Mundo ficciónIniciar sesiónEla achou que estava enfrentando o homem que arruinou sua vida. Mas Jade Oliveira bateu no portão errado… e caiu direto nos braços do homem mais poderoso — e perigoso — da cidade. Guilherme Vanelli não perdoa erros. Mas quando uma desconhecida ousada o desafia, ele enxerga além da fúria: ele vê uma tentação. Agora, presa a um trabalho/contrato que nunca quis, Jade é lançada em um mundo de segredos, luxos e um desejo perigoso. Cada olhar incendeia mais, cada confronto os aproxima, até que se render parece inevitável. Mas no mundo de Guilherme um único passo em falso pode custar tudo, será Jade capaz de superar todo o passado?
Leer másSe Jade soubesse quem estava do outro lado do portão, teria engolido o ódio e ido embora, mas, como ela não sabia...
— É aqui — Jade Oliveira murmura para si mesma, tentando transformar a própria voz em coragem ao parar diante do portão.
Alto demais para quem está com raiva.
Ela aperta a alça da bolsa no ombro, sentindo o couro frio contra a palma suada da mão. O ferro preto, pesado, ostenta arabescos dourados que brilham mesmo sob o céu nublado. No topo, câmeras de vigilância a acompanham como olhos de águia.
Jade b**e uma vez contra as grades do portão.
Nada acontece.
Ela b**e de novo. Mais forte.
— Ei! — Grita, a voz atravessando o frio da manhã. — Tem alguém aí?
O coração martela no peito, não de medo, mas de urgência. Sequer se deu tempo de pensar direito sobre o que tinha que fazer, apenas sabia que tinha que fazer algo. O celular no bolso vibra como um lembrete cruel de que o mundo não vai esperar ela se recompor.
Uma terceira batida.
É quando ele aparece.
Vem do fundo do jardim, caminhando com a calma de quem não precisa se preocupar com nada. Terno escuro, postura impecável, celular colado ao ouvido. Cada passo é medido, preciso. O cabelo castanho-escuro está penteado para trás, exceto por uma mecha rebelde que cai sobre a testa. Ele a afasta com um gesto automático, quase irritado com a própria imperfeição.
Tudo nele lembra a rigidez necessária em um segurança particular.
— …resolva isso hoje. — o homem diz ao telefone, a voz baixa, carregada de autoridade.
Jade se aproxima ainda mais do portão, ignorando o nó estranho que se forma no estômago. Não é hora de arrependimentos.
— Ei, você aí! — Grita. — Ô do terno!
O homem para.
Lentamente, vira-se para ela, como se não acreditasse que alguém realmente havia ousado gritar daquela forma com ele. Os olhos azuis a analisam de cima a baixo sem pressa, como se estivesse decidindo se ela merece ser respondida.
Jade odeia aquele olhar no mesmo instante.
Ele encerra a ligação e guarda o celular no bolso.
— O que quer, donna? — Pergunta, enquanto enfia ambas as mãos enluvadas nos bolsos da calça de linho.
— Quero falar com o seu chefe. — Jade dispara, erguendo o queixo. Apesar de estar a vários passos de distância, sente a diferença de altura, mas não recua. — Agora.
O canto da boca dele se move quase imperceptivelmente. Não chega a ser um sorriso. Os olhos dele varrem cada centímetro do corpo de Jade, fazendo-a se sentir como um inseto exótico em exibição.
— Por que tá me olhando assim, com essa cara de taxo? — Jade se exalta, batendo de novo no ferro. — Vai logo chamar seu patrão!
— Vattene, donna!
Aquilo é o estopim.
— Ir embora é o caralho! — Jade b**e a mão no portão novamente, a vibração do ferro sobe pelos dedos dela. A raiva também. — Não arredo o pé daqui até falar com o maldito do seu chefe, puttano! — Ela semicerra os olhos, mantendo o queixo bem erguido.
— Este é meu último aviso, donna, vá…
— Vá à merda com seus avisos, seu segurançazinho! — Ela rebate, a voz tremendo de raiva e frustração. — Quero falar com chefe, agora!
O homem dá um passo à frente.
Apenas um.
O suficiente para deixar claro o tamanho da diferença entre eles. Ele inclina a cabeça de leve, olhando-a de cima, e, por um instante, o ar fica mais denso, pesado; Jade tem a sensação de estar correndo perigo.
Recue. — Sua consciência grita.
Não mesmo! Tarde demais! — Rebate mentalmente.
— Vai chamar ou não vai? — Jade rosna entre dentes.
— Ragazza…
— Não me chama assim! — Ela interrompe, o corpo vibrando. — Seu segurançazinho metido a besta, só porque tem seu emprego tá se achando melhor do que eu?
— Do que...
— Você sabe o que é acordar e descobrir que não tem mais emprego? — Jade despeja, sem freio. — Ter uma criança doente para sustentar? Ver um bilionário mimado mandar explodir uma empresa porque a mulherzinha dele não queria concorrência?
O silêncio cai como um bloco.
Dois homens surgem mais afastados no jardim, atentos. Jade percebe, revira os olhos. Já foi longe demais para recuar.
— É sério isso? Precisa de reforço? — Ela respira fundo. — Vai, chama logo a porra do seu chefe. Não vou me demorar.
Os olhos azuis escurecem.
— Você não sabe onde está se metendo.
— Sei sim. — Jade rebate, rindo sem humor. — Tô no quintal de mais um rico covarde que acha que dinheiro compra tudo, batendo boca com um subordinado que também se acha demais.
Ele se aproxima do portão.
Agora está perto o suficiente para que ela sinta o perfume caro, discreto, nada doce. Jade engole seco, mas força seu corpo a permanecer como está.
— Seu chefe é um lixo! — ela dispara, cuspindo cada palavra. — Um parasita! Um desgraçado que fodeu com a vida de centenas de pessoas! Quero que ele tome bem no meio do cu!
O vento passa entre eles.
Por um segundo, o alívio que Jade pensou que sentiria ao pôr esses pensamentos para fora, não vem. Muito pelo contrário, a sensação de perigo dentro dela apenas cresce, fazendo-a quase se arrepender das palavras.
— Termine — o segurança diz, baixo.
— Quero falar com o dono dessa casa, agora! — Jade grita, tentando se manter corajosa.
Novamente ele a olha de cima a baixo.
— Está falando.
O mundo dá um tranco.
— Como é? — Jade pisca.
— O chefe deste território sou eu.
— Q-quê?...
A boca de Jade abre, ficando seca por alguns segundos, o coração falha uma batida.
O escritório da propriedade em Milão de Guilherme Vanelli está silencioso, iluminado apenas pelo brilho frio da tela do computador. Ele se recosta na cadeira de couro, removendo as luvas de suas mãos, e com um leve tamborilar de seu indicador contra a mesa de vidro a imagem da ragazza vem novamente em sua mente, deixando-o ansioso.A pele sensível é acariciada pelo ar frio do ar-condicionado, dando a ele a sensação de alívio por se ver livre do couro; os olhos de Guilherme vagam pelos jardins do outro lado da parede de vidro, os vários tipos de flores sendo iluminados pelas luzes fluorescente, contrastando com o céu escuro da noite. Guilherme abre novamente a pasta com as fotos de Jade, cada clique de câmera captura a beleza natural dela, diferente das mulheres que sempre entram em seu caminho. Ela não é montada, havia nascido bonita, natural. Seus olhos vagueiam pelas fotos de ela andando na rua.Guilherme inclina para frente, observando mais de perto o lindo sorriso que a donna dá
— Agora a escolha é sua, por bem ou por mal.Jade engole em seco.A raiva ainda está ali, mas já não é pura. Ela se mistura com algo mais urgente. Mais perigoso.Desespero.— Você chegou perto delas? — O encara com olhos semicerrados, como se pudesse atravessa-lo. — Ainda não. — Guilherme responde, sem emoção.Jade levanta os olhos devagar. Eles ardem.— Você é doente. — Ela diz entre dentes.Guilherme se recosta na cadeira, o couro rangendo suavemente sob seu peso.— Vou adorar corrigir esses seu mau comportamento.O silêncio pesa. O escritório parece menor. O ar mais denso. Jade precisa se forçar a respirar devagar, puxando o ar pelo nariz, soltando pela boca.— Se você encostar nelas… — a voz de Jade treme, mas ela continua. — Se você fizer qualquer coisa com a minha filha...Guilherme a interrompe com uma calmaria cruel:— Eu não preciso encostar nelas para destruir você.Jade fecha os olhos por um segundo, como se isso pudesse apagar a imagem das fotos.Quando os abre, a voz sai
— O senhor está achando que eu sou o quê? Algum tipo de puta barata que roda a bolsinha na esquina? — Assim que ela termina, o gosto é amargo, ácido, como se aquelas sílabas tivessem aberto uma porta que ela mantém trancada há anos. Memórias que ela havia enterrado fundo o bastante para fingir que nunca existiram. Coisas que doem mesmo quando não são tocadas.A cadeira sob ela parece dura demais, o ar ficou ainda mais frio, opressor, seus olhos crivam nos dele demonstrando toda a sua indignação, mesmo que por dentro a ferida que ela achou está fechada ter sido cutucada e as lágrimas queiram sair.Mas ela não deixa.Guilherme não responde. Não nega e nem confirma as palavras de Jade, ele simplesmente deixa que o silencio se instale entre eles.Denso e pesado.Ele não se move, sequer fala ou muda sua expressão, e isso é pior do que qualquer coisa que ele pudesse ter dito.Jade permanece sentada, os dedos crispados no tecido da própria calça, sentindo o coração bater forte demais dentro
— Nos encontramos de novo. — A voz de Guilherme ecoa, quebrando o silencio em seu escritório.— Não foi possível recusar o seu convite. — Jade morde a língua, se arrependendo no mesmo instante. — Senhor. — Ela suspira. — Olha, você me sequestrou, e isso e crime.Jade permanece de pé, os braços colados ao corpo, tentando não demonstrar o tremor que insiste em se espalhar pelos dedos. O ar parece mais denso ali dentro, difícil de puxar, difícil de soltar. O ar-condicionado morde a pele dos braços, mas é a calma daquele homem que faz o frio parecer mais profundo, observando-a como se fosse um animal raro que acabará de ser aprisionado numa jaula.O canto da boca dele se move cerca de apenas um milímetro, quase impossível de se notar se piscasse.— Vamos fazer o seguinte. — Jade continua, esforçando-se para manter o controle da situação e de si mesma. — Você me deixa voltar para minha casa e eu finjo que nada aconteceu, que eu passei a manhã toda entregando currículos, tá bom para você, n










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