Quando a verdade veio à tona, eu senti o chão desaparecer de verdade.
E não foi uma verdade dita de uma vez, numa frase definitiva, numa conversa honesta. Foram verdades despejadas em conta-gotas, diariamente, como um veneno lento. Cada dia eu descobria um detalhe novo, e cada detalhe me afastava mais da mulher que eu pensava ser.
Começou com aquela sala fechada no apartamento dele.
Jonny nunca me deixava entrar ali. Dizia que era escritório, que tinha assuntos de trabalho, papéis importantes. Eu aceitava, porque confiava nele mais do que confiava em mim. Até a noite em que a porta ficou entreaberta e eu vi as telas acesas.
Câmeras.
Muitas.
Imagens de lugares que eu reconhecia e de outros que eu nunca tinha visto. Ruas, corredores, estacionamentos, entradas de prédios. E no canto de uma das telas, com nitidez cruel, a fachada da casa noturna onde nos conhecemos.
Não era coincidência.
Nada na vida dele era coincidência.
Naquele dia fazia mais de um mês que Johnny não