CAPÍTULO 02

O elevador subia rápido demais para quem precisava de tempo.

Eu sentia o peso do silêncio entre nós, não como ausência, mas como algo cheio demais, carregado de coisas não ditas, de possibilidades perigosas.

Eu estava apavorada, Jorge foi meu primeiro namorado, nunca houve outra pessoa, e agora eu estava indo ao apartamento de um homem que eu não conhecia, para termos intimidade, sexo.

O reflexo no espelho devolvia uma mulher que eu mal reconhecia: olhos atentos, respiração curta, o coração batendo como se estivesse antecipando um erro.

Ele estava ao meu lado, imóvel, impecável. Havia algo nele que não precisava se impor para ser dominante. Apenas era.

Quando as portas se abriram, eu soube que nada naquela noite seria simples.

A cobertura se revelou diante de mim como um cenário cuidadosamente pensado para impressionar, e conseguiu.

O espaço era amplo, elegante, silencioso. O chão de mármore refletia a iluminação suave, e as paredes de vidro emolduravam a cidade como uma obra viva, pulsando luzes lá embaixo.

Eu avancei alguns passos, devagar, quase com receio de tocar em algo que claramente não me pertencia.

— Isso tudo… — comecei, mas a frase morreu antes de se formar por completo.

— É só um apartamento — ele respondeu, como se aquilo fosse comum.

Não era.

Não para mim.

Não era apenas luxo. Era controle. Era poder organizado em linhas retas, em escolhas precisas, em silêncio caro.

Tudo ali dizia que aquele homem não improvisava nada, nem a própria vida.

Ele tirou o paletó com calma, pendurando-o como se estivesse encerrando uma parte do dia. A camisa permanecia fechada, mangas longas, postura perfeita. Nada nele parecia fora do lugar. E talvez fosse isso que mais me impressionava.

Segui atrás dele quando atravessou o living e abriu uma porta de vidro escuro.

O quarto me fez parar.

Era grande, sofisticado, com uma cama que parecia ocupar o centro do mundo. Tons profundos, tecidos macios, luz baixa. Mas foi a área além que roubou meu fôlego: uma piscina privativa, parcialmente fechada por vidro, a água morna liberando vapor lento, criando um véu quase irreal.

O vapor subia suave, envolvendo tudo, transformando o espaço em algo íntimo demais para ser apenas um ambiente. Apertou um controle no balcão, uma música suave, voz feminina, doce....era no idioma dele, eu não entendia uma palavra além da melodia emotiva.

— Isso parece um cenário de novela — murmurei, sem conseguir conter.

Ele sorriu de lado.

— Talvez seja.

O silêncio voltou a se instalar entre nós. Não era confortável, mas também não era desconfortável. Era expectativa.

- De onde veio veio? Trabalhava onde antes de chegar alí?!

- Eu?! Uhmm. Não, nenhuma...

- Ele gargalhou, como se eu tivesse contado uma piada- A Mara disse que era teu primeiro dia?!- concordei.

Ele se aproximou, devagar. Quando tocou meu rosto, foi com o dorso dos dedos, um gesto leve demais para o efeito devastador que causou. Fechei os olhos antes mesmo de perceber.

O beijo veio contido, profundo, como se estivesse testando limites. Não havia pressa. Havia intenção. As mãos dele encontraram minha cintura, firmes, seguras, puxando-me um pouco mais para perto.

Meu corpo respondeu antes que minha mente pudesse interferir.

Ele me conduziu até a piscina, o vapor nos envolvendo como se o mundo tivesse sido deixado do lado de fora. Eu observei quando ele tirou a camisa — e foi ali que perdi o fôlego de verdade.

As costas dele eram cobertas por tatuagens que eu jamais imaginaria, um contraste com àquele homem, cheio de regras aí falar, se expressar ...Vi um dragão com pontas vermelhas que emergia das ondas, poderoso, em movimento, garras abertas, como se estivesse sempre prestes a avançar. Abaixo, uma carpa enfrentava a correnteza, firme, resiliente. Os traços eram precisos, as cores profundas. Arte viva gravada na pele.

E o mais impressionante: tudo aquilo desaparecia sob a camisa social. Invisível no dia a dia. Controlado. Oculto.

Passei os dedos pela pele dele, sentindo o relevo leve da tinta.

— Você esconde muita coisa — murmurei.

— Só o que precisa ser escondido — respondeu, sem se virar.

Entramos na piscina lentamente. A água morna envolveu meu corpo, dissolvendo qualquer resistência que ainda restava. Ele me puxou para perto, e o beijo voltou diferente, mais intenso, mais honesto.

A água se movia ao nosso redor em ondas suaves, marcando o ritmo da proximidade dos corpos. Cada toque parecia carregado de significado. Não era apenas desejo. Era tensão acumulada. Era curiosidade perigosa. Era algo que eu sabia que não deveria querer tanto.

Ele me encostou suavemente na borda da piscina. O corpo dele próximo demais, a respiração quente contra minha pele. Por um instante, ele parou. Encostou a testa na minha, como se estivesse me dando uma última chance de recuar.

— Se isso for longe demais… — começou.

Eu o calei com um beijo- era provocativo, para uma garota carente como eu, era um filme, uma cena de novela onde eu era a atriz principal e ele o galã, eu precisava daquela noite, como a terra precisava de chuva. Era um impulso me trazendo de volta a vida.

Eu não tinha certeza, mas meu corpo não queria parar

O que veio depois não foi feito de imagens explícitas, mas de sensações difíceis de esquecer. Toques firmes, mas cuidadosos. Silêncios preenchidos por respirações irregulares. Olhares que diziam mais do que qualquer promessa poderia dizer.

Quando deixamos a piscina, enrolados em toalhas macias, a cidade ainda brilhava do lado de fora, indiferente ao que havia acontecido ali dentro. Como se o mundo não soubesse — ou não se importasse — que algo tinha mudado.

Deitei-me na cama grande demais, observando o perfil dele à meia-luz. Havia algo quase doméstico em vê-lo ali, relaxado, humano. Um contraste perigoso com o homem que eu não sabia quem era.

Ele passou os dedos pelo meu cabelo, um gesto simples, inesperado.

— Quem é você?! — perguntou com uma curiosidade momentânea.

Não entendi a pergunta é o por quê,mas respondi, enquanto o peito dele se encostava sobre mim.

- Eu sou a Evelin kkk- eu disse meu nome... e você?! Perguntei rindo da pergunta que eu não compreendia o sentido

- Eu sou o Jonny. Simplesmente Jonny- e quero você outra vez...agora.

Fechei os olhos, sentindo o peso daquela noite se acomodar dentro de mim. Porque eu sabia — com uma clareza que assustava, que aquela não era apenas uma lembrança que eu guardaria. Apesar de todo o momento, o luxo, o beijo quente, redentor, eu era agora uma prostituta, ganhando algum dinheiro com o meu corpo, e isto era a verdade, o resto seria ilusão.

Era o tipo de coisa que cobra o preço depois.

E cobra caro.

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