A porta se fecha atrás de Jade com um baque mais forte do que ela pretendia.O barulho ecoa pela casa pequena e silenciosa, e por um segundo ela fica parada, a mão ainda apoiada na maçaneta, o peito subindo e descendo rápido demais. O corpo inteiro parece vibrar, como se ainda estivesse na outra cidade, diante daquele portão alto demais, frio demais, perigoso demais.— Jade! — Larissa Oliveira, a irmã caçula, surge na sala quase no mesmo instante, por pouco não tropeça no pequeno tapete felpudo. — O que aconteceu? Ele te maltratou, não foi? Eu sabia, aquele desgraçado…— Ei, nada de xingar. — Jade corta, jogando a bolsa no sofá sem cuidado algum.Ela atravessa o quarto-sala em passos largos. Não tira o sapato, não fecha a janela, não liga para nada além da vontade urgente de desaparecer. Cai de bruços, o rosto afundando no travesseiro, como se aquilo pudesse apagar o dia inteiro.Larissa fica parada por um instante, observando. Morde o lábio inferior, irritada. Odeia quando Jade fala
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