Eu já não chamava aquele lugar de casa.
O apartamento estava em estado de despedida: caixas fechadas, móveis cobertos, gavetas vazias demais para quem ainda dormia ali.
Tudo cheirava a fim. Talvez fosse isso que eu estivesse tentando fazer, dar um jeito definitivo a algo que já tinha acabado há meses.
Enterrar de vez o que vivi com ele, em nome do pouco amor próprio que ainda me restava. Outro lugar, outra casa, outra vida, vida normal, um chopp na sexta feira, um cinema, voltar aos estudos, passar horas na livraria, entre cafés e livros.... comecei a ansear por estas coisas simples as quais a gente só sente falta quando não tem. Eu já não o amava mais? Amava, mas estava convencida que já era hora de deixar de esperar por alguém que não voltaria.
Jonny tinha ido embora sem bater portas. Sem explicações longas. Sem promessas. Terminou comigo como se encerrasse um acordo silencioso, desses que não admitem réplica. Continuou pagando as contas, como se dinheiro fosse uma forma ace