Mundo de ficçãoIniciar sessãoSinopse Ele era o jogador mais desejado da Europa. Ela, uma escritora que aprendeu a viver sozinha. Rafa Monti construiu sua carreira com disciplina, talento e uma regra clara: nunca se envolver emocionalmente. Famoso, milionário e constantemente nos holofotes, ele vive um relacionamento instável com uma influenciadora que parece perfeita aos olhos da mídia… mas que esconde muito mais do que aparenta. Eliza Vasconcelos deixou o Brasil após perder os pais e recomeçou do zero em Madri. Discreta, inteligente e apaixonada por livros, ela construiu sua vida longe de escândalos, dividindo seus dias entre o trabalho como jornalista e o sonho de se tornar uma grande escritora. Tudo muda quando seus caminhos se cruzam. O que começa com olhares intensos e provocações se transforma em uma única noite… e em uma consequência impossível de ignorar. Grávida e sozinha, Eliza decide seguir sua vida sem depender de ninguém. Mas quando a verdade vem à tona, o nome de Rafa Monti se torna o centro de um escândalo que pode destruir sua imagem — justamente no momento mais importante de sua carreira. Entre orgulho, desconfiança e sentimentos que nenhum dos dois esperava, eles serão obrigados a enfrentar algo muito maior do que fama ou dinheiro. Porque alguns jogos não podem ser vencidos com talento. E, dessa vez, Rafa Monti pode estar prestes a perder o mais importante de todos.
Ler maisCapítulo 1 — Eliza Vasconcelos
Acordar cedo sempre foi a minha parte favorita do dia. Existe algo no silêncio da manhã que me acalma de um jeito que nada mais consegue. Como se, por alguns minutos, o mundo ainda não tivesse acordado… e eu pudesse simplesmente existir, sem pressa, sem cobrança. Abro os olhos devagar, sentindo a luz suave atravessar as cortinas do meu quarto. Fico alguns segundos deitada, observando o teto, deixando minha respiração se ajustar ao ritmo tranquilo daquele momento. Mais um dia. Mais uma chance. Mais um passo. Levanto sem pressa, apoiando os pés no chão frio, que imediatamente me desperta. Caminho até o banheiro, ainda em silêncio, e ligo o chuveiro. A água quente começa a cair, preenchendo o espaço com vapor, enquanto eu deixo o corpo relaxar. Fecho os olhos por alguns segundos. Eu gosto disso. Desses pequenos momentos que são só meus. Sem ninguém. Sem interferências. Sem lembranças que insistem em machucar. Depois do banho, escovo os dentes, penteio os cabelos — que naturalmente ficam levemente ondulados — e prendo em um rabo de cavalo alto. Escolho minhas roupas de corrida com cuidado, como sempre faço. Legging preta, top confortável e um casaco leve. Simples. Mas do jeito que eu gosto. Meu nome é Eliza Vasconcelos. Tenho vinte e seis anos. Sou brasileira. E moro em Madri há três anos. Três anos desde que deixei tudo para trás. Ou melhor… desde que a vida levou tudo de mim. Meus pais faleceram. Ainda é estranho pensar nisso. Ainda dói. Mas eu aprendi, com o tempo, que algumas dores não desaparecem… elas apenas se tornam silenciosas. E foi depois disso que o Brasil deixou de ser lar. Não havia mais casa. Não havia mais para onde voltar. Então eu fiz o que parecia impossível: vendi tudo o que tinha, reuni toda a coragem que ainda existia dentro de mim… e vim para a Europa. Sozinha. Sem garantias. Sem ninguém. Mas com um sonho. Ser escritora. Saio do apartamento, trancando a porta atrás de mim, e sigo pelo corredor silencioso até o elevador. Meu reflexo aparece no espelho: uma mulher comum, com uma vida organizada… e sentimentos que eu aprendi a esconder muito bem. Desço até o térreo e, assim que as portas se abrem, o ar fresco da manhã me envolve. E eu sorrio. Sempre sorrio. Meu apartamento fica em um dos lugares mais bonitos de Madri. De frente para um lago. Um lago amplo, tranquilo, cercado por árvores e por uma pista perfeita para caminhada e corrida. Cisnes deslizam pela água com uma elegância quase hipnotizante. Gansos caminham pela grama, completamente despreocupados. É calmo. É bonito. É meu. Comprei esse apartamento com a herança dos meus pais… e com muito esforço também. Cada detalhe aqui carrega um pedaço da minha história. Coloco os fones de ouvido, escolho uma música leve e começo a correr. O ritmo vem naturalmente. Passo após passo. Respiração controlada. Coração batendo no tempo certo. Correr me faz sentir livre. Como se, por alguns minutos, eu pudesse deixar tudo para trás. A saudade. A dor. A solidão. Dou a primeira volta no lago. Depois a segunda. E, como sempre acontece, meus olhos encontram o lugar que faz parte da minha rotina tanto quanto a corrida. A pequena cafeteria na esquina. Sorrio sozinha. Depois da corrida, aquele é sempre o meu destino. Porque, se tem algo que eu amo tanto quanto escrever… É café. Café quente, forte, do jeito certo. Diminuo o ritmo aos poucos até parar completamente. Levo as mãos à cintura, respirando fundo, sentindo o corpo aquecer e a mente clarear. Olho ao redor. Pessoas caminhando. Outras correndo. Algumas conversando baixo. Tudo em perfeita harmonia. E, por um instante… Eu me sinto em paz. Sigo até a cafeteria, já conhecida por mim, e entro. O aroma de café fresco me envolve imediatamente, trazendo uma sensação quase automática de conforto. — O de sempre? — a atendente pergunta, sorrindo. — Por favor — respondo, retribuindo o sorriso. Pego meu café e me sento perto da janela, observando o movimento do lado de fora. Gosto de ficar ali por alguns minutos, organizando meus pensamentos antes de começar o dia de verdade. Minha vida pode parecer simples. E, de certa forma, é. Mas eu lutei muito para construir cada parte dela. Há dois anos, comecei a trabalhar em um portal de imprensa aqui em Madri. No início, tudo era feito de casa. Eu escrevia matérias, revisava textos, organizava conteúdos. Era seguro. Controlado. Previsível. Mas, recentemente, isso mudou. Fui promovida. Agora eu saio. Cubro eventos. Entrevisto pessoas. E, entre elas… Jogadores de futebol. Solto um pequeno suspiro, levando a xícara aos lábios. Nunca foi exatamente o tipo de ambiente que eu imaginei para mim. Muito barulho. Muita exposição. Muita gente fingindo ser o que não é. Mas é uma oportunidade. E eu não posso desperdiçar. Termino meu café, me levantando logo em seguida. Ainda preciso voltar para casa, tomar um banho rápido e me arrumar para o trabalho. O dia está só começando. E, de alguma forma, eu sinto… Que ele não vai ser como os outros. Saio da cafeteria e volto caminhando devagar em direção ao meu prédio. O lago continua tranquilo, como se nada fosse mudar. Como se tudo estivesse exatamente onde deveria estar. Mas a vida… Ela sempre encontra um jeito de surpreender. E, às vezes… Ela muda tudo quando a gente menos esperaCapítulo 74 — Eliza VasconcelosAssim que a porta se fecha atrás de Rafa…O apartamento inteiro fica silencioso outra vez.Mas não um silêncio vazio.Muito pelo contrário.Parece que a presença dele ainda ficou ali.No cheiro do perfume masculino misturado ao meu.Na taça esquecida sobre a mesa.No corredor.No ar.Meu coração continua acelerado enquanto permaneço alguns segundos parada encostada na porta.Meu Deus.O que foi essa noite?Fecho os olhos lentamente soltando o ar preso nos pulmões.E imediatamente lembro do abraço.Do jeito que ele me segurou.Calmo.Quente.Como se realmente não quisesse ir embora.Abro os olhos rapidamente antes que minha cabeça comece a fantasiar demais.Perigoso.Muito perigoso.Levo a mão até o rosto sentindo minhas bochechas ainda quentes enquanto caminho direto pro quarto.E a primeira coisa que faço?Pegar o celular.Claro.Porque eu precisava desesperadamente contar aquilo pra alguém antes de explodir.Me jogo sentada na cama ainda abraçando uma
Capítulo 73 — Rafa MontiQuando Eliza volta pro corredor…Eu quase esqueço o que tava pensando.Porque ela reaparece diferente.Ainda linda pra caralho.Mas diferente.O vestido preto continua desenhando o corpo dela inteiro daquele jeito absurdo.O cabelo continua ondulado.A maquiagem ainda impecável.Mas agora ela tá usando um chinelo peludinho ridiculamente fofo.E aquilo me quebra completamente.Começo a rir na mesma hora.Ela fecha os olhos dramaticamente.— Não fala nada.Continuo rindo enquanto volto pra sala junto com ela.— Tu tava toda femme fatale e agora parece uma princesa cansada de condomínio.Ela aponta pra mim indignada enquanto se joga novamente na poltrona.— Eu precisava salvar meus pés.— Guerreirinha.— Você quer colocar salto fino por cinco horas?Dou uma risada baixa me sentando outra vez.— Prefiro continuar milionário e confortável.Ela revira os olhos imediatamente.— Arrogante.— Realista.O silêncio leve volta pro apartamento enquanto ela ajeita o vestido
Capítulo 72 — Eliza VasconcelosMeu coração estava completamente fora de controle.Completamente.Assim que Rafa se afastou devagar pelo corredor, ainda com aquele sorriso baixo e perigoso no rosto, eu precisei respirar fundo antes mesmo de entrar no quarto.Porque minhas pernas estavam literalmente fracas.Meu Deus.Fechei a porta atrás de mim lentamente e encostei nela por alguns segundos.Tentando entender o que tinha acabado de acontecer.Ou pior…Tentando entender por que eu queria tanto que tivesse acontecido mais.Levei os dedos até o rosto ainda sentindo o beijo suave que ele deixou na minha pele.E aquilo foi ridículo.Ridiculamente íntimo.Porque ele nem tinha me beijado de verdade.Mas o jeito que me segurou…O jeito que olhou pra mim…A mão deslizando pelas minhas costas…Meu Deus.Fazia muito tempo.Muito tempo mesmo que eu não sentia desejo daquele jeito por alguém.Desejo de verdade.Não admiração.Não carinho.Desejo.Aquele frio no estômago.A tensão no corpo inteiro.
Capítulo 71 — Rafa MontiEu ainda tô parado no corredor olhando o quarto dela quando escuto os passos se aproximando.Rápidos.Desajeitados.E antes mesmo de virar completamente…Ela aparece.Literalmente entrando na minha frente de uma vez.— Rafa, eu preciso—A frase morre no meio.Porque ela praticamente bate no meu peito.Automaticamente seguro a cintura dela antes que se desequilibre no salto.E então tudo fica perigosamente perto.Muito perto.Meu corpo inteiro trava por meio segundo enquanto Eliza levanta lentamente o rosto pra mim.Caralho.Os olhos escuros dela estão brilhando levemente por causa do vinho.As bochechas coradas.O cabelo preto ondulado caindo pelos ombros nus.E aquele vestido…Porra.O vestido colado no corpo dela daquele jeito deveria ser crime.As costas nuas.A cintura pequena exatamente debaixo das minhas mãos agora.O cheiro doce do perfume dela misturado ao ar quente do corredor pequeno.Meu coração bate pesado.Forte.Ela também parece perceber a proxi





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