atingiu com uma mistura confusa de alívio e apreensão. O alívio veio primeiro, silencioso, quase vergonhoso, porq
“O corpo lembra do que a razão tenta esquecer.”Amélia ClarkO problema de dormir depois de atravessar um limite é que o corpo não respeita o amanhecer.A primeira coisa que senti ao acordar foi o peso. Não no corpo, nele havia apenas um cansaço estranho, difuso. Mas a memória veio inteira, sem delicadeza, sem transição, como se a noite anterior tivesse decidido não respeitar o intervalo do sono.O beijo. O toque. E o som seco da minha mão encontrando o rosto de Ethan Harrington.Abri os olhos ainda no escuro, com o coração acelerado demais para alguém que mal tinha se movido. O quarto permanecia silencioso, imóvel, mas dentro de mim tudo parecia em alerta máximo, como se o corpo não tivesse recebido o aviso de que era manhã.Eu tinha batido na cara do meu patrão.A constatação veio simples, cruel, impossível de suavizar.Virei o rosto no travesseiro, sentindo ainda, com uma nitidez que me deu náusea, o calor do corpo dele sobre o meu, a urgência daquele beijo que não pediu licença e





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