Mundo ficciónIniciar sesión🐺 O Despertar do Alfa – A Origem Blackwolf Serena Blackwolf é enviada para um casamento arranjado com um estranho em Riverwood, um destino imposto pelo próprio pai, o temido Barão William Blackwolf. Jackson Grimwood, herdeiro humano de uma família falida, é forçado a aceitá-la para salvar as terras dos Grimwood. Nenhum dos dois quer esse casamento. Nenhum deles está preparado para o que vem depois. Porque uma antiga maldição começa a se mover… E o Barão fará qualquer coisa até destruir o próprio neto para impedir que a profecia se cumpra. 🌕 Entre segredos, perigo e uma paixão que cresce onde não deveria, Serena e Jackson precisarão escolher: obedecer ao destino… ou enfrentá-lo. 🔥 O Despertar do Alfa – A Origem Blackwolf 🐺 A história de como tudo começou antes da guerra, antes do trono, antes do Alfa despertar.
Leer másO ronco da viatura quebrou o silêncio da estrada de terra enquanto o sol morria atrás das colinas de Riverwood. Quando parou diante do casarão Grimwood, imóvel e cansado, Jackson teve a certeza incômoda de que más notícias o aguardavam.
Na varanda, o pai o esperava. Elijah Grimwood estava de pé na varanda, o chapéu de palha sombreando o rosto duro e inflexível. — Então o xerife voltou pra casa — disse ele, a voz seca como o pó da estrada. Ele caminha em direção ao seu pai. Jackson era um homem alto, de postura firme, ombros largos e pele bronzeada pelo sol do sul. O cabelo loiro-escuro caía levemente sobre a testa, e os olhos azuis refletiam o mesmo céu alaranjado que se apagava no horizonte. Jackson respirou fundo percebendo o tom do pai, fechou a porta da viatura e subiu os degraus da varanda. — Boa noite, pai. Estou atrasado? — Pro jantar, não. Pro resto das obrigações da vida, já chega tarde há anos. – diz o pai de forma ríspida e cortante. _“Eu só queria ter um jantar normal”_ Jackson pensa enquanto encara o pai, os lábios uma linha fina de contenção. O tom bastou pra reacender o incômodo entre os dois. Jackson ajeitou o cinto e respondeu, o maxilar travado. — Ainda com esse assunto, pai? Já discutimos isso. Eu tô fazendo o que gosto, e o assunto está encerrado. O silêncio entre os dois se estendeu por longos segundos, interrompido apenas pelo som do vento passando pelas cercas. Elijah desviou o olhar primeiro, batendo a ponta da bengala no assoalho. — Vamos entrar — disse, seco. — Sua mãe preparou o jantar e temos assuntos a tratar… Jackson suspirou e o acompanhou. O assoalho da varanda rangeu sob os passos dos dois, e a porta velha se abriu soltando um estalo. O cheiro de pão recém-assado e carne ao forno tomou o ar. A sala de jantar era ampla, iluminada pelo tom dourado da lareira. As cortinas claras balançavam com a brisa que vinha da janela aberta. A casa parecia viva, guardando dentro de si o peso de todos os anos e das memórias que insistiam em não partir. Eleanor Grimwood, a mãe, estava de pé junto à mesa. Os cabelos loiros começavam a ganhar fios prateados, e o avental florido trazia o cheiro de temperos e fumaça. Ela virou-se assim que os viu e sorriu — um sorriso doce, mas cansado, o tipo de sorriso que uma mãe usa pra esconder preocupação. — Finalmente em casa, meu filho. — A voz dela soou suave, acolhedora, diferente da rigidez do marido. Jackson tirou o chapéu e encostou-o na parede. — Boa noite, mãe. — Aproximou-se e beijou-lhe a testa. — Estava com saudade. Eleanor pousou a mão no rosto dele, os olhos marejando por um instante. — Você anda magro demais. Trabalhando demais. Jackson sorriu de leve. — E tenho vivido mais na delegacia do que em casa … tenho muitas obrigações como xerife — respondeu, lançando um olhar breve para o pai, que fingiu não ouvir. Elijah se sentou à cabeceira da mesa, o corpo ereto e o olhar distante. Eleanor acomodou-se ao lado oposto, e Jackson tomou o lugar à direita, o mesmo de quando era menino. A comida fumegava em travessas de porcelana. O cheiro era familiar — carne assada, pão quente e ervas frescas —, o tipo de jantar que um dia significou lar. Agora, só lembrança. Durante alguns minutos, ninguém falou. O único som era o dos talheres, o crepitar do fogo e o relógio antigo marcando o tempo na parede. Eleanor foi a primeira a tentar amenizar o clima. — E a cidade, filho? Como estão as coisas por lá? Jackson ergueu o olhar do prato. — Tranquilas, mãe. Uns bêbados, umas brigas de bar… nada demais. Elijah limpou a garganta, o som seco preenchendo o ar. — Nada demais — repetiu com sarcasmo. — Um xerife satisfeito com o nada. Que orgulho. Jackson pousou o garfo com calma, mas os dedos estavam tensos. — Prefere que eu volte pra cá e passe o resto da vida cuidando de vaca e plantação? — Prefiro que viva como um Grimwood. — Elijah cruzou os braços. — O nome dessa família valia alguma coisa antes de você trocar a terra pela lei dos outros. Eleanor lançou um olhar repreensivo ao marido. — Elijah, por favor… Mas ele continuou, sem alterar o tom. — Teu irmão morreu lutando por essa terra. E você? Vive servindo homens que nunca pisaram nela. Jackson respirou fundo, tentando manter a calma. — Eu sirvo às pessoas, pai. Protejo o que é certo. Elijah soltou um riso curto, amargo. — Certo. — Balançou a cabeça. — Certo é sustentar o chão onde você nasceu. Certo é não deixar o nome Grimwood virar piada. O silêncio voltou, pesado. Eleanor apertou o guardanapo com força demais, os olhos marejados, a respiração curta. Jackson olhou para o prato, mas o estômago já havia fechado. — Jackson , a fazenda está falida, o banco deu um prazo. — Elijah disse, de repente. — Se não pagarmos, perdemos a fazenda. A casa. Tudo. Ainda esta semana. A frase caiu sobre a mesa como um desabamento. Eleanor fechou os olhos, tensa. Jackson ergueu o olhar, surpreso. — O quê? — Fiz um acordo com o Barão William Blackwolf. Ele vai quitar nossas dívidas e salvar nossas terras. Jackson arqueou as sobrancelhas. — E o que o senhor deu em troca? Elijah o encarou, firme. — Dei você. Vai se casar com uma das filhas dele. O garfo escapou dos dedos de Jackson e bateu no prato, o som metálico ecoando. Ele se levantou devagar, a voz incrédula. — Eu já tenho compromisso, pai! Tenho minha noiva, Daiana! Não vou me casar com qualquer uma! Eleanor levou a mão à boca. Elijah continuou impassível. Jackson falou mais alto, o rosto vermelho: — Daiana é a mulher com que eu vou me casar! Jackson estava com Daiana a tanto tempo que não se lembrava mais quando começou , estudaram juntos desde a infância , ela foi sua primeira mulher , sua primeira e única namorada , porém a paixão da adolescência que ele sentia antes por ela não tinha mais, oque restou foi apenas lealdade. As palavras saíam em disparo, cheias de dor e orgulho. Mas no fundo, ele sabia que o amor entre eles havia mudado. Ainda havia carinho, lealdade, respeito — mas não mais fogo. Mesmo assim, Jackson era um homem de palavra, fiel aos votos que fizera. Elijah recostou-se na cadeira, indiferente. — Esse relacionamento com essa garota que não vai pra frente nem pra trás não , e não vai salvar nossa família!. — A voz dele era firme, cortante. — Você precisa nos ajudar. Se não vamos parar no olho da rua! Jackson cerrou os punhos. — E se eu me recusar? — Então vai carregar o peso de deixar o nome Grimwood morrer. — Elijah bateu o pé no chão. — Não faça com que a morte do seu irmão tenha sido em vão. O nome Joshua ecoou na sala como uma sentença. Jackson respirou fundo, o olhar nublado. — Joshua morreu por essa nação, pai. — A voz dele saiu baixa. — E você quer que eu morra por esta terra. O silêncio engoliu o resto. Eleanor chorava baixinho. Elijah apenas o encarava, inquebrável. Jackson se levantou, pegou uma garrafa de cerveja da mesa e saiu, batendo a porta. Ele desceu os degraus como se fugisse da própria casa. O ar frio o cortou, mas não tanto quanto as palavras do pai. — Casamento arranjado… — ele bufou. — Isso só pode ser uma piada de mal gosto … em que século estamos ? O vento vinha do norte, carregando o cheiro de chuva e terra molhada. O campo se estendia diante dele — uma imensidão dourada agora tingida pelo luar. Seguiu por entre as cercas, o som das botas afundando na poeira úmida. Conhecia aquele caminho de olhos fechados. Atrás do celeiro, sob a velha figueira, ficava o pequeno cemitério da família Grimwood — um retângulo cercado por pedras cobertas de musgo, onde o tempo parecia andar mais devagar. As folhas balançavam preguiçosas no alto, sussurrando segredos antigos. Ali, debaixo daquela árvore, o irmão dele dormia. Jackson parou diante da lápide simples de pedra clara. “Joshua Grimwood — Filho, irmão, herói.” Leu as palavras em silêncio, como quem repete uma oração antiga. Ajoelhou-se e apoiou uma das mãos sobre a pedra fria. Pegou a garrafa de cerveja que trouxera e abriu com um estalo seco. O som pareceu ecoar por toda a fazenda adormecida. Tomou um gole longo, amargo, deixando o álcool queimar a garganta antes de falar. — Eles querem que eu me case, irmão… — murmurou, a voz rouca, um sorriso torto puxando o canto da boca. — Aposto que você ia rir disso. Ia dizer que eu tô enrolando demais. Deu outro gole e ergueu o olhar para o céu, onde a lua surgia por entre as nuvens. O silêncio ao redor pesava, quebrado apenas pelo farfalhar distante do trigo. — Às vezes eu ainda escuto você rindo no celeiro… — passou a mão pelos cabelos, cansado. — A mãe sempre diz que você era o orgulho da família. E eu… A frase morreu no ar. Apoiou os cotovelos nos joelhos, a cabeça baixa. — Eu fiquei. — a voz saiu quase inaudível. — Você foi embora… e sobrou tudo pra mim. O vento soprou entre as folhas da figueira, balançando os galhos como um sussurro antigo. Jackson ficou imóvel, escutando — o grilo distante, a madeira do celeiro gemendo, a terra respirando ao redor. Abriu outra cerveja, encostou-a na base da lápide e limpou o pó da cruz com a mão. — Você diria sim sem nem pensar. — respirou fundo. — Sempre foi assim… corajoso demais. Ficou ali por longos minutos, o olhar perdido no chão, carregando o peso de uma escolha que ainda não tinha feito… Quando finalmente se levantou, sentiu o peso do dever no corpo. A cada passo de volta, o som das folhas e da areia parecia mais lento, mais distante, como se a própria terra entendesse o que ele estava prestes a fazer. Ao chegar à varanda, viu as luzes acesas na sala. O fogo ainda ardia na lareira. Eleanor chorava baixinho, sentada à mesa, o olhar perdido, carregado de angústia. Elijah continuava na cabeceira, imóvel, os olhos fixos à frente. Jackson parou por um instante. O coração batia acelerado, o gosto amargo da cerveja ainda na boca. Respirou fundo… e entrou. O som das botas contra o assoalho de madeira ecoou pela casa, fazendo os dois erguerem o olhar. Ele se aproximou devagar, o rosto firme, o maxilar travado. Eleanor levou a mão ao peito, apreensiva. Uma lágrima escorreu silenciosa por sua bochecha. Elijah foi o primeiro a quebrar o silêncio. — Jackson… — chamou, a voz baixa, contida. — Qual foi a sua decisão? O fogo estalou na lareira. Jackson não respondeu. Apenas avançou mais um passo… e parou. Jackson os encarou com a decisão nos lábios. Sob o mesmo céu, milhas adiante, uma jovem loba gritava por sua própria liberdade …Jackson afundou o pé no acelerador com toda a força que tinha.O Impala rugiu, pneus cantando no asfalto, transformando a máquina em uma arma de metal e fúria.Ele não pensou.Não hesitou.Só agiu.Serena viu os faróis avançarem rápido demais. O terror travou sua garganta, mas o grito escapou, rasgando a noite:— Jackson, para!Mas ele não ouviu.A raiva e o álcool haviam tapado seus ouvidos para qualquer coisa que não fosse o desejo de destruir o que estava na sua frente.Charles tentou correr.O instinto de sobrevivência gritou em seus ouvidos, ordenando que as pernas se movessem, que ele saísse da frente daquela máquina de morte. Ele girou o corpo, os pés escorregando no cascalho solto, os olhos arregalados refletindo os faróis que cresciam rápido demais.Mas a velocidade do ódio era maior que a do medo.O Impala não freou.O som do impacto foi um baque seco, nauseante, seguido pelo grito agudo de metal se retorcendo contra algo sólido.O carro atingiu Charles e o arrastou, prensan
A floresta era um borrão de prata e sombras sob as patas de Sia.Alguém à perseguia pela floresta escura. Ela não pensava. Pensar era humano e lento demais para o que precisava agora. Serena estava afundada no fundo da consciência, deixando que o instinto assumisse o controle. O solo úmido cedia sob as garras, o impacto subindo pelos ombros, os pulmões queimando a cada fôlego puxado à força.Mas o medo...O medo era um rastro frio que ela não conseguia despistar.Sia saltou sobre um tronco caído, o corpo esticado no ar com precisão perfeita. Antes mesmo de tocar o chão do outro lado, ela ouviu.Não foi um rosnado.Foi o som seco de ossos se ajustando.Controlado. Intencional.Sia parou bruscamente. As garras cavaram a terra, folhas secas se ergueram ao redor. Ela girou o corpo, os pelos da nuca eriçados, os dentes expostos em um aviso silencioso.Das sombras mais densas, onde a lua mal alcançava, ele surgiu.O Lobo Desgarrado era cinza-escuro, de pelagem densa e impecável, o corpo gr
A viagem de volta para casa aconteceu em silêncio.Um silêncio espesso, pesado demais para ser ignorado daqueles que se impõem sem pedir licença. O fim de semana que deveria ter sido sobre risos, celebrações e descanso havia se transformado em algo torto, contaminado por segredos, tensões e verdades mal digeridas que ninguém soube nomear em voz alta.Jackson dirigia com os olhos fixos na estrada, a postura rígida demais para alguém que estava apenas cansado. Serena permanecia ao lado dele, imóvel, sentindo que qualquer palavra poderia abrir uma ferida que ainda sangrava por dentro. No banco de trás, Charles e Maeve ocupavam o espaço em silêncio absoluto, como se falar fosse proibido ou perigoso.Quatro pessoas presas no mesmo carro, fingindo normalidade.Mas não havia nada de normal ali.O silêncio não era ausência de palavras.Era contenção.Era coisa não dita.Era medo de atravessar uma linha invisível.E contenções nunca desaparecem sozinhas.Elas racham.Elas pressionam.E, cedo o
O silêncio da floresta era pesado. O vento não soprava; ele vigiava. Serena sentiu o primeiro arrepio na nuca antes mesmo de ouvir qualquer som. Algo estava fora do lugar.Ela caminhava ao lado de Maeve com passos tranquilos, mas o corpo não acompanhava a calma aparente. O instinto pulsava sob a pele, atento, inquieto, como se a floresta tivesse prendido a respiração à espera de um erro.Foi então que ela viu.Antes mesmo de ouvir.Os olhos lupinos de Serena captaram o movimento entre os arbustos com precisão cruel. Duas silhuetas. Próximas demais. Ocultas demais. Não era um abraço inocente. Não era conversa casual. O ar ao redor carregava uma tensão espessa, densa, reconhecível para quem conhece o cheiro do proibido.Ela estancou. — Oh! pela Lua! – ela exclamou e colocou as mãos na boca, os olhos arregalados. Maeve quase esbarrou em suas costas.— O que foi? — sussurrou, confusa.Serena não respondeu de imediato. Os sentidos haviam assumido o comando. A lua refletia o suficiente
A música continuava alta, abafando o bom senso. Os risos eram exagerados, alimentados por copos que nunca ficavam vazios. Era uma mistura volátil: álcool em excesso, hormônios à flor da pele e conflitos mal resolvidos. O cenário estava montado. A receita para o desastre. Jackson se aproximou de Charles e Ethan sem pressa. O corpo relaxado demais para alguém que deveria estar se divertindo. Ele se apoiou no encosto da cadeira, cruzou os braços e observou os dois por segundos longos demais para serem casuais.— Me diz uma coisa... — começou, a voz baixa, firme. —como você consegue esconder isso de mim?Charles travou.O sorriso morreu no meio do gesto. O copo parou a centímetros da boca. Ethan sentiu o estômago despencar.— Esconder o quê? — Charles perguntou, rápido demais.Jackson inclinou levemente a cabeça, como se estivesse genuinamente curioso.— Isso. — repetiu. —Vocês olham pra mim todos os dias...sentam à minha mesa...bebem comigo...e escondem uma coisa dessas?Ethan engo
Lá fora, a festa pulsava em um frenesi de luzes e sons, mas no canto aonde Serena estava, a voz incessante de Maeve parecia apenas um ruído de fundo; ela ainda estava processando o peso do que havia acontecido no corredor dentro da casa. Jackson aproximou-se de Serena de vagar. Não era aproximação de quem precisa consertar algo; era aproximação de quem quer ser o refúgio. A mão dele pousou no braço dela com a naturalidade de quem já sabe o caminho para o coração do outro. O toque era gentil e firme. — Você está bem? — disse, e a voz vinha baixa, com aquela calma de quem já viu demais e prefere segurar a tempestade pela borda.Serena olhou para ele. Havia nas pálpebras uma sombra da lembrança curta, e não ferida aberta, por um segundo, os dois respiraram o mesmo ar. Ela entrelaçou os dedos nos dele como quem amarra uma corda a uma rocha.— Tô bem, amor — respondeu, voz fina, quase um sussurro. — Obrigado.O aperto foi curto, suficiente. Não prometeram explicações. Prometeram presença
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