Mundo de ficçãoIniciar sessãoNa implacável cidade de Valencrest, onde poder vale mais que sentimentos, Alina Verone aprendeu cedo que amor é um luxo que ela nunca poderia ter. Depois de ver sua família arruinada por dívidas e traições, Alina aceita o impensável: um casamento por contrato com o homem mais frio e influente do império financeiro de Aureon City — Dante Volkov. Bilionário, arrogante e emocionalmente inacessível, Dante não acredita em amor. Para ele, relacionamentos são apenas acordos. E o contrato que propõe deixa tudo claro: Casamento por aparência. Vida compartilhada apenas em público. E uma única regra inegociável: é proibido se apaixonar. Em troca, Alina terá proteção, status… e a chance de salvar tudo o que restou de sua vida. Mas o que começa como um acordo frio rapidamente se transforma em um jogo perigoso. Entre olhares que duram tempo demais, toques que deveriam ser apenas encenação e um ciúme que nenhum dos dois admite, Alina e Dante começam a quebrar a única regra que jamais poderiam violar. Só que amar tem um preço. E quando segredos do passado vêm à tona — incluindo o verdadeiro motivo por trás do contrato —, eles vão descobrir que algumas cláusulas não existem para proteger… Mas para destruir. Porque, em um jogo onde o amor é proibido… Se apaixonar pode custar tudo.
Ler maisA chuva caía fina sobre os prédios altos de Valencrest, transformando as luzes da cidade em borrões dourados sobre o asfalto molhado. Do lado de fora do restaurante Bellmont, os carros de luxo chegavam em fila, deixando homens de terno impecável e mulheres envoltas em seda e diamantes na entrada iluminada. Tudo ali respirava poder. Dinheiro. Aparência.
E Alina Verone odiava aquele lugar.
Ainda assim, apertou a alça da bolsa com mais força e ergueu o queixo antes de atravessar as portas de vidro.
O vestido preto que usava era simples demais para aquele ambiente. Elegante, sim, mas sem marca famosa, sem brilho, sem a extravagância silenciosa que as mulheres ao redor exibiam com tanta naturalidade. Ela sabia que chamaria atenção exatamente por isso. Não porque fosse bonita — e era, ainda que detestasse pensar em si dessa forma —, mas porque parecia deslocada.
Como sempre.
— Senhorita Verone, sua mesa está reservada no salão principal — informou o maître, num tom polido, embora os olhos dele a avaliassem rápido demais.
Alina assentiu.
Ela não vinha ali por vontade própria. Vinha porque, quando um homem como Octavio Verone mandava, as pessoas aprendiam a obedecer. Mesmo que esse homem fosse o próprio pai. Mesmo que ele só se lembrasse da filha quando precisava usá-la como peça de troca.
Enquanto seguia o maître pelo salão, sentiu os olhares. Alguns discretos, outros descarados. Na mesa central, perto da parede de vinho escuro e da enorme adega de vidro, estavam os Verone.
Sua família.
Octavio Verone, impecável como sempre, usava um terno cinza de corte perfeito. Ao lado dele, Serena, sua madrasta, parecia saída de uma capa de revista, com o pescoço coberto por joias que provavelmente custavam mais do que Alina ganharia em anos de trabalho. E, à direita deles, sorrindo como se o mundo existisse para a servir, estava Lavínia.
A filha legítima. A filha perfeita. A filha amada.
Alina parou por um instante antes de se aproximar. Por uma fração de segundo, a menina que um dia tinha esperado receber da família um gesto de afeto quase reapareceu dentro dela. Mas a sensação morreu tão rápido quanto veio.
Porque já sabia como aquela noite terminaria.
Humilhação.
Sempre humilhação.
— Finalmente — disse Serena, sem sequer disfarçar a irritação. — Pensei que fosse nos constranger ainda mais chegando atrasada.
Alina puxou a cadeira vazia sem pedir licença.
— Estou dois minutos adiantada.
Lavínia soltou um risinho baixo e tomou um gole do vinho.
— E mesmo assim conseguiu chegar com cara de problema.
Octavio nem levantou os olhos do celular de imediato.
— Basta. Não estamos aqui para discutir banalidades.
Alina encarou o pai por um segundo, sentindo o gosto metálico do cansaço na boca.
Não estavam ali para banalidades. Estavam ali porque alguma coisa grande demais tinha dado errado.
E, de algum modo, ela pagaria a conta.
— Então por que estamos aqui? — perguntou, direta.
Octavio pousou o celular na mesa e finalmente a fitou. Seus olhos frios tinham a mesma tonalidade dos dela, mas nunca carregaram nada parecido com ternura.
— Porque sua família está diante de uma situação delicada.
Alina quase riu.
Sua família.
Era interessante como Octavio sempre escolhia essa expressão quando queria exigir lealdade. Nos outros dias, ela era apenas a filha que deveria ser grata por ter sido criada naquela casa, alimentada naquela mesa e tolerada naquele sobrenome.
— A Verone Holdings está com problemas? — ela perguntou.
Serena crispou os lábios, irritada por Alina ir direto ao ponto.
— Não fale desse assunto em voz alta.
— Estamos numa mesa privada.
— Isso não significa que você deva agir como se entendesse de negócios — rebateu Serena.
Alina desviou o olhar para ela por apenas um instante.
— Eu entendo o suficiente para reconhecer pânico.
O silêncio que se seguiu foi breve, mas pesado. Octavio se recostou na cadeira. Lavínia girou a taça entre os dedos, visivelmente incomodada.
Então era verdade.
A empresa estava em queda.
Alina sentiu uma satisfação amarga e instantânea por confirmar aquilo. Nos últimos meses, ouvira rumores, notas financeiras contraditórias, notícias suavizadas demais na imprensa. Algo estava ruindo sob a superfície luxuosa que sua família fazia questão de exibir ao mundo.
— Existe uma negociação em andamento — disse Octavio por fim. — Uma fusão. Ou, melhor dizendo, uma aliança estratégica.
— Com quem?
Ele não respondeu de imediato. Serena respondeu por ele, talvez porque gostasse do efeito dramático.
— Com o grupo Volkov.
Alina ficou imóvel.
Até mesmo em Valencrest, onde nomes influentes surgiam e desapareciam conforme o mercado, os Volkov não eram apenas ricos. Eram intocáveis. O Grupo Volkov tinha sede em Aureon City, mas seu alcance atravessava continentes. Energia, tecnologia, fundos de investimento, construtoras, bancos privados. Onde havia dinheiro, havia o nome deles.
E à frente de tudo estava Dante Volkov.
Ela já o tinha visto em revistas e manchetes. Um homem tão reservado quanto poderoso. Jovem demais para o nível de domínio que exercia. Frio demais para inspirar confiança. Bonito demais para parecer real. Havia algo nele que sempre incomodava Alina — talvez o jeito como parecia olhar para o mundo inteiro como se cada pessoa tivesse um preço.
— E o que eu tenho a ver com isso? — perguntou, mesmo já pressentindo a resposta.
Lavínia se mexeu na cadeira.
Serena ajeitou o guardanapo no colo.
Octavio uniu as mãos sobre a mesa.
— Os Volkov exigiram garantias.
Alina sorriu sem humor.
— Claro. E onde eu entro nesse belo desastre corporativo?
Octavio a encarou com firmeza.
— No casamento.
Por um segundo, o som do restaurante inteiro pareceu se apagar. As conversas. Os talheres. O piano distante. Tudo recuou, como se o mundo tivesse dado dois passos para trás só para observar sua reação.
Alina fitou o pai, certa de que tinha ouvido errado.
— O quê?
— Haverá um casamento entre as famílias — disse Serena, como se estivesse comentando o clima. — Isso fortalece a imagem da aliança, estabiliza o mercado, acalma investidores e cria confiança na imprensa.
Alina virou lentamente o rosto para Lavínia.
A resposta estava ali.
Era óbvio.
Lavínia, linda, refinada, criada para ser exibida como patrimônio valioso da família, se casaria com Dante Volkov. Seria a união perfeita de duas casas ricas e influentes. Uma transação embrulhada em flores brancas e manchetes douradas.
Mas então por que todos pareciam tensos demais?
— Entendi — disse Alina, olhando para a irmã. — Então vocês me chamaram para assistir ao anúncio oficial?
Lavínia perdeu o sorriso.
Serena desviou o rosto.
E o peito de Alina esfriou.
Não.
Não podia ser.
Ela olhou novamente para o pai.
— Não.
Octavio não respondeu.
E o silêncio dele disse tudo.
— Não — repetiu ela, agora mais firme. — Você está louco.
— Controle-se — cortou Serena.
— Não me peça controle quando acabou de dizer que quer me vender num jantar!
Algumas cabeças se viraram em mesas próximas. O maître olhou discretamente na direção deles. Octavio ergueu a voz só o suficiente para manter autoridade, mas não escândalo.
— Sente-se direito e baixe o tom.
— Eu não vou me casar com ninguém por causa da sua empresa.
— Vai, sim — Lavínia falou pela primeira vez, sem doçura. — Porque eu não vou.
Alina a encarou.
Lá estava. A verdade crua. A raiz de tudo.
Lavínia não queria o contrato. Então o empurrariam para a filha descartável.
— Claro — murmurou Alina, um riso ferido escapando. — Agora faz sentido.
Serena se inclinou para a frente.
— Não se faça de vítima. Você será muito bem compensada.
Aquilo foi a gota.
Alina soltou a bolsa sobre a mesa, os dedos tremendo.
— Compensada?
— Casa, segurança, nome, status — enumerou Serena. — Coisas que você nunca teria sozinha.
Octavio não a repreendeu por aquilo. Nem por um segundo.
E foi esse o golpe mais cruel.
Ele concordava.
Alina respirou devagar, lutando para não deixar a dor aparecer no rosto. Não lhes daria isso. Não ali.
— Então é isso que eu sou para vocês? — perguntou, olhando para cada um deles. — Uma cláusula conveniente?
Lavínia revirou os olhos.
— Não dramatize, Alina. Na verdade, você devia agradecer. Quantas mulheres matariam para se casar com Dante Volkov?
— Então case você.
Lavínia empalideceu.
— Eu tenho uma vida! Tenho planos! Não vou me prender num acordo ridículo com um homem incapaz de amar.
Alina sorriu, amarga.
— E eu devo me prender porque a minha vida vale menos?
Octavio bateu a mão na mesa, finalmente perdendo a paciência.
— Basta!
O som seco fez algumas pessoas olharem de novo.
Ele respirou fundo e retomou o controle, ajustando o punho da camisa com calma estudada.
— Você vai se casar porque esta família precisa disso.
— Esta família? — Alina repetiu, baixa. — Engraçado. Eu só vi essa família se lembrar de mim quando precisou me sacrificar.
Serena endureceu o olhar.
— Não fale como se não tivesse recebido nada. Nós a criamos.
— Vocês me toleraram.
O silêncio caiu pesado.
Lavínia desviou os olhos. Serena pareceu prestes a responder, mas Octavio se adiantou.
— Não transforme isso numa questão emocional.
Alina quase achou graça.
— É exatamente isso que é. Só que vocês nunca perceberiam.
Octavio puxou um envelope de dentro do paletó e o colocou sobre a mesa, deslizando-o até ela.
— Leia.
Ela não tocou no envelope.
— Não.
— Leia — repetiu ele.
Alina manteve os olhos no pai por alguns segundos antes de pegar o envelope apenas para provar que não estava intimidada. Tirou o documento de dentro. As páginas eram grossas, impressas em papel de alta qualidade. O cabeçalho levava o selo do Grupo Volkov.
Sua garganta secou.
Contrato preliminar de união patrimonial e imagem institucional.
Não era apenas um acordo de casamento.
Era uma prisão redigida por advogados.
Ela passou os olhos pelas linhas iniciais, sentindo o estômago afundar mais a cada palavra. Prazo mínimo de permanência conjugal: dezoito meses. Aparições públicas obrigatórias. Moradia compartilhada. Proibição de envolvimento escandaloso com terceiros. Cláusulas de confidencialidade. Penalidades financeiras em caso de quebra de termos.
E então ela viu.
A cláusula oitava.
A única linha destacada em negrito naquele conjunto frio de regras.
É expressamente proibido o desenvolvimento de vínculo amoroso que comprometa a finalidade objetiva do presente contrato.
Alina releu uma vez.
Depois outra.
Então ergueu os olhos devagar.
— Isso é ridículo.
Lavínia deu de ombros.
— Eu disse.
Mas Alina já não olhava para a irmã.
Seu foco ficou preso na assinatura no fim da última página.
Dante Volkov.
A caligrafia era firme, elegante, quase arrogante.
Aquele homem tinha assinado aquilo com a naturalidade de quem fechava a compra de um prédio. De uma empresa. De uma vida.
Um homem que proibia o amor por escrito.
Um homem que aceitava uma esposa como se aceitasse um ativo estratégico.
Um homem que não a conhecia e, ainda assim, já tinha decidido o limite de tudo o que ela poderia sentir.
— Eu não vou fazer isso — disse, largando as folhas sobre a mesa. — Nem por você, nem pela empresa, nem por ninguém.
Octavio a observou em silêncio por um instante perigoso.
Então tirou o golpe final.
— Seu irmão foi suspenso da universidade hoje.
Alina congelou.
A expressão dela mudou de tal forma que Serena quase pareceu satisfeita.
— O que você disse?
— Gael não poderá concluir o semestre — respondeu Octavio. — As mensalidades atrasadas foram cobradas. Os repasses que eu fazia foram interrompidos.
O mundo inclinou.
Gael.
Seu irmão mais novo. A única pessoa naquela família que ela amava sem reservas. A única que a procurava escondido, que a abraçava sem medo de desagradar o resto da casa, que nunca a tratou como peso. O único que ainda conseguia fazê-la lembrar que nem todo laço de sangue precisava ser veneno.
— Você prometeu manter os estudos dele — disse Alina, a voz baixa demais.
— E manterei — respondeu Octavio. — Se você cooperar.
Ela o encarou, sentindo a náusea subir.
— Você está usando Gael para me chantagear.
— Estou mostrando as consequências das suas escolhas.
— Você é um monstro.
Serena fez um ruído de reprovação, mas Octavio não demonstrou qualquer ofensa.
— Não dramatize. Seu irmão terá o futuro garantido. Você também. Tudo o que pedimos em troca é um casamento de conveniência.
— Pedimos — Lavínia corrigiu com frieza. — Porque ninguém aqui é burro o suficiente para dizer não a isso.
Alina virou o rosto para a irmã tão rápido que Lavínia recuou um pouco.
— Você não serve nem para carregar o próprio fardo, não é?
Lavínia se levantou da cadeira.
— Como ousa?
— Você queria mesmo dizer isso? — Alina também ficou de pé. — Você, que passou a vida inteira tendo tudo, até a escolha de quem não vai sacrificar? Você me chama de ingrata, mas é você quem está me empurrando para um homem que nem ama só porque não quer perder sua liberdade.
— Eu não vou destruir minha vida por causa de um acordo!
— Então está tudo bem destruir a minha?
Octavio se levantou também, impondo autoridade.
— Chega. Você vai assinar. Pode ser hoje ou amanhã de manhã. Mas vai assinar.
Alina respirava com dificuldade. As mãos tremiam. As luzes do restaurante pareciam fortes demais. O salão elegante, o aroma caro do vinho, a música refinada ao fundo — tudo a sufocava.
Ela pegou a bolsa.
— Não.
E saiu.
Ouviu Serena chamar seu nome. Ouviu Octavio dizer alguma coisa ríspida. Ouviu Lavínia reclamar. Mas não parou.
Atravessou o salão em passos rápidos, ignorando olhares, rostos curiosos, cochichos. Quando empurrou as portas do Bellmont e sentiu o ar frio da noite bater em seu rosto, a vontade que teve foi a de correr até não sobrar nada daquela cidade dentro dela.
Mas não correu.
Ficou parada na calçada, sob a marquise iluminada, tentando respirar.
A chuva seguia fina, cortando a noite em linhas cintilantes. Os carros luxuosos passavam, indiferentes. A cidade continuava linda. Imponente. Cruel.
Alina fechou os olhos por um momento.
Gael.
Seu irmão não podia perder a universidade. Não podia pagar pela guerra silenciosa entre ela e Octavio. Não podia ser arrastado para o fundo só porque o pai decidira transformar pessoas em moeda.
Ela sabia que Octavio era capaz disso.
Sempre foi.
— Senhorita Verone.
A voz masculina, grave e calma, a fez abrir os olhos.
Havia um homem parado a poucos passos dela. Alto, vestido num terno preto impecável, sem guarda-chuva apesar da chuva leve. O rosto era sério, os cabelos escuros perfeitamente alinhados. Não parecia um motorista nem um segurança comum. Parecia alguém treinado para existir sem chamar atenção — e, justamente por isso, chamava.
— Sim? — perguntou Alina, alerta.
Ele estendeu a mão em direção a ela, não para cumprimentá-la, mas para lhe oferecer um cartão preto fosco.
— O senhor Volkov gostaria de falar com você.
Ela olhou para o cartão sem tocá-lo.
Não havia nome. Apenas um símbolo prateado gravado no centro. Minimalista. Sofisticado. Frio.
— O senhor Volkov? — repetiu.
— Dante Volkov.
O coração dela deu uma batida dura, quase irritada.
— E ele costuma convocar mulheres na calçada depois de um jantar desastroso?
O homem não se abalou.
— O carro está esperando.
Alina soltou uma pequena risada, incrédula.
— Diga ao seu chefe que ele pode esperar para sempre.
Ela fez menção de se afastar, mas o homem falou antes.
— Seu irmão, Gael Verone, recebeu hoje um comunicado de bloqueio acadêmico às quinze e quarenta e dois. O senhor Volkov pode resolver isso ainda esta noite.
Alina parou.
Lentamente, virou o rosto de volta.
— Como é?
— O carro está esperando — repetiu o homem. — E o senhor Volkov não gosta de repetir convites.
Alina sentiu um arrepio frio percorrer a espinha.
Aquilo não era apenas poder.
Era vigilância.
Era controle.
Era um homem que sabia onde tocar antes mesmo de aparecer.
Seus olhos desceram até o meio-fio, onde uma limousine preta estava parada do outro lado da rua, discreta e silenciosa como uma ameaça bem-vestida. Os vidros escuros impediam qualquer visão do interior.
Dante Volkov estava ali.
Observando.
Esperando.
E, pela estranha sensação que tomou conta dela naquele instante, Alina teve certeza de uma coisa:
o verdadeiro contrato daquela noite ainda nem tinha começado.
A pressão não veio com gritos.Veio com formalidade.O que era pior.—A convocação foi imediata.Conselho extraordinário.Sem pauta enviada.Sem margem.—Alina entrou na sala com passos firmes.Mas o clima…já estava definido.—Mais frio.Mais distante.Mais… estratégico.—Os conselheiros estavam posicionados como antes.Mas agora…não observavam.Avaliavam.—Dante entrou logo depois.E dessa vez…não havia espaço para neutralidade.—— Vamos começar — disse o presidente do conselho.A voz seca.Direta.—— A situação atual exige medidas imediatas.—Silêncio.Mas pesado.—— A exposição do grupo está diretamente ligada à presença da senhorita Alina Verone em posição estratégica.—Ali.Estava.—— Discordo — Dante respondeu.—— Não estamos abrindo para opinião — retrucou o homem.—Agora…claro.—— Estamos abrindo para decisão.—Silêncio.—Alina não falou.Ainda.—— A proposta é simples — continuou a conselheira à esquerda. — Afastamento imediato da senhorita Alina de qualq
O problema não anunciou chegada.Ele entrou.Silencioso.Estratégico.E direto no ponto mais vulnerável.—Alina percebeu antes de qualquer alerta.Algo estava… errado.—A sala de reuniões estava mais cheia do que o normal.Diretores reunidos.Assessoria jurídica presente.E o clima…tenso demais.—Quando ela entrou, os olhares vieram.Rápidos.Pesados.Cautelosos.—Dante já estava lá.De pé.Frente à mesa.Mas dessa vez…não estava apenas controlado.Estava… contido.—— O que aconteceu? — Alina perguntou.Direta.—Silêncio.Mas curto.—— Surgiu uma denúncia formal contra o Grupo Volkov — disse um dos advogados.—O ar mudou.—— De quê? — ela perguntou.—— Uso indevido de informação privilegiada.—Silêncio.Mas agora…perigoso.—— Baseado em quê? — Dante perguntou.—— Movimentações recentes.Aquisição.Antecipação de mercado.—Alina entendeu.Na hora.—— O projeto que eu propus.—— Sim — disse o advogado.—O golpe foi preciso.—Não era sobre ela diretamente.Mas era.—
A rotina mudou.Não de forma óbvia.Mas constante.—Alina já não precisava anunciar presença.Ela era esperada.Ouvida.Considerada.Mas o que mais mudou… não estava na empresa.Estava na forma como o silêncio entre eles passou a existir.—Não era mais tensão pura.Era… proximidade.—Naquela noite, a mansão estava calma.Luzes baixas.Som distante da cidade.E um tipo de tranquilidade que Alina não reconhecia totalmente.—Ela entrou na cozinha.Descalça.Cabelos soltos.Sem a armadura que usava lá fora.—Dante já estava ali.Encostado na bancada.Taça de vinho na mão.Como se também tivesse… diminuído o ritmo.—Ele olhou.E ficou.Por um segundo a mais.—— Você não desliga nunca? — ela perguntou, abrindo a geladeira.—— Estou tentando.—— Tentando?—— Não é algo que eu faço com frequência.—Ela pegou uma garrafa de água.Fechou a porta.—— Nem eu.—Silêncio.Mas confortável.—Ela se encostou na bancada oposta.—— Hoje foi mais leve — disse.—— Foi eficiente.—Ela sorr
A manhã seguinte não trouxe pressa.O tempo dentro da mansão parecia… desacelerado.Não havia sirenes.Não havia ligações urgentes.Não havia caos.Mas havia algo novo.E nenhum dos dois ignorava.—Alina abriu os olhos devagar.A luz suave atravessava as cortinas, desenhando sombras delicadas no quarto. Por alguns segundos, ela apenas ficou ali, deitada, observando o silêncio.Sentindo.Não o silêncio da solidão.Mas o silêncio depois de uma decisão.E isso…era diferente.—Ela se sentou lentamente.Respirou fundo.E então levantou.Sem pressa.Sem tensão.Mas consciente.Muito consciente.—Quando abriu a porta do quarto…parou.Dante estava no corredor.Encostado na parede, como se tivesse estado ali por um tempo.Esperando.—Os olhos se encontraram.E o ar mudou.De novo.—— Você sempre acorda assim cedo? — ela perguntou.A voz mais baixa do que o habitual.—— Quando preciso pensar.—— E pensou?—Silêncio.Mas não desconfortável.—— Pensei.—Ela cruzou os braços levemente.





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