Mundo ficciónIniciar sesiónCriada sob a sombra da indiferença, Isadora Bueno aprendeu a encontrar beleza no silêncio. Sua alma é um jardim intocado, protegida por uma barreira de doçura que o mundo exterior ainda não conseguiu corromper. Quando ela cruza as portas da Empire Group, ela não busca poder, apenas a chance de crescer em seu ramo, e construir o afeto que nunca teve em casa. Mas seu destino estava traçado para colidir com o único homem capaz de desvendar seus segredos mais profundos. Ela é a personificação da pureza; ele, o mestre da tentação. Dante Valente é o caos em forma de ordem. Um CEO implacável, disputado por mulheres e temido por rivais. Ele é fogo, controle e escuridão. No momento em que seus olhos fixam na nova assistente, o mundo impecável que ele construiu começa a ruir. Neste jogo sedutor, a inocência de Isadora será testada pelo desejo insaciável de um homem que não aceita "não" como resposta. Mas quando segredos do passado e a inveja corporativa entram em cena, eles descobrirão que o amor pode ser o desafio mais perigoso de todos.
Leer másEm seu pequeno quarto, o sol mal havia nascido e seu despertador ainda não havia tocado.
Naquela manhã, o silêncio da casa, que antes a sufocava, parecia carregado de uma eletricidade nova. Hoje não era apenas mais um dia de invisibilidade. Hoje, ela cruzaria as portas da Empire Group. Isadora está diante de um pequeno espelho com uma rachadura no canto, tentando ajeitar a gola de sua blusa branca de cetim. Nada de grife, ou luxo, mas a melhor que conseguiu comprar em uma promoção de liquidação, impecavelmente limpa e bem passada por ela. O nervosismo é visível em suas mãos trêmulas. Ela precisava parecer profissional, precisava parecer alguém que pertencia àquele mundo de aço e vidro, mesmo que, por dentro, se sentisse como uma intrusa. — Você consegue, Isadora — sussurrou para o próprio reflexo, buscando nos olhos cor de mel a coragem que sua família nunca se preocupou em cultivar nela. — É a sua chance de ser alguém. De ter algo que seja só seu. Ela pegou a bolsa gasta, verificou o currículo e a carta de admissão para ser assistente administrativa pela décima vez, e decidiu ir caminhando já que estava bem antecipada. O frio na barriga não era apenas medo; era o pressentimento de que, ao passar por aquela porta de casa, sua vida nunca mais seria a mesma. Ela só não imaginava que o seu destino já tinha nome, sobrenome e um olhar capaz de incendiar sua alma. O elevador social da Empire Group subiu tão rápido que Isadora sentiu o estômago flutuar. Quando as portas se abriram no 45º andar, o silêncio a atingiu como uma onda física. Eram apenas seis da manhã. A iluminação era minimalista, trazendo um ar de calmaria. Não havia o barulho de telefones ou o burburinho de funcionários; apenas o zumbido suave do ar-condicionado. Isadora caminhou com cuidado, sentindo que o som de seus saltos — comprados especificamente para aquele dia — ecoava como batidas de tambor naquele museu de vidro. Perseguida por olhares julgadores e preconceituosos por sua simplicidade. Ela parou diante da imensa porta de vidro com persianas indicando ser de Dante Valente, o CEO de Empire Group. Suas mãos suavam. Respirou fundo, lembrando-se do seu reflexo no espelho de casa, e a-empurrou. A sala da presidência era vasta, cercada por paredes de vidro que revelavam uma São Paulo que ainda bocejava lá embaixo. Dante Valente estava de costas para a entrada. Ele não usava paletó; apenas uma camisa social preta, com as mangas dobradas até os antebraços, revelando a tensão nos músculos enquanto ele observava o horizonte. Isadora travou. O magnetismo dele preenchia cada centímetro daquele espaço. — Você está atrasada, senhorita Bueno — a voz dele cortou o silêncio. Era um tom baixo, rouco, que pareceu vibrar diretamente na espinha dela. Isadora olhou para o relógio na parede. Eram 06:03. — E-eu sinto muito, senhor Valente. O RH informou que o expediente começava às sete, mas eu quis me antecipar e... — Na Empire Group, o dia começa quando eu chego — ele se virou lentamente. O impacto foi maior do que qualquer coisa que Isadora tivesse imaginado. Dante tinha traços esculpidos em arrogância e beleza, mas eram os olhos — escuros e impenetráveis — que a deixaram sem fôlego. Ele a estudou por um segundo que pareceu uma eternidade, partindo da sua expressão assustada até a simplicidade da sua blusa branca. — humm, uma garota tímida — ele murmurou, a medindo, quase para si mesmo, com um sorriso de lado, um pouco travesso. — Vamos ver quanto tempo isso dura neste andar. Aproxime-se, Isadora. Temos muito trabalho a fazer. Ele apontou para uma pilha de pastas de relatórios, mas seus olhos nunca deixaram o rosto de Isadora. — Estes são os contratos da fusão com a Nexus. Quero que você os organize por prioridade de risco e prepare um resumo de cada cláusula de rescisão. — Ele se sentou em sua cadeira de couro, e indicou uma mesa menor, posicionada estrategicamente de frente para a dele. — Você trabalhará aqui, onde eu possa ver cada progresso seu. Isadora assentiu, sentindo o peso do olhar dele. Ela se aproximou da mesa dele para pegar os documentos. Ao esticar o braço, o perfume dele — Uma mistura amadeirada, couro e algo puramente masculina — invadiu seus sentidos, fazendo sua cabeça girar por um breve segundo. Suas mãos, ainda trêmulas, roçaram acidentalmente nos dedos longos e firmes de Dante quando ela pegou a primeira pasta. Um choque elétrico percorreu seu braço, fazendo-a soltar um arquejo baixo. — Algum problema, Isadora? — ele perguntou, a voz agora mais profunda, notando a reação dela. — N-não, senhor. Apenas o frio do ar-condicionado — mentiu ela, apressando-se para sua mesa. Dante soltou um riso curto, seco. — O frio é o de menos neste prédio, pequena Isadora. Aprenda rápido: aqui, o que não te congela, te queima. Ela se sentou e mergulhou nos papéis, tentando ignorar o fato de que, sempre que levantava os olhos, encontrava Dante a observando por cima da tela do computador, como um predador estudando sua presa mais curiosa. O silêncio da manhã era agora preenchido pelo som da caneta dela deslizando pelo papel e pelo batimento acelerado de seu próprio coração. Isadora já em sua terceira pasta de contratos, tentando ignorar o peso do olhar de Dante sobre ela, quando a porta da presidência se abriu sem que ninguém batesse. O perfume doce e forte — quase enjoativo — invadiu a sala antes mesmo da mulher entrar.O som de pneus cantando no asfalto molhado do galpão industrial quebrou o silêncio fúnebre do local. O Rolls-Royce preto de Dante Valente entrou no espaço desativado derrapando, os faróis altos cortando a penumbra e iluminando o Porsche Taycan cinza chumbo de Theo. Antes mesmo que o veículo parasse completamente, a porta do motorista foi aberta por um Dante de olhos determinados, o paletó do smoking já descartado e as mangas da camisa branca dobradas até os cotovelos. Isadora abriu a porta do Porsche, ignorando o frio que castigava suas costas nuas. Ela correu na direção dele, os saltos dourados ecoando pelo chão de cimento batido.— Dante! — o grito dela foi abafado quando o corpo do CEO colidiu contra o dela em um abraço desesperado. Dante a envolveu com força, enterrando o rosto no pescoço de Isadora, respirando o perfume dela como se precisasse daquela confirmação de que ela estava viva e segura. Suas mãos grandes acariciaram os cabelos dela e desceram rapidamente para o
Dante deu as costas ao pai sem dizer mais nenhuma palavra. O silêncio que ele deixou naquele escritório era mais perigoso do que qualquer grito. Ele cruzou a porta batendo-a com força, os passos rápidos ecoando pelo corredor luxuoso e reservado do andar superior da mansão. Sua mente trabalhava na velocidade da luz. Ele precisava falar com Theo. Precisava entender onde Isadora estava e como resgatar a irmã do melhor amigo. No entanto, antes que pudesse alcançar a escadaria que dava para os jardins dos fundos, uma figura elegante bloqueou o seu caminho. Isabella di Castiglione surgiu das sombras de uma antessala. Ela já não parecia a mulher humilhada do salão de festas. Havia refeito a maquiagem, e o perfume importado exalava de sua pele como uma armadilha adocicada. Ela deu um passo à frente, fechando o espaço entre os dois, e colocou uma das mãos delicadas sobre o peito de Dante, sentindo o coração dele martelar com força sob o tecido do smoking.— Dante, pare um pouco — Isab
Com o colar de diamantes partido apertado em seu punho até as bordas cortantes quase perfurarem sua pele, o CEO caminhou a passos tempestuosos. Seus olhos eram pura brasa. Ele não precisava de pistas, não precisava de investigação. Ele conhecia a podridão daquela casa melhor do que ninguém. Sabia, com cada fibra do seu ser, que aquilo tinha a assinatura de Vitor Valente. Dante arrombou a porta do escritório particular do pai com um chute violento, fazendo a folha de madeira bater contra a parede com o som de um tiro.— Onde ela está?! — Dante urrou, avançando como um predador para cima da mesa de mogno. Vitor, que já esperava a tempestade, nem sequer se levantou da cadeira de couro. Ele manteve a expressão fria, embora um vislumbre de surpresa tenha passado por seus olhos ao ver o estado de fúria cega do filho.— Não sei do que você está falando, Dante. Controle-se, você está na minha casa — Vitor respondeu, a voz calculadamente calma.— Não minta para mim! — Dante esmurrou a
— Apenas me siga e faça a sua parte quando a hora chegar — Helena sussurrou para Isabella, deixando a taça vazia sobre uma bandeja de prata. — Vamos dar a essa "rainha de ouro" uma recepção que ela nunca vai esquecer. Enquanto a madrasta e a noiva rejeitada se afastavam em direção aos corredores que davam acesso aos banheiros privativos luxuosos da mansão, Theo Braga caminhava pelo jardim externo, longe dos flashes e da música. Seus passos eram rápidos, quase erráticos. O suor frio escorria por sua nuca. Ele olhou para a tela do celular, onde a chamada com Vitor Valente havia acabado de ser encerrada. “Mude o alvo principal. Eu preciso que a Isadora saia de circulação imediatamente.” As palavras do velho monstro ecoavam como uma sentença de morte na mente de Theo. Ele socou o tronco de uma árvore ali perto, sentindo a dor física na tentativa de aplacar a agonia em seu peito.— Desculpa, Dante... por favor, me perdoa — ele murmurou para o nada, com os olhos marejados. Theo





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