Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlexandra Langford, de origem humilde, luta diariamente para sustentar a família: o pai, John, gravemente doente e precisando de uma cirurgia cardíaca urgente; a mãe, Elizabeth; e o pequeno Paulinho. Quando conhece um homem estrangeiro que demonstra interesse e promete um futuro melhor, ela se permite acreditar no amor e aceita um casamento rápido que muda completamente sua vida. Levado por promessas e esperança, esse casamento a leva para os Estados Unidos — mas, ao chegar lá, Alexandra descobre que a realidade é muito diferente do que imaginava e perfeito se mostra frio, distante e controlador. Entre regras silenciosas, ausências constantes e atitudes que a fazem duvidar de tudo, Alexandra percebe que está presa em um casamento que se transforma, pouco a pouco, em uma prisão emocional. Desiludida e sozinha em um país estranho, ela acaba conhecendo Oliver Chamberlain Blacklocks — um homem que, ao contrário de tudo que viveu, a respeita e a faz descobrir o verdadeiro significado do amor. Mas o passado ainda a prende. Entre mentiras, traições e um casamento construído sobre interesses ocultos, Alexandra precisa encontrar uma forma de se libertar… e fazê-lo assinar o divórcio. Porque, no meio de um emaranhado de enganos, ela finalmente encontrou o amor de verdade — agora só precisa lutar por ele.
Ler maisO calor de Fernando de Noronha parecia mais suave naquele dia, como se o sol tivesse decidido se tornar cúmplice da minha felicidade.
— Era como se, de repente, o mundo tivesse sido transformado em um cenário feito sob medida para mim: um lugar repleto de felicidade, encantamento e a indescritível sensação de ter sido escolhida. — Eu nunca havia imaginado que alguém como Charles, com seu olhar firme e determinado, olhasse para alguém como eu. Ele estava ali, segurando minha mão na presença do meu pai, dentro da nossa casa simples, como se estivesse afirmando que nada poderia abalar sua certeza. — Quero me casar com a sua filha — disse, com a voz segura, sem hesitação. — Meu pai, John, o observava com desconfiança, como um guardião protetor em um momento tão delicado. Seus olhos, marcados pelo cansaço e pela luta contra a doença, refletiam mais incredulidade do que alegria. — Um homem como você, rico e estrangeiro, não se casa com uma moça como a minha filha — murmurou, como um pai que tenta proteger sua filha da ilusão de um conto de fadas. — O silêncio pairou no ar, denso e quase sufocante, enquanto eu sentia minhas mãos tremerem levemente. Contudo, Charles permaneceu inabalável, mantendo sua postura firme e decidida. — Dinheiro não é o que importa — respondeu, firme, como se estivesse determinada a derrubar qualquer argumento contrário. — O que importa é o que sinto, estou apaixonado pela Alexandra. Meu coração disparou ao ouvir meu nome nos lábios dele, como se cada palavra fosse uma promessa, uma semente que brotava em um terreno fértil. — Não há motivo para esperar — acrescentou, sua voz ressoando com uma determinação que me envolveu, como um manto que aquecia mesmo no frio da incerteza. — O casamento pode acontecer imediatamente. Olhei para minha mãe, Elizabeth, o silêncio dela carregava não apenas preocupação, mas também uma resignação silenciosa, quase como se ela estivesse se preparando para aceitar o inevitável, como uma árvore que se curva diante da tempestade. — Eu sabia que, no fundo, ela queria acreditar que aquele homem poderia me oferecer um futuro melhor. — A esperança dela era como uma luz fraca, mas persistente, iluminando um caminho cheio de névoas e incertezas, mesmo assim, a escolha foi acreditar. Tudo aconteceu rápido demais para eu processar, como se estivesse sendo arrastada por uma correnteza. — O advogado chegou dos Estados Unidos com os documentos, trazendo consigo uma sensação de urgência que pulsava no ar. Charles explicou que aquilo era essencial para agilizar a mudança e resolver a burocracia — como montar um quebra-cabeça que precisava ser montado peça por peça —, garantindo que minha família pudesse acompanhar essa transição, como uma ponte que nos levaria a um futuro melhor. — Confie em mim, Alexandra — disse, olhando-me nos olhos, sua expressão era um misto de confiança e esperança. — É apenas um passo para que tudo dê certo. Assinei sem questionar, acreditando que aquilo abriria as portas para um futuro diferente. — O casamento aconteceu no próprio hotel onde eu trabalhava. Simples, exatamente como sempre imaginei: um vestido branco, ajustado e delicado, um pequeno arranjo no cabelo e maquiagem leve, nada exagerado, mas, para mim, aquele dia era tudo. — No instante em que Charles segurou minha mão diante do juiz e pronunciou as palavras que nos uniam, senti que estava vivendo um sonho realizado, como se cada segundo fosse um verso de uma canção que emocionava meu coração. Como um símbolo do nosso compromisso, seus olhos demonstravam determinação e esperança, refletindo a luz do que está por vir, no mesmo dia, partimos. — O jato particular nos levou para uma realidade que até então só existia em meus sonhos mais ousados. Os Estados Unidos eram como um gigante distante e frio, imponente em sua grandeza, semelhante às imagens que eu via em revistas. — Assim que chegamos, meus pais e Paulinho foram acomodados em um luxuoso apartamento, como se tivessem sido convidados a entrar em um conto de fadas moderno. Charles, com um sorriso confiante, assegurou que não faltaria nada para eles, prometendo segurança e conforto, como um cavaleiro que protege sua dama. — "Vocês terão tudo o que precisam," disse ele, dirigindo-se à minha mãe com gentileza, como se tentasse acalmar minha mãe. Porém, mesmo diante do otimismo dele, ela apenas assentiu, ainda desconfiada do que essa nova vida pudesse oferecer. — Enquanto isso, segui com Charles para a mansão, nossa casa, que parecia um palácio resplandecente, com vastos espaços e ornamentos brilhantes que competiam com as estrelas no céu. Nessa noite, tudo mudou de forma abrupta, a atmosfera era nova e desconhecida, gerando uma tempestade de ansiedade e expectativa dentro de mim. — Meu coração acelerou, como um motor prestes a explodir, e meu corpo estava tenso, sem saber o que realmente aguardar. Eu sonhava com um ambiente cheio de delicadeza, cuidado e paciência, como aqueles romances contos de fadas que eu havia lido. — No entanto, a realidade se cruzou de maneira brusca: não houve carinho, nem a atenção que eu tanto ansiava. Em vez disso, tudo parecia correr rápido demais, desprovido do calor humano que eu esperava como um cobertor quentinho em um dia frio. — Mesmo assim, tentei convencer a mim mesma de que a forma que ele me tocou poderia ser normal, uma fase de adaptação, e que talvez bastasse apenas acostumar-me. No dia seguinte, a dor persistia e mal eu consigo andar, meus movimentos estão limitados, a dor é imensa. — Será se a primeira vez é assim mesmo? pois acredito que Charles não foi gentil comigo, e Charles não me fez nem uma pergunta de como eu me sentia, não senti nenhuma preocupação pelo meu estado. "Tenho uma viagem de negócios," disse ele, ajustando o relógio como se fosse algo banal, como quem verifica o tempo antes de sair. —"Vou ficar uma semana fora, fiquei muito tempo fira." "Já vai trabalhar?" perguntei, surpresa, como alguém percebeu que o ônibus partiu antes do esperado. — "Existem responsabilidades, minha vida não é só lazer" respondeu, frio, com um tom distante, e indiferente, como se eu fosse apenas uma espectadora em sua vida, e não sua esposa. Ele continuou, como se estivesse lendo um roteiro: "Pode ficar à vontade na casa, mas não mude nada de lugar, entendeu? — Estude, você precisa melhorar o inglês, aprender etiqueta, saber se portar, sua educação precisa ser aprimorada." Apenas concordei, engolindo a insegurança, como um peixe fora d'água. — "Não saia sem autorização,sua professora de etiqueta virá até aqui, diariamente, e por favor, se dedique , pois você não é mais uma camareira.. O personal stylist também, o salão será atendido na casa." — Um silêncio pesado se instalou entre nós, como uma nuvem carregada de tempestade. —"As aulas de idioma serão online. — Quando eu voltar, haverá um jantar beneficente. Precisa estar preparada." — Eu apenas acenei em silêncio, um gesto quase involuntário, como se estivesse acenando para um trem que partiu sem mim. "Tudo bem," murmurei, quase sem voz, como uma folha que se desprende da árvore no outono. — Ele se virou para sair, sem olhar, sem hesitar, e foi embora, deixando a casa mergulhada em um silêncio opressivo. O silêncio tomou conta da casa, pesado e incômodo, como um manto que não se pode tirar. Nesse instante, percebi que algo havia mudado dentro de mim. O homem que conheci em Fernando de Noronha não era mais o mesmo, e aceitar isso era tão difícil quanto desvendar um quebra-cabeça com peças faltando. — Então, escolhi ignorar, acreditando que era o trabalho, o cansaço, a pressão, como alguém que tenta enterrar suas preocupações em um baú. Afinal, era mais fácil acreditar nisso do que enfrentar a verdade nua e crua. — E, naquele momento, eu sabia que ainda não era hora de encarar essa realidade, como um viajante que adianta seu retorno por medo de tempestades desconhecidas.CONTINUAÇÃO Charles permanece ali, parado perto da porta, e eu sinto que as minhas palavras finalmente perfuraram a armadura de arrogância que ele sempre usou. Eu me afasto da janela e caminho lentamente até a minha poltrona, mas não me sento. Fico de pé, observando-o. O silêncio na sala não é mais tenso como antes; é um silêncio de reflexão. Eu vejo o conflito no rosto dele, a dor de admitir que a mulher que ele escolheu — a Julie — é a mesma que o levou à ruína. — Você diz que amava a Julie, Charles — continuo, mantendo o tom firme e no presente. — Mas o que você chama de amor era apenas um vício. Você se viciou na ideia de ter o que era meu, enquanto desprezava o que era seu. A Alexia estava lá, entregando o coração dela em uma bandeja, sendo leal em um país onde ela não conhecia ninguém, e você a via como um fardo. Você entende a gravidade disso? Ele baixa os olhos para o carpete, as mãos agora relaxadas ao lado do corpo. O tom de de
AS CARTAS NA MESA LIÇÕES DE SANGUE E HONRA Estou sentado em minha sala, mas o conforto da poltrona de couro não diminui a inquietação que sinto. Meus pensamentos estão nela, em Alexia, e na forma como o destino a colocou em meu caminho. Mas antes de seguir em frente, preciso encerrar um ciclo. Peço à minha secretária que entre em contato com Charles; quero que ele venha até a minha sala agora para conversarmos. Minutos depois, a porta se abre. Charles entra com os ombros caídos, mas o olhar ainda carrega uma mistura de mágoa e desafio. Ele para diante da minha mesa e me encara. — O que é que você quer agora comigo, Oliver? — ele pergunta, a voz amarga. — Não acha suficiente a humilhação de eu estar trabalhando em um almoxarifado? Quer me ver rastejar mais um pouco? Eu não respondo de imediato. Olho fixamente para a cara dele, com uma seriedade que parece cortá-lo ao meio. Giro minha cadeira devagar, mantendo o controle
O VENENO DE JULIE O som do encerramento da chamada ecoa no meu quarto do hotel em Paris como um veredito de morte. Permaneço estática, com o celular ainda pressionado contra a minha orelha, enquanto sinto o sangue subir pelo meu pescoço, latejando nas minhas têmporas. Minha respiração é curta, sibilante, como se o oxigênio estivesse fugindo deste quarto luxuoso. O silêncio que se segue é ensurdecedor, quebrado apenas pelo batimento descompassado do meu coração, que martela contra as minhas costelas. — Brasileira de meia tigela... — sibilo entre dentes, sentindo o gosto metálico do ódio na boca. — Você me paga, Alexa. Você me paga por cada palavra, por cada tom de deboche que usou comigo! Atiro o celular contra a parede revestida de seda com toda a força que o meu ódio permite. O aparelho ricocheteia no tecido caro e cai sobre o tapete persa, mas eu não me importo se ele se despedaçou. Começo a andar de um lado para o outro, de forma
O GIGANTE ADORMECIDOQuando o carro preto de vidros escuros parou diante da fachada do hotel, Alexa sentiu um calafrio que não era de medo, mas de pura adrenalina. Ela desceu do veículo e inclinou a cabeça para trás, tentando alcançar o topo da estrutura com o olhar. Oliver, com seu jeito polido de bilionário, havia usado a palavra "pequeno". Mas diante dela erguia-se um titã de concreto de quinze andares.O prédio era uma relíquia da década de 80, imponente e robusto, mas com a alma soterrada por anos de desleixo. A arquitetura era brutalista, com linhas retas que, sob a luz certa e com o revestimento adequado, poderiam exalar uma modernidade atemporal. Alexa caminhou até a entrada, onde as portas automáticas emperravam, e entrou no saguão. O espaço era colossal: colunas revestidas de mármore agora opaco, um pé-direito triplo que implorava por um lustre de design e um silêncio que só os lugares que já foram gloriosos possuem.Ela não perdeu tempo. Pe





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