Mundo de ficçãoIniciar sessãoTraída e roubada pelo marido, ela chega ao limite do desespero. Sem dinheiro, sem rumo e com a autoestima destruída, aceita passar uma única noite em um lugar que jura nunca mais pisar. O que não esperava era encontrar um homem diferente de todos, silencioso, dominante. Um homem que lutava contra si mesmo por não aceitar ser mais quem ele precisava ser. Para ela, seria apenas uma lembrança proibida,o seu primeiro e único cliente! Para ele, tornou-se uma obsessão. Quando a verdade vem à tona, o chão desaparece: o homem que domina seus pensamentos é um dos líderes mais temidos da máfia japonesa. Fugir parece impossível, e resistir a ele, ainda mais. Entre paixão, medo e entrega, ela descobre que já não sabe viver sem o homem que pode salvá-la… ou destruí-la para sempre.
Ler maisAtravessei a rua com o coração batendo na garganta.
Do outro lado da calçada, a fachada parecia me condenar, antes mesmo de decidir entrar. Discreta demais para um lugar que prometia tudo o que eu precisava naquela noite. Não havia letreiros chamativos, nem música escapando pela porta. Apenas sobriedade. Luxo contido. Um convite silencioso. Na entrada, dois seguranças imóveis e uma mulher loira, alta, elegante demais para aquele horário, controlavam quem entrava e quem saía. O vestido justo desenhava o corpo dela com naturalidade. Segurança. Poder. A coragem só veio empurrada pelas duas latas de cerveja que bebi no caminho, indo pra lá. Em um balcão de padaria. - Não ficou mais ninguém!- Meu pensamento ainda buscava um pedido de socorro antes da decisão de entrar naquele lugar. Minha mãe faleceu ainda quando eu era bebê. Meu pai trocava de esposa como quem troca de roupa, e antes dele falecer tinha a Soraia, esta ficou mais tempo com ele, três anos, antes dele falecer naquele acidente. Nunca nos demos bem, então procurar a madrastra para algo, definitivamente não era uma opção. À que ponto cheguei! Pensei, dando o último gole. Depois de 08 anos naquele relacionamento, eu imaginei muitas coisas, menos ser roubada. As brigas começaram a se tornar parte da nossa rotina. Ao mesmo tempo que eu tenha concertar, juntar os cacos, o Jorge continuava a sua missão de destruir minha autoestima. Eu tentava ignorar tudo, mesmo sabendo que amor era algo que não existia entre nós. Mas eu esperava uma conversa final, um adeus. E isto não veio, o que veio de fato foi descobrir depois de dois dias que ele havia feito um saque na conta corrente conjunta que tínhamos e ter me deixado sem nada. Nem o aluguel do mês havia sido pago. Quando parei diante daquela mulher,na entrada da casa noturna, , senti seu olhar me percorrer devagar, sem pressa, como se avaliasse cada detalhe em mim. — Você não tinha um sapato melhor, minha filha? — disse, num tom quase divertido, mas carregado de julgamento. Minhas bochechas arderam. — Vem. Vou arrumar alguma coisa pra você. Não tem problema. Nossa ela era muito mais alta de perto, que mulher bonita pensei. Ela devia ter muitos "clientes", qualquer homem ficaria louco pra ficar com ela. Me senti a coisa, a mulher mais insignificante perto dela, o que eu estava fazendo ali?- me perguntei sem acreditar na minha própria presunção. Assim que entrei, o impacto foi imediato. O ar era denso, quente, carregado de perfume caro e expectativa. Um instrumental suave preenchia o ambiente, lento demais para ser ignorado. A iluminação baixa desenhava curvas, sombras, silhuetas femininas que se moviam com naturalidade provocante. Nada ali era vulgar, era sugestivo. Intencional. Meu estômago contraiu. Pela vergonha com a qual eu caminhava acompanhando a loira, e agora a fome também dava sinal, estômago roncou. Eu estava buscando trabalho a duas semanas e nada! Todas as contas atrasadas e a geladeira de estava no seu último sinal de vida! Economizando o que tinha no almoço, para ter alho no jantar. Naquele dia eu estava sem o jantar No pequeno quarto aos fundos, o cheiro de perfume misturado a cigarro me envolveu como um aviso. Ela abriu um closet improvisado e me mostrou sapatos altos, elegantes, perigosos. Há muito tempo eu não calçava algo assim. Jorge e eu economizamos cada centavo para comprar nosso apartamento, iríamos financiar, tentando sair do aluguel, era nosso objetivo. — Esse fica pra você. — Ela colocou o sapato na minha frente. — E se quiser um vestido, escolha. Essa blusinha… — puxou a manga da minha 3/4, rindo baixo — já viu dias melhores. Ela estava certa, mas era o que de melhor eu tinha para vestir. Se minha autoestima já estava baixa, ali ela se dissolveu por completo quando cheguei naquele lugar. Eu era analisada, medida, moldada e, ao mesmo tempo, preparada. Ela, Mara, a loira recepcionista que estava me ajudando, explicou que as roupas eram das próprias meninas. O que não queriam mais, deixavam ali. Solidariedade. Emergência. Nenhuma rivalidade, garantiu. Clientes para todas. Eu concordava sem compreender bem tudo aquilo, mas minha cabeça girava, pela cerveja, pelo medo, pela sensação inquietante de estar cruzando um limite que não teria volta. " Dinheiro rápido" pagamento diario - dizia o anúncio. Mesmo depois de relutar, tentei ser fria o bastante para pensar: dormi oito anos com uma pessoa que foi embora sem dizer nada, nenhuma satisfação, e ainda me roubou. Então ali o que poderia dar errado?! Eu precisa do dinheiro. Não havia mais tempo. — Você é educada. Bonitinha. — O olhar dela se fixou em mim. — Vai se dar bem. Só precisa se produzir um pouquinho mais, que você consegue trabalhar- concluiu ela. Sorriu, como se aquilo fosse um detalhe. De volta ao salão, minhas pernas tremiam. Mulheres riam, bebiam, conversavam com homens que as observavam como quem escolhe um prato no cardápio. Do meu lado esquerdo vi um rapaz ousado, com as mãos das coxas de uma garota, ela sorria, outra o beijava. Senti um calafrio repugnante, assustador. A exposição daquelas mulheres, será que eu teria que ser assim tão "disponível" quanto elas? Eu não vou conseguir, pensei Garçons passavam com taças brilhando sob a luz baixa. Escolhi uma mesa perto da porta. Precisava de ar. Não tive tempo. — Bora, gata… — a voz veio grossa, quente demais. — Bora dar um rolê. A mão fechou ao redor do meu braço. Não foi violenta. Foi possessiva. Os dedos apertaram devagar, como se testasse até onde podiam ir. Meu corpo reagiu antes da minha cabeça, um arrepio subindo pela espinha, misturado com medo… e algo mais que me envergonhou reconhecer. O cheiro dele me invadiu: álcool, colônia forte, masculinidade exagerada. — Você é linda — murmurou, perto demais do meu ouvido. Meu estômago se revirou. Tentei recuar, mas minhas pernas não obedeceram. — Ela está comigo. A voz surgiu firme, cortando o ar como lâmina. O aperto cessou. O calor também. Mas a marca invisível ficou. Era um homem oriental, jovem, alto , se colocou à minha frente. Postura reta. Olhar controlado. O outro não discutiu. Apenas se afastou. — Venha — disse ele, pousando a mão leve nas minhas costas. O toque foi diferente. Não exigiu. Conduziu. — Um suco. Ou uma bebida, se preferir. — O da casa — respondeu ao barman, sem me olhar. Depois, virou-se para mim. — Eu sou Jonny. — Evelyn. O nome saiu mais baixo do que eu pretendia. Ele era bonito de um jeito incomum. Traços fortes, pele lisa, postura impecável. Havia algo nele que não pedia atenção, simplesmente tomava. A postura, impecável. Por detrás dele, vi a recepcionista passar e fazer um gesto discreto de positivo. Meu coração acelerou. Positivo… como? O que ela queria dizer, que estava tudo ok? que era seguro sair com ele? Que era um bom cliente? Discreto, direto. Com as pontas do dedos tirou o cabelo que caia sobre os meus olhos e fez o contorno do meu rosto, até chegar nos meus lábios. Ele era uma tentação, pensei comigo.... Era um homem diferente, não sei, mas era meu primeiro cliente ao que parece, e se fosse seria ótimo, maravilhoso se fosse com um homem carinhoso, ficaria tudo mais fácil, claro. — Vamos? — perguntou. - Sim. Enquanto caminhávamos até a saída, senti olhares sobre mim. Talvez pelo vestido emprestado, simples demais. Talvez por ele. Talvez porque, sem perceber, eu já não era apenas uma espectadora daquele lugar. Quando a porta se fechou atrás de nós, tive a certeza incômoda de que aquela noite estava longe de acabar. Mas eu já tinha ido longe demais para voltar.O restaurante ficava a poucas quadras da minha casa. Não precisei tirar o carro para ir, o dia estava ótimo para uma caminha pertinho de casa.Tão perto que Willian brincou dizendo que aquela era a consulta mais saudável do dia: caminhada antes do almoço, pois estávamos também perto do hospital.O lugar era simples, mas acolhedor. Mesas de madeira clara, cheiro de comida fresca no ar e uma música suave que quase se misturava ao barulho dos talheres. Pela janela, o sol entrava em faixas douradas, iluminando as plantas penduradas no teto.Por algum motivo, eu e a Lene almoçavamos sempre que nos encontramos alí.— Gosto daqui — Willian disse, olhando ao redor. — Tem cara de refúgio, de casa de mãe, kkk.— É exatamente por isso que venho sempre — respondi. — Quando tudo parece pesado demais, esse lugar me faz respirar melhor.Ele sorriu daquele jeito tranquilo que sempre me desarmava. William também já não tinha mãe, e o pai um renomado cirurgião, morava no Sul do país.— Você está difere
Um mês havia passado desde aquele sábado no shopping.Trinta dias que pareceram longos demais.Eu seguia com minha rotina, trabalhando, cuidando dos meus clientes, tentando cuidar de mim, tentando manter a cabeça ocupada, mas era impossível negar que, desde aquele encontro, algo dentro de mim havia mudado, ao que no meu íntimo não parecia justo, não parecia correto estar conversando ou permitindo o interesse de outra pessoa , enfim. Eu me sentia ainda muito ligada ao Jonny, e outra, eu estava grávida, pensar em qualquer tipo de relacionamento definitivamente não era o momento, mas eu não podia negar que gostava da atenção do William. Me fazia sentir menos sozinha, na verdade.Não era apenas gratidão pelo apoio que o doutor William tinha me dado naquele dia. Era uma sensação estranha de conforto quando lembrava do sorriso dele, da forma calma com que falava comigo, do jeito como conseguia me fazer respirar mais leve.Mesmo assim, eu dizia a mim mesma que era bobagem.Ele era meu médico
Quatro meses.Eu repetia esse número na minha cabeça como quem tenta se convencer de que é real. Quatro meses de um coração batendo dentro de mim, de uma vida crescendo silenciosamente, mesmo quando o meu mundo parecia tão barulhento por dentro.Naquele sábado, resolvi ir ao shopping. Eu e a Lene havíamos combinado,mas ela teve um imprevisto e acabei indo só. Só queria andar. Respirar. Sentir que ainda era capaz de fazer coisas simples, como qualquer outra mulher grávida que sorri para vitrines cheias de roupinhas minúsculas.Mas assim que entrei no shopping, meu peito apertou.Era como se cada loja tivesse um espelho apontado para aquilo que eu ainda não tinha: uma família completa, alguém ao meu lado segurando sacolas, escolhendo cores, discutindo se azul era melhor que amarelo.As pessoas passavam apressadas. Casais riam. Crianças puxavam os pais pela mão.E eu… eu estava sozinha.O cheiro de café, o cheiro de perfume caro, o brilho das luzes, as músicas baixas tocando ao fundo,
Cada mês que passava parecia pesar mais que o anterior.Não era só a barriga crescendo.Era o silêncio da casa, era o silêncio do telefone, o silêncio do Jonny.Era o fim do dia sem alguém para contar como eu estava, era pensar sobre o como teria sido diferente se eu estivesse com ele, o apoio, justamente durante este periodo da gravidez. Eu me sentia tão sozinha, tão perdida, e sim, eu tinha muita inveja quando mas consultas vía aqueles casais de mais dadas, o marido cuidando da esposa ao descer degraus, os olhares, os sorrisos e tudo mais.Tudo começou a se tornar angústia, o medo que vinha sem aviso quando eu deitava, a solidão daqueles momentos sem ter com quem contar. Claro, eu tinha a Lene, que era como uma irmã, mas quando você está grávida, você sente tanta falta de um companheiro ao seu lado... eu senti, sentia, muita falta. Eu continuava trabalhando, ocupando a mente.Minha agenda seguia cheia.Meus clientes não imaginavam o turbilhão que exist
Lene chegou pela manhã com aquele jeito dela de sempre, tentando parecer animada demais para esconder a preocupação. Bateu na porta duas vezes antes de entrar, como se tivesse medo de me assustar. — Pronta, futura mamãe? — disse, abrindo um sorriso largo. Eu sorri de volta, mas por dentro meu estômago estava em nós. Não era enjoo daquela vez. Era ansiedade. Três meses. Ainda parecia mentira dizer isso em voz alta. Peguei minha bolsa, conferi os documentos pela terceira vez e respirei fundo antes de sair do apartamento. Lene entrelaçou seu braço no meu, como se soubesse que eu precisava daquele apoio físico para não desabar. O caminho até a clínica foi silencioso no início. Observávamos as pessoas na rua vivendo suas rotinas normais, como se o mundo não tivesse mudado completamente para mim. Depois de alguns minutos, Lene apertou minha mão. — Vai dar tudo certo, Evelyn. Hoje você vai ver seu bebê. A palavra bebê ainda soava estranha. Real. Assustadora. Bonita. Quando chegamos,
As semanas passaram rápido demais desde que Jonny deixou o país. Havia dias em que eu mal conseguia sair da cama, e outros em que me ocupava tanto que fingia, por algumas horas, que ele nunca existiu. Mas à noite, quando o silêncio tomava conta do apartamento, era impossível não sentir o vazio que ele deixou.Eu ainda acordava esperando ouvir o celular vibrar com alguma mensagem dele. Ainda me pegava olhando para a porta, como se em algum momento ele fosse aparecer, mas isso nunca acontecia.O que continuava acontecendo era o dinheiro que caia toda semana na conta. No início achei que fosse algum erro do banco. Depois pensei que talvez fosse o último envio, algo automático. Mas as semanas foram passando, e os valores continuavam entrando na minha conta com a mesma regularidade de antes.Ele não tinha desaparecido completamente.Durante o tempo em que estivemos juntos, Jonny sempre insistia para que eu gastasse comigo, comprasse roupas, estudasse, me desse pequenos luxos. Mas eu nu










Último capítulo