Inicio / Romance / REDENÇÃO DO CEO: O Sussurro da noite. / Capítulo 3: Entre Gotas e Silêncio
Capítulo 3: Entre Gotas e Silêncio

O relógio digital na parede da Empire Group marcava quase nove da noite. Isadora permanecia sentada, os olhos fixos na tela, fingindo uma produtividade que já havia se esgotado há horas. Na verdade, ela contava os minutos para que o andar ficasse completamente deserto. Não queria que ninguém a visse saindo a pé, enfrentando a longa caminhada até o ponto de ônibus mais distante — o único que ainda passava naquele horário e que ela podia pagar.

Quando a última luz da recepção se apagou, ela pegou sua bolsa e desceu. Ao cruzar a porta de vidro do térreo, o ar gelado da noite a atingiu, acompanhado por uma chuva fina e persistente. Ela não tinha guarda-chuva. Abaixou a cabeça, protegendo a bolsa contra o peito, e começou a caminhar.

Ela já estava a duas quadras de distância, com a blusa de cetim grudada ao corpo e os cabelos castanhos ensopados, quando um Rolls-Royce preto, silencioso e imponente como um predador, reduziu a velocidade ao seu lado. O vidro fumê deslizou, revelando o perfil esculpido de Dante Valente.

— Entre — ordenou ele. A voz não aceitava questionamentos.

Isadora travou. Ela abriu a boca para inventar uma desculpa, para dizer que gostava de caminhar na chuva, mas o olhar dele a silenciou. Sem forças para reagir, ela abriu a porta e sentou-se no banco de couro legítimo. O calor do aquecedor do carro a envolveu instantaneamente, mas o silêncio era absoluto, quebrado apenas pelo som rítmico do limpador de para-brisa.

Dante não perguntou onde ela morava. Ele apenas estendeu a mão para o banco de trás e pegou uma toalha de algodão egípcio, de um branco impecável e incrivelmente macia.

— Seque-se — disse ele, breve.

Isadora pegou o pano, sentindo o perfume dele impregnado no tecido. Ela soltou os cabelos, deixando-os cair úmidos sobre os ombros, e começou a secar o rosto e os fios com movimentos lentos, consciente de que ele a observava pelo canto do olho enquanto dirigia.

Para sua surpresa, o carro não seguiu em direção ao caminho de sua casa. Dante manobrou para dentro de um condomínio de luxo, cercado por muros altos e segurança armada. O manobrista e os seguranças se postaram em posição de respeito assim que o carro parou.

— Boa noite, senhor Valente — disseram em coro.

Isadora seguiu Dante em transe. Eles subiram pelo elevador privativo até uma cobertura.

Assim que entraram, Dante retirou o paletó e a camisa preta, jogando-os sobre o sofá, e caminhou em direção ao banheiro sem dizer uma palavra, deixando Isadora sozinha na vastidão daquela sala de estar ampla que se define por um visual urbano e minimalista, com paredes em cinza grafite e móveis em preto fosco. O ambiente é audacioso e moderno, com um sofá preto robusto que se destaca contra o tom neutro das paredes. A atmosfera é contida e cheia de personalidade. As luzes é um elemento decorativo por si só. Pontos de luz pontual realçam objetos específicos, enquanto a iluminação de fundo é mantida em um nível baixo. O contraste entre o mobiliário preto fosco e os reflexos sutis da luz quente cria um visual limpo, sóbrio e extremamente elegante.

Minutos depois, ele ressurgiu.

O vapor do banho quente o seguia como uma névoa. Dante estava apenas de toalha, amarrada de forma displicente na cintura alta. Gotas de água ainda brilhavam em seu peito definido e desciam pelo abdômen marcado, perdendo-se no volume sob o tecido branco da toalha. Seus cabelos estavam úmidos, bagunçados de uma forma que o deixava ainda mais perigoso.

Isadora sentiu a garganta secar. Ela tentou manter os olhos fixos no rosto dele, lutando contra a tentação de descer o olhar, mas o magnetismo dele era esmagador. Dante parou no meio da sala, sustentando o olhar dela por um segundo eterno, antes de caminhar em direção ao quarto para se vestir, deixando para trás apenas o som de seus passos descalços e o rastro de seu perfume amadeirado.

Ela sempre o viu de terno ou camisa social, impecável e distante. Vê-lo assim, vulnerável mas ainda poderoso, quebra as defesas dela.

Isadora continuou parada no mesmo lugar, observando ao redor e sentindo-se pequena sob aquela sala monumental. O cheiro de banho tomado e o calor que emanava do corredor onde Dante desaparecera pareciam flutuar no ar.

Alguns minutos depois, ele retornou.

Não usava mais a toalha, mas também não estava de terno. Vestia apenas uma calça de moletom cinza e uma camiseta preta de algodão que parecia macia, mas que ainda assim marcava a largura de seus ombros. Ele segurava dois copos de cristal com um líquido âmbar e gelo.

Ele caminhou até ela e estendeu um dos copos. Isadora hesitou.

— Beba. Vai ajudar a aquecer o corpo — ele disse, a voz agora menos autoritária e mais... observadora.

Sem conseguir recusar ela aceitou, sentindo o frio do cristal em suas mãos ainda úmidas. Dante sentou-se no sofá preto robusto e indicou o lugar ao lado dele com um movimento de queixo. Isadora sentou, mantendo uma distância segura, mas o sofá era tão macio que ela sentiu que estava sendo abraçada pelo móvel.

— Por que você estava caminhando na chuva, Isadora? — O tom dele era calmo, mas direto, como se ele estivesse analisando um contrato difícil. — O Empire Group oferece auxílio-transporte e motoristas de plantão para cargos de confiança.

Isadora apertou o copo, o gelo estalando no silêncio da sala. O orgulho lutava contra a exaustão dentro dela.

— Eu... eu perdi o horário do fretado da empresa — mentiu, baixando o olhar para o líquido no copo. — Achei que a caminhada me faria bem para clarear as ideias depois de um dia tão cheio.

Dante soltou um riso baixo, quase imperceptível, e se inclinou na direção dela. O perfume amadeirado agora estava misturado ao cheiro de sabonete caro.

— Você mente mal, pequena Isadora. Seus olhos castanhos perdem o brilho quando você tenta esconder a verdade — ele disse, aproximando-se o suficiente para que ela sentisse o calor da pele dele. — Você estava esperando todos saírem porque não queria que vissem para onde você vai. Ou como vai.

Isadora sentiu o rosto queimar. Não era apenas vergonha; era a sensação de que ele estava lendo sua alma através de suas paredes de grafite.

— Minha vida fora daquelas portas não deveria ser do seu interesse, senhor Valente.

— Tudo o que entra na minha empresa é do meu interesse — ele rebateu, a voz baixando para um sussurro que vibrou no peito dela. — Principalmente quando se trata de alguém que parece carregar o mundo nas costas e ainda assim se recusa a pedir ajuda.

Com um olhar tão profundo e fixo que Isadora sentiu como se ele estivesse atravessando todas as suas camadas de defesa. Era a percepção de que ele era o primeiro a realmente enxergá-la.

— Amanhã, um carro da empresa estará na sua porta às seis da manhã. Sem discussões.

Dante se recostou no sofá, a expressão voltando àquela frieza calculista, mas com um toque de posse.

Isadora sentiu um estalo de teimosia. Ela se levantou de forma brusca, quase derrubando o copo de cristal na mesa de centro, o que a deixou visivelmente desajeitada. Ela ajeitou a bolsa no ombro, tentando recuperar a postura.

— Eu agradeço a carona e a toalha, senhor Valente, mas não preciso de um motorista particular. Eu sei cuidar de mim mesma e chego no horário por meus próprios meios. — Ela respirou fundo, lutando contra o tremor nas mãos. — Está tarde e eu realmente preciso ir embora. Se me der licença, vou indo.

No momento em que Isadora se virou para sair, ele se moveu rapidamente até ela. Antes que pudesse alcançar a maçaneta, o corpo dele se postou atrás dela. Bloqueando a saída, ele apoiou um dos braços na porta, prendendo-a entre o seu peito e a madeira fria da porta.

Isadora recuou um passo, mas não havia para onde ir. O cheiro de banho e o calor que emanava da pele dele eram entorpecentes. Próximo ao ombro dela, na parede, havia um painel de controle de segurança em aço escovado. Sem desviar os olhos dos dela, Dante pressionou um botão e a voz de um dos seguranças ecoou, baixa e profissional.

— Sim, senhor Valente?

— Prepare o carro — ordenou Dante, a voz vibrando tão perto do rosto de Isadora que ela sentiu o hálito dele na pele. — Leve a senhorita Bueno até a porta de sua casa. Só saia de lá quando garantir que ela já esteja em segurança dentro de casa. Fui claro?

— Perfeitamente, senhor.

Dante soltou o botão, mas não se afastou. O silêncio que se seguiu foi carregado de uma eletricidade perigosa. Ele inclinou o rosto levemente, mantendo aquele olhar fixo e impenetrável nos olhos cor de mel dela, mas então, lentamente, permitiu que seu olhar descesse. Ele observou os lábios dela, entreabertos pela respiração apressada, com uma intensidade que fez o baixo ventre de Isadora contrair em um desejo que ela mal sabia nomear.

A tensão era quase insuportável; o espaço entre as bocas parecia ter desaparecido. Isadora fechou os olhos por um segundo, o corpo clamando por um ...

Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP