O Recomeço do Ceo: A Babá que Curou Meu Destino

O Recomeço do Ceo: A Babá que Curou Meu DestinoPT

Romance
Última atualização: 2026-02-04
Aurora Drich  Atualizado agora
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Índice

Ele jurou nunca mais amar. Ela só precisava de um motivo para continuar vivendo. Heitor é um CEO poderoso, mas quebrado. Abandonado pela esposa com dois filhos pequenos, ele transformou seu coração em gelo e sua casa em uma fortaleza de solidão. Ele não precisa de uma babá; ele precisa de um milagre. Alice perdeu tudo. Após lutar em vão contra o câncer da filha, restou-lhe apenas o luto e o desespero. Ao aceitar o emprego na mansão de Heitor, ela não esperava que o choro de dois órfãos de mãe fosse o único som capaz de preencher o vazio em seu peito. Em uma semana, ela mudou a casa. Em um mês, ela mudou a alma do CEO. Heitor nunca repetia encontros, mas agora não consegue imaginar a vida sem o olhar amendoado da mulher que curou seus filhos. Mas o que acontece quando a ex-mulher decide voltar para reclamar o lugar que nunca mereceu? Será o amor de Alice forte o suficiente para vencer a manipulação de quem só conhece a ganância?

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Capítulo 1

Capítulo 1: O Caos de Vidro

O cheiro de hospital sempre seria, para Alice, o cheiro da despedida. O bip constante dos aparelhos, que por meses foi a trilha sonora de sua angústia, finalmente havia cessado. O silêncio que se seguiu era pior. Era ensurdecedor.

Alice encarou o leito vazio. A pequena cama, agora arrumada com lençóis brancos e frios, não guardava mais o corpo frágil de sua filha. Ela passou a mão pelos próprios braços, sentindo o peso da ausência. Tinha vendido tudo — a casa, os móveis, até as lembranças mais queridas — para pagar um tratamento que, no fim, não conseguiu vencer a morte.

Com uma única mala gasta na mão e os olhos amendoados nublados por uma tristeza profunda, ela atravessou o corredor da oncologia pela última vez. Ela não tinha para onde ir, não tinha um centavo no bolso e seu coração estava em frangalhos. Mas, enquanto caminhava para a saída, uma única certeza a mantinha de pé: ela precisava sobreviver. Nem que fosse para honrar a memória da pequena que se foi.

________________

A mansão Albuquerque, encravada em um dos condomínios mais luxuosos da cidade, era um monumento à frieza. Paredes de vidro do chão ao teto, mármore branco e móveis de design que pareciam nunca ter sido tocados. Mas, naquela manhã de segunda-feira, a estética minimalista fora substituída por um cenário de guerra doméstica.

Heitor Albuquerque, o CEO cujo nome fazia concorrentes tremerem em reuniões de conselho, sentia que estava prestes a perder sua sanidade. Ele tinha 1,88m de altura e uma estrutura física que impunha respeito em qualquer lugar, mas, naquele momento, sentia-se minúsculo diante do choro estridente de sua filha de um ano, Luna.

— Por que ela não para? — Heitor perguntou, a voz saindo em um rosnado baixo, enquanto passava a mão nos cabelos castanhos médios, bagunçando o corte clássico old school que costumava manter impecável.

— Talvez porque ela sinta que o pai dela é uma pilha de nervos — rebateu Isabela, sua irmã gêmea.

Isabela era o reflexo feminino de Heitor. Tinha os mesmos olhos castanhos expressivos e o maxilar bem marcado, mas, ao contrário do irmão, ela não tinha medo de demonstrar o cansaço. Ela segurava uma mamadeira descartada enquanto tentava, sem sucesso, manter o pequeno Léo, de três anos, longe do vaso de cristal da dinastia Ming que decorava o hall.

— Eu não sou uma pilha de nervos, Isabela. Eu sou um homem que tem uma empresa para gerir e dois filhos que parecem ter decidido que hoje é o dia da revolta — Heitor disse, checando o relógio de pulso caríssimo. Ele estava de terno cinza chumbo, a barba feita tão rente que a pele parecia acetinada, mas seu olhar estava exausto.

— O Léo expulsou a quarta babá em dois meses, Heitor. Ele chutou a canela da pobre mulher! — Isabela exclamou, pegando Léo pelo braço antes que ele escalasse o sofá de couro legítimo.

— Ela era chata! — Léo gritou, o rosto vermelho de birra. — Ela cheirava a remédio e não me deixava brincar de carrinho no corredor! Eu quero a mamãe!

O nome “Letícia” flutuou no ar como um veneno. O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de uma amargura que Heitor tentava enterrar todos os dias. Fazia quase um ano que sua ex-mulher tinha saído por aquela porta, levando suas joias e deixando para trás uma bebê de um mês e um filho traumatizado. Heitor nunca perdoaria o abandono, nem a forma como ela sequer olhou para trás. Desde então, ele se fechou. Saía com mulheres diferentes quase todas as noites, mas nunca repetia o encontro. Não havia espaço para sentimentos em sua vida, apenas para a eficiência e o controle. Controle que, agora, estava escorrendo por seus dedos.

— A próxima candidata chega em cinco minutos — Isabela avisou, sentando-se exausta no degrau da escada de mármore. — Se você não contratar essa, eu vou embora, Heitor. Tenho minha própria vida, meu próprio trabalho. Eu te ajudei por um ano, mas não posso ser a mãe substituta para sempre.

Heitor travou o maxilar. Ele sabia que a irmã tinha razão, mas a ideia de colocar uma estranha para cuidar de seus filhos o aterrorizava. Ele não confiava nas mulheres. Para ele, todas eram como Letícia: superficiais, interesseiras e prontas para partir no primeiro sinal de dificuldade.

— Que seja. Mande-a entrar assim que chegar. Mas duvido que ela aguente o Léo por meia hora.

...

Do outro lado do portão de ferro monumental, Alice apertava as alças de sua bolsa gasta. Ela sentia-se um peixe fora d’água naquele bairro onde até as árvores pareciam ter sido podadas com réguas de ouro. Seu estômago roncou, um lembrete de que sua última refeição real tinha sido há mais de vinte e quatro horas. Ela tinha vendido tudo o que possuía. O pequeno apartamento, os móveis, as poucas joias de família... tudo fora consumido pelo tratamento de câncer de sua filha. E, no fim, a única coisa que lhe restou foi uma dívida astronômica e um luto que parecia um buraco negro em seu peito.

Ela olhou para o papel amassado com o endereço. O salário oferecido era surreal, e o fato de o emprego incluir moradia era a sua única salvação. Ela precisava desse emprego. Não era apenas uma questão de dinheiro; ela precisava de algo para ocupar a mente, para não se afogar na própria tristeza.

Quando os portões se abriram e ela caminhou pela alameda de entrada, Alice sentiu o peso da mansão. Ao entrar, o som que a atingiu não foi o de música ambiente ou de uma casa organizada, mas o choro de uma criança em puro sofrimento.

Um choro que ela conhecia bem. O choro de um bebê que precisava de conforto, não de regras.

A governanta a guiou até a sala principal. O cenário que encontrou foi caótico. Um homem muito alto, de ombros largos e uma presença intimidadora, estava de pé perto da janela, de costas, passando a mão no cabelo repetidamente. Uma mulher que parecia ser sua versão feminina tentava acalmar um menino que chutava o ar.

E, no centro de tudo, em um berço portátil, a pequena Luna chorava até ficar sem fôlego.

Ninguém notou a entrada de Alice. Heitor estava ocupado demais tentando manter a postura fria, e Isabela estava no limite de suas forças.

Alice não esperou ser anunciada. A dor do luto em seu coração, por um momento, foi silenciada pelo instinto de proteção. Ela conhecia aquele choro. Era o choro de um bebê que se sentia desconectado do mundo. Antes que Heitor pudesse se virar ou que Isabela dissesse uma palavra, Alice caminhou com passos leves, porém decididos, até o berço.

— O que você pensa que está fazendo? — A voz de Heitor trovejou. Ele se virou, os olhos castanhos faiscando de irritação e surpresa.

Alice não respondeu de imediato. Ela não se intimidou com o tamanho dele ou com o tom autoritário. Ela simplesmente se inclinou sobre o berço e, com uma delicadeza que parecia vir de outro mundo, passou a mão sobre a cabecinha de Luna.

— Shh... calma, pequena. Eu estou aqui — sussurrou Alice.

A voz dela era como veludo sobre uma ferida aberta. Luna, surpresa com o novo toque e o tom de voz suave, soluçou uma última vez e abriu os olhos, encarando Alice. Alice a pegou no colo com uma segurança natural, aninhando o corpinho da bebê contra seu peito, exatamente sobre seu coração.

O silêncio caiu sobre a sala como uma cortina de teatro.

Heitor travou. Ele ia expulsá-la por sua ousadia, mas as palavras morreram em sua garganta. Ele nunca tinha visto Luna se acalmar tão rápido com ninguém, nem mesmo com Isabela. A mulher diante dele era baixinha, batendo mal nos seus ombros, e parecia magra demais naquele vestido simples de algodão. Seus cabelos castanhos claros tinham reflexos que lembravam o pôr do sol, e seus olhos amendoados eram tão grandes que pareciam ler a alma dele.

— Quem é você? — Heitor perguntou, mas desta vez a voz não era um trovão, era apenas um sussurro confuso.

Alice finalmente olhou para ele. Ela viu o homem forte e imponente, o maxilar rígido e a barba perfeita, mas também viu a exaustão em seus olhos.

— Meu nome é Alice. Eu vim pela vaga de babá.

Heitor sentiu um nó estranho na garganta. Ele reparou na beleza dela — uma beleza natural, sem os artifícios estéticos de Letícia. Não havia botox ali, apenas uma pele pálida e lábios carnudos que agora estavam comprimidos em uma linha de determinação. Mas o que mais o chamou a atenção foi a profunda melancolia que emanava dela, mesmo enquanto ela sorria para o bebê em seus braços.

— Você acabou de fazer em dez segundos o que três profissionais treinadas não conseguiram em uma semana — observou Isabela, levantando-se e aproximando-se com curiosidade. — Você tem referências, Alice?

Alice hesitou por um segundo. Suas “referências” eram o amor que dedicou à própria filha até o último suspiro, mas ela não diria isso. Não queria piedade.

— Eu cuido de crianças porque as entendo, senhora. As crianças não precisam de diplomas, elas precisam de presença — respondeu Alice, mantendo a voz firme, apesar do tremor nas mãos.

Léo, que assistia a tudo do sofá, caminhou lentamente até Alice. Ele parou diante dela, olhando-a de cima a baixo com a desconfiança de quem já tinha sido decepcionado muitas vezes.

— Você vai me obrigar a comer brócolis? — Léo perguntou, desafiador.

Alice se abaixou, ainda segurando Luna, para ficar na altura do menino.

— Só se você me ajudar a descobrir se eles têm o poder de dar superforça. Dizem que os heróis comem brócolis em segredo.

Léo inclinou a cabeça, processando a informação. Um pequeno sorriso surgiu no canto de seus lábios, algo que Heitor não via há dias.

Heitor observava a cena em silêncio. Ele sentiu uma pontada de algo que não conseguia identificar. Era atração? Talvez. A beleza de Alice era inegável, especialmente o contraste de sua delicadeza com a força de sua postura. Mas era algo mais. Era como se, por um breve momento, o caos de sua casa tivesse sido domado por aquela estranha.

— Eu não contrato ninguém sem uma investigação completa — Heitor disse, recuperando sua máscara de CEO. Ele caminhou até Alice, sua altura de 1,88m fazendo-a parecer ainda menor. Ele parou a poucos centímetros dela, sentindo um aroma leve de lavanda vindo de seus cabelos. — Mas minha irmã está certa. Você tem jeito.

Ele passou a mão no cabelo, arrumando-o para trás, e fixou os olhos nos dela.

— Vou te dar uma semana de teste. Se você sobreviver ao Léo e a Luna por sete dias sem pedir demissão, discutiremos um contrato permanente.

Alice sustentou o olhar dele. Ela via o homem quebrado por trás do terno caro.

— Eu não vou desistir, senhor Albuquerque. Eu preciso deste emprego tanto quanto seus filhos precisam de alguém que realmente os veja.

Heitor sentiu um calafrio com a audácia dela. Ninguém falava com ele daquela forma. Ele estava acostumado a mulheres que tentavam agradá-lo ou que fugiam de sua intensidade. Alice não fez nenhum dos dois.

— Veremos — ele disse de forma curta. — Isabela vai te mostrar seus aposentos. Começamos agora.

Enquanto Isabela guiava Alice escada acima, Heitor ficou parado no meio da sala silenciosa. Ele tocou o próprio peito, onde o coração parecia bater em um ritmo diferente. Ele odiava a vulnerabilidade, e aquela mulher, com seu olhar triste e mãos gentis, parecia ser a definição de perigo para o seu mundo de gelo.

Ele não sabia ainda, mas as paredes da sua fortaleza estavam começando a rachar.

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Capítulo 1: O Caos de Vidro
Capítulo 2: O Peso do Silêncio
​Capítulo 3: Máscaras e Madrugadas
Capítulo 4: O Domador de Sombras
Capítulo 5: As Frestas da Armadura
Capítulo 6: O Domingo de Sol e Sombras
Capítulo 7: O Contrato do Destino
Capítulo 8: O Ritmo do Coração
Capítulo 9: Sob a Luz dos Cristais
Capítulo 10: Verdades Entre Xícaras de Café
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