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Capítulo 2: Sombras no Paraíso de Vidro

Era uma funcionária de alto escalão, vestida com um conjunto vermelho que parecia colado ao corpo e saltos tão finos quanto agulhas. Ela nem sequer olhou para Isadora; seus olhos brilhavam apenas para o homem sentado em sua cadeira de couro na mesa de vidro a frente.

— Dante, querido... — a voz dela era um tom ensaiado. Ela caminhou até a mesa dele, deslizando a mão pela borda do vidro até parar perigosamente perto dos dedos dele. — Eu trouxe os relatórios da sede de Londres, mas achei que você preferiria que eu os explicasse pessoalmente... quem sabe durante um jantar?

Isadora sentiu um aperto estranho no peito. Uma pontada de desconforto que ela tentou disfarçar baixando a cabeça sobre os papéis. Por que ela está falando assim com ele?, pensou, sentindo as bochechas esquentarem. Ela nunca vira alguém agir com tanta liberdade naquele ambiente tão rígido.

Dante nem sequer levantou os olhos do computador. Sua expressão permanecia uma máscara de gelo.

— Deixe os relatórios na mesa, Bianca. E Saia. Da próxima vez bata antes de entrar. Estou ocupado com a minha nova assistente.

O nome "assistente" soou como um estalo. Bianca finalmente virou o rosto, encarando Isadora com um olhar carregado de desdém e superioridade. Ela mediu a blusa simples de Isadora e o cabelo pouco desajeitado com uma expressão de quem olha para algo insignificante.

— Oh... — Bianca soltou um risinho falso. — Então essa é a nova "aquisição"? Cuidado, querida. Este andar costuma ser areia demais para caminhõezinhos tão... pequenos.

Isadora apertou a caneta com força, a humilhação começando a arder. Ela esperava que Dante a defendesse, mas o silêncio dele era absoluto. No entanto, quando Bianca saiu da sala rebolando, Isadora arriscou olhar para Dante e o encontrou observando-a com uma sobrancelha erguida, um brilho de diversão cruel nos olhos.

— O que foi, Isadora? — ele perguntou, a voz baixa e perigosa. — Ficou incomodada com a visita?

Isadora sentiu o sangue pulsar nas veias. O silêncio dele diante das ofensas de Bianca havia doído, mas a pergunta dele agora era o desafio final. Ela largou a caneta e sustentou o olhar impenetrável de Dante.

— Incomodada? Não, senhor Valente — ela disse, e para sua surpresa, sua voz não tremeu. — Apenas surpresa por ver que, em uma empresa tão renomada, é permitido desrespeito, e a eficiência dos relatórios dependa de convites para jantar.

Dante arqueou a outra sobrancelha, o brilho de diversão em seus olhos tornou-se algo mais profundo, mais denso. Ele se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa de vidro.

— Cuidado, Isadora. A língua afiada pode ser um perigo para quem ainda tem os pés tão frágeis neste chão.

— Meus pés podem ser frágeis, mas sei exatamente onde estou pisando — ela rebateu, voltando sua atenção para os contratos. — E, se me permite, o senhor tem uma reunião em dez minutos. Se a "eficiência" então é a prioridade em questão aqui, sugiro que terminemos este resumo.

Dante soltou um riso baixo, um som que não era de escárnio, mas de genuíno interesse.

— Tímida, mas não indefesa. Gostei disso. Agora termine o que começou. E Isadora? Da próxima vez que Bianca entrar, não abaixe a cabeça. Ninguém neste andar tem o direito de fazer você se sentir pequena, a menos que eu permita.

Dez minutos depois, Dante se levantou. Ele vestiu o paletó, ajustando os punhos com uma precisão que hipnotizou Isadora por um instante.

— Pegue o resumo que você fez e me acompanhe. Quero que anote cada hesitação dos acionistas — ordenou ele, sem olhar para trás enquanto saía da sala.

A sala de reuniões era ainda mais imponente, com uma mesa de vidro maciço cercada por homens e mulheres que pareciam exalar poder e arrogância. Isadora sentiu-se como um pequeno ponto branco em um mar de tubarões negros. Ela se sentou em uma cadeira lateral, tentando ser invisível, mas o olhar de Bianca — que já estava lá — a queimava como ácido.

A reunião era tensa. Dante não negociava; ele ditava termos. No entanto, um dos acionistas, um homem de meia-idade com um sorriso debochado, interrompeu a apresentação

— Dante, estamos falando de milhões. Não acha que está sendo... agressivo demais? Talvez você precise de um tempo para relaxar. — Ele olhou para Isadora com um brilho malicioso. — Quem é a garotinha? Nova estagiária ou... diversão para o café?

O silêncio que se seguiu foi gélido. Isadora sentiu o sangue sumir do rosto. O comentário era uma facada em sua dignidade. Ela esperou que Dante continuasse a apresentação, ignorando a baixaria, mas ele fez algo diferente.

Dante largou a caneta de metal sobre a mesa de vidro. O som ecoou como um tiro. Ele se inclinou lentamente na direção do homem, e Isadora viu o "caos em forma de ordem"

— Ela? Ela é a única pessoa nesta sala cujas notas eu realmente me importo em ler hoje, e o nome dela é Isadora Bueno — a voz de Dante era um sussurro perigoso que fez o acionista murchar na cadeira. — Se você confundiu esta sala de reuniões com um clube de cavalheiros, a porta está logo ali. Mas se sair, leve suas ações com você. Eu não trabalho com homens que não sabem distinguir competência de desrespeito.

Isadora sentiu um choque percorrer seu corpo. Ele a defendeu. Na frente de todos.

— Isadora — Dante chamou, sem desviar os olhos do acionista humilhado. — Leia a cláusula de rescisão que você preparou. Mostre a ele por que o "café" hoje vai custar muito caro para o bolso dele.

Com as mãos ainda trêmulas, mas impulsionada pela força que ele acabara de lhe dar, Isadora abriu a pasta. Era a sua prova de fogo.

Isso deixa a Bianca e os outros em choque, estabelecendo Isadora como a protegida oficial do CEO.

Isadora respirou fundo, fixou os olhos no papel e começou a ler. Sua voz, inicialmente baixa, ganhou corpo a cada palavra. Ela explicou a cláusula de rescisão com uma clareza que deixou a sala em silêncio absoluto. Quando terminou, o acionista que a insultara não teve coragem de dizer mais nada; ele apenas recolheu seus papéis, visivelmente humilhado.

Dante não disse "obrigado". Ele apenas fez um sinal com a cabeça, encerrando a reunião.

Quando o último acionista saiu e a porta pesada se fechou, sobrando apenas os dois na vastidão da sala de reuniões, o silêncio mudou de natureza. Não era mais gélido, era denso. Dante caminhou lentamente até ela, parando a poucos centímetros.

— Você foi bem, Isadora. Mais do que eu esperava para um primeiro dia — ele disse, a voz vibrando perto do ouvido dela. — Mas não se acostume com as minhas defesas. Eu protejo o que é meu, mas também exijo perfeição.

Ele se afastou, deixando Isadora com o coração disparado e uma pergunta queimando em sua mente: o que ele queria dizer com "o que é meu"?

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