Johnny não falou nada durante o trajeto. O carro deslizou pela cidade como se não pertencesse ao trânsito comum, e eu observava tudo pela janela, sentindo o peso da demissão ainda grudado ao peito. Era estranho estar ali, ao lado dele, depois de um dia em que tudo tinha dado errado. Estranho… e, de algum modo, reconfortante. Assim que entramos no prédio, ele segurou minha mão com firmeza. Não foi um gesto romântico no sentido clássico. Foi mais como um aviso silencioso: agora você está comigo. E eu fui. O apartamento dele — ou melhor, a agência, como ele chamava — tinha aquele ar impecável de quem controla tudo ao redor. Portas de vidro, iluminação suave, silêncio absoluto. Assim que a porta se fechou, senti a atmosfera mudar. Johnny tirou o telefone do bolso antes mesmo de me encarar. Ele atendeu. Falava em japonês, a voz baixa, firme, precisa. Eu não entendia uma única palavra, mas o tom… o tom dizia tudo. Ele não pedia nada. Ele determinava. Enquanto falava, caminhou lentamente
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