O silêncio não é ausência.
É aviso.
Demorei meses para entender isso, mas agora compreendo: quando Johnny se calou, não foi porque deixou de se importar comigo. Foi porque algo maior do que nós dois entrou em cena. Algo que não admite explicações, nem despedidas, nem fraquezas.
Algo que observa.
Estamos separados há meses. Não sei exatamente quantos. O tempo deixou de ser um aliado desde que ele saiu da minha vida daquele jeito — seco, preciso, definitivo, como o golpe de uma lâmina que não precisa ser repetido. Jonny não discutiu. Não tentou negociar sentimentos. Apenas disse que aquilo tinha acabado e que eu precisava seguir em frente.
Seguir em frente, que eu havia trazido a confiança dele em ir àquela casa noturna procurar por ele.
Como se fosse possível seguir em frente depois de amar um homem que parece carregar o mundo inteiro nas costas — e algo ainda mais escuro nas mãos.
Ele nunca mais falou comigo.
Nem uma ligação.
Nem uma mensagem.
Nem um bilhete.
Mas