Narrado por Zalea
O carro avançava pelas ruas adormecidas, e cada farol que cruzávamos parecia iluminar não o caminho, mas cicatrizes antigas. Como lâminas, os clarões rasgavam lembranças que eu pensava já terem adormecido — mas nada dorme de verdade quando se trata de sangue e dor.
Leonid dirigia em silêncio — um silêncio espesso, carregado de verdades que ferviam logo abaixo da superfície. Eu sabia que ele sentia o mesmo que eu: que essa noite era um retorno. Não à casa do meu pai, mas à ori