Narrado por Zalea Baranov
Os dias escorreram como sangue lento em ferida aberta. Desde aquela noite — a noite em que Leonid me viu afogada em pesadelos — algo se partiu em silêncio e se reconstruiu em sombras entre nós. Todas as noites, quando o colchão afundava sob o peso do seu corpo, e as mãos dele deslizavam como promessas não ditas pelas minhas costas, eu simplesmente cedia. Afundava nele. Me deixava existir.
Havia algo de quase sagrado naquele gesto. Um toque leve, um carinho no cabelo, o