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Capítulo 7: A Presa do Don

— Nos encontramos de novo. — A voz de Guilherme ecoa, quebrando o silencio em seu escritório.

— Não foi possível recusar o seu convite. — Jade morde a língua, se arrependendo no mesmo instante. — Senhor. — Ela suspira. — Olha, você me sequestrou, e isso e crime.

Jade permanece de pé, os braços colados ao corpo, tentando não demonstrar o tremor que insiste em se espalhar pelos dedos. O ar parece mais denso ali dentro, difícil de puxar, difícil de soltar. O ar-condicionado morde a pele dos braços, mas é a calma daquele homem que faz o frio parecer mais profundo, observando-a como se fosse um animal raro que acabará de ser aprisionado numa jaula.

O canto da boca dele se move cerca de apenas um milímetro, quase impossível de se notar se piscasse.

— Vamos fazer o seguinte. — Jade continua, esforçando-se para manter o controle da situação e de si mesma. — Você me deixa voltar para minha casa e eu finjo que nada aconteceu, que eu passei a manhã toda entregando currículos, tá bom para você, né?

Nenhuma resposta.

Os únicos sons que preenchem o ambiente é o tamborilar lendo dos dedos sobre a mesa e da respiração vacilante que denuncia o quanto ela está tentando parecer firme.

— Senhor? — Jade insiste.

— Don.

Jade franze o cenho.

— Que?

— Don Vanelli.

O nome cai sobre Jade como uma bomba. O coração perde um compasso.

Vanelli...

Guilherme Vanelli...

Don Guilherme Vanelli! — Seu subconsciente repete sussurrando, como se fosse algo totalmente proibido. Um calafrio desce pela espinha de Jade, fazendo-a petrificar no lugar.

Merda... — Ela grita em seu interior, todo o seu corpo ficando ainda mais tenso do que antes.

Corre, Jade. CORRE! — A ordem mental chega, mas seus pés continuam travados no chão, como se estivessem colados. — Correr para onde, porra!

Cada parte de seu celebro grita, implora para que o corpo se mova, para que fuja custe o que custar. Mas nenhum musculo responde. O nome Vanelli não era apenas um sobrenome.

É uma sentença.

Guilherme inclina levemente a cabeça, os cantos da boca quase arqueando, dando-se conta de que a pequena ragazza realmente não fazia ideia de quem ele era.

Azar o dela.

— Sente-se. — Ele diz, por fim.

Não é um pedido.

Jade hesita apenas um segundo. Olha ao redor, avalia a distância até a porta fechada, o espaço entre ela e a mesa. Nenhuma opção é boa.

— Eu… — a voz falha. Ela limpa a garganta e tenta de novo. — Eu já pedi desculpas, Don Vanelli. Não tem motivo pra isso.

Os olhos de Guilherme não mudam, continuam ainda mais frios do que Jade se lembrava, deixando rastro de formigamentos por todo o seu rosto.

— Você não estaria aqui se eu não tivesse um motivo para você. Agora, sente-se.

O estômago de Jade despenca, a mão esquerda dele continua tamborilando a mesa. Um toque... outro.... e outro, como um relógio contanto os segundos para algo inevitável.

Ela sente o impulso de dar um passo para trás, mas não dá. A porta atrás dela continua fechada. E mesmo se estivesse aberta… ela sabe que não sairia.

Jade respira fundo e coloca sua mascara de mulher guerreira e orgulhosa, permitindo que sua raiva volte, pois isso é a única coisa que consegue impedir o pânico de engoli-la por completo.

— O que você quer de mim?

A pergunta paira no ar, o esforço de Jade para não tremer a voz evidente.

Guilherme se levanta e se aproxima de Jade, ela prende a respiração, tremendo na base, quase deixando sua máscara cair.

Jade sente um frio intenso no pé de sua barriga, afinal, este homem é alto demais, onde a cabeça dela mal chega em no ombro dele, ereto demais, sério demais, perigoso demais. A sala parece diminuir a cada passo que ele dá.

Encurralando-a.

Aprisionando-a.

Submetendo-a.

Guilherme puxa a cadeira na frente de sua mesa para Jade com tranquilidade, como um educado cavalheiro.

— Senta.

Jade não se move.

Os olhos dele escurecem e ela sente um novo arrepio no corpo.

— Senta.

Ela obedece.

— O que você quer de mim? — Jade repete, agora com a voz falhando. — Diga logo...

Guilherme volta para o seu lugar, os olhos fincados na sua presa.

Presa.

É assim que Jade se sente diante o olhar dele, e é assim que ele a enxergar.

Uma presa fácil.

Um alvo.

Uma posse.

— Quero você. — Fala de forma direta, sem adorno, sem vergonha.

O mundo parece inclinar, a cor do rosto de Jade some, deixando sua pele parda quase branca.

— Co-como assim? O-olha, eu... não precisa me matar... meu corpo não vale nada e...

— Não quero o seu cadáver, donna. — Guilherme a interrompe. — Eu quero seu corpo bem vivo e quente, incendiando a minha cama até que eu me canse completamente de você.

Jade pisca, sem entender, e então entende tudo de uma vez. O rosto esquenta, o estômago revira, e uma onda de humilhação sobe pelo peito como ácido.

A vergonha vira raiva.

— Seu filho da... — Ela morde o lábio, impedindo sua boca de continuar com o xingamento.

Você não está lidando com um qualquer, Jadeline! — Seu subconsciente a alerta, fazendo-a engolir seco.

— O senhor está achando que eu sou o quê? — Ela cospe. — Algum tipo de puta barata que roda a bolsinha na esquina?

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