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Reclamei com o Chefe Errado!
Reclamei com o Chefe Errado!
Por: FannyMotta
Capítulo 1:  Explodindo Contra Um italiano

Se Jade soubesse quem estava do outro lado do portão, teria engolido o ódio e ido embora, mas, como ela não sabia...

— É aqui — Jade Oliveira murmura para si mesma, tentando transformar a própria voz em coragem ao parar diante do portão.

Alto demais para quem está com raiva.

Ela aperta a alça da bolsa no ombro, sentindo o couro frio contra a palma suada da mão. O ferro preto, pesado, ostenta arabescos dourados que brilham mesmo sob o céu nublado. No topo, câmeras de vigilância a acompanham como olhos de águia.

Jade b**e uma vez contra as grades do portão.

Nada acontece.

Ela b**e de novo. Mais forte.

— Ei! — Grita, a voz atravessando o frio da manhã. — Tem alguém aí?

O coração martela no peito, não de medo, mas de urgência. Sequer se deu tempo de pensar direito sobre o que tinha que fazer, apenas sabia que tinha que fazer algo. O celular no bolso vibra como um lembrete cruel de que o mundo não vai esperar ela se recompor.

Uma terceira batida.

É quando ele aparece.

Vem do fundo do jardim, caminhando com a calma de quem não precisa se preocupar com nada. Terno escuro, postura impecável, celular colado ao ouvido. Cada passo é medido, preciso. O cabelo castanho-escuro está penteado para trás, exceto por uma mecha rebelde que cai sobre a testa. Ele a afasta com um gesto automático, quase irritado com a própria imperfeição.

Tudo nele lembra a rigidez necessária em um segurança particular.

— …resolva isso hoje. — o homem diz ao telefone, a voz baixa, carregada de autoridade.

Jade se aproxima ainda mais do portão, ignorando o nó estranho que se forma no estômago. Não é hora de arrependimentos.

— Ei, você aí! — Grita. — Ô do terno!

O homem para.

Lentamente, vira-se para ela, como se não acreditasse que alguém realmente havia ousado gritar daquela forma com ele. Os olhos azuis a analisam de cima a baixo sem pressa, como se estivesse decidindo se ela merece ser respondida.

Jade odeia aquele olhar no mesmo instante.

Ele encerra a ligação e guarda o celular no bolso.

— O que quer, donna? — Pergunta, enquanto enfia ambas as mãos enluvadas nos bolsos da calça de linho.

— Quero falar com o seu chefe. — Jade dispara, erguendo o queixo. Apesar de estar a vários passos de distância, sente a diferença de altura, mas não recua. — Agora.

O canto da boca dele se move quase imperceptivelmente. Não chega a ser um sorriso. Os olhos dele varrem cada centímetro do corpo de Jade, fazendo-a se sentir como um inseto exótico em exibição.

— Por que tá me olhando assim, com essa cara de taxo? — Jade se exalta, batendo de novo no ferro. — Vai logo chamar seu patrão!

— Vattene, donna!

Aquilo é o estopim.

— Ir embora é o caralho! — Jade b**e a mão no portão novamente, a vibração do ferro sobe pelos dedos dela. A raiva também. — Não arredo o pé daqui até falar com o maldito do seu chefe, puttano! — Ela semicerra os olhos, mantendo o queixo bem erguido.

— Este é meu último aviso, donna, vá…

— Vá à merda com seus avisos, seu segurançazinho! — Ela rebate, a voz tremendo de raiva e frustração. — Quero falar com chefe, agora!

O homem dá um passo à frente.

Apenas um.

O suficiente para deixar claro o tamanho da diferença entre eles. Ele inclina a cabeça de leve, olhando-a de cima, e, por um instante, o ar fica mais denso, pesado; Jade tem a sensação de estar correndo perigo.

Recue. — Sua consciência grita.

Não mesmo! Tarde demais! — Rebate mentalmente.

— Vai chamar ou não vai? — Jade rosna entre dentes.

— Ragazza…

— Não me chama assim! — Ela interrompe, o corpo vibrando. — Seu segurançazinho metido a besta, só porque tem seu emprego tá se achando melhor do que eu?

— Do que...

— Você sabe o que é acordar e descobrir que não tem mais emprego? — Jade despeja, sem freio.  — Ter uma criança doente para sustentar? Ver um bilionário mimado mandar explodir uma empresa porque a mulherzinha dele não queria concorrência?

O silêncio cai como um bloco.

Dois homens surgem mais afastados no jardim, atentos. Jade percebe, revira os olhos. Já foi longe demais para recuar.

— É sério isso? Precisa de reforço? — Ela respira fundo. — Vai, chama logo a porra do seu chefe. Não vou me demorar.

Os olhos azuis escurecem.

— Você não sabe onde está se metendo.

— Sei sim. — Jade rebate, rindo sem humor. — Tô no quintal de mais um rico covarde que acha que dinheiro compra tudo, batendo boca com um subordinado que também se acha demais.

Ele se aproxima do portão.

Agora está perto o suficiente para que ela sinta o perfume caro, discreto, nada doce. Jade engole seco, mas força seu corpo a permanecer como está.

— Seu chefe é um lixo! — ela dispara, cuspindo cada palavra. — Um parasita! Um desgraçado que fodeu com a vida de centenas de pessoas! Quero que ele tome bem no meio do cu!

O vento passa entre eles.

Por um segundo, o alívio que Jade pensou que sentiria ao pôr esses pensamentos para fora, não vem. Muito pelo contrário, a sensação de perigo dentro dela apenas cresce, fazendo-a quase se arrepender das palavras.

— Termine — o segurança diz, baixo.

— Quero falar com o dono dessa casa, agora! — Jade grita, tentando se manter corajosa.

Novamente ele a olha de cima a baixo.

— Está falando.

O mundo dá um tranco.

— Como é? — Jade pisca.

— O chefe deste território sou eu.

— Q-quê?...

A boca de Jade abre, ficando seca por alguns segundos, o coração falha uma batida.

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