Mundo ficciónIniciar sesión— Nos encontramos de novo. — A voz de Guilherme ecoa, quebrando o silencio em seu escritório.
— Não foi possível recusar o seu convite. — Jade morde a língua, se arrependendo no mesmo instante. — Senhor. — Ela suspira. — Olha, você me sequestrou, e isso e crime.
Jade permanece de pé, os braços colados ao corpo, tentando não demonstrar o tremor que insiste em se espalhar pelos dedos. O ar parece mais denso ali dentro, difícil de puxar, difícil de soltar. O ar-condicionado morde a pele dos braços, mas é a calma daquele homem que faz o frio parecer mais profundo, observando-a como se fosse um animal raro que acabará de ser aprisionado numa jaula.
O canto da boca dele se move cerca de apenas um milímetro, quase impossível de se notar se piscasse.
— Vamos fazer o seguinte. — Jade continua, esforçando-se para manter o controle da situação e de si mesma. — Você me deixa voltar para minha casa e eu finjo que nada aconteceu, que eu passei a manhã toda entregando currículos, tá bom para você, né?
Nenhuma resposta.
Os únicos sons que preenchem o ambiente é o tamborilar lendo dos dedos sobre a mesa e da respiração vacilante que denuncia o quanto ela está tentando parecer firme.
— Senhor? — Jade insiste.
— Don.
Jade franze o cenho.
— Que?
— Don Vanelli.
O nome cai sobre Jade como uma bomba. O coração perde um compasso.
Vanelli...
Guilherme Vanelli...
Don Guilherme Vanelli! — Seu subconsciente repete sussurrando, como se fosse algo totalmente proibido. Um calafrio desce pela espinha de Jade, fazendo-a petrificar no lugar.
Merda... — Ela grita em seu interior, todo o seu corpo ficando ainda mais tenso do que antes.
Corre, Jade. CORRE! — A ordem mental chega, mas seus pés continuam travados no chão, como se estivessem colados. — Correr para onde, porra!
Cada parte de seu celebro grita, implora para que o corpo se mova, para que fuja custe o que custar. Mas nenhum musculo responde. O nome Vanelli não era apenas um sobrenome.
É uma sentença.
Guilherme inclina levemente a cabeça, os cantos da boca quase arqueando, dando-se conta de que a pequena ragazza realmente não fazia ideia de quem ele era.
Azar o dela.
— Sente-se. — Ele diz, por fim.
Não é um pedido.
Jade hesita apenas um segundo. Olha ao redor, avalia a distância até a porta fechada, o espaço entre ela e a mesa. Nenhuma opção é boa.
— Eu… — a voz falha. Ela limpa a garganta e tenta de novo. — Eu já pedi desculpas, Don Vanelli. Não tem motivo pra isso.
Os olhos de Guilherme não mudam, continuam ainda mais frios do que Jade se lembrava, deixando rastro de formigamentos por todo o seu rosto.
— Você não estaria aqui se eu não tivesse um motivo para você. Agora, sente-se.
O estômago de Jade despenca, a mão esquerda dele continua tamborilando a mesa. Um toque... outro.... e outro, como um relógio contanto os segundos para algo inevitável.
Ela sente o impulso de dar um passo para trás, mas não dá. A porta atrás dela continua fechada. E mesmo se estivesse aberta… ela sabe que não sairia.
Jade respira fundo e coloca sua mascara de mulher guerreira e orgulhosa, permitindo que sua raiva volte, pois isso é a única coisa que consegue impedir o pânico de engoli-la por completo.
— O que você quer de mim?
A pergunta paira no ar, o esforço de Jade para não tremer a voz evidente.
Guilherme se levanta e se aproxima de Jade, ela prende a respiração, tremendo na base, quase deixando sua máscara cair.
Jade sente um frio intenso no pé de sua barriga, afinal, este homem é alto demais, onde a cabeça dela mal chega em no ombro dele, ereto demais, sério demais, perigoso demais. A sala parece diminuir a cada passo que ele dá.
Encurralando-a.
Aprisionando-a.
Submetendo-a.
Guilherme puxa a cadeira na frente de sua mesa para Jade com tranquilidade, como um educado cavalheiro.
— Senta.
Jade não se move.
Os olhos dele escurecem e ela sente um novo arrepio no corpo.
— Senta.
Ela obedece.
— O que você quer de mim? — Jade repete, agora com a voz falhando. — Diga logo...
Guilherme volta para o seu lugar, os olhos fincados na sua presa.
Presa.
É assim que Jade se sente diante o olhar dele, e é assim que ele a enxergar.
Uma presa fácil.
Um alvo.
Uma posse.
— Quero você. — Fala de forma direta, sem adorno, sem vergonha.
O mundo parece inclinar, a cor do rosto de Jade some, deixando sua pele parda quase branca.
— Co-como assim? O-olha, eu... não precisa me matar... meu corpo não vale nada e...
— Não quero o seu cadáver, donna. — Guilherme a interrompe. — Eu quero seu corpo bem vivo e quente, incendiando a minha cama até que eu me canse completamente de você.
Jade pisca, sem entender, e então entende tudo de uma vez. O rosto esquenta, o estômago revira, e uma onda de humilhação sobe pelo peito como ácido.
A vergonha vira raiva.
— Seu filho da... — Ela morde o lábio, impedindo sua boca de continuar com o xingamento.
Você não está lidando com um qualquer, Jadeline! — Seu subconsciente a alerta, fazendo-a engolir seco.
— O senhor está achando que eu sou o quê? — Ela cospe. — Algum tipo de puta barata que roda a bolsinha na esquina?







