Mundo de ficçãoIniciar sessãoApós anos mergulhado no submundo da máfia, Lian Marconi abandonou a escuridão e renasceu em Zurique como juiz. Respeitado, temido e envolto em silêncio, enterrou seu passado a sete palmos. Mas sua maior queda não veio das ruas — veio de casa. Traído pela mulher que amava, Lian se divorciou e deixou para trás qualquer resquício de perdão. O homem que buscava redenção morreu. Em seu lugar, nasceu o “Juiz D-i-a-b-o”: frio, implacável, incapaz de amar. Temido nos tribunais, solitário em sua mansão, ele acreditava que esse seria seu destino final. Até cruzar o caminho de Aurora Deneuve. Com segredos dolorosos, mas uma coragem que desafia sua própria fragilidade, Aurora desperta nele uma chama que julgava extinta. Proteger aquela mulher torna-se mais do que um dever — é um confronto direto com o i-n-f-e-r-n-o que carrega dentro de si. Mas até onde o juiz de olhos de gelo pode ir sem se destruir? Será Aurora a sua salvação… ou a sua sentença final?
Ler maisPoucos minutos depois, eles já estavam no estacionamento do hospital. Raul, sempre solícito, abriu a porta do carro e ambos entraram.Durante todo o trajeto até a casa dela, Isabella permaneceu em um silêncio absoluto. Ela apoiava a têmpora contra o vidro, olhando a cidade passar lá fora, absorta em seus próprios pensamentos.Lian também não disse uma única palavra, a sua mente parecia ter ficado para trás, presa naquele quarto de hospital.Ao chegarem ao destino, Raul desceu rapidamente e abriu a porta do carro para Isabella. Antes de sair, porém, ela hesitou. Girou o corpo na direção de Lian, que estava ao seu lado no banco de trás, com os olhos carregados de uma gratidão profunda.— Obrigada, Lian.Ele ergueu os olhos para ela.Por um breve instante, a rigidez habitual de suas feições vacilou. Algo mais suave atravessou seu olhar — um carinho silencioso que poucos tinham o privilégio de ver.— Descanse — ele aconselhou, a voz mais mansa. — À noite será o seu primeiro dia na faculda
Após Lorenzo desaparecer de vez pelo corredor, Lian permaneceu parado por alguns segundos, o olhar ainda fixo no ponto onde o jovem havia sumido. Era como se parte da sua mente ainda estivesse ali, processando tudo o que acabara de ouvir.Então soltou um suspiro discreto — quase imperceptível — e começou finalmente a caminhar em direção à ala onde Aurora estava internada.O corredor do hospital parecia silencioso demais. As luzes frias refletiam no piso claro, e cada passo seu ecoava suavemente pelo espaço vazio. O ambiente carregava aquela atmosfera estranha dos hospitais: um silêncio que nunca era completo, sempre interrompido por ruídos distantes de máquinas, passos ou vozes abafadas.Quando chegou ao quarto, Lian empurrou a porta devagar.Ao entrar, encontrou Isabella sentada ao lado da cama, segurando uma das mãos de Aurora entre as suas. Os dedos dela estavam entrelaçados aos da mulher inconsciente com força delicada, como se tivesse medo de que, ao soltá-los, Aurora pudesse des
Na manhã seguinte, Lian foi despertado por batidas insistentes na porta. Ainda sonolento, passou a mão pelo rosto e murmurou algo inaudível.Antes que pudesse responder, a porta se abriu — e Isabella entrou sorridente, equilibrando uma bandeja de café da manhã.— Bella… — ele resmungou, a voz rouca. — Eu podia estar nu. Já pensou em bater antes de entrar?— Bom dia, mal-humorado. Eu juro que bati — respondeu Isabella, arqueando uma sobrancelha. — Mas como você resolveu ignorar, entrei. Agora anda, toma o seu café e se arruma.Ela colocou a bandeja sobre a cama. Café expresso, croissants dourados, frutas frescas e uma pequena flor num vasinho de porcelana.Estava prestes a sair, mas hesitou por um instante. Voltou dois passos, inclinou-se e depositou um beijo leve na bochecha do irmão antes de deixar o quarto, fechando a porta com delicadeza.Lian soltou um suspiro resignado. Um sorriso discreto curvou os seus lábios.Isabella era o oposto dele — cheia de vida logo pela manhã, sempre l
Isabella respirou fundo, a voz trêmula, quase um sussurro.— Lian… o que ouvi… — engoliu em seco, as mãos apertando o tecido do vestido sobre o colo.Lian manteve o olhar fixo sobre ela, o semblante sério.— Continue, Bella.— No começo… achei que ela estivesse apenas alterada, devido ao vinho — disse Isabella, hesitante. — Mas logo percebi que não era isso. — Fez uma pausa, a respiração presa. — Ela… ela estava conversando com os pais, Lian. Com os dois… como se ainda estivessem ali, ouvindo cada palavra. Pelo que entendi… eles já se foram.Lian franziu o cenho, silencioso.— A voz dela era... — Isabella baixou o olhar, sentindo a pele se arrepiar só de lembrar. — Era a voz de alguém que carrega muita dor, Lian. Ela disse que um homem chamado Bastien — o marido dela, pelo que entendi — a espancou e depois a empurrou escada abaixo. Ficou em coma por meses… e só sobreviveu por um milagre.Lian ficou imóvel. A mão que segurava a gaze endureceu, e a expressão dele se fechou completamente





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