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Capítulo 3: Ninguém Trai o Don

— Don Vanelli.

Gianni Baresi para alguns passos atrás do Don, discreto como uma sombra treinada para existir apenas quando necessário, um perfeito Consigliere.

— Já está tudo pronto, don. — Gianni reporta.

Com um aceno de cabeça, Guilherme segue em direção ao galpão, as mãos retornam aos bolsos da calça. A expressão permanece impassível, escondendo o turbilhão silencioso que se move por trás daqueles olhos.

O cheiro metálico no ar denuncia o que aconteceu ali. O chão de cimento está manchado com sangue novo, o alvo da investigação, ainda vivo, está amarrado a uma cadeira no centro do galpão. Rosto inchado, um dos olhos completamente fechados pelo hematoma, cada respiração um esforço, e toda essa cena tendo como trilha sonora os gemidos de dor que saem com dificuldade.

Guilherme se aproxima novamente com passos lentos, o eco pesado de suas solas ressoando pelo espaço vazio. Cada batida é uma sentença, aprofundando o desespero do homem à sua frente.

— Pronto para me dar as respostas? — Pergunta, a voz firme, sem pressa.

O homem, um dos capos de seu território, ergue o rosto ensanguentado, obrigando-se a se manter consciente e não gemer mais de dor.

— Eu... eu não fiz nada... Don...

— Você realmente acha que eu sou idiota? — Guilherme pergunta, seu olhar frio, quase perfurante.

Ele puxa a arma.

O disparo ecoa seco.

O urro do traidor rompe o galpão.

A bala fincando em um dos pés do traidor.

— Me interessa saber por que você tentou vender minhas drogas para os D'Angelo. — Continua Guilherme, puxando o ferrolho  da arma para trás, preparando-a para o próximo tiro.

— Eu... — Os olhos do ex-capo marejam, arrependimento o corroendo. — Eu precisava de dinheiro... meu filho... ele tá doente... e eles ofereceram o transplante... Eu juro que...

— Basta! — A voz de Gianni ecoa alta, fria e cortante pelo galpão, chamando todos os olhares para si.

O traidor sente seu corpo gelar por um instante, antes mesmo que qualquer palavra seja dita, a compressão desce por sua espinha, deixando sua boca amarga, aumentando mais ainda seu arrependimento.

Gianni se aproxima, seu olhar recai sobre o ex-capo com frieza calculada, ele ajeita o paletó e entregando um dossiê ao Don.

— Não foi uma vez — explica. — Foram três entregas. Havia mais agendadas.

Guilherme folheia os documentos sem pressa. Fotos, mensagens, datas. Em uma das páginas, um nome sublinhado chama sua atenção.

Domenico Vanelli.

Seu irmão mais novo.

O ar se torna ainda mais pesado.

Guilherme fecha o dossiê com calma, como se as informações contidas não fossem nada demais.

— Já sei o bastante.

Ele ergue a arma mais uma vez, sem pressa, aponta para o centro da testa do traidor. 

— Não! — O traidor arrega o único olho bom. — Espera, me deixe...

O Don não espera.

— Diga ao diabo que fui eu quem te enviei.

O disparo encerra a conversa. Um único tiro, certeiro. A cadeira do traidor cai com um baque seco, ecoando pelas paredes.

Ele cai para trás, os olhos arregalados, opacos, já sem vida. Um filete de sangue escorre pelo minúsculo buraco de entrada, mas a saída é grotesca, mais sangue e pedaços de cérebro se espalham pelo chão.

Guilherme observa com frieza. Guilherme guarda a arma com a mesma tranquilidade de quem encerra uma tarefa rotineira.

Um nome a menos na lista.

Um aviso silencioso deixado para os vivos.

— Mate o resto da família desse traidor. — Ordena, sem nenhum tipo de hesitação. Não existe inocentes no seu mundo, e garantir suas mortes é uma questão de segurança.

Gianni acena a cabeça para alguns homens já se afastando para cumprir a ordem.

Guilherme sai do galpão e pega seu celular e disca um número específico.

— Preciso do seu serviço.

— Eliminação? — A voz feminina responde do outro lado, fria, profissional.

— Não, vou enviar os dados, seja rápida.

Ele encerra a ligação.

Por um instante, seus olhos se voltam para o portão da propriedade.

A imagem da mulher brasileira surge em sua mente. Indomável. Furiosa. Diferente de todas que ele já viu.

Um meio sorriso se desenha em seus lábios.

— Ninguém cruza meu caminho por acaso — murmura.

E os planos para a pequena brasileira começam a se formar.

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