Capítulo 5: O Preço do Destaque

Dante, que até um segundo atrás parecia prestes a devorar Isadora com os olhos, endureceu a expressão. Ele não se afastou de Isadora, o que deixou Bianca visivelmente irritada.

— O rendimento da senhorita Bueno é assunto meu, Bianca. E quanto ao comitê de ética... — Dante voltou seu olhar gélido para a funcionária de alto escalão. — Diga a eles que as regras neste andar são ditadas por mim. Se alguém tiver algum problema com o transporte ou o horário dos meus assistentes, que venha falar comigo pessoalmente.

Ele voltou sua atenção para Isadora, ignorando Bianca como se ela fosse parte da mobília.

— Isadora, leve estes novos relatórios para a sala de conferências. E Bianca? Da próxima vez que interromper uma conversa privada, certifique-se de que o assunto seja realmente urgente. Caso contrário, considere sua própria "eficiência" em risco.

Bianca travou a mandíbula, os nós dos dedos brancos de tanto apertar o tablet. Ela girou sobre os saltos finos e saiu da sala, mas não antes de lançar um último olhar de advertência para Isadora.

A bolha de tensão entre Dante e Isadora havia estourado, mas o perigo agora tinha um rosto e um nome.

Isadora seguiu para a sala de conferências sentindo o peso de cada olhar que cruzava o seu no corredor. Ela sabia que, em uma empresa como a Empire Group, o silêncio era uma mercadoria rara e a fofoca, a moeda de troca mais valiosa. O fato de ter chegado em um carro da presidência e a defesa pública de Dante contra Bianca já haviam se espalhado como fumaça.

Ao entrar na sala, encontrou dois funcionários cochichando perto da mesa de café. Eles silenciaram imediatamente ao vê-la, trocando sorrisos irônicos que fizeram o estômago de Isadora revirar.

Ela organizou os relatórios com mãos firmes, mas por dentro, a indignação crescia. Quando terminou, ela não voltou imediatamente para a sala da presidência. Isadora esperou Dante terminar uma ligação e entrou, fechando a porta de vidro com suavidade, mas com decisão.

— Senhor Valente, se me permite... — ela começou, parando a uma distância profissional da mesa dele. — Eu agradeço a forma como o senhor me defendeu agora pouco, mas eu gostaria de pedir que, daqui em diante, eu seja tratada exatamente como qualquer outro assistente administrativo.

Dante largou a caneta e cruzou os braços, observando-a com uma curiosidade renovada.

— E por que eu faria isso, Isadora?

— Porque eu prezo pela minha reserva — ela respondeu, sustentando o olhar dele. — Eu vim para a Empire Group para construir uma carreira baseada na minha eficiência, não para ser o centro de intrigas ou alvo de fofocas de corredor. O privilégio do transporte e esse tratamento diferenciado estão criando um alvo nas minhas costas. Eu não quero ser "protegida", eu quero ser respeitada pelo meu trabalho.

Ela deu um passo à frente, a voz baixando para um tom mais urgente.

— Eu sou uma pessoa reservada, senhor Valente. Quero evitar que meu nome seja associado a qualquer coisa que não seja profissional. Se o senhor realmente se importa com o meu rendimento, deixe-me provar meu valor sem que ninguém possa dizer que eu tive um caminho facilitado.

Dante permaneceu em silêncio por um longo momento, os olhos escuros estudando cada traço da seriedade no rosto dela. Um sorriso quase imperceptível surgiu no canto de sua boca.

— Você quer ser invisível novamente, Isadora? — ele perguntou, a voz rouca vibrando no ar. — Sinto informar, mas você cruzou uma linha ontem à noite. E neste andar, uma vez que eu decido notar alguém, essa pessoa nunca mais consegue ser apenas "mais uma". Mas... se a discrição é o que você deseja, eu farei um acordo com você.

Dante se levantou da cadeira de couro, revelando o traje impecável que escolheu para aquele dia. Ele vestia um terno de três peças em um tom de cinza chumbo tão escuro que beirava o preto, feito sob medida para acentuar sua postura autoritária. A camisa social branca estava perfeitamente passada, e a gravata de seda preta impecável. Diferente da noite anterior, onde a vulnerabilidade do banho e a toalha branca o humanizavam, hoje ele parecia uma armadura de poder e dinheiro.

Ele contornou a mesa de vidro devagar, as mãos mergulhadas nos bolsos da calça social, e parou diante dela. A diferença de altura era intimidadora, forçando Isadora a inclinar a cabeça para trás para manter o contato visual.

— Senhor Valente — ela insistiu, a voz um pouco mais trêmula do que gostaria. — Por que essa insistência? Por que todo esse tratamento diferenciado comigo? Eu sou apenas uma assistente administrativa no meio de centenas nesta empresa. Não faz sentido o senhor se dar ao trabalho de marcar território na minha calçada ou me defender de funcionários de alto escalão como a Bianca.

Ela deu um passo atrás, tentando recuperar o oxigênio que parecia sumir sempre que ele se aproximava.

— O que eu tenho de tão diferente que justifica esse caos?

Dante inclinou o rosto, um brilho denso e quase faminto surgindo em seus olhos escuros.

— Você realmente não faz ideia, não é? — ele murmurou, a voz um pouco baixa — Existem mulheres que nasceram para serem ignoradas, Isadora. E existem aquelas que, com um simples olhar de resistência no meio de uma chuva fina, conseguem desestabilizar toda a ordem que um homem como eu levou anos para construir.

Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Isadora até que ela sentisse o calor emanando de seu terno cinza chumbo. Ele estendeu a mão para a gola da camisa azul clara dela que estava levemente desalinhada.

Seus dedos tocaram na pele sensível do pescoço de Isadora, e o efeito foi instantâneo. Um arrepio percorreu pelo corpo dela, e seus mamilos reagiram sob o tecido fino da blusa. Dante sentiu a reação dela e um brilho de satisfação sombria cruzou seus olhos escuros e impenetráveis.

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