Mundo ficciónIniciar sesión... toque que não veio.
Em vez disso, Dante deu um passo para trás trás de forma abrupta, dando as costas para ela enquanto caminhava de volta para a penumbra da sala. — Vá, Isadora. Antes que eu mude de ideia sobre como essa noite deve terminar. Ela não esperou por um segundo convite. Abriu a porta e saiu, sentindo as pernas bambas e o coração martelando contra as costelas, enquanto o rastro daquele olhar ainda queimava em seus lábios. Já no carro do motorista Isadora se deixou levar por seus pensamentos intrusivos — O que foi isso? — Desejando aquele homem — Deixa de ser tonta, ele deve fazer isso com qualquer mulher de seu interesse. Ao chegar e entrar em sua casa mais humilde, Isadora não acendeu as luzes. A escuridão da sala parecia mais segura do que o brilho dos olhos de Dante que ainda a perseguiam na memória. Ela jogou a bolsa sobre a mesa e, sem sequer tirar a roupa, encostou a testa na parede fria, sentindo o coração ainda descompassado. Onde ela estava com a cabeça? Ele era seu chefe, um homem que pertencia a um mundo de aço e vidro, enquanto ela ainda lutava para ajeitar a gola de suas blusas de liquidação. Mas o calor que subia por seu pescoço e a pulsação insistente em seu baixo ventre ignoravam qualquer lógica. Desejando aliviar a voltagem que ainda parecia correr sob sua pele, ela foi direto para o banheiro. Isadora ligou o chuveiro no máximo, sem esperar a água esquentar. O impacto do banho gelado contra seu corpo a fez arfar, mas era exatamente disso que ela precisava. Ela deixou a água fria escorrer pelos cabelos e pelo rosto, tentando lavar o rastro daquele olhar que parecia ter incendiado sua alma. Enquanto a água batia no chão, ela repetia para si mesma que aquilo era apenas um efeito momentâneo do magnetismo dele. Isadora mal conseguiu pregar os olhos naquela noite. Cada vez que fechava as pálpebras, sentia o hálito de Dante em seu rosto e via aquele olhar sombrio descendo para seus lábios. Ela se revirou na cama, sentindo o contraste entre os lençóis simples de sua cama e a memória da toalha de algodão que ele lhe ofereceu. Sentando-se na beira da cama enquanto o sol começava a surgir. — Para ele, você é apenas uma distração. Um brinquedo novo em um andar de vidro. — Pensou em voz alta. Determinada a manter sua independência e provar que ele não a controlava, ela se arrumou às pressas. Escolheu uma saia lápis preta e uma camisa azul clara, ajeitando o cabelo com mais cuidado do que o habitual, apesar de tentar negar o motivo. Ela saiu de casa às 05:30, trinta minutos antes do horário que ele estipulou, certa de que escaparia do motorista. No entanto, ao abrir o portão de metal de sua casa, o ar fugiu de seus pulmões. Parado diante da calçada simples, contrastando violentamente com as casas humildes da rua, estava um sedan preto luxuoso. O motorista, impecavelmente trajado, estava de pé ao lado da porta traseira aberta. A vizinha da frente já espiava pela fresta da janela, curiosa com tamanha ostentação naquele bairro. — Bom dia, senhorita Bueno — disse o homem com uma reverência discreta. — O senhor Valente foi explícito sobre o horário. Por favor, entre. Isadora sentiu o rosto queimar de indignação e vergonha. Ele não tinha apenas enviado um carro; ele tinha marcado território no mundo dela. — Eu disse que não precisava — ela murmurou, mas ao ver mais cortinas se mexendo na vizinhança, percebeu que causar uma cena ali seria pior. Ela entrou no carro, o cheiro de couro novo lembrando-a instantaneamente do Rolls-Royce de Dante. O trajeto até a Empire Group foi feito em um silêncio tenso. Quando o elevador a deixou no 45º andar, Isadora caminhou decidida até a sala da presidência. Ela não esperou ser chamada; empurrou a porta de vidro com uma coragem que nem sabia que possuía. Dante estava lá, já sentado em sua mesa, com um café fumegante e os mesmos olhos impenetráveis da noite anterior. — Você está adiantada hoje, Isadora — ele disse, sem levantar o olhar do tablet. — O carro foi do seu agrado? — O carro foi uma invasão de privacidade, senhor Valente — ela rebateu, parando diante da mesa dele. — Eu não sou sua propriedade para que o senhor mande guardas me buscarem na porta de casa. Dante largou o tablet e se inclinou para trás, um sorriso perigoso brincando nos lábios. — Eu não a busquei porque a considero propriedade, Isadora. Eu a busquei porque, se algo acontecesse com você naquela chuva, quem organizaria meus contratos hoje? — Ele se levantou, caminhando lentamente até ela. — E admita... você gostou da sensação de ser cuidada, mesmo que seu orgulho tente mostrar o contrário. Antes que ela pudesse retrucar sobre o "prazer de ser cuidada", a porta da presidência foi aberta com um estrondo desnecessário. O aroma doce e enjoativo de Bianca inundou a sala antes mesmo que ela desse o primeiro passo. — Dante, querido! — Bianca exclamou, ignorando completamente o clima pesado no ar. Ela estava impecável em um vestido tubinho verde esmeralda, segurando um tablet de última geração. — O comitê de ética está perguntando sobre os novos protocolos de acesso ao 45º andar. Parece que alguns funcionários estão comentando sobre... privilégios excessivos para novatos. Bianca parou ao lado de Dante, lançando um olhar de puro veneno para a camisa azul clara de Isadora. — Oh, Isadora, você ainda está com essa pasta de ontem? — Ela deu um risinho condescendente. — Achei que uma assistente tão "eficiente" já teria terminado. Talvez o cansaço da noite passada esteja afetando seu rendimento. Isadora sentiu o sangue subir às bochechas. Bianca não estava apenas atacando seu trabalho, ela estava sugerindo que sabia algo sobre a noite anterior.






