Mundo ficciónIniciar sesiónApós perder a esposa e a filha em um trágico acidente, Ravi jurou nunca mais se envolver com ninguém. Frio, solitário e obcecado pelo trabalho, o poderoso CEO de uma empresa de investimentos encontra uma brecha em sua armadura emocional numa noite inesperada. Em meio à bebedeira com os amigos, é amparado por uma misteriosa garçonete, Manoela — uma mulher doce e marcada por cicatrizes invisíveis. Eles compartilham uma noite intensa e inesquecível... até que ela desaparece, deixando para trás apenas uma pulseira e lembranças que ele não consegue apagar. Cinco meses depois, Manoela reaparece, agora grávida e presa a um casamento abusivo com um policial controlador. Sozinha, assustada e determinada a fugir, ela trabalha incansavelmente em uma cafeteria, tentando proteger a si mesma e ao bebê que carrega. Mas o destino tem outros planos. Quando Ravi entra naquele café, os olhares se cruzam — e tudo volta com força devastadora. Ele quer respostas. Ela teme as consequências. Entre verdades ocultas, traumas e uma paixão que insiste em renascer, Ravi precisará decidir se está pronto para amar de novo. E Manoela terá que encontrar coragem para fugir — não apenas do passado, mas de tudo o que a impede de ser feliz.
Leer másO hospital cheira a pureza e medo ao mesmo tempo. Aquele cheiro de antisséptico que sempre me lembrou a morte hoje tem outro significado: vida. Vida que está prestes a explodir em cor, som e movimento bem diante dos meus olhos.Manu está deitada na maca, as pernas apoiadas, respirando fundo enquanto mais uma contração a atravessa. Eu seguro sua mão com força — talvez mais do que deveria — mas ela não solta. Pelo contrário: ela aperta de volta. Como se dissesse que também precisa de mim para se manter de pé. Ou melhor… para trazer nossas filhas ao mundo.Nossas filhas.A palavra ainda é nova, ainda é mágica. Gêmeas. Eu demorei horas para acreditar quando o médico sorriu para nós no último ultrassom e disse: “Parabéns, vocês têm duas guerreirinhas aqui dentro.”Dois milagres. Duas razões para agradecer todos os dias por não ter desistido quando tudo desabou.Mais uma contração vem, e Manu geme, seu rosto se contorcendo em dor. Eu passo a mão em seu cabelo, ao mesmo tempo em que tento nã
A vista da cobertura sempre parece diferente quando Manu está aqui.O céu fica mais claro, a cidade mais silenciosa, o ar mais leve.Ou talvez seja apenas eu — pela primeira vez em muitos anos, completamente presente, sem dor corroendo a nuca, sem a sombra de Helena me puxando para o fundo.Hoje era o dia que eu nunca achei que veria acontecer.Roger estava preso.Manu estava livre.E nós… nós estávamos aqui, juntos, vivos.Daniel falava alguma coisa sobre prazos e formalidades jurídicas, mas minha mente não conseguia se fixar. Eu apenas observava Manu rindo baixinho com Lourdes, as mãos acariciando a barriga já arredondada, o brilho nos olhos iluminando a sala inteira.— Você está muito calado — Daniel comentou, enquanto eu servia vinho para ele.— Estou processando — respondi. Processando que tudo acabou. Que ela está segura.Que posso respirar.— E agora? — ele perguntou.Agora?Agora era a primeira vez que eu me permitia pensar em futuro.Lourdes voltou da cozinha com os pratos li
Eu achava que estava pronta.Mas, quando o carro parou diante do tribunal, minhas mãos ficaram frias, meu estômago embrulhado e minhas pernas tremeram de um jeito que denunciam mais do que qualquer palavra poderia dizer.Ravi me ajudou a descer, sua presença firme ao meu lado. Daniel vinha logo atrás, com uma pasta tão pesada quanto a responsabilidade que ele carregava.— Vai dar tudo certo — Ravi murmurou, segurando minha mão.Eu assenti… mas não acreditei de verdade.As portas do tribunal se abriram e o som ecoou, um estalo violento que correu pelos meus ossos. O corredor parecia interminável. Cada passo aumentava a pressão no meu peito. Quando entramos na sala de audiência, eu o vi.Roger.Sentado, de terno escuro, barba por fazer, olhar frio. Ele não sorriu, não debochou… mas aquela serenidade falsa fez meu estômago virar do avesso. Ele parecia calmo demais. Perigoso demais.“Você nunca vai se livrar de mim”, era o que aqueles olhos costumavam dizer. Ali, mesmo sem palavras, dizia
A porta do quarto se fechou com um click suave, isolando o mundo e seus perigos do universo que existia apenas para nós dois. O ar ainda carregava o cheiro doce do shampoo que ela usara horas antes, um aroma de jasmim e segurança que agora se misturava à eletricidade do desejo. Ela estava em meus braços, leve como uma pena, mas pesando como todo o meu mundo. Seus olhos, ainda um pouco úmidos, não paravam de me encarar, desafiadores e vulneráveis ao mesmo tempo.— Você é linda — a frase saiu de mim como um fato, uma verdade absoluta que não precisava de embelezamento.Ela não respondeu com palavras. Em vez disso, enterrou os dedos no meu cabelo e puxou meus lábios para os dela novamente. Era um beijo diferente agora – menos hesitante, mais faminto. Era a fome de quem tinha passado tempo demais na seca e finalmente encontrava o oásis.Com uma delicadeza que eu nem sabia possuir, a deitei sobre o edredom de algodão, a cama cedendo sob nosso peso combinado. Meu corpo cobriu o dela, mas im
O elevador parecia demorar uma eternidade para chegar ao último andar. O som metálico do motor, o reflexo da minha expressão tensa nas paredes de aço — tudo me fazia sentir como se estivesse preso dentro de um pesadelo que eu não conseguia acordar. Carlos havia me ligado há menos de meia hora, e desde então, a única coisa que ecoava na minha cabeça era a palavra flores.Quando as portas se abriram, caminhei pelo corredor largo da cobertura com o coração martelando no peito. O apartamento estava iluminado, a voz de Lourdes ecoava vinda da sala de jantar, e por um instante, aquela cena simples — risadas contidas, o som de xícaras sobre o pires — me fez lembrar que ali dentro havia vida, havia calor.Mas bastou eu cruzar a porta para o instinto tomar o controle.Manu estava sentada à mesa, o rosto ainda pálido, as mãos entrelaçadas sobre a barriga. Carlos estava ao lado, em posição de alerta, e Lourdes tentava disfarçar a tensão servindo chá. Assim que ela me viu, os olhos marejaram — e
O turno na delegacia tinha terminado, mas o verdadeiro trabalho só começava quando as luzes frias da repartição se apagavam. É nas sombras que se encontra o que a justiça nunca alcança — e, naquele dia, eu estava decidido a alcançar Manoela.Dirigi até o bairro nobre de Londres, o mesmo endereço que eu já havia decorado, graças ao relatório que consegui com meu contato. O nome Ravi Bonetti ainda pulsava na minha cabeça como uma ofensa pessoal. Um homem de posses, influência, poder. E agora, o novo “herói” da minha esposa.Encostei o carro do outro lado da rua, num ponto discreto, de onde podia observar o portão da cobertura. A segurança era absurda — câmeras, vigilantes, carros de luxo entrando e saindo. Era o tipo de lugar que nem o vento entrava sem ser anunciado.Esperei quase uma hora até vê-los saírem. Ela, Rosa — aquela velha intrometida — e um homem grande, claramente o segurança particular.Quando Manoela apareceu, meu corpo reagiu antes da mente.O vestido claro moldava a cur





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