O elevador subia rápido demais para quem precisava de tempo. Eu sentia o peso do silêncio entre nós, não como ausência, mas como algo cheio demais, carregado de coisas não ditas, de possibilidades perigosas. Eu estava apavorada, Jorge foi meu primeiro namorado, nunca houve outra pessoa, e agora eu estava indo ao apartamento de um homem que eu não conhecia, para termos intimidade, sexo. O reflexo no espelho devolvia uma mulher que eu mal reconhecia: olhos atentos, respiração curta, o coração batendo como se estivesse antecipando um erro. Ele estava ao meu lado, imóvel, impecável. Havia algo nele que não precisava se impor para ser dominante. Apenas era. Quando as portas se abriram, eu soube que nada naquela noite seria simples. A cobertura se revelou diante de mim como um cenário cuidadosamente pensado para impressionar, e conseguiu. O espaço era amplo, elegante, silencioso. O chão de mármore refletia a iluminação suave, e as paredes de vidro emolduravam a cidade como uma obra v
Ler mais