Narrado por Zalea Baranov
As palavras deixaram minha boca como um feitiço antigo, nascido das entranhas da mulher que eu vinha me tornando. Não era mais a menina assombrada pelos fantasmas do pai, nem a fugitiva desesperada em busca de abrigo. Havia em mim agora uma firmeza densa, um silêncio carregado de propósito. Algo dentro de mim — sombrio, visceral — havia despertado. E tinha o nome de Leonid Raskolnikov gravado em sua essência.
Ele me olhava como se enxergasse além da carne, como se os o